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quarta-feira, 6 de maio de 2026

A tríplice coroa do endurance brasileiro (?)

Quando falamos do endurance internacional, logo nos remetemos às tradicionais provas das 12 Horas de Sebring, 24 Horas de Daytona e a maior de todas, as 24 Horas de Le Mans. São provas com décadas de tradição, com exceção de Le Mans, que já possui uma história centenária (disputada desde o ano de 1923, com exceção de 1936 e do período de 1940 - 1948, em virtude da greve dos trabalhadores durante a Grande Depressão, e da 2ª Guerra Mundial, respectivamente), cuja importância as coloca como as três maiores competições de longa duração do esporte a motor.

Por isso, os vencedores das três provas (na classificação geral) são considerados detentores da Tríplice Coroa do Endurance, título não oficial que atualmente é atribuído a 11 (onze) pilotos. São eles:

1. Hans Herrmann: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1960 e 1968, 24 Horas de Daytona em 1968 e das 24 Horas de Le Mans em 1970, quando se aposentou das pistas.

2. Jackie Oliver: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1969, 24 Horas de Daytona em 1971 e das 24 Horas de Le Mans em 1969.

3. Jacky Ickx: Belga, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1969 e 1972, 24 Horas de Daytona em 1972 e das 24 Horas de Le Mans em 1969, 1975, 1976, 1977, 1981 e 1982.

4. Hurley Haywood: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1973 e 1981, 24 Horas de Daytona em 1973, 1975, 1977, 1979 e 1991) e das 24 Horas de Le Mans em 1977, 1983 e 1994.

5. A. J. Foyt: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1985, 24 Horas de Daytona em 1983 e 1985) e das 24 Horas de Le Mans em 1967.

6. Alvah "AL" Holbert: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1976 e 1981, 24 Horas de Daytona em 1986 e 1987) e das 24 Horas de Le Mans em 1983, 1986 e 1987.

7. Andy Wallace: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1992 e 1993, 24 Horas de Daytona em 1990, 1997 e 1999 e das 24 Horas de Le Mans em 1988.

8. Mauro Baldi: Italiano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1998, 24 Horas de Daytona em 1998 e das 24 Horas de Le Mans em 1994.

9. Marco Werner: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2003, 2005 e 2007, 24 Horas de Daytona em 1995 e das 24 Horas de Le Mans em 2005, 2006 e 2007.

10. Timo Bernhard: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2008, 24 Horas de Daytona em 2003 e das 24 Horas de Le Mans em 2010 e 2017.

11. Nick Tandy: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2018, 2019 e 2020, 24 Horas de Daytona em 2025 e das 24 Horas de Le Mans em 2015.

Como visto, infelizmente ainda não possuímos pilotos brasileiros nesta lista, embora tenhamos vários nomes com vitórias nas 12 Horas de Sebring e nas 24 Horas de Daytona, com destaque para Pipo Derani e Felipe Nasr, os quais possuem reais chances de obter a tão sonhada vitória na classificação geral das 24 Horas de Le Mans.

Mas e no endurance brasileiro? Temos uma tríplice coroa nas corridas de longa duração? A resposta infelizmente é não, visto que não há nos registros do esporte a motor a instituição, ainda que informal, dessa honraria. Porém, e se pudéssemos fazer um ranking dos vencedores das mais tradicionais provas do endurance nacional, com o objetivo de atribuir esse posto? É sobre este ponto que vamos falar agora.

Confesso a vocês que o aspecto mais difícil nesta missão é estabelecer, de forma equitativa, quais provas formariam a chamada tríplice coroa do endurance nacional. Isto porque, sem entrar no mérito de cada uma das provas disputadas no Brasil ao longo dos anos, muitas delas foram disputadas em um período de tempo limitado, ou sofreram com hiatos mais ou menos longos no decorrer da história.

Diante disso, e em virtude da ausência de disputas em um determinado período, pilotos que teriam chance de vencer algumas dessas provas ficaram impossibilitados de fazê-lo, o que por si só já dificulta estabelecer um critério mais justo e objetivo.

