"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Protótipo Tango


Em 1998, estreava em provas de longa duração o Protótipo Tango, projetado no Brasil pelo engenheiro argentino Juan Ibañez, que tinha experiência de trabalho na Ford e posteriormente trabalhou na ZF, construtora dos chassis da Stock Car. O Tango foi um autêntico "Made in Interlagos", pois a oficina de Juan era (ou ainda é) localizada perto do autódromo paulistano. Como fase de testes, o bólido foi utilizado em provas do campeonato paulista de automobilismo daquele ano, onde foi pilotado pela dupla de irmãos André e Affonso Giaffone Neto.

Então, em dezembro foi inscrito para a Mil Milhas, sendo pilotado pelo trio André Giaffone/Rodrigo Hanashiro/Alexandre Levorin. Nos treinos classificatórios, obteve a 3ª melhor marca, de 1min43s594, perdendo somente para os Porsche 911 bem mais potentes. Na corrida, a equipe teve vários problemas como o motor Chevrolet 2.0 que equipava o carro, e por conta disso, tiveram que abandonar com 174 voltas completadas, terminando na 27ª posição na geral.

Na próxima edição, disputada no Autódromo de Curitiba, o Tango Opel (mesmo motor utilizado pela extinta Fórmula Chevrolet) pilotado agora por André Giaffone/Popó Bueno/Rodrigo Hanashiro conquistou a pole position, derrotando o Porsche 911 de Roberto Samed/José Venezian/Flávio Trindade, favorito à prova. Além desde exemplar do protótipo, outros foram inscritos:

Tango BMW Nº 2 Flávio Andrade/Ruyter Pacheco/Felipe Giaffone
Tango Opel 2000 Nº 1 Délcio Correa/Tom Stefani/Athos Diniz
Tango Opel 2000 Nº 29 Ângelo Serafim, Paulo Gomes e Baltazar Júnior

O pole position liderou a prova por 120 voltas, quando teve que abandonar em virtude do estouro do motor. Já os demais Tango inscritos conseguiram desempenho melhor, principalmente o nº 2 (Giaffone) e o nº 1 (Stefani), que chegaram no 3º e 4º lugar, respectivamente.

Em 2001, o Tango voltava à prova, agora chamado de Protótipo Hollywood - BMW (em virtude da marca de cigarros patrocinadora da equipe), e com um quarteto forte para conquistar a vitória: Tony Kanaan/Felipe Giaffone/Flávio de Andrade/Ruyter Pacheco, sendo os dois últimos bicampeões (2000 e 2001) dos 500 km de Interlagos à bordo do referido protótipo, que neste ano recebeu inovações na carroceria, favorecendo a aerodinâmica. Nos treinos, o protótipo conquistou a 2ª posição no grid, com o tempo de 1min40s471. Após a largada, que foi dada com o atraso de 3 horas e após 4 voltas de apresentação por conta do temporal que desabou sobre Interlagos no fim da tarde do dia da prova, o Holywood - BMW chegou a liderar várias voltas, mas no complemento da volta 159, parou nos boxes por conta de problemas no assoalho. O quarteto ainda retornou a prova, mas abandonou-a definitivamente  na volta 234, com problemas de câmbio.

No ano de 2002, o Protótipo Hollywood teve problemas na classificação, tanto que conquistaram apenas a 38ª posição no grid, com o tempo alto de 1min55s144. Nesta ocasião, a única alteração entre os pilotos do ano anterior foi a substituição de Tony Kanaan por Zeca Giaffone, que depois de vários anos, voltava à uma Mil Milhas. Dada a largada, com Felipe ao volante, o bólido teve rápida recuperação, alcançado em 24 voltas a 3ª posição. Porém, problemas de motor fizeram com que o Hollywood perdesse várias posições e na volta à pista, ocupava a 51ª posição. A prova para a equipe terminou já pela manhã, com 190 voltas completadas, deixando-a na 40ª posição na classificação geral. Como consolo, a equipe teve o que comemorar, pois marcaram a passagem mais rápida da prova, com 1min44s158, na 84ª passagem.

O quarteto de 2002 foi repetido em 2003, e dessa vez a classificação foi melhor do que a obtida no ano anterior. Com o tempo de 1min42s222, o Hollywood - BMW assegurou a 4ª posição no grid, e na disputa, se manteve na maior parte do tempo entre a 4ª e a 6ª colocação, onde estava ao término da disputa.

