"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quinta-feira, 15 de março de 2012

Protótipo Beretta Chevy







A edição de 2004 da Mil Milhas Brasileiras teve entre os carros inscritos, um protótipo novato nas pistas. Trata-se do Beretta Chevy, que parecia uma mistura de Omega e Vectra. A mecânica era derivada do Omega (motor, suspensão e diferencial), o chassis era tubular e a frente lembrava um Vectra. Destaque para o tradicional GM 4.1 6 cil com 3 carburadores Webber "em pé", preparado pelo mestre Jayme Silva. O protótipo estreou na última rodada do Campeonato Paulista de Automobilismo de 2003, correndo na categoria força livre.

A condução do carro ficou sob a responsabilidade de Bob Nogueira, seu pai Beto Nogueira e do experiente Artur Bragantini. Nos treinos classificatórios, marcou o tempo de 1min49s088, suficientes para alcançar a 27ª posição no grid. A corrida terminou cedo, com 72 voltas completadas, deixando o Beretta na 59ª posição na classificação geral.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O carro verde da Fórmula 1 em 1991












Este pode não ter sido um dos carros com resultados muito expressivos na Fórmula 1, mas com certeza está entre os mais bonitos. Trata-se do Jordan 191, carro utilizado na temporada de estréia da equipe comandada por Eddie Jordan, em 1991.

O modelo se tornou clássico pela beleza de suas linhas e sua pintura verde, oriunda do patrocinador principal, a marca americana de refrigerante Seven Up (ou 7UP). Além do 7UP, o Jordan 191 exibia em sua carroceria as marcas Fujifilm e Brooksfield. Entre outros detalhes do carro, estão:

Projetistas: Gary Anderson e Andrew Green
Motor: Ford V8 HB4 3.5
Pneus: Goodyear
Câmbio: Hewland/Jordan, de 6 velocidades

Os pilotos que iniciaram a temporada foram o belga Bertrand Gachot e o italiano Andrea De Cesaris, e o desempenho da dupla e dos outros pilotos que ocuparam o cockpit verde foi o seguinte:

1ª Corrida: GP dos Estados Unidos (Phoenix - Arizona)

Bertrand Gachot: 10º lugar (abandonou com 75 voltas por problemas de motor)
Andrea De Cesaris: Não chegou a se qualificar para a corrida

2ª Corrida: GP do Brasil (Interlagos)

Bertrand Gachot: 13º lugar ( Abandonou com 63 voltas, por problemas no sistema de combustível)
Andrea De Cesaris: Abandonou com 20 voltas por problemas de motor

3ª Corrida: GP de San Marino (Ímola)

Bertrand Gachot: Abandonou com 37 voltas com problemas na suspensão
Andrea De Cesaris: Abandonou com 37 voltas por problemas de motor

4ª Corrida: Gp de Mônaco (Monte Carlo)

Bertrand Gachot: 8º lugar (2 voltas atrás do vencedor)
Andrea De Cesaris: Abandonou com 21 voltas

5ª Corrida: GP do Canadá (Montreal)

Essa corrida merece destaque maior por conta de dois acontecimentos. Esta foi a última vitória de Nelson Piquet na categoria, sendo conquistada de forma inusitada: O inglês Nigel Mansell, da Williams, dominou a prova do início ao fim, contando ainda com os abandonos de Ayrton Senna (quebra do alternador), Alain Prost (problemas de câmbio) e Jean Alesi (quebra do motor). Na última volta, Mansell reduziu drasticamente o ritmo de corrida, o que fez com que o motor apagasse quando faltavam cerca de 3 curvas para receber a bandeira quadriculada. Assim, Nelson Piquet, que estava cerca de 50 segundos atrás, herdou a primeira posição e depois da corrida declarou:

- Quase tive um orgasmo quando vi o carro dele parado na pista. Quando fui informado pelo rádio de que o Mansell tinha abandonado, não acreditei. Só vi que realmente ia vencer quando passei pelo carro parado e quase não consegui parar de rir.

Também nesta prova, foram obtidas as melhores colocações pelos carros da Jordan e os primeiros pontos:

Bertrand Gachot: 5º lugar
Andrea De Cesaris: 4º lugar

6ª Corrida: GP do México (Hermanos Rodríguez)

Bertrand Gachot: Abandonou com 20 voltas, depois de rodar na pista
Andrea De Cesaris: 4º lugar (após largar em 11º)

7ª Corrida: GP da França (Magny-Cours)

Bertrand Gachot: Abandonou após rodar na 1ª volta
Andrea De Cesaris: 6º lugar

8ª Corrida: Gp da Inglaterra (Silverstone)

