"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 25 de outubro de 2020

Protótipo Aldee RTT de Marco Scalamandré: Um clássico que continua fazendo história nas pistas

 

Em março de 2019 (confiram no menu lado), tive a oportunidade de contar um pouco da história de um carro de corrida que já protagonizou grandes performances nas pistas brasileiras, sobretudo em Interlagos. Trata-se do Aldee RTT que pertence aos pilotos Marco Scalamandré e Rodrigo Garcia, carro este que já fora utilizado em Mil Milhas Brasileiras e Paulista de Automobilismo, e que atualmente disputa a categoria Gold Classic.

Na segunda etapa do certame, disputada em 11 de outubro deste ano, o grid fora formado por incríveis 52 carros, divididos em 07 categorias, sendo que a geral fora vencida pelo Ford Maverick de Leovaldo Petry, pela soma dos tempos das 02 corridas. Em segundo lugar na geral, ficou o Aldee do qual esse blog é fã, que registrou a melhor marca da prova, com 1m31s371, depois de largar da 3ª posição (tempo de treino: 1m30s900).

Enfim meus amigos, fiquei muito feliz em receber essa notícia do amigo Rodrigo Garcia, que nos mostra que um carro com projeto de cerca de 30 anos de idade pode continuar evoluindo e se manter em alto nível, disputando de igual para igual com carros mais potentes (Maverick, Omega e Mercedes) e mesmo outros com menor peso (Puma, Fusca, Karmann Ghia).


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Ford Escort de João Campos & Cia. em 1988


A 18ª edição da Mil Milhas Brasileiras fora disputada em 23 de janeiro de 1988, no Autódromo de Interlagos. Com o grid formado por 55 máquinas, dentre as quais Opala, Fusca, Passat, entre outros, se destacava o Ford Escort inscrito sob o nº 30, do trio gaúcho Ronaldo Ely/João Campos/Pedro Bartelle.

Cabe lembrar que esse mesmo carro disputou o Campeonato Gaúcho de Marcas e Pilotos de 1987 e 1988, com os dois primeiros pilotos dividindo o comando, sendo que uma das alterações para a prova de longa duração foi a adoção de pneus slick. Porém, a corrida do Escort na pista paulistana terminou durante a madrugada, devido a uma quebra de suspensão, deixando o carro estacionado na curva do pinheirinho até o raiar do dia.



sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Uma disputa em 1965


A VII edição da Mil Milhas fora disputada nos dias 27 e 28 de novembro de 1965, tendo como vencedora a Carretera Chevrolet Corvette da dupla Justino de Maio/Victorio Azallin Filho, que fez frente à poderosa Carretera nº 34 de Caetano Damiani. Na ocasião, Damiani dividiu a tocada com Bica Votnamis.

Na foto abaixo, temos o "embate" entre o Renault 1000 de Clóvis Pereira Bueno/João Batista Caldeira e a Alfa Romeo Giulia 1600 de Emílio Zambello/Marivaldo Fernandes, da Equipe Jolly, sobre a qual ainda devo uma matéria completa a respeito de suas participações em Mil Milhas.

Quanto ao desempenho dos bólidos, o Renault terminou na 13ª posição, com 172 voltas completadas, enquanto a Alfa foi mais longe, ao conquistar a 5ª posição com 182 voltas.

Cabe lembrar que Marivaldo Fernandes era o companheiro de viagem de José Carlos Pace, o Môco, no trágico acidente aéreo que ceifou a vida de ambos em 1977, na cidade de Mairiporã/SP. Já Emílio Zambello faleceu em 15 de janeiro de 2014, aos 88 anos de idade, depois de muitos anos à frente da organização de provas em Interlagos, através do Automóvel Clube Paulista.



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Honda Civic Si 2008 de Luiz Cláudio Leão: Um semi-pista feito de detalhes


O destino do ser humano é um aspecto que causa controvérsias desde que o mundo é mundo. Afinal, nossos caminhos são pré-concebidos, traçados desde o início, ou de fato somos os arquitetos de nossa trajetória? Prefiro acreditar que somos a mistura desses dois elementos, ora agindo, ou cumprindo desígnios maiores.