Entretanto, mesmo diante destes obstáculos, poderíamos citar como mais significativas as seguintes corridas:

1. 1000 Milhas Brasileiras: Disputada desde 1956, com algumas interrupções neste período (as maiores nos períodos de 1974 a 1980 e de 2009 a 2019), é a prova mais tradicional do automobilismo brasileiro, com 43 edições realizadas;

2. 500 Km de Interlagos/São Paulo: Disputada desde 1957, também com interrupções neste período (a maior entre 1983 e 1996), passou por alguns formatos ao longo dos anos (inicialmente era disputada apenas no anel externo de Interlagos). A partir de 1997, a corrida fora realizada no circuito completo, e entre 2014 e 2017, foi disputada no Autódromo Velo-Cittá, em Mogi Guaçu;

3. 25 Horas de Interlagos: Realizada apenas entre os anos de 1973 e 1975;

4. 24 Horas de Interlagos: Disputada nos anos de 1960, 1961, 1966 e 1970;

5. 12 Horas de Tarumã/Porto Alegre: Disputada desde 1962, com algumas interrupções neste período (a maior entre os anos de 1977 a 1983). As três primeiras edições (1962, 1963 e 1968) foram realizadas em circuito de rua na capital gaúcha, enquanto que nos anos de 1984, 1992 e 2022, o autódromo de Guaporé sediou a corrida;

6. 1000 km de Brasília: Disputada pela primeira vez em 1962, inicialmente nas ruas da recém-inaugurada capital do Brasil, sendo que a partir de 1974, foi realizada no Autódromo Internacional de Brasília/Nelson Piquet. A prova teve várias interrupções, enquanto que a última edição foi realizada no ano de 2005, totalizando 22 (vinte e duas) edições.

Diante desta subjetividade, estabelecemos que o mais próximo de um critério objetivo e equânime (muito longe de ser a útima palavra sobre o assunto), seria considerar nesta lista apenas pilotos que venceram pelo menos três das corridas listadas acima, sobretudo em circuitos diferentes. Apesar de termos deixados grandes nomes de fora da relação (pois não se enquadravam nesse critério), é certo que vencer pelo menos uma edição das maiores provas de longa duração de nosso automobilismo, não é um feito fácil de se obter.

E nossa apuração ficou da seguinte forma:

1. Paulo de Mello Gomes

- 1000 km de Brasília de 1974 (Ford Maverick, com Antônio Castro Prado), 1976 (Ford Maverick, com Bob Sharp), 1980 e 1981 (ambas em um Chevrolet Opala Stock Car, com João Carlos "Capeta" Palhares).

- 12 Horas de Tarumã de 1975 (Ford Maverick Divisão 1 nº 22, com José Carlos Pace)

- 25 Horas de Interlagos de 1975 (Ford Maverick Divisão 1 nº 22, com José Carlos Pace e Bob Sharp).

- 500 km de Interlagos de 2003 (Mercedes Benz CLK DTM nº 25, em trio com Pedro Gomes e Alcides Diniz).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1985 (Chevrolet Opala Stock Car nº 12, em dupla com Fábio Sotto Mayor).


1000 km DF - 1981



1000 km DF - 1980


500 km de Interlagos - 2003


1000 Milhas Brasileiras - 1985



2. Wilson Fittipaldi Júnior

- 1000 km de Brasília de 1967 (Karmann Ghia Porsche 2.0, com José Carlos Pace).

- 12 Horas de Porto Alegre de 1968 (Volkswagen Fusca nº 7, com Emerson Fittipaldi).

- 25 Horas de Interlagos de 1974 (Chevrolet Opala nº 9, com Ingo Hoffmann e Reinaldo Campello).

1000 Milhas Brasileiras de 1994 (Porsche 911 RSR GT Le Mans n° 7 com Christian Fittipaldi) e de 1995 (Porsche 993 nº 1 em trio com Antonio Hermann e Franz Konrad).


1.000 km de Brasília 1967 - os três Karmann Ghia Porsche da Equipe Dacon chegando nas três primeiras posições. Os carros eram pilotados por: Rodolpho Olival Costa e Lian Duarte (n.12); Emerson Fittipaldi Francisco Lameirão (n.7); e por Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace (n. 77)

12 Horas de Porto Alegre - 1968

25 Horas de Interlagos - 1974 


1000 Milhas Brasileiras - 1995 (Foto: Zé Carlinhos)


1000 Milhas Brasileiras - 1994

3. Bird e Nilson Clemente

- 24 Horas de Interlagos de 1970 (Chevrolet Opala nº 80).

