"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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segunda-feira, 15 de maio de 2023

Opala Força Livre - 1989

O Chevrolet Opala é sem dúvidas o carro nacional com maior tradição na história das Mil Milhas Brasileiras. A primeira participação na prova ocorreu em 1970, ocasião em que foram inscritos 02 exemplares: Nº 84 de Pedro Victor de Lamare/Artur Bragantini e nº 93, de Luiz Zanforlin/Joseph Ferruglio. O melhor colocado fora o nº 84, que terminou na 19ª posição (grid formado por 50 carros), com 164 voltas completadas.

Entre 1981 e 1990, das 09 provas disputadas, apenas 01 não foi vencida pelo modelo da Chevrolet, que também assegurou os demais lugares do pódio em várias dessas edições. A última participação de um Opala nas Mil Milhas ocorreu em 2005, com o exemplar equipado com motor V8 derivado da Nascar (Busch Series, atual Xfinity), pilotado pelo trio Guido Borlenghi, Archimedes Delgado e Jonatas Borlenghi.

Mas hoje trazemos o Opala força livre do trio formado por Edson Serrano/Carlos Henrique Castralli/Haroldo Silva, que em 1989 alcançou a 29ª posição na classificação geral, ao completar 154 voltas. A receita básica de preparação era a tradicional: Motor 250s 6 cilindros, com 01 carburador Weber 44, câmbio Dodge 4 marchas e diferencial Dana 44, derivado do Ford Maverick V8.




* Fotos retiradas do perfil pessoal do Instagram do piloto e preparador Carlos Henrique Castralli

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Mil Milhas de 1970: Os "pequenos" mostraram sua força do circuito de Interlagos


Finalizando a era das Carreteras, a X Edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em novembro de 1970, teve o grid formado na maior parte por máquinas de rua. Dentre as quais, podemos citar Alfa Romeo, BMW, VW Fusca, Ford Corcel e Puma.

E os"pequenos" não fizeram feio, pois além de a vitória ter sido conquistada pela Alfa GTAM dos irmãos Diniz (Alcides e Abílio), entre os 10 primeiros chegaram outras 02 Alfas e 01 Puma. Nas fotos abaixo, alguns flagras dos pequenos notáveis que fizeram bonito naquele ano.









segunda-feira, 1 de julho de 2019

Maserati 300 S em 1970


Salvador Cianciaruso (1941 - 2014) foi um paulistano que em 1963, ao assistir os 500 km de Interlagos, se apaixonou pelo esporte a motor e resolveu disputar provas em Interlagos, tendo construído, com o passar do tempo, até mesmo monopostos. Em 1970, se inscreveu para a X edição da Mil Milhas Brasileiras, ocorrida em novembro daquele ano, com uma Maserati 300 S esporte biposto, equipada com motor 3.0 litros, em dupla com João Odmur Costa. Ao término da prova, os pilotos alcançaram a 26ª posição na classificação geral, além de chamar a atenção do público com um bólido já deveras antigo.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Porsche 910 de Mario Olivetti e José Moraes nas Mil Milhas de 1970


Dentre os franco favoritos para a vitória na X edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em 22 de novembro de 1970, certamente estava o Porsche 910 2000 cc nº 65, conduzido na ocasião por Mário Olivetti e José Moraes. Porém, em que pese a máquina alemã ser flagrantemente superior à maioria dos outros bólidos do grid, além de não ter apresentado qualquer problema durante as quase 13 horas de corrida, a tocada extremamente cautelosa dos pilotos o deixou mesmo na 2ª posição, com 03 voltas a menos que os vencedores, Alcides e Abílio Diniz, a bordo de uma Alfa Romeo GTAM.

