"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Toropala: A primeira lenda da arrancada do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, 1984. O Autódromo de Jacarepaguá fervilhava com as grandes disputas que ocorriam em seu traçado, re-inaugurado em 1977 (após grande reforma iniciada em meados de 1970). Nessa época, eram sediadas corridas da Stock Car Brasil, Brasileiro de Marcas e Pilotos, Hot Car, Fórmula Ford, entre outras, além, é claro, da Fórmula 1, nos anos de 1978 e de 1981 a 1989.

Mas para alguns "loucos por velocidade", isso não era o bastante, pois o circuito contava com uma enorme reta de 1.100 metros que era ideal para a disputa de uma modalidade praticamente desconhecida no Brasil, vinda dos Estados Unidos: A Arrancada, ou Drag Race. E falamos praticamente desconhecida porque, apesar de já terem ocorrido alguns eventos de exibição da modalidade no Brasil, até então não se tinha um campeonato unificado, com a homologação perante a CBA e, consequemente, junto às federações locais.

Era comum (e infelizmente isso perdurou por muito tempo, até o início dos anos 2000) as corridas de arrancada serem tratadas como simples e ilegais rachas de rua, o que fazia com que qualquer iniciativa no sentido de desenvolver e estruturar a modalidade, fosse vista com muita resistência.

Só que nesse cenário, tinha no Rio de Janeiro quem acompanhasse o que rolava nos EUA nas corridas do quarto de milha (402 metros) e se empolgasse em trazer essa novidade para o Brasil. E nesse pessoal, estavam o meu amigo Paulo Roberto Mello, que me possibilitou escrever essa história, e claro, o dono e piloto da lenda da qual vamos falar agora, Ignácio de Loyola Barros Damásio, mais conhecido como Loy.

Neste cenário, o Toropala (junção de Toronado, modelo da Oldsmobile, subsidiária da GM extinta em 2004, e Opala, clássico nacional conhecido por todos nós) representa o espírito da arrancada em sua mais pura acepção, que vem a ser elaborar as mais criativas soluções para percorrer a distância cronometrada cada vez mais rápido. A idéia teve como base um Chevrolet Opala (provavelmente na versão Comodoro) 4 portas ano 1977, que foi comprado por João Luiz Woerdenbag (o carro está registrado até hoje em seu nome), dono da célebre oficina Motorfix, que ficava no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. E para quem achou o seu nome familiar, sim, João Woerdenbag era pai do cantor Lobão, que tem o mesmo nome.

O carro foi adquirido pelo Loy por volta de 1984, com o objetivo de colocá-lo na pista, e em sua configuração inicial, tinha mecânica V8 do Ford Maverick, carroceria aliviada no peso, e laterais traseiras alargadas para acomodar a rodagem dupla no eixo traseiro, o que lhe dava uma cara "truckada". Além disso, foi incorporada a frente "quadrada" do Chevrolet Opala fabricado a partir de 1980, tudo montado com peças novas.

A partir de 1985, o Opala (que ainda não era Toropala) começou a disputar provas de arrancada em Jacarepaguá, sempre vencendo seus oponentes, fossem eles Opalas ou Mavericks. Mas o desempenho ainda não era o suficiente para Loy e a equipe da Motorfix. Foi então que surgiu uma ideia no mínimo inusitada: Trocar o V8 do Maverick pelo igualmente oito cilindros do... Oldsmobile Toronado!

Isso mesmo. O Opala recebeu o conjunto de força (powertrain) de um Toronado, que fora comprado batido em uma revenda de carros antigos chamada Velho Galpão, situada em um subúrbio carioca. O motor era um 455 (com 375 cv originalmente) acoplado ao câmbio automático TH 425, cuja força era transmitida ao chão por meio de sistema de tração dianteira. E para quem pensar que essas diferenças atrapalharam a montagem e o desenvolvimento do carro, para o mecânico que liderou o projeto, o norte-americano Alfred Norris, isso foi só um incentivo à mais à criatividade e habilidades mecânicas da equipe.

A parte dianteira do chassi do Toronado foi cortada na altura do parabrisa, e levou consigo além do motor e câmbio, o eixo e sistema de freios, sendo que todo esse conjunto foi soldado no monobloco do Opala. O agora Toropala passou a ter motor montado em posição central (onde antes ficavam o banco e a parede do porta-malas, que foi cortada), ficando posicionado na dianteira apenas o sistema de arrefecimento.

