"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Aloysio Andrade Filho (1950 - 2024)

Nosso espaço não tem a mínima intenção de se tornar um obituário, muito menos de divulgar informações pesadas. Os falecimentos que aqui divulgamos são em forma de homenagem, para manter vivo o legado dos ases e personagens do esporte a motor. E ontem, terça-feira, 17, soubemos do falecimento de mais um nome de destaque do nosso automobilismo:  Aloysio Andrade Filho.

Paulistano, nascido em 04 de junho de 1950, Andrade teve destaque em várias categorias nacionais, sobretudo na Stock Car, Brasileiro de Marcas e Pilotos, Torneio Ford Corcel II e em provas de longa duração, como as Mil Milhas Brasileiras. Um breve resumo de sua carreira pode ser encontrado aqui , em matéria que publicamos há 08 anos.

Além da sua carreira dentro das pistas, Andrade se notabilizou no comando da equipe Nascar Motorsport, que competiu na Stock Car entre 2004 e 2008, e na Copa Montana entre 2010 e 2012, sendo uma porta de entrada para vários pilotos, como Wagner Ebrahim, Valdeno Brito e Felipe Maluhy. Sobre estes últimos dois, não podemos deixar de registrar que eles foram os responsáveis por alcançarem os melhores resultados da equipe na categoria principal:

2004 (bolha do Chevrolet Astra) - 3º lugar na 7ª e 12ª etapas, disputadas no anel externo de Curitiba e em Interlagos, respectivamente, com Felipe Maluhy (ele ainda foi pole position na 6ª etapa, em Interlagos).

2005 (bolha do Mitsubishi Lancer) - 2º lugar na 9ª etapa, disputada em Tarumã, e 3º lugar nas 2ª e 7ª etapas, disputadas em Curitiba e Brasília, com Valdeno.

2007 - (bolha do Mitsubishi Lancer) - 5º lugar na 8ª etapa, disputada em Brasília, com Juliano Moro.

Outros nomes que pilotaram carros preparados pela Nascar na Stock foram: Carlos Alves, Ruben Fontes. Thiago Medeiros, Neto de Nigris, Christian Conde, Popó Bueno e até o argentino Esteban Tuero, como convidado na 3ª etapa da temporada de 2005 (época em que a Stock Car e a TC 2000 da Argentina tinham uma maior proximidade).

Em 2010, a equipe Nascar conquistou o título da Copa Chevrolet Montana, com Diogo Pachenki, após 02 vitórias (Interlagos e Curitiba) e outros 03 pódios (Curitiba, Velopark e Brasília). E o bicampeonato veio no último ano da categoria, em 2012, com o piloto Rafael Daniel (01 vitória).

Muita luz e paz para você, Aloysio, nessa nova jornada!





terça-feira, 10 de setembro de 2024

A última do anel externo de Interlagos

Em janeiro de 2003, a Volkswagen do Brasil pôs em prática uma ideia de marketing que ficou gravada não só no Livro dos Recordes, mas também na mente do brasileiro apaixonado por carro. Na ocasião, foram postos no traçado do anel externo de Interlagos (palco das disputas dos 500 km de Interlagos nos anos 50, 60 e 70) 03 exemplares do modelo Gol 1.6 Power, guiados por 25 mil km de forma ininterrupta.

Os carros escolhidos não possuíam qualquer preparação, com exceção da gaiola interna de proteção (santoantônio) e um par de faróis auxiliares, sendo que as paradas eram unicamente para reabastecimento e troca de pilotos.

Ao todo, foram completadas mais de 8.000 voltas no traçado de 3.108 metros de extensão, sendo que os carros rodaram por 24 horas durante 09 dias, debaixo de sol e chuva, pelo dia e pela noite. 15 pilotos se revezaram ao volante dos VW's (em turnos de cerca de 1h30min cada), sendo que até o presidente da marca à época, Paul Flaming, deu algumas voltas durante a prova.

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) acompanham o evento, e todos os Gol's vendidos nos anos de 2003 e 2004 tinham um adesivo na traseira remetendo ao feito.

E ao que nos consta, esta foi a última vez em que o anel externo de Interlagos foi utilizado.

Fonte: https://universomotor.com.br/2020/01/15/recorde-quando-o-volkswagen-gol-rodou-25-mil-km-sem-parar/

http://www.volkspage.net/artigos/56/2003/13012003_golendurance/index.php

Imagens: Divulgação. Todos os direitos reservados.













segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Camilo Christópharo Júnior (Camilinho) - 1953 - 2024

Na última quarta-feira, dia 21 de agosto de 2024, o automobilismo brasileiro recebeu consternado a triste notícia do falecimento do piloto, preparador e chefe de equipe, Camilo Christópharo Júnior, o "Lobinho do Canindé". E por uma lógica que só a inteligência maior pode explicar, um dia antes (20 de agosto) completaram-se 29 anos do falecimento do Lobo do Canindé, Camilo Christópharo. A causa da morte foi um câncer descoberto recentemente, em estágio avançado (metástase), que não lhe deu maiores chances de defesa.

