"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O piloto Nelson Balestieri

Na história do esporte a motor no Brasil, não são raros os casos em que carreiras promissoras são interrompidas de forma abrupta, e muitas vezes, de maneira trágica. Como exemplo disso, temos entre os primeiros destes nomes o do piloto Christian Heins, que em 1963, perdeu a vida de forma absurda enquanto disputava as 24 Horas de Le Mans.

Um pouco depois, tivemos José Carlos Pace e Marivaldo Fernandes, vítimas de acidente aéreo no interior de São Paulo em 1977. Então fica a pergunta: E se não tivesse sido assim, o que eles teriam alcançado em suas carreiras? Porém, é impossível irmos além de conjecturas.

Sem querer adotar nenhum viés melancólico com esse texto, trago para vocês uma história que há anos me inquieta e desperta a minha curiosidade, talvez muito pelo seu desfecho ter sido causado por um motivo absurdo, inimaginável. Trata-se da carreira do piloto Nelson Balestieri.

Nascido em meados do ano de 1951, Nelson Balestieri já possuía envolvimento com as corridas e preparação desde o início dos anos 70, tempo em que chegou a possuir uma oficina especializada em Volkswagen junto com seu irmão Pedro. Nessa época, fora proprietário do Karmann Ghia Porsche Dacon nº 2, pilotado no auge da equipe por ninguém mais ninguém menos que José Carlos Pace.

Concomitantemente à vitoriosa carreira na Fórmula Fiat, Balestieri disputou algumas provas do icônico Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, como por exemplo, as 12 Horas do Rio de Janeiro de 1984, quando assumiu o Fiat Oggi de Emerson Fittipaldi (Emerson tinha a última etapa do campeonato da Fórmula Indy para disputar naquele fim de semana, em Las Vegas), além das 6 Horas de Interlagos de 1985, prova em que dividiu a tocada do Volkswagen Gol da equipe Malt 90 com Paulo Sarmento.

Falando de Fórmula Fiat, que foi a maior conquista do piloto, cabe lembrar que a categoria monomarca com motores da fábrica italiana teve sua prova inaugural disputada em 08 de novembro de 1981, no Autódromo Internacional de Tarumã, cuja vitória ficou com o grande Maurício Gugelmin. Já o destaque de Balestieri na categoria começou no ano de 1983, quando foi o segundo colocado na etapa de abertura da temporada (Jacarepaguá), e terceiro na segunda etapa (disputada em Interlagos).

Mas ainda naquele ano, viriam suas duas primeiras vitórias na categoria, mais precisamente na sexta etapa (Jacarepaguá) e na oitava e última da temporada, disputada em Interlagos. Ao final do campeonato de 1983, terminou na terceira posição, com 94 pontos (16 a menos que o campeão Átila Sippos).

O ano de 1984 marcou a conquista do título da Fórmula Fiat por Balestieri, que só passou a dominar o lugar mais alto do pódio a partir da terceira etapa, disputada em Jacarepaguá, quando venceu Ricardo Garcia e Djalma Fogaça. Na etapa seguinte, também em Jacarepaguá, emendou sua segunda vitória, vencendo Jindra Nicolau Kraucher e Renato Naspolini.

A sequência de vitórias fora interrompida na quinta etapa, disputada em Interlagos, quando terminou na segunda posição, atrás de José Eduardo David, e adiante de Jindra Kraucher. De volta ao Rio de Janeiro, mais uma vitória de Balestieri, seguido de José Eduardo David e Djalma Fogaça. Mesmo sem ter ido ao pódio na sétima e última etapa, vencida por José Eduardo David, Nelson Balestieri sagrou-se campeão, com 97 pontos.

Ao todo, foram 05 vitórias (superado apenas por José Eduardo David, com seis), 03 segundos lugares e 02 terceiros, além de 01 volta mais rápida na Fórmula Fiat.

A absurda morte de Balestieri ocorreu no dia 21 de setembro de 1986. Naquele domingo, seria realizada uma das etapas da Fórmula Ford Carioca em Jacarepaguá. Era por volta das 06h30min, e o autódromo ainda estava deserto. Com parte da pista ainda fechada, Nelson deixou os boxes para realizar alguns ajustes em seu carro. Provavelmente em razão dos primeiros raios de sol da manhã, que ofuscaram a sua visão, não viu que um portão de ferro (semelhante aos utilizados em cruzamentos ferroviários) fechava a saída dos boxes, e com o choque diretamente na altura de seu capacete, faleceu de forma quase instantânea.

Balestieri foi declarado campeão por decisão unânime dos demais competidores da categoria.