A última participação do protótipo Tango em uma Mil Milhas ocorreu no ano de 2005, com o bólido nº 8, cuja condução foi dividida entre Galid Osman Jr., Enzo Morrone (Fórmula SP - que utilizava os antigos bólidos da Fórmula Ford - e Fórmula 3 Sul-Americana) e Eduardo Placucci (Stock Light e Pick-Up Racing). O trio classificou o protótipo em 16º na geral e 3º na categoria MMP2, com o tempo de 1min44s916. Na disputa, a corrida não foi além das 88 voltas completadas, deixando-os na 48ª posição na geral.


Em ação durante a Mil Milhas de 1998 - Foto retirada da página da JIG Motores Especiais, no Facebook




sábado, 18 de janeiro de 2014

Fiat Doblò de Rally - 2003

Nunca achei o Fiat Doblò um primor de beleza sobre rodas, mas me surpreendi ao folhear uma revista antiga ( de 2003) na qual tinha uma nota sobre a participação de dois exemplares do monovolume da Fiat no 11º Rally dos Sertões, disputado em agosto de 2003.

A preparação do bólido foi feita numa parceria entre a equipe Clauset Racing, a Fiat, e professores e estudantes da UNIFEI, USP, UFMG, PUC MG e CEFET MG (atual IFMG). Já a pilotagem e navegação ficou por conta, respectivamente, das duplas Cacá Clauset/Jorge Nieckele e Luís Tedesco/Gilberto Barricatti.

Ficha técnica da "criança":

Motor: Central, 5 cilindros, 2.45 litros do Marea
Potência: 195 cv a 6.000 rpm
Torque: 26 kgfm a 3.500 rpm
Transmissão: Câmbio de 5 marchas, tração traseira
Suspensão: Independente nas 4 rodas
Freios: Discos ventilados na 4 rodas
Peso: 1400 kg
Tanque de combustível: 140 litros
Rodas Dianteiras: 7x16 polegadas
Rodas Traseiras: 7x15 polegadas
Pneus Dianteiros: BF Goodrich G2 205/90 R16
Pneus Traseiros: BF Goodrich Baja 33x12,50 R15






quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ingo Hoffmann e o show no Rio em 2000: Quando conheci o talento do Alemão nas pistas


No dia 27 de Julho de 2000, a Stock Car realizava no Autódromo Internacional Nelson Piquet, o saudoso Jacarepaguá, a rodada dupla válida pela 6ª e 7ª etapas do campeonato daquele ano. A idéia inicial era que as corridas fossem disputadas no circuito oval, porém, um temporal desabou sobre a pista no início da manhã, o que fez com que a pista ficasse encharcada. Ainda assim, a classificatória aconteceu no traçado oval, com Xandy Negrão conquistando a pole position com a marca de 55s085 (média de 196,01 km/h). Porém, a corrida foi realizada mesmo no circuito misto, por medidas de segurança.

O que me lembro, do alto dos meus 9 anos de idade, foi do show de Ingo Hoffmann na chuva, com a pista cheia d'água e consequentemente, com pouca visibilidade. Aquela foi a primeira prova de Stock Car que assisti na vida, numa época em que a categoria passava por uma fase de pouca atenção em relação à mídia televisiva. Internet era algo restrito na época. Então, para um pequeno fã de automobilismo, o que restava era se informar através dos programas televisivos da época. Pois bem, voltando à prova, Ingo deu show na 1ª bateria, com Nonô Figueiredo em 2º e Adalberto Jardim em 3º. Ao sair do carro, ele não tinha idéia de que havia vencido a corrida, tamanha a confusão na pista.

De acordo com o regulamento da época, o grid da 2ª bateria seria o inverso da ordem de chegada da 1ª. Assim, Ingo largou em último e foi galgando posições, de forma rápida e segura, durante as 15 voltas da disputa no circuito misto novamente, que na ocasião já estava quase seco. No fim, chegou em 2º lugar, atrás apenas de Xandy Negrão, e à frente de Rodney Felício.

Achei uma foto dessa corrida nos meus arquivos, e então resolvi contar essa história aqui no blog, do dia em que conheci o grande piloto que foi Ingo Hoffmann. Infelizmente não nasci antes para ter tido a oportunidade de assistir a Stock nos anos 80 e 90, na época em que o Alemão era o rei da Stock!