Mas tem certas coisas que já vêm no sangue, e esse é o caso da paixão de Luiz Cláudio Leão, de 26 anos, por carros, mecânica e esporte a motor. Nascido em Jacksonville, Flórida (EUA), mas criado em nossa capital, suas influências vieram de família, pois seu avô, Sr. Luiz Cláudio Leão (Lulu Leão), sempre se dedicou a modificar os carros e barcos que teve, sendo inclusive um dos primeiros clubistas da Sports Car Club of America, quando morou nos EUA. No mesmo caminho, está seu tio-avô, Sr. Mariozinho Leão, que é colecionador de carros antigos, dono de um acervo de raridades (na sua garagem estão clássicos como: Cadillac Fletwood 2 portas 1959; Rolls Royce Silver Cloud 1962; Rolls Royce Silver Dawn 1953; Bentley S2 1959, Delage D8 1938 e Jensen Intercerptor), e tanto entende do riscado, que é considerado uma enciclopédia do antigomobilismo mundial. E seu pai, Sr. Luiz Paulo Leão, começou a pilotar com 16 anos de idade, tendo participado de inúmeras categorias durante 40 anos de carreira, tais como: Pernambucano de Kart, Divisões 1 e 3, Fórmulas VW e Ford, Spyder Race SP e PE, Copa Corsa e corridas de longa duração.

Nessa família com gasolina no DNA, Luiz Cláudio não poderia ter seguido outro caminho, não é? Tanto o é, que seu pai o ensinou a dirigir cobrando o punta-taco, já na pegada de quem sabe como tirar o máximo que um carro pode proporcionar. Porém, o ponto central dessa matéria não é a família do nosso amigo, assunto este que ficará para uma postagem mais completa adiante, mas sim, o Honda Civic Si de Luiz Cláudio, preparado para andar muito bem, dentro e fora das pistas.

Trata-se de um exemplar ano 2008, adquirido em agosto de 2019 de um amigo irmão seu de Recife/PE, que o havia comprado no ano de 2014. Desde essa época, seu atual proprietário acompanha o desenvolvimento do bólido, sendo que a maior parte das modificações fora feita quando o veículo ainda estava em Recife/PE. Atualmente, o carro conta com 207 HP e 21 kgfm no motor 2.0 16v, além dos seguintes itens:

1. Coletor de escape 4x1 Skunk2 Alpha
2. Escape Skunk2 Megapower R
3. Intake (admissão de ar frio do motor) customizada (réplica da versão de competição da Honda, a Mugen)
4. Coletor de admissão RSP (da versão do Honda Civic Type R europeu)
5. Bicos injetores Grams, com 650cc de vazão
6. Bomba de combustível Walbro 455
7. Velas grau 9
8. Injeção eletrônica de combustível acertada por sistema Hondata, para rodar no etanol
9. Alavanca de câmbio short shifter
10. Cilindro mestre de embreagem preparado
11. Conjunto de freio completo do Honda CRV, que conta com pastilhas de composto agressivo e linhas de freio com malha de inox, por onde passa o fluído apropriado para altas temperaturas
12. Buchas de poliuretano em toda a suspensão, que conta com molas Tein (de maior carga) e amortecedores trabalhados
13. Rollcage (gaiola de proteção) intermediária
14. Barra anti-torção dianteira
15. Bancos concha com cintos de segurança de 05 pontos
16. Prisioneiros de roda forjados, da ARP
17. Espaçadores de 15 mm na dianteira
18. Sonda lambda Wideband
19. Lungnuts (porcas de roda) forjados

Na parte estética, o Honda prata conta com rodas do Mitsubishi Lancer Evolution VII, faróis padrão norte-americano, com setas na cor âmbar, além de emblemas vermelhos da montadora (originalmente da linha Type R). Para o futuro, estão planos de desenvolvimento da suspensão, mediante a utilização de braços traseiros superiores regulares, para acertar a cambagem das rodas, e instalação de barras estabilizadoras com maior espessura.

No motor, a ideia é mantê-lo aspirado, mas com modificações como instalação de bomba de óleo da versão Type R (por trabalhar bem até 9000 rpm e diminuir a resistência no conjunto mecânico, por não ter os eixos balanceadores, diferentemente da bomba de óleo original), alívio do volante do motor, comando de válvulas "drop in" e relação final do diferencial encurtada, com a 6ª marcha do Type R e eliminação do overdrive, deixando a relação muito mais agressiva. No mês de agosto, o Civic foi levado para correr em um evento de trackday disputado no Kartódromo Paladino, em Conde/PB, tendo registrado o tempo de 1m07s3, na segunda bateria. Com as próximas alterações, o objetivo é chegar na casa de 1m05. 