Em diversas ocasiões, a carreira de Camilinho foi destaque em nosso blog, como no especial sobre sua carreira na Stock Car e o destaque para as quatro oportunidades em que alcançou a 3ª posição na classificação geral das Mil Milhas Brasileiras. E falar sobre a sua descendência no automobilismo, seria no mínimo redundante, diante dos grandes feitos de seu tio-avô Chico Landi, seu pai e da tradicional Escuderia Lobo, cujo nome foi inspirado em um pedido seu (O lobo veio de um desenho animado que Camilinho gostava quando criança, que terminou sendo pintado na carroceria da lendária carretera 18.

Fica aqui então a nossa homenagem para o grande ser humano e profissional que foi, que deixará muitas saudades em seus familiares, amigos, colegas de pista e admiradores, dentre os quais me incluo.

 Um até logo, Camilinho. Agora você está ao lado do Lobo do Canindé, para matar as saudades.




terça-feira, 13 de agosto de 2024

Protótipo Fusca - Equipe Dimep

Já falamos em algumas oportunidades sobre os carros que o piloto Dimas de Melo Pimenta II trouxe para as pistas, passando por Escort XR3 de arrancada, Chevrolet Corvette até os Protótipos Daipi e GT aberto, sendo todos com motor 8 cilindros de muita potência. Para quem quiser conferir essas histórias, é só acessar o marcador "Dimas" no menu ao lado.

Mas hoje a história sobre a equipe Dimep (tradicional fabricante de relógios de ponto e congêneres, fundada em 1936) é sobre um pequeno que não usa motor V8, mas que anda bastante. Trata-se do protótipo Fusca.

Chamo esse carro de protótipo, pois de Fusca ele só tem a forma externa da carroceria, feita em fibra de vidro, que recobre o chassi tubular, derivado de um Fórmula 3. No cofre, um bravo motor Ford Duratec 2.0 16v de 261 cavalos, com preparação do grande Luiz Trinci, o "Dragão". A usina é domada pelo câmbio derivado da Audi.

Apesar de ser um carro conhecido nas provas de endurance desde meados de 2014, a sua estréia nas Mil Milhas ocorreu no ano de 2022, quando Dimas II formou quarteto com seus filhos Dimas de Melo Pimenta lll / Rodrigo Dimas de Melo Pimenta e Alex Dimas de Melo Pimenta, terminando na 17ª posição na geral, com 233 voltas. A melhor passagem foi registrada em 1min55s486, na 46ª volta.

O valente bólido retornou à prova em 2023, com a tripulação reduzida (sem a participação de Dimas III), mas com o equipamento ainda mais afinado. Nos treinos, o Fusca marcou a 19ª posição, com o tempo de 1min56s381, ficando atrás de 02 Protótipos MRX na categoria P3. Com a bandeira verde, acabou ficando pelo caminho, na 30ª posição, com 207 voltas e a melhor marca em 1min53s258.









terça-feira, 30 de julho de 2024

Mil Milhas de 1983: As curiosidades de uma prova incomum

A XIII edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em janeiro de 1983, é certamente uma das edições que destoam do contexto das edições disputadas à época (década de 80). Vou explicar o porquê.

A diferença para as demais edições começa com o próprio carro vencedor, um Volkswagen Passat preparado sob o regulamento da categoria Hot Car (antiga Divisão 3), enquanto as demais provas realizadas nos anos 80, foram vencidas por modelos Chevrolet Opala, que por sua vez formavam o grid da Stock Car.

O carro em questão tinha o motor 1.6 litros preparado por Francisco Cilento, o Ico, enquanto a pilotagem ficou por conta do trio Vicente Correa/Valdir Silva/Fausto Wajchenberg. Mas é aí que entra outra curiosidade: Apenas os dois primeiros pilotos chegaram a conduzir o carro na prova, pois a dupla Vicente e Valdir resolveram inscrever Fausto já no sábado, horas antes da largada.

Isso aconteceu em virtude da dúvida que os pilotos tinham quanto à sua própria resistência física para suportar as mais 12 horas de corrida, o que os levou a decidir pela inscrição de Fausto. Naquele momento, o piloto estava no paddock e fora pego de surpresa com o convite, pois sequer estava com seu equipamento de corrida em mãos (macacão, luvas, sapatilhas, capacete, etc.), tendo permanecido no autódromo nestas condições até a manhã do dia seguinte.

Só então, quando o Passat liderava com certa tranquilidade (em que pese o grave problema nos freios), foi que Fausto pôde ir para casa e buscar seu macacão, para poder estourar o champangne de vencedor no pódio. Mas de fato, a tocada do carro ficou sob a responsabilidade apenas de Vicente Correa e Valdir Silva, por meio de stint's de cerca de 1h30min cada.