Para se ter uma ideia da diferença de potência entre os bólidos, enquanto a Alfa Romeo alcançava cerca de 230 km/h de velocidade máxima, o Porsche chegava a 270 km/h. Por certo, caso o alemão tivesse sido mais exigido na prova, levaria aquele troféu sem maiores problemas. Já no ano seguinte, o 910 foi vendido para a então estreante Equipe Z (posteriormente Hollywood), ficando com o vice-campeonato brasileiro de viaturas esporte, nas mãos de Francisco Lameirão e Luiz Lian Duarte, após vencer as 6 horas de Interlagos e os 300 km de Tarumã.





segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Fusca nas Mil Milhas de Interlagos - Dia Nacional do Fusca

No início deste blog, fiz uma postagem que continha fotos de alguns dos Fuscas que participaram de edições das Mil Milhas de Interlagos. Mas claro que apenas algumas fotos não seriam suficientes para contar uma história de mais de 50 anos. Então, estive hoje pensando nas façanhas que o "besouro" realizou na mais prestigiada prova de longa duração de nosso calendário, e resolvi escrever essas linhas. E além do mais, hoje é o dia dele! 20 de janeiro: Dia Nacional do Fusca.

A primeira participação de um Volkswagen ocorreu na primeira edição da prova, em 1956. Tratava-se de um modelo equipado com motor 1.5 litros, preparado por Jorge Lettry, cuja receita utilizava 02 carburadores Solex e até comando de válvulas derivado de um Porsche 550. Para se ter uma ideia do esmero da preparação da criança, basta levar em conta que esse motor tinha 74 cavalos de potência, quando o motor 1.1 original do VW tinha cerca de 25 cavalos. Em termos de tempo de volta, a média no traçado de Interlagos ficou em torno de 4min18s, chegando a 4min15s com o pé no porão. Na corrida, a pilotagem ficou por conta dos saudosos Eugênio Martins e Christian "Bino" Heins, que assumiram a liderança por volta da metade da prova, mas que na volta 138, tiveram que ir para os boxes, por conta da quebra do cabo do acelerador. Infelizmente o conserto demorou um longo tempo, o que fez com que o carrinho perdesse algumas posições na classificação, mas ao final, ainda alcançou o 2º lugar, com 04 voltas de desvantagem para a Carretera Ford de Breno Fornari/Catharino Andreatta.




No ano seguinte, o número de exemplares inscrito na prova aumentou, porém o desempenho foi mais discreto. Vejamos:

29º VW nº 12 Gabriel Cucchiarelli e Flávio Del Mese RS – 134 voltas
34º VW nº 56 Freddy e Manoel SP – 24 voltas
35º VW/Porsche nº 10 Haroldo Dreux e Aldo Costa RS – 24 voltas
 

Entretanto, em 1958 apenas um VW disputou a Mil Milhas, cujo grid foi de somente 29 carros. O carro em questão era o VW/Porsche 1.6 da dupla Fritz D'Orey e Lauro Bezerra, irmão de Washington Bezerra, um dos fundadores da Stock Car. A dupla alcançou o 9º lugar na corrida, mas teve a performance prejudicada pela quebra do para-brisa.

Mas no ano seguinte, este mesmo bólido teria uma performance bem mais destacada, ao chegar na 3ª posição, atrás somente de 02 Carreteras. Neste ano, Bezerra formou dupla com Caio Marcondes Ferreira.




Entre os 20 melhores colocados, ainda estavam mais dois VW:

15º VW/Porsche nº 10 Haroldo Dreux e Aldo Costa RS – 165 voltas
19º VW nº 66 José Maria Salles e Antonio Pereira SP – 158 voltas

Em 1961, somente o VW de Haroldo Dreux e Aldo Costa participou da corrida. Não há registro da posição de chegada.

Na edição de 1965, há o registro que o VW da dupla Silvano Pozzi/Marcelo Audrá chegou na 17ª posição, à frente de Emerson Fittipaldi, que fazia sua estreia na prova.

A próxima participação destacada do besouro ocorreu na prova de 1967, quando o VW de Fritz Jordan/Nataniel Towsend chegou no 6º lugar, após completar 168 voltas.




Em 1970, com o maior desenvolvimento da preparação da mecânica VW a ar, aliada à aposentadoria de concorrentes de pequeno porte, como o DKW e o Gordini, o VW tornou-se a fórmula menos onerosa para participar da corrida. A prova disso são os 21 exemplares inscritos na disputa, entre os quais estava o conversível com carroceria de feita em fibra - apelidado de Spyder - da dupla Anésio Hernandez/Nataniel Towsend.