- 25 Horas de Interlagos de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20, em trio com Clóvis de Moraes).

- 500 km de Interlagos de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20).


500 km de Interlagos - 1973

Pódio dos 500 km de Interlagos - 1973


24 Horas de Interlagos - 1970


1000 Milhas Brasileiras - 1973


24 Horas de Interlagos - 1970

4. Xandy Negrão

- 1000 km de Brasília de 1984 (Volkswagen Voyage nº 70, em dupla com Jayme Figueiredo), 2003 (Porsche 911 GT3 nº 21, com Luiz Paternostro e Paulo Bonifácio) e 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão e Xandynho Negrão).

- 500 km de Interlagos de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2003 (Porsche 911 GT3 nº 9, com Ingo Hoffmann, Fernando Nabuco e Ricardo Etchenique) e 2005 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão, Xandynho Negrão e Giuliano Losacco).


1000 km DF - 2004


1000 km DF - 2003


1000 Milhas Brasileiras - 2005


1000 Milhas Brasileiras - 2003


1000 km DF - 1984


5. Luiz Pereira Bueno

- 1000 km de Brasília de 1968 (Interlagos Bino Mark II, em dupla com José Carlos Pace).

- 500 km de Interlagos de 1966 (Alpine A110 1.3), 1970 (Interlagos Bino Mark II nº 47) e 1971 (Porsche 908/2 3.0, com Luiz Lian Duarte).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1967 (Interlagos Bino Mark I nº 21, em dupla com Luiz Fernando Terra Smith).


1000 km DF - 1968
(Foto gentilmente cedida por Rodrigo Carelli)


Mil Milhas Brasileiras - 1967


500 km de Interlagos - 1970 (foto: Blog do Saloma)


6. José Carlos Pace

- 1000 km de Brasília de 1967 (Karmann Ghia Porsche 2.0, com Wilson Fittipaldi Júnior), 1968 (Interlagos Bino Mark II, em dupla com Luiz Pereira Bueno) e de 1969 (Alfa Romeo GTA 2000, com Marivaldo Fernandes)

- 12 Horas de Tarumã de 1975 (Ford Maverick Divisão 3 nº 22, com Paulo Gomes. Foi a última vitória de Moco).

- 25 Horas de Interlagos de 1975 (Ford Maverick Divisão 3 nº 22, com Paulo Gomes e Bob Sharp).

7. Guto Negrão

- 1000 km de Brasília de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão e Xandynho Negrão).

- 500 km de Interlagos de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2005 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão, Xandynho Negrão e Giuliano Losacco).

8. Xandynho Negrão

- 1000 km de Brasília de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão e Xandy Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2005 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão, Xandy Negrão e Giuliano Losacco).

- 12 Horas de Tarumã de 2003 (Protótipo MCR Volkswagen, com Luiz Paternostro, Giuliano Losacco e Juliano Moro).

9. Ingo Hoffmann

- 25 Horas de Interlagos de 1974 (Chevrolet Opala nº 9, com Wilson Fittipaldi Júnior e Reinaldo Campello).

- 500 km de São Paulo de 2015 (Mitsubishi Lancer, com Guilherme Spinelli e Leandro de Almeida).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2003 (Porsche 911 GT3 nº 9, com Xandy Negrão, Fernando Nabuco e Ricardo Etchenique).


500 km de São Paulo - 2015

10. Henrique Assunção

- 12 Horas de Tarumã de 2016 (Protótipo MCR GrandAm Lamborghini V10, com Fernando Fortes, Fernando Poeta, Pedro Queirolo, Anderson Toso e Marcelo Santana).

- 500 km de São Paulo de 2016 (Protótipo MRX, com Emílio Padron e Fernando Fortes).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2023 (Protótipo AJR Ford nº 175, com Emilio Padron, Fernando Ohashi e Fernando Fortes) e 2025 (Protótipo AJR Ford nº 75, com Cristian Rocha, Pietro Rimbano e Cassiano Trem).


