"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estrangeiros na Fórmula Truck

Em algumas oportunidades, já expressei a simpatia que possuo pelas corridas de caminhões, que no Brasil, tiveram início oficial no ano de 1996, com a homologação da Fórmula Truck pela Confederação Brasileira de Automobilismo - CBA. Mas antes disso, o fundador da categoria, o saudoso Aurélio Batista Félix (falecido em março de 2008), havia dado os primeiros passos neste sentido no ano de 1987, ao realizar uma prova de exibição no Autódromo Internacional de Cascavel - PR.

Essa prova foi denominada de I Copa Brasil de Caminhões, e contou com 35 pilotos, porém, acabou terminando de forma trágica. O piloto Jeferson Ribeiro da Fonseca, então diretor do autódromo, perdeu a vida a bordo de um caminhão Scania, após sofrer uma capotagem. Esse infeliz episódio acabou atrasando a estréia da categoria, que veio a se tornar um grande sucesso no decorrer dos anos, até a cisão ocorrida em 2017.

Nesses 30 anos de história, a categoria registrou a participação de diversos pilotos, sendo eles oriundos de outras categorias, ou formados na própria Fórmula Truck/Copa Truck. Diante disto, fizemos uma pesquisa sobre pilotos estrangeiros que já disputaram corridas oficiais de caminhão no Brasil, e encontramos os seguintes dados.

No que conseguimos apurar, o primeiro piloto de outra nacionalidade que correu na Truck foi o californiano Gene Daniel Fireball Gentsch Junior, radicado no Brasil desde 1987. Fireball disputou corridas nas temporadas de 1997, 2001 e 2004, alcançando alguns resultados de destaque, como um 2º lugar em Interlagos. Em 2004, seu último ano na categoria, foi companheiro de equipe de Djalma Fogaça e Beto Monteiro, que se sagraria campeão naquele ano. Para maiores detalhes sobre a sua carreira, veja essa matéria publicada neste blog em junho de 2015.

Somente em 2008, outro estrangeiro passou a disputar a Fórmula Truck, neste caso, o argentino Gastón Mazzacane. Com passagens pela Fórmula 1, Fórmula 3000 e Champ Car, além de outras categorias locais, Mazzacane aceitou o convite de Aurélio para a temporada 2008 da Truck. Mas, em razão do falecimento do criador da categoria e outras questões ligadas à montagem do caminhão, sua estréia atrasou por alguns meses, vindo a ocorrer apenas na etapa disputada no Autódromo Virgílio Távora, localizado na cidade de Eusébio, Ceará, zona metropolitana de Fortaleza.

Mazzacane estreou com o pé direito (dentro de suas possibilidades), ao terminar a prova em uma ótima quinta posição, com direito a lugar no pódio e troféu. Na classificação final da temporada 2008, terminou com 17 pontos conquistados, à frente de nomes como Leandro Totti, Djalma Fogaça, Pedro Muffato e Adalberto Jardim. Depois de disputar a temporada de 2009, que marcou a primeira vez em que a Truck correu fora do Brasil (Buenos Aires), o argentino deixou a categoria.

Ainda em 2009, outro estrangeiro fez parte do grid da Fórmula Truck. Trata-se do austríaco Egon Allgäuer, que conquistou o título da categoria Super Truck Européia em 2002, e foi vice-campeão em outras três oportunidades. Egon não teve vida fácil nas vezes em que esteve na pista, já que foi o responsável pela estreia da marca Man, com o consequente desenvolvimento do bruto.

Após não conseguir largar na etapa de abertura (disputada em Guaporé), sofreu uma quebra de motor na vigésima volta da segunda etapa, em Fortaleza. Em Caruaru e Goiânia, outras quebras de motor, desta vez com 16 e 09 voltas completadas, respectivamente. Do que conseguimos apurar, Egon não chegou a terminar a temporada e não marcou pontos.

No ano de 2013, outro ex-F1 desembarcou na categoria dos brutos. Desta vez, foi o italiano Alex Caffi, que entre 1986 e 1991, disputou 75 (setenta e cinco) corridas pela categoria máxima do automobilismo, tendo como melhor resultado o quarto lugar conquistado no GP de Mônaco de 1989. Pela Truck, foram oito corridas ao longo daquele ano, tendo como ponto alto o terceiro lugar obtido na quinta etapa, disputada em Interlagos (SP). No total, marcou 21 (vinte e um pontos).

Após a sumária cisão da categoria ocorrida no início de 2017, na qual a maior parte dos pilotos que disputaram o campeonato em 2016 se reuniu e formou a Copa Truck, houve ainda a disputa de três etapas, sendo a primeira delas no Velopark, em Nova Santa Rita (RS). Na ocasião, a uruguaia Carolina Canepa participou das duas baterias, tendo completado poucas voltas com seu Volvo.

