"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 24 de março de 2014

Estrangeiros na Stock Car Brasil


Pilotos estrangeiros foram discretos na Stock Car. Essa é a conclusão que se tira ao analisar o histórico de participações dos pilotos de outros países na categoria nacional.

A 1ª e mais destacada participação foi do piloto português Pedro Queiroz Pereira, também conhecido por aqui como "PQP". Ele participou das temporadas de 1982 a 1984, e teve como melhor resultado um 4º lugar na 5ª etapa da temporada de 1983, disputada em Interlagos. Ainda participou de provas de longa duração, correndo com Opalas:

1000 Milhas: 1984 (em trio com Ingo Hoffmann e Affonso Giaffone Jr.) e 1986 (9º lugar em trio com Reinaldo Campello e Luís Osório)

1000 Km de Brasília: Correu em 1981 e 1984

Sua participação fez surgir a idéia de levar a Stock para correr em Portugal, fato que ocorreu em 1982, com duas etapas realizadas no autódromo do Estoril, e que contou com a participação de pilotos portugueses:

Pedro Vilar
Manuel Fernandes
Ernesto Neves
Rufino Fontes
Joaquim Moutinho
Manuel Breyner

Os destaques ficaram por conta do 7º lugar de Moutinho na 1ª corrida e do 10º lugar de Fernandes na 2ª.

Em 1995, os francês Didier Jaumont e o inglês George Wadell estavam inscritos para a corrida de Goiânia, numa época em que a Stock corria com o Chevrolet Omega. No ano seguinte, Wadell participou da temporada da Stock Light, conseguindo duas vitórias, na etapa de Interlagos e de Goiânia. Em outra participação em corridas no Brasil, correu as 2 horas de Brasília de 1996, em dupla com Maurício Slaviero num Porsche 911 GT2.

Entre os anos de 1999 e 2001, o suíço Hansruedi Wipf disputou provas da Light, obtendo um 5º lugar como melhor posição em uma corrida. Participou também de 2 edições da 1000 Milhas (1996 e 2001).

Em novembro de 2004, na etapa final (disputada em Interlagos) daquela temporada, o piloto argentino Emiliano Spataro (campeão da F3 Sulamericana Light de 1995) testou o Astra da equipe Nascar Competições, do ex-piloto Aloysio Andrade. Ainda naquela etapa, o compatriota de Spataro, Gabriel Furlán (tetracampeão da F3 Sulamericana) disputou a prova pela equipe Scuderia 111, terminando na 22ª posição, uma volta atrás do vencedor Thiago Camilo, que na ocasião vencia a sua 1ª prova na Stock Car V8.

Na temporada de 2005, o argentino Esteban Tuero, com passagem pela Fórmula 1, participou de duas corridas da categoria, correndo em Curitiba e depois em sua terra natal, na 1ª prova oficial da Stock Car fora do Brasil (as provas de 1982 foram extra campeonato). Em Curitiba correu em um Mitsubishi Lancer da equipe Nascar (Aloysio Andrade) para conhecer o equipamento, e na Argentina correu com um terceiro Astra da equipe Medley - Mattheis, como forma de promover a corrida no país. Apesar de ter abandonado as duas provas, seu desempenho nos treinos foi ótimo, pois marcou o 11º tempo em Curitiba e o 5º em Buenos Aires. Além disso, deu orientações valiosas para que Giuliano Losacco vencesse a prova no circuito Oscar Galvez, importante para sua caminhada em direção ao título daquela temporada. Nos testes coletivos realizados após a última etapa daquela temporada, em Interlagos, Esteban chegou a treinar com o equipamento da A. Mattheis, o mesmo com o qual competiu na Argentina. Entre os quatro pilotos que testaram pela equipe (Giuliano Losacco, Tony Kanaan, Guto Negrão e ele), Esteban ficou atrás apenas de Losacco, que obteve o melhor tempo entre todos os pilotos.