Os melhores colocados na prova foram:

14º VW 2000 Nº 5 Sílvio Montenegro e José Lofti SP – 177 voltas
16º VW 1900 Nº 83 Adolfo Trocoli e Kasteca RJ – 174 voltas
21º VW 1900 Nº 34 Ricardo Di Loreto e Osmar de Almeida Jr. – 161 voltas
22º VW 1900 Nº 20 Martinho Silberschimid e Amadeo Machado Campos – 161 voltas
24º VW 1900 Nº 70 Jorge Henrique Paulo e Antônio Luiz Meirelles – 157 voltas
27º VW 1900 Nº 15 Jean A. Samuel e Carlos Vianna – 144 voltas


Josil Garcia e Luis Filinto Jr.

Márcio Costa e Pedro Rezende


A prova de 1973 marcaria a invasão dos VW, todos equipados com motor 1.6 e preparação sob o regulamento das antigas Divisão 1 e 3, os apelidados "penicos atômicos". Foram vários exemplares memoráveis inscritos naquela prova, sendo que o mais destacado foi o nº 29, da dupla Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi, que chegou a ocupar o 2º lugar no decorrer da disputa, mas que em virtude de problemas, acabou terminando no 5º posto. Muito bom para um Fusca no meio dos "brutamontes" Opalas e Mavericks, rsrsrsrs. Nesta prova, até mesmo Ingo Hoffmann  - em dupla com Alex Dias Ribeiro - e o saudoso Sid Mosca  - em dupla com Rubens Chiodi - utilizaram o VW. Por ordem de chegada, essa foi a lista dos participantes:


5º VW nº 29 Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi SP – 195 voltas
6º VW nº 47 Bruno D’Almeida e Voltaire Mogg RS – 191 voltas
7º VW nº 19 Toni Rocha e Peter Schultswenk SP/RJ – 190 voltas
9º VW nº 15 Plínio Riva Giosa e Jacinto Tognato SP – 188 voltas
10º VW nº 54 Amandio Ferreira e Sérgio Alhadeff SP – 188 voltas
12º VW nº 62 Keniti Yoshimoto e Hiroshi Yoshimoto SP – 185 voltas
13º VW nº 17 Alex Dias Ribeiro e Ingo Hoffmann DF/SP – 184 voltas
14º VW nº 16 Nélson Giraldes e Maximo Pedrazzi SP – 177 voltas
16º VW nº 63 Carlos de Carvalho e Vicente Galicchio SP – 172 voltas
17º VW nº 36 Pietro Jaconelli e Vincenzo Jaconelli SP – 171 voltas
18º VW nº 44 Jerônimo Pereira e Francisco Pereira SP – 166 voltas
19º VW nº 11 Júlio Renner e Fernando Esbróglio RS – 154 voltas
20º VW nº 50 Mane Simão e Alberto Serrodio SP – 154 voltas
21º VW nº 30 Maurício Chulam e Sérgio Benoni RS/PR – 153 voltas
23º VW nº 26 José Balieiro e Edimir Fernandes – 141 voltas
25º VW nº 24 Erico Pereira e Luís Osório – 138 voltas
26º VW nº 51 Bruno Rubinatto e Koji (Ponkan Myamoto) – 138 voltas
27º VW nº 41 Julio Caio Marques e Luís Evandro – 135 voltas
32º VW nº 60 Amadeo Campos e Oswaldo Melone – 111 voltas
33º VW nº 69 Luís Dassoler e Roberto Ypych Jr. – 103 voltas
34º VW nº 59 Edson Yoshikuma e Miguel Yoshikuma – 97 voltas
35º VW nº 34 Arturo Fernandes e Oswaldo Carajelescow – 83 voltas
36º VW nº 3 Sidney Mosca e Rubens Chiodi – 81 voltas
38º VW nº 6 Ney Faustini e Aloysio Andrade Filho - 68 voltas
39º VW nº 33 Paulo S. Caetano e Ricardo Coelho – 66 voltas
41º VW nº 68 Pedro Mufatto e Antonio Muffato – 48 voltas
44º VW nº 28 José Melkan e César Fiamenchi – 42 voltas
45º VW nº 52 José Luís Nogueira e Antonio Furneel – 42 voltas
46º VW nº 49 Alfredo de Mattos e Luiz Antônio “Teleco” Veiga – 41 voltas
47º VW nº 65 Ricardo Mansur e Pepa – 38 voltas
49º VW nº 25 Cláudio Cavallini e Orlando Lovecchio – 25 voltas
50º VW nº 35 João R. Schimot e Ricardo Di Loreto – 20 voltas
51º VW nº 1 Jozil Garcia e Francisco Gondim – 20 voltas
57º VW nº 32 Tony Pirillo e Dante Chiaroni – 11 voltas
58º VW nº 70 Othon Echel e Raul Machado – 9 voltas
59º VW nº 27 Ronald Berg e Wilson Sapag Jr. – 6 voltas
61º VW nº 9 Luís Brazolin e Ricardo Mogames – 6 voltas
63º VW nº 56 Dimas Mello Pimenta e Fausto Wajchemberg – 4 voltas
64º VW nº 40 Eduardo Lopes e Paulo Della Volpe – 1 volta




