Fontes: //www.speedonline.com.br//

//blogdocarelli.blogspot.com


Foto: Zé Carlinhos


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ginetta G55 - A vitória no retorno em 2020

O retorno das 1000 Milhas Brasileiras, em fevereiro de 2020, foi sem dúvida alguma um dos eventos mais comemorados neste espaço. Afinal, o Blog da Mil Milhas havia nascido 10 anos antes, numa época em que pensar em ter uma nova edição da prova, em um futuro próximo, era algo quase utópico.

Mas a prova voltou, surpreendendo positivamente a muitos de nós, apaixonados por automobilismo e, embora cercada de desconfiança por algumas pessoas, foi um sucesso. Tanto o é, que se hoje somos testemunhas de uma das melhores fases da história das 1000 Milhas, essa prova pode ser considerada a raiz de tudo.

O carro vencedor dessa prova, tema da postagem de hoje, é um personagem que também nasceu durante o hiato das 1000 Milhas. Lançada no ano de 2011, a Ginetta G55, produzida pela fabricante britânica Ginetta Cars, é uma evolução do modelo G50, com especificações para o regulamento FIA GT3. Impulsionada pelo motor Ford V6 5.7 litros, de cerca de 370 cavalos de potência, domados pelo câmbio Hewland sequencial, de seis marchas, a Ginetta acabou sendo inscrita na categoria GT4, junto com a Mercedes Benz AMG GT4 de Leandro Ferrari/Renato Braga/Flávio Abrunhoza/Marcelo Brisac.

Os pilotos responsáveis pela tocada do carro inglês foi o trio formado por Stuart Turvey, Renan Guerra e Esio Vichiesi, sob a estrutura da equipe Stillux Racing Team. Nos treinos classificatórios, conquistaram a terceira melhor marca, com 1min40s687. Na prova, o carro nº 16 seguiu de perto o pole position Protótipo MCR Tubarão nº 32 do trio Mauro Kern/Paulo Sousa/Tiel de Andrade, que após cerca de uma hora de disputa, teve que abandonar com problemas de motor.

Com o abandono do protótipo, a liderança permaneceu sob alternância entre a Ginetta nº 16 e a Mercedes nº 22, que por sua vez, por volta da sétima hora de corrida, começou a apresentar problemas nos freios, que fizeram com que a parada nos boxes fosse mais longa. A partir daí, a Ginetta não saiu mais da liderança, vencendo com cinco voltas de vantagem para a Mercedes.

Essa vantagem chegou a ser de seis voltas, mas a AMG GT4 voou baixo e conseguiu descontar uma delas. Ao final, foram 360 voltas completadas (por conta da limitação do tempo de prova em 11 horas), e a melhor volta fora marcada pela Mercedes AMG GT, com 1min40s418, na 222ª passagem.






sexta-feira, 10 de abril de 2026

Stock Car Paulista (década de 90)

Recentemente, os apaixonados por automobilismo foram presenteados com imagens da antiga categoria Stock Car Paulista, mais precisamente dos anos de 1990 e 1991. Tratam-se de vídeos que foram postados pelo piloto Eduardo Pimenta, o Dudu (ou Dudo) Pimenta, em seu canal no Youtube (@DrEddiePepper), com a cobertura e resumo de provas decisivas destas temporadas. O link para acesso está aqui.

Como não poderia deixar de ser, esse rico material despertou a curiosidade sobre a história da Stock Paulista e, contando com a valiosa contribuição dos amigos Marcos Fernando (design automobilístico, que fez a arte de inúmeros carros campeões) e Flávio Manfredini (piloto paulistano que disputou a categoria e outras corridas com Chevrolet Opala e VW Speed 1600), vamos dedicar algumas linhas a esse recorte da história a motor.

Na segunda metade dos anos 80, a chamada categoria Hot Car, que por sua vez tinha substituído a antiga Divisão 3 no início daquela década, dava seus últimos suspiros. Nesse cenário, alguns pilotos e preparadores ligados ao saudoso Camilinho Christófaro, do bairro paulistano do Canindé, se uniram e formaram a categoria, tendo como palco o novo traçado de Interlagos, que foi inaugurado em 1990.

Os recheados grids de largada eram formados por duas categorias, A e B, dividindo os pilotos quanto ao tempo de experiência de pista. Na categoria A, eram comuns nomes como Paulo Gomes, Neimer Helal, Fabio Sotto Mayor, Leandro de Almeida e José "Coelho" Romano. Na B tínhamos outras feras como Virgínio Pino Evaristo, Carlos Crespo, Maurício Rosa, entre outros.