No ano de 2006, o piloto Tercetti Jr. (EUA) constava na lista de inscritos para a temporada de estreia da extinta Stock Jr., porém não obtive registros de que ele tenha disputado corridas. Nos testes coletivos ao fim daquela temporada, o piloto argentino Henry Martin testou em Interlagos com o Lancer da equipe AMG Motorsport, que no ano seguinte teve Ingo Hoffmann e Lico Kaesemodel como pilotos. Nos dois treinos em que participou, o argentino obteve as marcas de 1min40s687 e 1min42s146.

No fim de 2008, o piloto inglês Stuart Turvey completou 40 voltas com um Astra da equipe Hot Car em teste realizado no Autódromo de Londrina. na ocasião, o inglês utilizou apenas pneus usados, mas seu desempenho não decepcionou: Os tempos marcados por ele eram suficiente para colocá-lo entre os 3 melhores do grid da Copa Vicar, antiga Stock Light. O piloto declarou na época que sua intenção era participar da última etapa daquele campeonato e disputar a temporada de 2009 completa. Mas infelizmente o teste foi seu único contato com a categoria.

E na Corrida do Milhão de 2011, realizada em Interlagos, o canadense Jacques Villeneuve disputou a prova em um Peugeot.  Sua corrida teve como ponto alto a liderança na volta 24, mas logo depois teve que ir para os boxes para a troca de pneus. Após voltar para a pista, se manteve no meio do pelotão e terminou na 18ª posição.

Com a corrida especial na qual os pilotos formaram duplas, na abertura da atual temporada, o número de estrangeiros aumentou em grandes proporções, já que foram vários os pilotos do certame nacional que convidaram pilotos estrangeiros. Os parceiros estrangeiros foram:

Juan Manuel "Pato" Silva (ARG) - Turismo Carretera (campeão em 2005) e Rally Dakar
Álvaro Parente (POR) - Mundial de Endurance e Blancpain GT Series
Miguel Molina (ESP) - DTM
Craig Dolby (ING) - Mundial de Endurance
Diego Aventín (ARG) - Turismo Carretera (campeão em 2013)
Dean Canto (AUS) - V8 Supercars (bicampeão da divisão nacional - 2000 e 2005)
Alessandro Pier Guidi (ITA) - United Sportscar (venceu as 24 horas de Daytona em 2014 na categoria GTD)
Gabriel Ponce de Léon - (ARG) - TC 2000 (tricampeão - 2001, 2003 e 2005)
Mauro Giallombardo (ARG) - Turismo Carretera (campeão em 2012)
Mark Winterbottom (AUS) - V8 Supercars (campeão da divisão nacional em 2003)
Roberto Merhi (ESP) - DTM (campeão da F3 Européia em 2011)
Jeroen Bleekemolen (HOL) - Blancpain GT Series e Mundial de Endurance (bicampeão da Porsche Supercup - 2008 e 2009)

Em relação aos destaques estrangeiros na prova, "os pilotos importados" começaram a dar as caras já no sábado, quando Juan Manuel Silva, o Pato Silva, marcou o melhor tempo na classificatória, com 1min40s003, superando até mesmo seu parceiro de carro, o pentacampeão da Stock Cacá Bueno, que tinha alcançado somente a 9ª posição.