Na volta da prova, em 1981, o domínio foi dos Opalas Stock Car, mas em 24º lugar estava o VW Hot Car de João Lindau e José Lenci Neto, com 168 voltas. Ainda marcaram presença na prova os VW de Arturo Fernandez (nº 20), Júlio Miglioli (nº 44) e Jr. Lara Campos (nº 11).










Em 1984, mesmo com toda a concorrência dos VW Passat's e do estreante Ford Escort, o VW Hot Car nº 91 de Júlio Miglioli e José Ferraz terminou a prova na 13ª colocação, com 189 voltas completadas. Ainda, outros Fuscas também marcaram presença na prova, mas não tiveram o mesmo sucesso:

Nº 37 - Aristides Dalécio e Laércio Santos
Nº 61 - Carlos Manzetti e Irineu Borella











Em 1988, o VW Hot Car da dupla José Fercolin/Carlos "Sueco" Gonçalves também foi inscrito na prova:




No ano seguinte, o único VW Hot Car inscrito na Mil Milhas, em meio a outros Fuscas Speed 1600, foi o nº 94, guiado pelo trio Renato Marlia/Maurício Seraphim/Antônio Piva:





Entre 1990 e 1997, não possuo registros de que algum Fusca tenha participado da prova, mas acredito que em alguns desses anos houveram participações do modelo. A certeza é que, em 1998, dois exemplares do besouro, ambos com preparação Speed 1600, participaram da prova. Foram eles:

Speed 1600 Nº 96 Zarrir Adebe Jr. e Edson Vicencoto – 285 voltas (15º lugar)
Speed 1600 Nº 46 Jorge Fulco e Sérgio Luiz Machrdiner – 224 voltas (21º lugar)

E os besouros fizeram bonito na categoria IV (motores até 1.6 litros), com o 1º lugar de Zarrir Adebe Jr/Edson Vicencoto e o 3º de Jorge Fulco e Sérgio Luiz Machrdiner:




E foi o Speed - fabricado em 1985 - de Jorge Fulco que em 2001, marcou a última participação de um Fusca na disputa. Os tempos eram outros, e já não havia mais espaço para o velho guerreiro em meio a tantos esportivos de alta performance e protótipos igualmente velozes. Mas ainda assim, o Speed foi inscrito na prova, e conquistou a última posição entre os carros que participaram dos treinos classificatórios, com o tempo de 2min40s662. A corrida para a dupla Jorge Fulco/José Augusto Alves Jr. terminou com 98 voltas completadas.

E esse foi um pequeno relato da história das participações do VW Fusca em nossa maior prova de longa duração. Infelizmente não foi possível catalogar todos os dados e imagens, de todos os anos, mas o material aqui reunido nos permite ter uma ideia da dimensão da história do pequeno nas Mil Milhas, uma história que se confunde com a história da própria corrida.