Na reta de Jacarepaguá o Toropala logo se tornou um titã, pois conforme nos conta o Loy, o carro não perdeu nenhuma puxada que fez lá no Rio de Janeiro. Praticamente um Rickson Gracie da arrancada, que contou, ainda, com o recorde não oficial dos 402 metros, com o tempo de 11s800. Para efeito de comparação, os Opalas e Mavericks mais rápidos não andavam abaixo de 13 segundos na época! As disputas eram divididas em três categorias, Stock, Super Stock e Modified, sendo que o Toropala corria nesta última.

Entre os oponentes vencidos, estavam carros famosos da época, como o Ford Mustang de Paulo Lomba, sobre o qual já falamos algumas vezes aqui, a respeito de suas participações em edições das Mil Milhas Brasileiras nos anos 90, além da Puma GTB V8 de Dimas de Melo Pimenta Filho. Um outro carro também vencido foi o Buggy com motor 2000 feito em Belo Horizonte (MG), movido a GLP (sim, gás de cozinha) e com óxido nitroso, que era tido como o bicho-papão da época.

Para termos uma idéia de como esse carro devorava a reta, o motor Oldsmobile funcionava de forma lisa, silenciosa, e as trocas de marcha eram feitas com 6000 rpm. O pulo na frente era dado nos primeiros cinco segundos, pois o Toropala sequer destracionava, e as duas primeiras marchas eram utilizadas antes do "tiro" de óxido nitroso de 50 cv ser dado. Mas esse recurso não foi muito utilizado, já que o movimento natural do aspirado era suficiente para fazer o carro andar na frente.

Ainda sobre o veneno do motor, a preparação continha recursos como cabeçotes com dutos polidos, pistões especiais para gerar mais compressão, ignição Mallory, distribuidor eletrônico, comando de válvulas Crower, de 296°, coletor de admissão feito em alumínio, da Edelbrock, tudo alimentado por um carburador Holley de 700 cfm, em cuja base era montada a injeção de óxido nitroso (na época era um sistema bem simples, diferentemente dos atuais em que cada "dose" de comburente é eletrônicamente calculada, com o efeito positivo de resfriar a câmara interna do cilindro). No final das contas, a potência fora elevada para cerca de 420 cv, nos tempos em que dinamômetro era algo inimaginável.

O Toropala teve pouco tempo de desenvolvimento, pois logo foi colocado na pista, o que nos permite dizer que a performance do carro poderia ter sido ainda maior, já que em meados de 1986, as provas de arrancada no Rio de Janeiro perderam força e deixaram de ser realizadas. Nesse tempo, o carro foi vendido para a cidade de Cambé (PR), onde permaneceu por um bom tempo. Mas como a luz no fim do túnel (ou neste caso, no fim da reta) existe, o Loy terminou por recomprá-lo há alguns anos na cidadede Maringá (PR), e atualmente, o carro permanece em sua coleção à espera do merecido restauro.

Então é isso, meus amigos, espero ter registrado esse capítulo da história de uma forma à altura do que representou esse carro na época, uma história que despertou minha curiosidade logo que o amigo Paulo Mello me contou a respeito. Aliás, graças a ele pude entrar em contato com o Loy, que teve muita atenção e solicitude em me dar os detalhes do carro e fotos, e assim, sem a ajuda dos dois, essa matéria não poderia ter sido escrita. Gratidão.















quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Um Fiat Uno com muita história

Há alguns anos, meu grande amigo Rômulo Amorim me deu a satisfação de acessar uma parte imenso arquivo de fotografias de corrida de autoria de seu cunhado, Antonio Preggo, a quem já tive a satisfação de entrevistar em duas oportunidades, sempre com o apoio de Rodrigo Carelli, outro grande amigo que a vida me presenteou.

Preggo foi diretor do Autódromo de Caruaru, em Pernambuco, por vários anos entre a segunda metade da década de 90, e o início dos anos 2000. Além disso, foi organizador de corridas por outros longos anos, além de fotógrafo esportivo e editor do jornal Curvas e Retas, responsável pela cobertura do automobilismo nordestino na fase áurea após a inauguração da pista pernambucana.

Nesse arquivo, pude encontrar fotos que logo me chamaram a atenção. Dentre elas, estavam as imagens de um Fiat Uno de circuito que além do destacado layout, repleto de patrocínios, carregou os nomes de pilotos de sucesso no automobilismo nordestino. Mas a conclusão de que se tratava do mesmo carro, só pude obter após um bate-papo informal com um dos pilotos que se utilizou deste Fiat Uno para escrever sua história no esporte a motor, no caso, o querido Eduardo Gazal.