12 Horas de Tarumã - 2016


500 km de São Paulo - 2016


1000 Milhas Brasileiras - 2023

11. Fernando Fortes

- 12 Horas de Tarumã de 2016 (Protótipo MCR GrandAm Lamborghini V10, com Henrique Assunção, Fernando Poeta, Pedro Queirolo, Anderson Toso e Marcelo Santana).

- 500 km de São Paulo de 2016 (Protótipo MRX, com Henrique Assunção e Emílio Padron).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2023 (Protótipo AJR Ford nº 175, com Emilio Padron, Fernando Ohashi e Henrique Assunção).


Diante dos dados indicados acima, podemos concluir que Paulão Gomes, tetracampeão da Stock Car e vencedor em outras categorias nacionais, é o piloto brasileiro mais vitorioso quando falamos nas mais tradicionais corridas de longa duração em nosso país. Para além disso, cabe fazer uma menção honrosa ao segundo lugar na classe e sétimo na classificação geral obtidos por Paulão nas 24 Horas de Le Mans de 1978, quando formou trio com Mário Amaral e Alfredo Guaraná Menezes, em um Porsche 935-77, movido pelo motor 3.0 L F6 turbo.

Porém, é indispensável lembrar que a melhor colocação de um brasileiro nas 24 Horas de Le Mans até o presente momento, foram os segundos lugares na classificação geral conquistados pelo saudoso José Carlos Pace em 1973, quando dividiu a tocada da Ferrari 312 PB-73 nº16 com o italiano Arturo Mezario, da equipe oficial da marca italiana, e por Lucas di Grassi em 2014, ano em que correu no Audi R18 e-tron quattro nº 1 (motor v6 4.0 turbodiesel) da equipe Audi Sport Team Joest. Os demais integrantes do time foram nada mais nada menos que Tom Kristensen e Marc Gené.

Então é isso, meus amigos. Ao grande Paulo Gomes e aos igualmente grandes pilotos dos quais falamos, nossas homenagens por suas inesquecíveis conquistas!

segunda-feira, 31 de março de 2025

Março mês da mulher: Alessandra Menini

Encerrando nossa trajetória de homenagens, neste mês de março, às personalidades femininas que escreveram seus nomes na história do automobilismo nacional, falaremos um pouco sobre a piloto Alessandra Menini.

Ale é o que consideramos uma profissional multifacetada, destacando-se como pilota de automobilismo, empresária e mentora, e que tem presença ativa nas redes sociais para compartilhar suas experiências e inspirar outras mulheres a conquistarem seu espaço, não só no esporte a motor, mas também em outras áreas profissionais. Um dos seus testemunhos de resiliência foi o diagnóstico, tratamento e cura de um câncer de mama, descoberto "ao acaso" durante uma sessão de cinema.

No automobilismo, iniciou sua paixão pelo kart, na qual deu uma pausa por questões profissionais e pessoais, retomando-a em 2019, passando também pela Copa Joy Chevrolet e pela Race Cup. Sua dedicação ao esporte culminou em uma conquista histórica: Em janeiro de 2023, tornou-se a primeira mulher campeã das 1000 Milhas Brasileiras, na categoria TN1 A. Até então, o maior destaque feminino na prova tinha sido o 2º lugar (na geral e na categoria) de Letícia Zanetti em 2002, com um protótipo AS Vectra 2.0. 

Essa conquista se torna ainda mais marcante em virtude de o carro utilizado por Ale e seus companheiros da equipe Lira Racing (Iures Delfino, Vinícius Lira, José Santiago e Eduardo Teixeira), ter sido uma Ford Courier (única no grid) derivada da antiga categoria Pick-up DTM, que por sua vez, tinha grids lotados no início dos anos 2000. Aliás, já contamos um pouco dessa história no blog, e você pode conferir essa história aqui.