Com o passar dos anos 90, os Opalas foram gradativamente sendo substituídos pelos Omegas, mas chegando a disputar corridas juntos. Porém, já no início dos anos 2000, era muito raro ver um Opala em atividade na categoria. Aproveitem as imagens de época!


Pedro Pimenta

1994 - Forcollin e Karim Machata

Karim Machata

1997 - José Coelho Romano

Rosati "Zato" Paduano Filho

José Coelho Romano

Carlos Tigueis Batista e Emmanuel Baldatakis

Dudu Pimenta


1994 - Flávio Manfredini



1994 - Flávio Manfredini






sexta-feira, 3 de abril de 2026

O prenúncio de uma vitória - Orlando Menegaz e Ítalo Bertão (1960)

Até a largada da quinta edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em 27 de novembro de 1960, apenas os pilotos gaúchos Orlando Menegaz e Aristides Bertuol haviam quebrado a hegemonia dos igualmente gaúchos Breno Fornari/Catharino Andreatta. Em 1957, a dupla venceu a prova a bordo da carretera Chevrolet Corvette nº 4, com uma volta de vantagem para a carretera Ford nº 2 de Andreatta, que na ocasião, correu em dupla com Diogo Luís Ellwanger.

Naquele ano de 1960, Menegaz formou dupla com o também gaúcho Ítalo Bertão na carretera Chevrolet Corvette inscrita sob o nº 24. Terminariam a prova na 9ª colocação, com 174 voltas completadas, no grid formado por 41 carros, e cujos vencedores foram Chico Landi e Christian "Bino" Heins. Mas no ano seguinte, a glória viria para Menegaz (novamente) e Bertão.



domingo, 29 de março de 2026

Encontro de antigos em Marechal Deodoro/AL

Para quem não conhece, Marechal Deodoro é uma cidade situada na zona metropolitana de Maceió/AL, distante 28 km da capital alagoana. Marcada pelo seu valor como patrimônio histórico nacional, foi a primeira capital do Estado de Alagoas, no período entre 1823 e 1839, e continua sendo por um dia todos os anos, mais especificamente no dia 15 de novembro (em homenagem ao seu filho Manuel Deodoro da Fonseca).

No último sábado, dia 28 de março, a orla lagunar da cidade foi palco do encontro de carros antigos promovido pela Confraria Cheiro de Mofo e o Clube do Fusca e Antigos de Maceió/AL, contando com o apoio da Prefeitura Municipal de Marechal Deodoro.

O belo cenário natural proporcionado pela lagoa manguaba ganhou ainda mais cores, com os diversos modelos fabricados na década de 60 e posteriores, cada um trazendo as histórias de paixão, dedicação, sacrifícios e realizações vivenciadas por seus donos.

Nesse clima de amizade e descontração, o Cheiro de Mofo faz a diferença por onde passa, sempre levando vários integrantes aos eventos que promove ou que é convidado. Quem pensa que os encontros do Mofo são naquele estilo em que ninguém conversa com ninguém, fica cada ao lado do próprio carro, com os braços cruzados, com "cara de quem chupou limão", digo que é totalmente o contrário.

A idéia da confraria surgiu em meados do ano de 2004, quando as reuniões semanais eram feitas na orla da Praia de Ponta Verde, em Maceió/AL, no antigo Clube Alagoinha (onde hoje se situa o Marco dos Corais). Nessa época, existiam outros clubes semelhantes, porém, que não resistiram aos desgastes entre seus membros e ficaram pelo caminho. Mas o Cheiro de Mofo, em que pese ter passado por uma fase difícil, com apenas 02 (dois) membros, sr. Samuca e sr. Renato, resistiu às dificuldades e se torna a cada dia mais forte, com muitos outros membros e suas respectivas famílias, já que cada encontro, cada passeio, é uma expressão do verdadeiro ambiente familiar.

Frequento os encontros do Cheiro de Mofo desde abril de 2018, época em que nem carro eu tinha, pois ia para os encontros (então realizados no histórico bairro de Jaraguá) de por meio de carro de aplicativo. E nem por isso ficava de fora, sendo que o que mais me chamava a atenção era que tinha (e tem) lugar para carros de todos os níveis e gostos, em pé de igualdade. Lá, o placa preta convive normalmente com o antigo utilizado no dia-dia ou que esteja em projeto. Isso não tem preço.

Mas voltando ao encontro de ontem, trago para vocês alguns registros feitos pelos integrantes do grupo, de alguns dos 75 carros que foram a atração da cidade.