O carro pertencia inicialmente ao piloto Edson Medeiros, e teve sua estréia na temporada de 1999. A estrutura de apoio contava também com o saudoso Robson dos Santos, que por dois anos (1999 e 2000), foi chefe de equipe e responsável pelo desenvolvimento. Nesse início de história, a motorização utilizada vinha do Fiat 147 versão Rallye, de 1.3 litros, e câmbio de quatro marchas, que segundo nos contou Eduardo, nem sempre aguentava a força do motor, que chegava a alcançar 7.000 RPM.

No ano de 2000, a pilotagem do Fiat Uno passou a ser de reponsabilidade de Brunno dos Santos, filho do grande Rogério dos Santos, o "jegue voador", que terminou aquela temporada como campeão do regional de Fórmula Uno. Gazal assumiu a pilotagem na temporada de 2001, sendo que na primeira etapa daquele ano, formaria dupla com Robson dos Santos (irmão de Rogério e tio de Brunno, consequentemente) em uma corrida de longa duração. Mas infelizmente o carro quebrou na largada, oportunidade em que o chefe de equipe era o próprio Rogério dos Santos.

Para a temporada 2003, como forma de acompanhar as modificações no regulamento técnico da categoria e facilitar a manutenção (já era difícil encontrar peças de reposição) a equipe resolveu trocar o câmbio e o motor 1.3 (o único da categoria na época) pelo câmbio do Fiat Palio Weekend (5 marchas) e motor 1.6 16v que Rogério havia utilizado na época em que disputou a Fórmula Fiat Palio, deixando o conjunto ainda mais forte. Além do motor mais potente, o acerto de suspensão feito por Rogério tornava o bólido ainda mais competitivo.

A história do carro com Gazal terminou ainda no ano de 2003, já que, após uma quebra de motor ocorrida na segunda volta de aquecimento de uma etapa do regional de turismo disputada no Autódromo de Fortaleza (Eusébio/CE), o piloto acabou deixando o carro de lado, e não voltou mais a disputar corridas com o endiabrado Fiat, que em 2002, havia lhe dado um marcante segundo lugar na prova preliminar da etapa da Fórmula Truck (disputada em Caruaru/PE). Na ocasião, a vitória escapou por pouco, pois Gazal liderava a corrida quando passou a sofrer com um problema de superaquecimento, o que o forçou a reduzir o ritmo e perder a liderança.











Norte / Nordeste de Endurance - Junho de 2002 (Autódromo de Caruaru)


domingo, 30 de agosto de 2026

Maurício Dubeaux do Monte (1954 - 2026)

Recebemos através do nosso amigo Rômulo Amorim, a notícia de que o piloto pernambucano Maurício Dubeaux do Monte faleceu na última sexta-feira, dia 28 de agosto. Maurício era natural de Recife/PE, e se sagrou tricampeão de automobilismo em Pernambuco, tendo iniciado sua carreira ainda na época do Circuito da Ilha Joana Bezerra.

Uma vitória de grande destaque em sua carreira foi a obtida no ano de 2004, quando venceu na categoria III das Mil Milhas Brasileiras. Na ocasião, dividiu a tocada do Protótipo Aldee Spyder VW 2.0 nº 17 com os paulistas Amaury Pires e Márcio Sciola. Após largar da 12ª posição na geral (tempo de 1min45s087), o Aldee se manteve na vice-liderança da categoria a partir da quarta hora de prova.

Na última hora de corrida, o valente protótipo deu "o pulo do gato" para vencer na III e chegar na quinta posição na geral, com 346 voltas completadas, atrás apenas de carros de "outro mundo" na época, como Dodge Viper, Porsche 911 GT3 e BMW M3.

Que Deus o receba em sua casa e conforte os familiares e amigos. Nossos sentimentos.


Mil Milhas de 2004 - Foto retirada do blog de Rui Amaral Jr.




segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Série nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte XVIV: Laércio Justino

No mês de junho de 2026, o canal oficial da Stock Car no Youtube proporcionou uma grata surpresa aos amantes da categoria e do automobilismo brasileiro. Foram disponibilizadas corridas na íntegra a partir da temporada de 1999, época de mudanças significativas em relação ao equipamento e também aos pilotos.