A valente Courier (que já tinha disputado a prova em 2022) fez frente a carros mais novos e potentes, não só por ter vencido na sua categoria, mas também por terminado em um valioso oitavo lugar na classificação geral, com 308 voltas completadas. Como melhor marca na prova, foi registrado o tempo de 2min02s094.  Destaque para o fato de Ale ter pego o carro na 10ª posição e o ter entregado na 7ª posição na geral. Ao portal Lance*, fez a seguinte declaração:

Queria ganhar experiência de pista, além de ver se conseguiria suportar um stint de 2h30 sem parar de pilotar e ainda mantendo a constância, essa era a proposta para os pilotos da equipe. Eu não tinha a menor ideia de que essas expectativas seriam mais do que superadas. Além de ter feito um stint de quase 3h, agora somos campeões das 1000 Milhas Chevrolet Absoluta! É uma honra imensa para mim.

E completou:

- No meio do stint, tivemos um problema com o câmbio e perdemos a 5ª marcha. Na hora, fiquei bastante preocupada, mas a comunicação constante com o Vinícius Lira (chefe da equipe) foi essencial e me tranquilizou. Segui tudo que ele me passou por rádio e o resultado foi excelente. Mesmo sem a marcha, pude fazer um stint muito consistente, apesar do trânsito constante na pista.

Em 2024, Ale voltou ao grid da prova no mesmo bólido, mas em razão da quebra de um terminal elétrico do alternador, a performance ficou prejudicada, deixando a pick-up na 4ª posição na categoria e 25ª na geral.




Courier na prova de 2024. Foto de autoria do Paulo Abreu (@volta_rapida). Todos os direitos reservados. 


Courier na prova de 2024. Foto de autoria do Paulo Abreu (@volta_rapida). Todos os direitos reservados. 


*Disponível em: https://www.lance.com.br/mais-esportes/ale-menini-vence-gp-e-se-torna-a-primeira-mulher-campea-do-1000-milhas-chevrolet-absoluta.html

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Protótipo Fusca - Equipe Dimep

Já falamos em algumas oportunidades sobre os carros que o piloto Dimas de Melo Pimenta II trouxe para as pistas, passando por Escort XR3 de arrancada, Chevrolet Corvette até os Protótipos Daipi e GT aberto, sendo todos com motor 8 cilindros de muita potência. Para quem quiser conferir essas histórias, é só acessar o marcador "Dimas" no menu ao lado.

Mas hoje a história sobre a equipe Dimep (tradicional fabricante de relógios de ponto e congêneres, fundada em 1936) é sobre um pequeno que não usa motor V8, mas que anda bastante. Trata-se do protótipo Fusca.

Chamo esse carro de protótipo, pois de Fusca ele só tem a forma externa da carroceria, feita em fibra de vidro, que recobre o chassi tubular, derivado de um Fórmula 3. No cofre, um bravo motor Ford Duratec 2.0 16v de 261 cavalos, com preparação do grande Luiz Trinci, o "Dragão". A usina é domada pelo câmbio derivado da Audi.

Apesar de ser um carro conhecido nas provas de endurance desde meados de 2014, a sua estréia nas Mil Milhas ocorreu no ano de 2022, quando Dimas II formou quarteto com seus filhos Dimas de Melo Pimenta lll / Rodrigo Dimas de Melo Pimenta e Alex Dimas de Melo Pimenta, terminando na 17ª posição na geral, com 233 voltas. A melhor passagem foi registrada em 1min55s486, na 46ª volta.

O valente bólido retornou à prova em 2023, com a tripulação reduzida (sem a participação de Dimas III), mas com o equipamento ainda mais afinado. Nos treinos, o Fusca marcou a 19ª posição, com o tempo de 1min56s381, ficando atrás de 02 Protótipos MRX na categoria P3. Com a bandeira verde, acabou ficando pelo caminho, na 30ª posição, com 207 voltas e a melhor marca em 1min53s258.









domingo, 14 de janeiro de 2024

Live com Alessandra Menini, vencedora das Mil Milhas Brasileiras

Na última quinta-feira, dia 11 de janeiro, o Blog da Mil Milhas teve a honra de participar de uma live promovida pelo canal do Youtube Entusiastas Sob Rodas, junto com os irmãos Rodrigo Carelli (Blog do Carelli) e Paulo Abreu (Blog Volta Rápida). Na ocasião, a entrevistada foi a fera Icuritibana Alessandra Menini, a Alê, que nada mais nada menos é uma das únicas mulheres a vencer em categoria nas Mil Milhas Brasileiras (a outra foi a Letícia Zanetti, em 2002).