Pois bem, caro leitores, hoje contamos a história de um carro que embeleza e faz sucesso nas ruas de Maceió/AL, cujo dono é um aficionado por automobilismo e mecânica desde criança, e que não poderia deixar de fora deste espaço. Fiquem com algumas fotos retiradas do Instagram (@garagemdoleao) de seu dono:





domingo, 6 de setembro de 2020

Opala Hot Car na Mil Milhas de 1990


No início dos anos 80, a extinta categoria Divisão 3 fora reeditada sob a denominação Hot Car. As provas eram disputadas regularmente em Interlagos, porém, houve rodadas no saudoso Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro/RJ. Eram Opalas, Gol's e Passat's com forte preparação mecânica e modificações na carroceria (lataria substituída por fibra de vidro, pneus mais largos, etc), visando a diminuição de peso e ganho aerodinâmico.

Em 1990, o Chevrolet Opala nº 81 do trio formado por Roberto Breitenweser, Osvaldo Batiston Filho e Archimedes Esperidião, fora preparado para disputar a divisão Hot Car da Mil Milhas Brasileiras, que na ocasião, utilizava pela primeira vez o atual traçado de Interlagos, após as reformas que visaram trazer a Fórmula 1 de volta à São Paulo/SP. Na prova, o bólido amarelo alcançou a 12ª posição, com 309 voltas completadas, em um grid formado por 49 carros, dos quais, apenas 16 cruzaram a linha de chegada.







domingo, 23 de agosto de 2020

Protótipo Tango Opel em 1999


No ano de 1999, por conta das indefinições decorrentes das obras da Fórmula 1 em Interlagos, o promotor da prova à época, Antônio de Souza, optou por realizar a 28ª edição no Autódromo Internacional de Curitiba,. E esta acabou sendo a segunda ocasião em que a Mil Milhas fora disputada fora do seu palco natural, pois a 1ª fora em 1997, no Autódromo Nelson Piquet, em Brasília/DF.

Naquele ano, um dos favoritos da prova era o Protótipo Tango Opel 2.0 do trio Tom Stefani/Athos Diniz/Délcio Correia, inscrito com o nº 1 em virtude da vitória de Stefani no ano anterior, a bordo de um outro protótipo, neste caso, um AS-Vectra 2.0. Tanto é, que o carro nº 1 registrou a pole position e liderava a prova faltando 16 voltas para o final, quando o estouro do motor pôs fim à participação do trio. Porém, as 417 voltas foram suficientes para deixá-lo na 4ª posição.

Na foto, o registro de uma das paradas no boxe, no início da manhã.



domingo, 9 de agosto de 2020

DKW de Eugênio Martins e Christian Heins em 1959


Nos primórdios da história da prova Mil Milhas Brasileiras, o DKW foi um dos bólidos mais utilizados por pilotos que não dispunham das poderosas carreteras com motor V8. Carro pequeno, com motor de apenas 03 (três) cilindros, mas com vantagem nas curvas em relação aos mais potentes, foi conduzido por grandes expoentes do nosso automobilismo, sobretudo em início de carreira.

Um exemplo disso foi o DKW inscrito sob o nº 18 na prova de 1959, sob o comando da dupla Eugênio Martins e Christian Heins, com o apoio e preparação da Serva Ribeiro, revendedora da marca em São Paulo, que deu origem à equipe Vemag algum tempo depois. Cabe ressaltar que a dupla, já em 1959, tinha seu nome gravado na história da competição, pois em 1956, alcançaram o 2º lugar na classificação geral em um VW equipado com motor Porsche 1500 cc, fazendo frente às carreteras com o quádruplo da sua potência.

A carreira de ambos durou até o ano de 1963, tendo Eugênio decidido parar de correr para se dedicar ao cargo de Chefe da Divisão de Relações Públicas da Willys Overland do Brasil. Já Heins, teve sua vida ceifada no triste acidente ocorrido nas 24 horas de Le Mans daquele ano.