Se no ano de 1999 foram utilizados os Chevrolet Omega, com sua estrutura em monobloco e a tradicional motorização seis cilindros em linha, o ano seguinte viu a chegada de um chassi tubular completamente novo, coberto pela carroceria em fibra de vidro feita sob medida para o modelo. E em 2001, mais uma novidade, quando o motor derivado do Chevrolet Opala (utilizado desde a primeira temporada, em 1979), deu lugar ao potente V8 de 450 cv vindo da então Nascar Busch Series (atual O'Reilly).

Sobre os pilotos, foi a época em que surgiram os termos Dinossauro e Babyssauro, para diferenciar pilotos com maior experiência (Ex.: Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Adalberto Jardim) e aqueles que começavam a disputar corridas na categoria, como Davi Muffato, Beto Giorgi, Nonô Figueiredo, Alceu Feldmann, entre outros.

Mas revendo as corridas da temporada de 2001, que marcou o tricampeonato seguido de Chico Serra, pude assistir pela primeira vez a quinta etapa, disputada em Brasília/DF, durante a qual ocorreu o falecimento do piloto piauiense (mas radicado em Goiânia/GO desde criança) Laércio Justino. E me veio o desejo de escrever essas linhas.

Laércio Justino Ferreira nasceu em Teresina, Piauí, em 26 de fevereiro de 1963, e sua relação com o esporte a motor teve início por volta de 1978, quando começou no kart (foi campeão goiano). Em 1982 e 1983 se tornou campeão goiano e regional (Centro-Oeste) de Stock Car, e neste mesmo ano, passou a disputar o certame nacional. Se a estréia na sétima etapa (Goiânia/GO) foi discreta, a próxima corrida, em Brasília/DF, trouxe um resultado muito significativo: O sétimo lugar, com o carro feito pelo preparador Jacaré.

As suas aparições na Stock Car permaneceram regulares até 1986, pois no ano seguinte, disputou apenas três corridas, sem muito destaque. Após uma pausa para se dedicar a outras categorias (foi campeão brasileiro de Fórmula Corsa e conquistou três vezes o Campeonato Goiano de Marcas e Pilotos, além de ter conquistado resultados de destaque no Brasileiro), Laércio retomou a carreira na Stock em 1995, pela equipe Boettcher, conquistando dois nonos lugares (Goiânia e Interlagos) logo de cara. Nas Mil Milhas de 1997, disputada em Brasília, alcançou a quarta posição na geral e a segunda na categoria protótipos (Aldee RTT), em trio com o irmão Ananias Justino e Maurício Veiga.

Em termos de resultado na classificação final, a melhor colocação foi obtida em 1999, quando terminou na 10ª posição (Justino Competições). Nessa temporada, obteve dois dos seus três pódios na Stock, na última rodada dupla em Interlagos (terceiro na primeira prova e segundo na última). O outro pódio foi obtido na temporada seguinte (Scuderia Lobo), novamente na última rodada dupla em Interlagos (segundo lugar na primeira prova). Ao todo, foram 74 corridas disputadas.

Mas voltando ao fatídico 08 de junho de 2001, era quase 16 horas quando a bandeirada final do segundo treino livre estava sendo dada. Laércio já tinha recebido a bandeirada ao abrir a volta (tinha feito o 15º melhor tempo), e de acordo com o que foi dito à época, ele mudou de trajetória bruscamente perto da curva da vitória, não se sabe se por um erro ou na tentativa de entrar nos boxes, para não passar novamente pela linha de chegada e evitar uma possível punição.

O carro veio de frente em direção ao guard-rail (ainda da época da inauguração do autódromo, em 1974) com velocidade aproximada de 150 km/h, fazendo com que arrancasse um pedaço de cerca de 40 metros da proteção da pista. Em seguida, levantou voo e bateu lateralmente (lado do piloto) em um caminhão guincho, que com o forte impacto, teve uma roda quebrada e atingiu uma ambulância do corpo de bombeiros que estava parada próxima à torre de cronometragem.

Apesar dos esforços da equipe de socorro, que tentou reanimar o piloto ainda dentro do carro, e que chegou a removê-lo de helicóptero para o Hospital de Base, Laércio faleceu logo em seguida, em virtude dos graves ferimentos decorrentes de traumatismo crânio-encefálico, torácico e abdominal. O sepultamento foi realizado em Goiânia, no dia seguinte, com o piloto vestindo seu macacão de corridas. Deixou três filhas e esposa, e pouco tempo depois, seu sobrinho Wellington Justino passou a disputar a categoria.