Alê venceu na categoria TN1 A em 2023, dividindo a pilotagem da Ford Courier (da qual falamos neste espaço há alguns dias) da Equipe Lira Racing com os marmanjos Vinícius Lira/Eduardo Teixeira/Iures Delfino/José Santiago, terminando a prova na 8ª colocação na geral.

Sem dar maiores detalhes do papo, deixo para vocês o link do vídeo para que acompanhem a nossa conversa, e ficamos na contagem regressiva da prova. Grande abraço!



terça-feira, 9 de janeiro de 2024

A nova era da Porsche nas Mil Milhas Brasileiras

Falar em Mil Milhas a partir dos anos 90, é sobretudo falar na marca alemã. Dominante na primeira metade das décadas de 90 e 2000, o modelo 911 e suas variações (sobretudo a GT3 RS) ditaram o ritmo das edições disputadas à época. E quando não venceu na classificação geral, foi vice, com exceção das provas de 2005 a 2007.

Mas com a retomada das Mil Milhas, a partir de 2020, é certo os tradicionais Porsche deveriam se aperfeiçoar se quisessem manter o protagonismo de antes. Assim, um exemplar da nova geração 718 fora inscrito no ano de 2022, mais especificamente um Cayman GT4 #55 da tradicional equipe Stuttgart. O lindo GT foi pilotado por Marcel Visconde, Ricardo Maurício e Alan Hellmeister, e terminou 11 voltas atrás dos vencedores, mas vencendo na categoria, depois de escalar todo o grid (o Porsche largou dos boxes e chegou a ocupar a 4ª posição na geral, ainda na 1ª hora de corrida).

Cabe lembrar que o 718 Cayman GT4 Clubsport chegou ao Autódromo de Interlagos somente às 16:00 horas do sábado, dia da prova. Até então, o hodômetro marcava 78 quilômetros, todos percorridos na pista da Porsche em Weissach, Alemanha. Nas quase 12 horas de corrida, o único reparo técnico feito foi a substituição das pastilhas de freio, como medida de segurança.

No ano seguinte, o mesmo carro foi pilotado pelo trio Jacques Quartiero/Danilo Dirani/Dennis Dirani, que levou o 718 Cayman ao segundo lugar na classificação geral (com 05 voltas de desvantagem para o AJR vencedor), entre os 42 carros que largaram (liderou a corrida durante boa parte do período noturno), e venceu na classe GT4.







terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Protótipo AJR 2023

Queridos leitores! Primeiramente quero desejar-lhes um feliz ano novo, estendido às suas respectivas famílias, repleto de muita saúde, felicidades e claro, automobilismo. E nesse clima de virada de ano, começa a nossa expectativa a respeito da próxima edição das Mil Milhas Brasileiras, que será disputada no dia 28 de janeiro de 2024, com a tradicional largada à meia-noite.

Até lá, estaremos relembrando histórias da prova e trazendo notícias a respeito da próxima edição, com postagens regulares e conteúdo inédito.

Então, hoje falaremos de um carro vencedor, não só das Mil Milhas, mas de várias outras provas, sobretudo do campeonato brasileiro de endurance. Trata-se do Protótipo AJR nº 175, do qual sou fã confesso, quem em 2023 foi pilotado por Emilio Padron, Fernando Fortes, Fernando Ohashi e Henrique Assunção.

O bólido em questão fora lançado pela JLM Racing (capitaneada pelo piloto Juliano Moro) em 2017, cujo projeto, que levou 02 (dois) anos de desenvolvimento, fora fruto de parceria com a Metalmoro, tradicional construtora gaúcha de carros de corrida. Possui chassis com estrutura tubular em aço cromo molibdênio, carenagem de composite e fibra de carbono nas asas – a traseira possui o sistema de asa móvel utilizado na Fórmula 1 - entre outros recursos que o tornam um carro muito veloz nas retas e com bastante downforce nas curvas.