Na corrida com pista molhada e com um acidente envolvendo Denis Navarro, Max Wilson e Vitor Genz pouco tempo depois da largada, o que provocou a intervenção do safety-car por várias voltas, os destaques entre os pilotos estrangeiros foram:
  • O Holandês Jeroen Bleekemolen, que formou dupla com o Paraibano Valdeno Brito, chegou na 2ª posição, seguindo o vencedor Rodrigo Sperafico de perto por várias voltas;
  • O terceiro lugar do Argentino Mauro Giallombardo, correndo em dupla com Marcos Gomes;
  • O quarto lugar do Australiano Mark Winterbottom, que fez dupla com Sérgio Gimenez;
  • O quinto lugar do Italiano Alessandro Pier Guidi, que correu em dupla com Daniel Serra.
E ainda houve tempo para um toque entre os pilotos convidados da Red Bull, Pato Silva e Alessandro Pier Guidi, no "S" do Senna. Já outros pilotos "de fora" tiveram resultados mais discretos:
  • Álvaro Parente: Não chegou a pilotar, pois enquanto o carro estava sob a pilotagem de Denis Navarro, sofreu um toque, rodou e por último levou uma forte batida na saída do S do Senna;
  • Dean Canto: Não chegou a pilotar, pois enquanto o carro estava sob a pilotagem de Max Wilson, se envolveu no acidente com Denis Navarro;
  • Miguel Molina ficou na 13ª posição, em dupla com Nonô Figueiredo;
  • Craig Dolby terminou na 8ª posição, correndo em dupla com Tuka Rocha;
  • Diego Aventín foi o 16º, com Ricardo Zonta
  • Gabriel Ponce de Léon terminou no 10º lugar, com Popó Bueno
  • Pato Silva foi o 7º, com Cacá Bueno.





Astra de Esteban Tuero na Argentina
Astra de Gabriel Furlán em Interlagos, 2004

Furlán nos boxes da Scuderia 111

Joaquim Moutinho, no Estoril
Pedro Queiroz Pereira (foto retirada do blog: ruiamaraljr.blogspot.com)
Pedro Queiroz Pereira em Interlagos, 1981 (foto retirada de: ruiamaraljr.blogspot.com)
Pedro Queiroz Pereira em 1983
Jacques Villeneuve em 2011
Jeroen Bleekemolen em 2014
Mauro Giallombardo
Mark Winterbottom
Pato Silva, o pole da corrida
Alessandro Pier Guidi

segunda-feira, 17 de março de 2014

Peugeot 504 pick-up Rally


Nunca tinha visto foto ou registro de que algum exemplar da Pick-up Peugeot 504 já tinha disputado provas de Rally. Me lembro que até alguns anos atrás não era raro encontrar uma rodando nas ruas, servindo muito bem ao propósito de sua criação, que era o transporte de cargas. Era engraçado o som do motor, que mais parecia uma batedeira ou enceradeira! Mas infelizmente, a concorrência veio muito mais forte, e aliada à sofrível assistência técnica e reposição de peças por parte da Peugeot na época, a pick-up francesa perdeu o espaço que conquistou e deixou de ser trazida para cá, em meados de 1999.

Mas ficam as imagens da francesa competindo em provas na terra, pelas quais fiquei vidrado.







sexta-feira, 7 de março de 2014

Ford Courier em 2003 e 2005








A pequena pick-up (digo pequena pelo porte, se comparada as outras picapes da marca) da Ford estreou nas pistas na temporada de 2001, com o advento da DTM Pick-up, que inicialmente corria apenas em Interlagos. Depois passou a ser preliminar da Fórmula Truck, e por fim voltou a correr somente em Interlagos já com o novo nome de CTC Pick-up, que durou até meados de 2007.

Em 2003, a Courier fez suas estreia na Mil Milhas. O quarteto responsável pela pilotagem do carro era formado por Evandro Guerra, Marcos Guerra, Luiz Henrique e o Português Ruy Vasco. Na classificatória, tiveram como melhor tempo a marca de 2min03s110, que correspondeu à 54ª posição entre os 62 carros que marcaram tempo e os 68 que largaram. Na prova, foram 159 voltas completadas e a 44ª posição na classificação final.

No ano de 2005, uma Courier era inscrita novamente na disputa. Pilotada pela dupla Daywis Teixeira e Francisco Moreira, a pick-up chegou a ser o carro mais lento da pista em alguns momentos. Tanto que foi o penúltimo carro dos 58 que marcaram tempo. O tempo na classificatória foi de 2min03s368. Na disputa, completou 184 voltas, suficientes para levá-la até a 37ª posição.