Pilotos como Xandy e Guto Negrão, Adson Moura, Sandro Tannuri, Carlos Cunha e Ananias Justino não disputaram aquela prova, enquanto os demais correram com um adesivo no parabrisa do carro, contendo os dizeres "Valeu Laércio". Antes da largada, foi feito um minuto de silêncio em sua homenagem, e o piloto Carlos Cunha fez um emocionado discurso.

Em razão do acidente fatal de Laércio, seu irmão Ananias decidiu parar de correr.

Fontes: www.speedonline.com.br

//blogdocarelli.blogspot.com

Revista Racing - matéria de João Alberto Otazú

Fotos dos anos 80 e 1999 cedidas por João Peryel (@stockcaroldtimes)


1984

1986

1999



Brasileiro de Marcas e Pilotos - 1994

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Arrancada em Alagoas - 2ª rodada da Lista 082

Se julgarmos pelo tempo de sol firme durante todo o final de semana dos dias 15 e 16 de agosto, podemos dizer que os deuses do clima estavam ansiosos, assim como nós, pela segunda rodada da Lista 082, realizada na reta principal do Circuito M3, em Pilar/AL.

Sob a direção e organização do grande Tino Veiga (que se desdobrou bastante durante todo o fim de semana), e apoio na cronometragem pela Crono Aju, a prova reuniu competidores de vários Estados do Nordeste. E não só dos Estados vizinhos (Sergipe, Bahia e Pernambuco), mas também de localidades mais distantes, como no caso da Chevrolet Marajó da equipe Rany Auto Center, que veio de Parnamirim/RN e fez bonito na categoria Desafio 8 segundos.

Mesmo com duas quebras de câmbio (uma no sábado, que partiu a caixa de marchas no meio, e outra no domingo), a linda Marajó, cujo motor OHC 1.4 original foi trocado por um 1.6, mais moderno, e que recebeu um kit turbo alimentado por uma Weber 40 "em pé", conquistou o terceiro lugar na categoria, chegando a registrar o tempo de 7s975 + 0,170 de reação. Isso resume bem o espírito da arrancada, pois ninguém está livre de quebras, mas o que se faz diante dos problemas é o que diferencia os grandes vencedores. Nossos parabéns ao piloto Rany Souza e equipe.

Como sou suspeito para falar sobre wagons (save the wagons!), não poderia deixar de destacar a Volkswagen Parati CL 1.8 1992 turbo de Leandro Oliveira, que fez bonito na reta do M3. Com o sistema de tração 4x4, a Parati cinza venceu na Desafio 7 segundos, com a marca de 7s251 + 0,216 de reação.

Um susto no final das puxadas do sábado aconteceu com o Chevrolet Chevette SE 1986 de Luiz Miguel Buarque. Enquanto estava no início da fila para o alinhamento (era o próximo a puxar), o Chevette "Papa-Léguas" sofreu um incêndio na parte dianteira do carro, ao que parece vindo da parte elétrica. O fogo foi controlado rapidamente por uma pessoa que estava por perto com um extintor, e graças a Deus, os danos foram só materiais e bem poucos. Tanto o é, que no domingo o valente Chevy já estava arrancando de novo.

E falando em Chevette, o icônico "Treme-Terra" da tradicional oficina Mecânica Claudemir, cujo motor OHC passou recentemente pela troca da alimentação carburada para injeção eletrônica, novamente marcou presença, mas teve uma prova bem discreta.

Sobre evolução de tempo, é preciso destacar o Fiat Uno 1.6 Turbo "Silver Donkey" de Bruno Nicácio, que veio da cidade de Arapiraca/AL para brigar pela vitória. Um projeto muito bem montado e bonito, com muita força dentro da sua categoria, diga-se de passagem. Se na etapa passada o Fiat fez o tempo total de 9s275s (9s269 de pista + 0,006 de reação), suficiente para ser o terceiro colocado na 9 segundos, o tempo dessa vez foi ainda melhor, com a marca de 9s120 (8s908 + 0,212), sendo este o recorde pessoal do piloto e do carro.

Por falar na cidade de Arapiraca, a galera de lá tem cadeira cativa (ou tenda nos boxes) no M3, sempre trazendo carros de visual matador e com desempenho forte para brigar pela vitória em suas respectivas categorias. Nesse pacote, podemos colocar além do Fiat Uno de Nicácio, o Chevrolet Corsa 2.4 16v turbo da Cientista Performance Racing, o Fiat Palio 1.0 turbo de Eugênio Lima (vencedor na Desafio 10 segundos), além do Volkswagen Voyage "Quadrado" também turbinado de Anderson Moura.