Em que pese o primeiro AJR construído ter sido equipado com motor Honda K20 Turbo, a sua construção foi feita objetivando a possibilidade de utilização de diversas opções de motorização, de acordo com as possibilidades financeiras de cada equipe. Como por exemplo, o AJR nº 175 do qual falamos, fora equipado com motor Ford Coyote V8, além de ter sido pintado com uma bela tonalidade de verde.

Nos treinos, o carro nº 175 largou da pole position com o tempo de 1min31s320, o que representou a vantagem de 0s788 para o segundo colocado, o Protótipo Sigma P1 (vencedor da prova de 2022), conduzido por Bia Figueiredo, Aldo Piedade, Sérgio Jimenez e Pedro Queirolo.

Após a largada, a briga pela ponta ficou entre os dois primeiros colocados, enquanto que durante a madrugada, o Sigma teve problemas no alternador e terminou por abandonar a prova no começo da manhã, em virtude da quebra da suspensão. A partir das 06 horas de corrida (volta 157), o AJR passou a liderar de forma absoluta, pois nesse ínterim, o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport da Stuttgart também chegou a ocupar a primeira posição na geral na parte noturna.

Mesmo com problemas em um pit stop, que fizeram com que o AJR caísse para a décima segunda posição na classificação geral, a vitória fora conquistada com 05 voltas de vantagem para o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport da Equipe Stuttgart.


Foto: Rodrigo Ruiz




quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Mil Milhas 2023: A consolidação

Ao acompanhar a disputa tanto pelo YouTube quando pelo Bandsports, confesso a vocês que bateu uma alegria muito grande em ver o patamar que a nossa querida prova está atingindo novamente. De uma disputa com grid limitado e cercada de desconfiança, em 2020, ao nível técnico de outrora que pudemos ver no último domingo, podemos dizer que as Mil Milhas se consolidaram novamente no cenário automobilístico nacional.

42 carros alinharam no eclético grid que nos remeteu à época de ouro da prova, pois onde encontraríamos, nos dias atuais, protótipos com tecnologia de ponta como o AJR e o Sigma, disputando espaço nas curvas com Fusca e Gol quadrado? Isso é Mil Milhas, meus amigos! Por falar em alinhamento do grid, cabe lembrar que a tradicional chuva deu as caras já na sexta-feira, dia 20, forçando a suspensão da tomada de tempos oficial, de modo que a ordem de largada foi definida a partir dos tempos registrados nos treinos livres. Por isso, o protótipo AJR nº 175, pilotado por Emilio Padron, Fernando Fortes, Fernando Ohashi e Henrique Assunção ficou com a pole position, com o tempo de 1min31s320.



A largada foi dada no tradicional horário de meia-noite, e a briga pela ponta ficou entre os dois favoritos, os protótipos Sigma e AJR. Ainda durante a madrugada, o Sigma teve problemas no alternador e abandonou no começo da manhã, em virtude a uma quebra da suspensão. A partir das 6 horas de corrida, o AJR passou a liderar de forma absoluta, pois nesse ínterim, o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport da Stuttgart também chegou a ocupar a primeira posição na geral na parte noturna.

Em virtude do grande número de entradas do safety car (foram 17 acionamentos, no total de 70 voltas) a corrida terminou com 359 voltas, por conta do limite de tempo previsto pelo regulamento (12 horas mais uma volta), e não pela distância prevista (1000 milhas, equivalentes a 373 voltas no circuito de Interlagos).

Ao fim, o AJR verde nº 175 venceu com 05 voltas de vantagem para o Porsche, numa tocada segura e constante que é sua característica nas provas de endurance de curta duração (4 horas). Mais do que isso, a participação de 02 AJR na prova mostra que a principal categoria de endurance do Brasil está ao lado da organização das Mil Milhas, o que só vem a fortalecer a modalidade.

Pois é, meu amigos, felicidade define o meu estado de espírito diante da evolução das Mil Milhas após a retomada das disputas. Os trabalhos para o ano que vem já foram iniciados, e que em 2024, tenhamos ainda mais carros alinhados no grid, inclusive com tradicionais participantes, tanto em relação aos carros, como em relação aos pilotos.