Mas quem pensa que a história de Fausto Wajchenberg nas Mil Milhas terminou por aí, está muito enganado. Em 1986, foi o 8º colocado em trio com Sérgio Di Gênova e Edmilson Santilli, Ford Maverick nº 7, enquanto que no ano seguinte, dividiu um Chevrolet Opala com Di Gênova e o antigo parceiro Vicente Corrêa, terminando na 7ª posição na geral.

Outra curiosidade foi o fato de o maior vencedor da prova (cinco vitórias, todas obtidas nos anos 80), Zeca Giaffone, não ter disputado aquela corrida, em que pese ter sido o vencedor da prova anterior (1981). Mais que isso, foi a única edição das Mil Milhas disputadas na década de 80 que Zeca não disputou.

E se não bastassem as 204 voltas (no traçado antigo de Interlagos) necesárias para completar as 1000 milhas, o então secretário municipal de esportes, Antônio "Totó" de Abreu, acabou deixando o carro vencedor passar sem ver a bandeira quadriculada, o que fez com que o VW Passat nº 9 tivesse que dar mais uma volta (se arrastando) até receber a bandeirada.

Aquela, de fato, foi uma Mil Milhas diferenciada.

Link para vídeo de entrevista de Hebe Camargo com os vencedores da prova:

https://www.youtube.com/watch?v=j2lOVWRxGB4&pp=ygUcaGViZSBjYW1hcmdvIG1pbCBtaWxoYXMgMTk4Mw%3D%3D


VW Passat dos vencedores

Disputa no miolo de Interlagos com o Passat de Douglas Mendonça/Alvino Jr./Michael Walter



Propaganda da VW

Largada de 1983

Attila Sipos, Horacio Matheus e Jose Rubens Coutinho Romano

terça-feira, 16 de julho de 2024

Pick-up Racing em Caruaru

Hoje vamos lembrar alguns momentos da saudosa categoria Pick-up Racing, em suas etapas disputadas no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Caruaru/PE. Bons tempos em que Chevrolet S10, Ford Ranger e Dodge Dakota duelavam em pistas de todo o Brasil, movidas a gás natural.

Interessante era que as pick-ups eram equipadas com dois cilindros de gás na carroceria, e a parada nos boxes consistia na liberação de uma válvula do fluxo de gás do segundo cilindro.


Piloto João Campos (2002) durante o abastecimento - Foto de Antônio Prego

Pódio da 1ª prova de 2002 - 1º Edson Thomé dos Santos (Dakota), 2º Nelson Bazzo (S10), 3º Emerson Duda (Ranger), 4º Kau Machado (Ranger) e 5º Sidney Alves (S10)

Posto de abastecimento de GNV - Foto de Antônio Prego

Piloto Abramo Mazzochi (2004) - Foto de Wanderley Soares

Na fila (2002): João Campos, Emerson Duda, Gerson Marques Jr., Edson Thomé dos Santos e Kau Machado - Foto de Antônio Prego

terça-feira, 2 de julho de 2024

Protótipo Mitsubishi Eclipse Equipe Old Boys

Um dos carros apontados como favorito à vitória da 36ª edição das Mil Milhas (disputada em novembro de 2008), o protótipo Mitsubishi Eclipse teve vida curta nas pistas. Equipado com motor de cerca de 400 cv e montado sob chassi derivado do Protótipo Lancer da mesma equipe (Old Boys), sua estreia ocorreu no III Gp Cidade de São Paulo (1000 km de Interlagos), disputado em 21 de janeiro de 2008.

Na ocasião, a pilotagem ficou por conta do quarteto Eduardo Souza Ramos/Ingo Hoffmann/Guilherme Spinelli/Leandro de Almeida, e a performance até então vista prometia um resultado do nível dos pilotos, pois o duelo com a Maserati Trofeo de Daniel Serra/Chico Longo, logo após a largada, havia lhe rendido a liderança da prova. Porém, a quebra do pino central de fixação do triângulo da suspensão fez com que a roda saísse longe do carro, já com Ingo Hoffmann no volante, com apenas 36 voltas completadas.

Melhor resultado foi registrado na 26ª edição dos 500 km de Interlagos, disputada no mês de junho daquele ano. Souza Ramos e Leandro de Almeida terminaram na 4ª posição, duas voltas atrás do Porsche 993 RSR de Max Wilson e Marcel Visconde.

E nas Mil Milhas Brasileiras, o Mitsu Eclipse fez a sua última participação em provas oficiais, largando da 3ª posição, com o tempo de 1min38s638. Com Souza Ramos/Leandro de Almeida/Geraldo Piquet dividindo a condução, o lindo bólido vermelho terminou na 2ª posição, com 23 voltas de desvantagem para o Porsche 911 GT3 RSR da Stuttgart Sportcar/Denner Motorsport.

Até o que foi apurado, o protótipo Mitsubishi Eclipse permanece guardado, junto com os demais carros do acervo do ex-piloto Eduardo Souza Ramos.