Bertrand Gachot: 6º lugar
Andrea De Cesaris: Abandonou após rodar na 41ª volta

9ª Corrida: GP da Alemanha (Hockenheim)

Bertrand Gachot: 6º lugar
Andrea De Cesaris: 5º lugar (largou na 7ª posição, melhor largada da temporada)

10ª Corrida: GP da Hungria (Hungaroring)

Bertrand Gachot: 9º lugar
Andrea De Cesaris: 7º lugar

11ª Corrida: GP da Bélgica (Spa-Francorchamps)

Essa corrida foi histórica tanto para a F1 em geral, quanto para a equipe Jordan e seu modelo 191:

Em 10 de dezembro de 1990, Bertrand Gachot envolveu-se em uma briga com um taxista inglês chamado Eric Court. Ambos começam a discutir rispidamente, e o taxista acertou um soco no rosto de Gachot, que revidou utilizando um spray de pimenta, deixando seu opositor momentaneamente cego. Eric acabou entrando com um processo contra Gachot.

A justiça inglesa deu o veredicto em agosto de 1991: Gachot seria condenado a seis meses de prisão por posse ilegal de armas, e a um ano por ter usado o spray de pimenta, arma considerada ilegal no Reino Unido. Eddie Jordan, após a perda de seu piloto titular, entrou em dúvida sobre seu substituto. Stefan Johansson e Keke Rosberg foram seriamente cogitados, mas o empresário alemão Willi Weber pagou 300 mil dólares para colocar o então desconhecido Michael Schumacher no lugar de Gachot¹.

(¹Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertrand_Gachot)

O futuro heptacampeão e multirecordista da F1 fez um grande treino, classificando o Jordan 191 em 7º no grid e igualando a melhor posição de largada da equipe na temporada. Mas a corrida para ele durou apenas até a subida da curva Eau Rouge, pois um problema na embreagem pôs fim à sua estréia.

Quanto à Andrea De Cesaris, a corrida foi do céu ao inferno: Nas últimas 10 voltas para o final, ele chegou a ocupar a 2ª posição, atrás apenas do líder Ayrton Senna, que tinha problemas de câmbio. Após pressionar Senna por algumas voltas, De Cesaris abandonou a corrida faltando 3 voltas para o final, com problemas no motor Ford do seu carro. Esta foi a melhor corrida do italiano na categoria e também a melhor da equipe Jordan naquela temporada.

Na corrida seguinte (GP da Itália), o brasileiro Roberto Moreno passou a ser o segundo piloto da Jordan, pois Michael Schumacher acabou se transferindo para a Benetton para o lugar de Moreno, numa negociação polêmica entre Willi Weber e o chefe de equipe da Benetton, Flávio Briatore. Os resultados foram os seguintes:

Roberto Moreno: Abandonou na 2ª volta, com problemas nos freios (largou em 9º)
Andrea De Cesaris: 7º lugar (largou em 14º)

13ª Corrida: GP de Portugal (Estoril)

Roberto Moreno: 10º lugar
Andrea De Cesaris: 8º lugar

14ª Corrida: GP da Espanha (Catalunya)

No restante da temporada, o piloto brasileiro Roberto Moreno foi substituído pelo italiano Alessandro Zanardi. Os resultados foram:

Alessandro Zanardi: 9º lugar
Andrea De Cesaris: Abandonou na 22ª volta, com problemas elétricos

15ª Corrida: GP do Japão (Suzuka)

Alessandro Zanardi: Abandonou na 7ª volta por problemas de câmbio
Andrea De Cesaris: Abandonou ainda na 1ª volta, após se envolver em um acidente

16ª Corrida: GP da Austrália (Adelaide)

A última corrida da temporada de 1991 foi marcada pela chuva, o que causou vários acidentes e abandonos. A prova foi encerrada com 14 das 81 voltas previstas, após o forte acidente de Nigel Mansell (sempre ele!) na chicane ao final da reta Brabham. Dessa forma, foi atribuída a metade dos pontos aos 6 primeiros colocados, pois não foi atingido o limite de 3/4 de prova. Os resultados dos pilotos da Jordan foram:

Alessandro Zanardi: 9º lugar
Andrea De Cesaris: 8º lugar

No total, o Jordan 191 conquistou 13 pontos no mundial de construtores, sendo 4 pontos com Bertrand Gachot e 9 com Andrea De Cesaris. Terminou na ótima 5ª posição (atrás apenas de Mclaren, Williams, Ferrari e Benetton). Se a Jordan tivesse tido a oportunidade de usar o mesmo motor Ford (HB5) utilizado pela Benetton, certamente os resultados teriam sido ainda melhores. Ainda assim, a beleza e performance do Jordan 191 foram suficientes para colocá-lo entre os carros mais lembrados da história da F1.