Uma ação promocional bastante interessante foi promovida pela Concessionária MG Motors do Grupo JRCA, que levou para a pista dois exemplares da tradicional marca britânica (o hatch MG 4 e o roadster esportivo MG Cyberster) para que os interessados pudessem ver (e sentir as costas colarem no banco também) de perto o torque e velocidade dos modelos 100% elétricos.

Para quem esperava o duelo entre o Volkswagen Gol Fireblade (fala-se em mais de 1.200 cv de potência) de Caio Milito e a Lamborghini Revuelto de Galba Aciolly Filho (que já foi recordista nos 201 metros do Circuito M3), a tão comentada puxada ficou para uma próxima etapa. A Lambo não chegou a ser levada para a pista, mas o piloto deu as caras com um verdadeiro monstro sobre rodas. O carro em questão é uma exclusiva Ford F 150 Tremor 2025, cujo peso total de mais de três toneladas, é empurrado por um V8 5.0 litros com supercharger (e stage 2, com mais de 800 cv) montado pela A&M Performance. No meio da tarde do sábado, Galba fez o V8 rugir alto na reta, uma verdadeira sinfonia para quem sabe apreciar o som de um motor de alta performance. A F 150 fez apenas uma puxada com tempo válido, registrando 08s426 (07s894 de pista + 0,532 de reação).

Falando em nostalgia, ao saber que o piloto Gutemberg "Guto" estava disputando esta etapa com um Volkswagen Gol G4 aspirado, voltei no tempo uns 20 anos. Nessa época, me mantinha informado sobre as provas de arrancada realizadas no Autódromo Internacional de Caruaru através da Revista Super Speed, cujos exemplares guardo até hoje. Ainda alcancei a época em que Guto corria com um Volkswagen Gol "Quadrado" verde, apelidado de Hulk, mas esse carro infelizmente foi aposentado após capotar em plena reta durante uma puxada. A sua mecânica foi transferida para uma nova carroceria, modelo G4, sendo a "reencarnação do Hulk".

No final das quase 500 puxadas do fim de semana, o carro mais rápido foi o Chevrolet Opala SS "Sedex" de Robson Casé (SE), que passou a liderar a Lista 082. O bólido, que conta com motor V8 aspirado de 585 cv e 114 kgfm de potência (com injeção de óxido nitroso), alimentado pela injeção eletrônica Fueltech FT 550, é "domado" por câmbio de trocas automáticas, e impressiona só de aquecer os pneus. Cada puxada é precedida de um burnout insano, que faz com que as portas sejam abertas (e funcionem como verdadeiros abanos) para que o piloto não se perca no cockpit com tanta fumaça! A preparação fica por conta da Tasa Racing, de Aracaju (SE).

Então é isso, meus amigos. Nesse ritmo que vamos, em breve a Lista 082 será a primeira homologada na Região Nordeste, habilitando nossos pilotos (da região inteira, não só de Alagoas) a disputarem o famoso Armageddon. Mais do que isso, a reunião de carros e pilotos vindos de vários Estados do Nordeste é a mostra de que a só deve existir a rivalidade na pista. Adversários não são inimigos, pois o esporte só se fortalece quando há o respeito mútuo entre os competidores. Não é só na matemática que somando se alcança muito mais do que dividindo.

E vendo todas essas máquinas gritando alto na reta, dá vontade de que, se for homologada a categoria Desafio 30 segundos (rsrsrsrs), a Emmanuelle vai alinhar para dar uma puxada também. Mas claro, antes disso ela e o seu piloto vão precisar de um grande alívio de peso (rsrsrsrs). Até a terceira etapa da Lista 082, em 26 e 27 de setembro!

Lista 082 atualizada:

1. Robson Casé - Chevrolet Opala V8 nitro - Sergipe

2. Felipe Rezende - BMW 340i - Sergipe

3. Hudson Jr. - Volkswagen Gol 4x4 - Sergipe

4. Miguel Orsolete - Volkswagen Gol 4x4 - Alagoas

5. Felipe Gomide - BYD Seal - Alagoas

6. Leonardo Braga - Volkswagen Gol turbo - Alagoas

7. Demir Tenório - Volkswagen Golf 4x4 - Alagoas

8. Jr. Jambo - Volkswagen Gol 4x4 - Alagoas

9. Caio Milito - Volkswagen Gol FLD - Alagoas

10. Ivo Leal - Volkswagen Gol turbo - Sergipe

Fiquem agora com algumas imagens feitas durante as puxadas do sábado.