"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 10 de julho de 2012

Carros raros de se ver nas pistas

Dedico este post para falar sobre carros pouco usados nas competições. Por diversas razões, muitos veículos que foram sucesso de vendas e aceitação por parte do público consumidor, não foram bem sucedidos em relação ao seu uso nas pistas. Segue então uma pequena lista desses veículos:

1. Chevrolet Monza: Um dos carros mais luxuosos da GM, perdendo em status apenas para o Opala Diplomata, o Monza foi um sucesso de vendas, tanto na 1º geração, quanto na 2ª (tubarão). Até hoje, o carro é um clássico entre os sedãs grandes já produzidos no Brasil. Nas pistas, o carro não teve sucesso, tanto que os únicos registros de um Monza disputando corridas foram:
  • Mil Milhas de 1998 (27ª edição) - Chevrolet Monza Nº 62 - Filipe Meirelles e Mirko Hlebanja - 19º posição na geral/248 voltas (tempo de classicação: 2min17s124)
  • 500 Km de Interlagos  de 2000 (19º edição) - Chevrolet Monza Nº 62 - Filipe Meirelles e Adriano Medeiros
Ainda há registros de participação de Monza em uma categoria chamada TC 2000 América, e em provas de arrancada do antigo campeonato paulista, disputado em Interlagos até 2007.

2. Fiat Tempra: O Tempra chegou a ser o carro mais veloz vendido no Brasil, mas essa performance não foi suficiente para propocionar vitórias nas pistas. Em 1994, a Fiat tentou criar uma categoria monomarca do modelo Tempra Turbo, lançado naquele mesmo ano. A responsabilidade pelo desenvolvimento do carro ficaria por parte da Greco Competições, que chegou até a montar um protótipo para testes. Porém, a idéia não foi adiante, pois o presidente da CBA na época, Reginaldo Bufaiçal, não autorizou as atividades da categoria, alegando que esta iria competir diretamente com a Stock Car e essa concorrência seria "danosa para o automobilsimo nacional"¹. Há ainda registros de que um Tempra chegou ser preparado para andar no Campeonato Gaúcho, em Tarumã, mas a aventura não foi das melhores, pois o tempo de volta dele era similar ao de um Speed 1600. Além de que o acerto de suspensão (principalmente da suspensão traseira) para a pista, era algo impossível de se conseguir.

¹ Fonte: www.gptotal.com.br

3. Volkswagem Logus: Um dos frutos da Autolatina, a parceria firmada entre a Ford e a Volkswagem entre os anos de 1987 e 1996, não teve boa aceitação pelos consumidores. Nas pistas, idem. Há registros de alguns que correram na tradicional 12 Horas de Tarumã, na década de 90, e em campeonatos de turismo no RS e Paraná, sobretudo Cascavel.

4. Suzuki Swift: Nunca foi usado em corridas no Brasil, somente em outros lugares do mundo.

5. AeroWillys: Grande, pesado e muito "parrudo" se comparado com os concorrentes da época (Simca Chambord e FNM JK 2.0), o AeroWillys não foi um assíduo frequentador de provas na década de 60. Porém, poucos ainda se arriscaram em colocá-lo nas pistas.

6. Volkswagem Kombi: Por incrível que pareça, já houveram corridas de Kombi no Brasil. Isso ocorreu na década de 60, mais precisamente em 1968 no autódromo de Jacarepaguá, Rio. Na mesma época, ocorreu uma outra corrida de Kombi em Cascavel, PR.

7. Volkswagem Apolo: Usado na Copa Shell de Marcas, em 1992, e no antigo Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, sobretudo pela dupla Jorge de Freitas e Paulo Sarmento.

8. GM Kadett: Não há registros de que tenha sido usado em competições. Mas nos últimos anos dos Brasileiro de Marcas, foi iniciado um projeto de um Kadett para disputar o campeonato, porém a iniciativa esbarrou nas especificações e limitações técnicas do regulamento e o carro nunca andou. Já em provas de arrancada, o piloto Vicente Orige fez muito sucesso por volta de 2004, correndo com um Kadett na categoria Super Street Tração Dianteira, no Campeonato Paranaense, e posteriormente com outro modelo, menos preparado, na categoria Street Tração Dianteira.

Entre outros carros raros nas pistas estão:

- Um Ford Galaxie preparado pela equipe Automotor, que correu na década de 1980 na categoria Turismo 5000. O carro ficou guardado durante anos em uma oficina, que ficava perto de um viaduto, quando um caminhão caiu da ponte, e acertou o teto da oficina com o Galaxie dentro.