Já na segunda etapa, disputada em Rivera (URU), além de Canepa tivemos outros dois uruguaios nas duas corridas. Fabrício Larrateia, de Mercedes Benz, e Gabriel Cato, de Scania, tiveram participações discretas nas corridas, sendo que o melhor colocado fora Larrateia, com o quinto lugar conquistado na segunda corrida.

A última etapa daquele ano foi realizada em Londrina (PR), em 07 de maio, sendo que Canepa foi a única piloto estrangeira a participar da prova, terminando as duas corridas na sexta posição.

Após a retomada da categoria, iniciada em 2021, outros pilotos nascidos fora do Brasil passaram a integrar o grid da Fórmula Truck. O primeiro deles foi o paraguaio Geovani Tavares (natural de Katueté), que em 2024, chegou a vencer provas na categoria bomba injetora. Algum tempo depois, o igualmente paraguaio Nilton Jacobsen se tornou mais um estrangeiro na lista da categoria, desta feita pela categoria eletrônica.


Geovani Tavares - Campo Grande - 2024 (foto: Tiago Guedes)




Mazzacane - 2008

Egon Algäuer - 2009


Egon Algäuer - 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Hyundai HB 20 2.0 - Um sedã nada de pacato na prova de 2022

Na terceira edição após a retomada das 1000 Milhas Brasileiras, disputada em 23 de janeiro de 2022, um carro que tem toda a cara de um pacato sedan pequeno, mas que "escondia alguns segredos". Estamos falando especificamente do Hyundai HB 20 Sedan R Spec preparado pela equipe HRacing, esta que também organiza a disputadíssima Copa HB20.

O bólido em questão teve a motorização original trocada pelo propulsor 2.0 derivado do SUV Creta, da mesma marca, que entregava cerca de 200 cavalos de potência. Para domar essa força, foi escolhido câmbio com acionamento por borboletas, localizadas atrás do volante. Como potência sem chão é esforço à toa, foram utilizados pneus slick para proporcionar um grip melhor, e conforme declarado à época por membros da equipe, esses recursos foram utilizados a título de testes, visando à introdução de inovações na categoria monomarca.

Os pilotos responsáveis pela pilotagem do valente sedan foram os experientes Pedro Pimenta, Renato Marlia, Wellington Cirino e Fabiano Cardoso, competindo pela categoria Turismo Nacional 2. Após largar na 20ª posição (tempo nos treinos: 2min01s760) com Fabiano Cardoso ao volante, em um grid formado por 34 carros, o HB nº 45 subiu sete posições, terminando na 13ª na geral, com 263 voltas completadas (110 atrás do Protótipo Sigma P1 G4 vencedor da disputa).

Um imprevisto acabou custando a perda de uma posição faltando quatro voltas para o final, pois escapou na curva da junção em virtude de um pneu dianteiro esquerdo furado (o segundo durante a prova, pois na 13ª volta, o problema ocorreu pela primeira vez, no pneu traseiro esquerdo). Mas pelo menos a 2ª posição na categoria não fora perdida.

Fotos: Paulo Abreu (@voltarapida)





terça-feira, 2 de junho de 2026

Chevrolet Opala Stock Car - 1986

Tradicional participante das Mil Milhas Brasileiras, o piloto e preparador Roberto Amaral, mais conhecido como "Coruja", obteve sua melhor colocação na prova na 16ª edição.

Disputada em 26 de janeiro de 1986, aquela edição teve 34 inscritos, entre Maverick e Opalas, além de carros de menor cilindrada, como Fiat Uno e Volkswagen Voyage. Na ocasião, Coruja, formando trio com Carlos Alves e Carlos Col, terminou na 6ª posição, com 195 voltas completadas.





terça-feira, 26 de maio de 2026

Arrancada em Alagoas - A lista 082

Para a nossa alegria, depois de seis meses desde a realização da 3ª etapa do Circuito Alagoano de Arrancada de 2025, a reta de 201 metros do M3 voltou a sediar um evento oficial da modalidade. E não foi um evento qualquer, diga-se de passagem, mas sim, uma verdadeira porta de entrada para que o nosso Estado possa figurar entre as grandes disputas da arrancada nacional.

Estamos falando da 1ª Etapa da Lista Área 082, que teve como objetivo principal a formação da lista dos 10 carros mais rápidos para homologação junto ao Listas Brasil DDD, cujo maior evento é o Armageddon, que terá a sua 15ª etapa será disputada nos dias 19 e 20 de junho, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina - PR.

