"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Fusca 1600 de Jair Bana


O ano era 1993, e o grid da Mil Milhas Brasileiras trazia algumas novidades que prometiam brigar pela posição mais alta do pódio. Além das duas BMW 325 trazidas de Portugal e conduzidas por pilotos como Ingo Hoffmann, Jurgen Weiss e Andreas Matheis, havia os Porsche 911 de Antônio Hermann, Franz Konrad e Klaus Heitkotter, além dos tradicionais Opalas Stock Car/Hot Car.

Porém, no meio desses grandalhões, estava o Fusca 1600 nº 31 de Jair Bana, Edson Bueno e Nelson Barreto, com sua destacada pintura azul e verde limão. Bana, cabe lembrar, já venceu em mais de uma ocasião a prova 500 Milhas de Londrina, e no ano de 1999, a própria Mil Milhas, que fora disputada no Autódromo Internacional de Curitiba.

Na prova de 1993, o valente VW completou 308 voltas, terminando na 18ª colocação na geral e 10ª na categoria até 2000 cm³, o que sem dúvidas foi uma grande performance, considerando os adversários de pista e as próprias condições da disputa, que teve chuva em boa parte do tempo. Chuva esta que provocou várias rodadas e acidentes no final da reta, vitimando bólidos como o Porsche 911 Carrera de Klaus Heitkotter, que até então liderava a prova.



sábado, 17 de dezembro de 2016

Puma AM4 nas Mil Milhas de 1994


O bólido do qual falaremos hoje fez grande sucesso nas pistas em sua curta carreira, iniciada em Londrina, no ano de 1992 e interrompida por um triste episódio ocorrido nas Mil Milhas de 1994. Trata-se do Puma AM4 "Nechi", que fora o último Puma a competir com o apoio oficial de fábrica, neste caso, a Alfa Metais, que era a proprietária da Puma Veículos à época. O desenvolvimento do bólido também contou com o apoio da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

A notável performance do Puma era decorrente de vários fatores, tais como o baixo peso, de cerca de 760 kg, o motor VW AP 1800 à álcool, com preparação Berta, semelhante à utilizada nos monopostos da Fórmula 3 Sul Americana na época. Dentre os componentes derivados dos Fórmula 3 estavam o câmbio inglês Hewland, a embreagem hidráulica, o diferencial auto blocante, a suspensão tipo in board,  rodas com sistema de cubo rápido e os pneus slick Pirelli Corsa P7. 

Deste modo, a potência era estimada em cerca de 198 cv, suficiente para alcançar a velocidade máxima de 243 km/h e para levá-lo do repouso aos 100 km/h em aproximadamente 6 segundos, mesmo sem qualquer tipo de sobrealimentação no motor (turbo, blower ou nitro). Este Puma ainda existe, porém há vários anos encontra-se guardado na cidade de Curitiba, sob os cuidados de um dos seus preparadores.
 
Na Mil Milhas de 1994, a equipe Linho Leslie ocupava o boxe nº 15, tendo como pilotos o trio Artur Nunes/Jair Bana/Bley Júnior. Por volta de 1h30min de prova, quando ocupava o 14º lugar, o Puma nº 35 entrou nos boxes para uma das muitas paradas comuns à uma prova de longa duração. Após o reabastecimento e troca de pilotos, um mecânico jogou água sobre o capô, para tirar sobras de combustível. Antes de o piloto partir, outro mecânico abre o capô traseiro, onde está instalado o motor, momento em que o piloto acelerou e terminou por gerar uma faísca sai do motor, causando um grande incêndio que provocou queimaduras em sete membros da equipe, inclusive nos dois pilotos.

O fim do incêndio ocorreu após 30 segundos, quando mecânicos dos boxes vizinhos apagaram o fogo com extintores das próprias equipes. Porém o desfecho trágico desse incidente ocorreu onze dias depois, com a morte do mecânico José Marcelino Koga, que teve mais de 50% do corpo queimado.






sábado, 3 de dezembro de 2016

BMW M5 em 1994


A edição de 1994 da Mil Milhas Brasileiras ficou marcada tanto pelos grandes nomes do automobilismo mundial que disputaram a prova, quanto pelo carros inéditos que fora trazidos para Interlagos. Esta edição já fora assunto de uma matéria específica nos primórdios desse blog, em abril de 2012.

Entre as máquinas nunca antes vistas, estava a BMW M5 nº 77 trazida direto da Copa Supercar Norteamericana, equipada com motor 3.8 litros de cerca de 450 hp. A pilotagem ficou por conta do trio formado pelo brasileiro Edgard Pereira - campeão brasileiro de Kart e piloto das Fórmulas Ford e F3 Sulamericana entre 1989 e 1990, época de Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi -, o italiano Luca Maggorelli - nunca encontrei nada a respeito desse piloto - e o norte-americano David Donohue - filho de Mark Donohue, falecido em 1975 após acidente sofrido no GP da Áustria daquele ano.

Nos treinos classificatórios, a BMW nº 77 alcançou o 7º posto, com o tempo de 1min49s398, enquanto que a pole position fora conquistada por Wilsinho e Christian Fittipaldi, à bordo de um Porsche 911 RSR , com o tempo de 1min43s438. Entretanto, o bólido alemão não chegou a completar a prova.



Piloto Edgard Pereira disputando a F-Ford em 1989. Foto: Acervo Equipe JIG Motores Especiais