- Uma Peugeot 806 já disputou as 24 Horas de Spa, na Bélgica.

- Já foi realizada uma corrida só com Homi-Isettas em Interlagos

- O Mondeo da Ford foi muito utilizado no Campeonato Sulamericano de Superturismo, no fim da década de 1990 e em provas na Europa

-  O Volkswagem SP2 já foi utilizado em provas de Rally Clássico

- Uma GM Ipanema estava sendo preparada há dois anos atrás para correr em provas de longa duração

- GM Corsa Sedan, Fiat Prêmio e Volkswagem Polo correram em provas de marcas e pilotos em São Paulo e no Rio Grande do Sul

- O piloto Leandro de Almeida preparou um Ford Ka para pistas, utilizando o motor 2.0 do Mondeo

Citei que carros como o Monza e o Kadett já foram utilizados com sucesso em provas de arrancada somente como referência. A preparação e as necessidades de um carro de circuito são muito diferentes de um carro de arrancada, o que torna a adaptação desses carros mais difícil.





































sexta-feira, 29 de junho de 2012

Pódios das Mil Milhas

Seguem as fotos de pódios e vencedores de algumas edições da Mil Milhas de Interlagos:














domingo, 17 de junho de 2012

Protótipo Aldee: 20 e poucos anos de Mil Milhas


Em 1990, estreava na história da Mil Milhas Brasileiras o novo traçado de Interlagos. A pista nova, na verdade um "estupro" do antigo traçado, foi feita em função da F1, que desde 1981 tinha o GP Brasil realizado no autódromo de Jacarepaguá. Essa foi a saída encontrada para que o Brasil não perdesse a etapa nacional da categoria máxima do automobilismo.

Mas, a 20ª edição da prova guarda uma lembrança maior, que foi a estreia do protótipo Aldee RTT. Trata-se de um protótipo de corridas concebido pelo piloto (campeão de motovelocidade) Almir Donato, cujo nome da empresa dá nome ao carro (Aldee - Almir Donato Equipamentos Especiais). RTT vem da sigla em inglês Racing Transversal Transmition (transmissão transversal de corrida). O carro utilizado na prova de 1990 foi uma adaptação de um modelo de rua (ainda como motor VW 1.6), mais precisamente o 16º carro produzido. A estreia foi das melhores, pois os pilotos Almir Donato e Luís Barros Pinto chegaram na 5ª posição na classificação geral e em primeiro na classe B.

Para a próxima edição da prova (1992), o monobloco original foi transformado num chassi tubular, compondo um projeto direcionado para as competições. O resultado veio na forma do 2º lugar na classe B e 6º na classificação geral obtidos pela dupla Sérgio Jimenez e Aristides Samos, no Aldee RTT nº 22. No ano seguinte, o resultado foi ainda melhor: 1º lugar na classe B e 2º na classificação geral. Desta vez, as marcas foram obtidas pelos pilotos Renato Marlia e André Giaffone, no Aldee nº 3

Em 1994, o mesmo André Giaffone, formando trio com Cláudio Girotto Filho e Lourenço Barbatto, conquistou a pole position na categoria B. Porém, a corrida terminou para o trio quando estavam em terceiro em sua classe na prova, devido a uma quebra de motor. No final, dos 14 Aldee's que participaram da prova, o melhor colocado foi o nº 0, pilotado por Almir Donato, Manoel Rezende e José Cherchiai, que ganhou em sua classe e foi o melhor carro nacional na classificação geral, alcançando o 6º lugar.

Na Mil Milhas de 1995, mais uma vitória na categoria (dessa vez Protótipo A), como o trio Luiz Amorim Jr./Christian Casa Del Rey/Alexandre Zaninoto, que alcançou a 4ª posição na classificação geral, sendo esta a melhor colocação de um carro nacional na prova (perdendo apenas para o trio de Porsches). A força do Aldee na aquele ano foi tão grande, que o protótipo conquistou do 4º ao 10º lugar na classificação geral da prova.

Na edição seguinte (1996), outro vice campeonato na classificação geral e o primeiro lugar na classe, obtidos pela dupla Antônio C. Garcia e Tony Garcia, a 5 voltas do Porsche vencedor. Ainda em 1996, pela primeira vez foi formada uma equipe feminina para disputar a Mil Milhas, sendo que o veículo usado pelo trio Suzane Carvalho/Delfina Friers/Marisa Paganopulo também foi um Aldee (nº 7, que com 8 horas de corrida, apresentou problemas nos freios, forçando o abandono quando estavam na 4ª colocação). Nessa prova, 21 Aldee's fizeram parte do grid.