Com a presença de Juliano Julio da Westcars, o evento foi distribuído em dois dias (final de semana dos dias 23 e 24), sendo que o sábado ficou reservado para os treinos, tanto das divisões da categoria desafio, quanto dos carros inscritos na lista 082. Mesmo com a chuva caindo no final da tarde, o primeiro dia registrou nada mais nada menos que 216 puxadas, o que foi de grande importância para o acerto e desenvolvimento dos bólidos.

Só que a necessidade dos treinos livres não se resume aos carros, pois para os pilotos, é preciso ter bastante reflexo e agilidade pra diminuir ao máximo o tempo de reação, após a luz verde do pinheirinho acender. Mas sem queimar a largada, é claro, pois o tempo registrado na puxada é automaticamente excluído. Uma boa largada, aliada à agilidade na troca de marchas, é a sintonia certa entre o piloto e o carro na busca por um tempo baixo. Mas para isso, vale muito a pena os treinos livres serem mais frequentes, o que seria positivo tanto para competidores, organização e claro, para o fiel público.

Mas para quem pensar que o sábado foi dedicado apenas para testes, numa pegada mais leve, está bastante enganado. O recorde da pista, que pertencia ao Porsche 911 3.8 Turbo S do piloto Márcio Dantas (Camaçari/BA), com a marca de 6:57s desde a 2ª etapa do ano passado (set/2025), foi liquidado por Caio Milito e seu Volkswagen Gol G4 Força Livre, com o tempo de 6:19s. Como se isso não fosse o bastante, após enfrentar uma quebra na primeira puxada no domingo de manhã, a equipe trabalhou rápido e intensamente para que o impressionante Fireblade (o carro conta, dentre outros itens, com wheelie bar, paraquedas e frente inteiriça em fibra) voltasse à pista.

E voltou, em alto estilo, baixando ainda mais o recorde da pista com o tempo de 6:02s, após um belo burnout. Cabe lembrar que esse mesmo carro é o recordista do norte-nordeste com o tempo de 5:664s, e da categoria Super Livre 5.0 segundos na pista Spid Dragway (Itatiba/SP), com incríveis 5:013. No encerramento, o piloto fez questão de expressar o seu agradecimento à equipe e demais envolvidos, destacando que o Gol recordista trata-se de um projeto que já vem sendo desenvolvido há cinco anos, com muito empenho desde e trabalho duro desde então.

Outro destaque da lista foi Volkswagen Gol G4 Turbo 4x4 de Júnior Jambo. Após sofrer para conseguir colocar o carro na pista em condições de disputa, o Sonic Nordestino alinhou para sua última puxada no evento, e não se deu por vencido. Nesta puxada da repescagem, veio a marca de 6:889s, suficiente para incluí-lo na lista dos mais rápidos, o que foi objeto de muito comemoração e emoção pelo piloto e sua equipe. Outro VW Gol de destaque foi o da baiana Lorena Oliveira (preparado por Zenildo Carvalho Júnior), que andou forte no sábado, mas que infelizmente teve problemas de câmbio, impossibilitando-a de registrar tempo no domingo.

E como não falar do belo e rápido Opala SS V8 de Robson Casé, que em uma das puxadas do domingo, fez um burnout que poderia ter dado origem à expressão cortina de fumaça? 

Como sempre, os carros da categoria desafio, em suas subdivisões por tempo (11 segundos à livre), foram a maioria dos inscritos, proporcionando duelos nunca imaginados, como por exemplo, um Fiat Marea 2.0 20v Turbo dividindo a reta com um Chevrolet Chevette AP 1.8, ou um Gol Quadrado 1.8 Turbo largando ao lado de um BYD Seal. E são nessas disputas que vemos vários casos de pilotos que preparam seus próprios carros e os colocam na pista, como o Volkswagen Gol CL 1.8 1994 de Kleberon Júnior e o Chevrolet Corsa Wind 1996 1.6 8v de Jaelinton Araújo (J2 Automotiva), o que somente torna ainda mais valiosa uma colocação final entre os primeiros.

Outros dois carros que não podemos deixar de mencionar, tanto pela beleza, quanto pela performance na pista, são o Renault Clio 2011 2.0 16v Turbo vencedor da categoria desafio 9,5 segundos, que conta com um verdeiro canhão de 300 cv no cofre, além do Fiat Uno 1.6 turbo (caracol .50) "Silver Donkey" de Bruno Nicácio, que com o tempo total de 9s275 (9s269 de pista + 0,006 de reação), foi o terceiro colocado na 9 segundos.

Infelizmente, até o fechamento dessa matéria, não tínhamos conseguido junto à organização a planilha dos tempos registrados, o que nos impediu de trazer maiores detalhes. Então, ficamos na expectativa da próxima etapa da Área 82 - A Lista, que será realizada nos dias 15 e 16 de agosto, torcendo para que nesse intervalo, tenhamos alguns treinos livres para matar a saudade do cheiro de álcool e borracha queimada dessas feras.