Na prova seguinte, disputada no autódromo de Brasília, mais uma boa corrida dos modelos Aldee, cuja melhor colocação foi um 4º lugar na classificação geral (obtido pelo trio Laércio Justino/Ananias Justino/Maurício Veiga), sendo que dos 10 primeiro colocados, 5 eram Aldee's. Em 1998, uma prova mais discreta do protótipo Aldee, tendo como melhor colocação o 5º lugar do Aldee nº 78 pilotado pelo trio José Ney Fonseca/Antônio Chambel/Thomas Fonseca. Dessa vez, entre os 10 primeiros, 4 Aldee's (largaram 9 ao todo).

O ano de 1999 marcou a estreia da nova geração de protótipos construídos por Almir Donato. Chegavam às pistas os protótipos Aldee Spyder (carroceria aberta, menor peso e melhor aerodinâmica), que estimularam a criação vários outros protótipos concorrentes, o que proporcionou um fortalecimento do automobilismo nacional e das corridas de endurance. Naquele ano de 1999, a Mil Milhas foi realizada no Autódromo Internacional Raul Boesel e a vitória ficou com o trio paranaense Jair Bana/Beto Borghesi/Luciano Borghesi, que venceram a prova a bordo do Aldee Spyder 2.0 nº 29, derrotando o bicho-papão dos anos anteriores, o Porsche 911 GT2. As voltas finais foram dramáticas para o trio, pois o Spyder passou a ter vazamento de óleo, o que provocou duas paradas extras nos boxes para adição de óleo. Porém, isso não impediu a tranquila vitória sobre o Porsche, com 13 voltas de vantagem. 

Cabe o destaque para o Aldee nº 20, do trio Pedro Muffato/David Muffato/Gastão Weigert, que estava equipado com motor Mazda 1.3 L Wankel rotativo. Mas a corrida terminou muito cedo para o bólido, com apenas 2 voltas completadas.

Nos anos seguintes, as melhores colocações de protótipos Aldee foram:

2001: 2º lugar na geral e 1º lugar na categoria 3 (Jair Bana/Tino Vianna - Aldee RTT)
2002: 3º lugar na geral (Sérgio Clemente/Maurício Seraphim/Fernando Parra/Thiago Beilstrein - Aldee RTT)
          4º lugar na geral: Vanderlei Reck/Júnior Reck/Aldo Reck - Aldee Spyder
2003: 8º lugar na geral e 4º na categoria 3 (Irineu Camargo/Marcel Wolfart/Gustavo Martins)
2004: 5º lugar na geral e 1º na categoria 3 (Amaury Pires/Márcio Sciola/Maurício Monte - perdeu apenas para carros importados)
2005: 8º lugar na geral e 1º na categoria MM P2 (Amaury Pires/Márcio Sciola/Ricardo Rodrigues)
2006: 14º na geral e 1º na categoria P2 (Sérgio Ribas/Peter Januário)
2007: não correram carros nacionais
2008: 6º lugar na geral e 1º na categoria 3 (Sérgio Pistili/Hyppolito Martinez/Henrique José)

A motorização tradicional dos protótipos Aldee é a Volkswagen 2.0. Porém, já teve quem adotasse propulsor Lotus 2.2 Turbo (Marcel Wolfart/Irineu Correia em 2004) e Chevrolet (Jair Bana/Carlos Eduardo Bana/Marcos Silva em 2005).

Dados básicos (Aldee RTT 1994):

Motor: VW AP 2000 (Logus)
Alimentação: 2 carburadores duplos 50 mm
Potência: 189 cv a 6.800 rpm
Torque: 31 kgfm a 4.900 rpm
Câmbio: 5 marchas (Escort)
Freios: a disco, ventilados (dianteira e traseira)
Rodas e pneus: Aro 13
Peso: 640 kg
Tanque: 102 litros 



















sexta-feira, 1 de junho de 2012

Reportagem exibida na Rede Globo sobre as Mil Milhas de 1993




Vasculhando o "baú chamado youtube", acabei encontrando essa reportagem sobre as Mil Milhas de 1993. Um material bem rico de informações e imagens daquela edição da prova, que marcou o início da era Porsche na corrida, que só terminou 11 anos depois, com 7 vitórias e 6 segundos lugares.

Interessante ainda é que falaram do Japamóvel, que por ser um carro nacional e ainda mais modificado, certamente passaria despercebido pela imprensa nos dias atuais.

Vale a pena assitir!

Ps: Quem tiver algum material ou foto sobre as duas BMW's que correram nessa edição e quiser contribuir com o blog, me envie pelo e-mail (rsarmento3@gmail.com) que será tema da próxima postagem.