"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 31 de março de 2025

Março mês da mulher: Alessandra Menini

Encerrando nossa trajetória de homenagens, neste mês de março, às personalidades femininas que escreveram seus nomes na história do automobilismo nacional, falaremos um pouco sobre a piloto Alessandra Menini.

Ale é o que consideramos uma profissional multifacetada, destacando-se como pilota de automobilismo, empresária e mentora, e que tem presença ativa nas redes sociais para compartilhar suas experiências e inspirar outras mulheres a conquistarem seu espaço, não só no esporte a motor, mas também em outras áreas profissionais. Um dos seus testemunhos de resiliência foi o diagnóstico, tratamento e cura de um câncer de mama, descoberto "ao acaso" durante uma sessão de cinema.

No automobilismo, iniciou sua paixão pelo kart, na qual deu uma pausa por questões profissionais e pessoais, retomando-a em 2019, passando também pela Copa Joy Chevrolet e pela Race Cup. Sua dedicação ao esporte culminou em uma conquista histórica: Em janeiro de 2023, tornou-se a primeira mulher campeã das 1000 Milhas Brasileiras, na categoria TN1 A. Até então, o maior destaque feminino na prova tinha sido o 2º lugar (na geral e na categoria) de Letícia Zanetti em 2002, com um protótipo AS Vectra 2.0. 

Essa conquista se torna ainda mais marcante em virtude de o carro utilizado por Ale e seus companheiros da equipe Lira Racing (Iures Delfino, Vinícius Lira, José Santiago e Eduardo Teixeira), ter sido uma Ford Courier (única no grid) derivada da antiga categoria Pick-up DTM, que por sua vez, tinha grids lotados no início dos anos 2000. Aliás, já contamos um pouco dessa história no blog, e você pode conferir essa história aqui.

A valente Courier (que já tinha disputado a prova em 2022) fez frente a carros mais novos e potentes, não só por ter vencido na sua categoria, mas também por terminado em um valioso oitavo lugar na classificação geral, com 308 voltas completadas. Como melhor marca na prova, foi registrado o tempo de 2min02s094.  Destaque para o fato de Ale ter pego o carro na 10ª posição e o ter entregado na 7ª posição na geral. Ao portal Lance*, fez a seguinte declaração:

Queria ganhar experiência de pista, além de ver se conseguiria suportar um stint de 2h30 sem parar de pilotar e ainda mantendo a constância, essa era a proposta para os pilotos da equipe. Eu não tinha a menor ideia de que essas expectativas seriam mais do que superadas. Além de ter feito um stint de quase 3h, agora somos campeões das 1000 Milhas Chevrolet Absoluta! É uma honra imensa para mim.

E completou:

- No meio do stint, tivemos um problema com o câmbio e perdemos a 5ª marcha. Na hora, fiquei bastante preocupada, mas a comunicação constante com o Vinícius Lira (chefe da equipe) foi essencial e me tranquilizou. Segui tudo que ele me passou por rádio e o resultado foi excelente. Mesmo sem a marcha, pude fazer um stint muito consistente, apesar do trânsito constante na pista.

Em 2024, Ale voltou ao grid da prova no mesmo bólido, mas em razão da quebra de um terminal elétrico do alternador, a performance ficou prejudicada, deixando a pick-up na 4ª posição na categoria e 25ª na geral.




Courier na prova de 2024. Foto de autoria do Paulo Abreu (@volta_rapida). Todos os direitos reservados. 


Courier na prova de 2024. Foto de autoria do Paulo Abreu (@volta_rapida). Todos os direitos reservados. 


*Disponível em: https://www.lance.com.br/mais-esportes/ale-menini-vence-gp-e-se-torna-a-primeira-mulher-campea-do-1000-milhas-chevrolet-absoluta.html

domingo, 30 de março de 2025

Março mês da mulher: Ford Fiesta Feminino 2001

Hoje nosso registro feminino vai homenagear não só uma piloto, mas uma categoria inteira. Trata-se do Campeonato Ford Fiesta Feminino, disputado apenas na temporada de 2001.

Na foto gentilmente cedida por nosso irmão Rômulo Amorim, estão os bolidos estacionados nos boxes do Autódromo de Caruaru, quando da disputa da 2a etapa. A pole e vitória ficaram com a pernambucana Danuza Moura.

Se você quer saber mais sobre a história da categoria, acesse este link, uma retrospectiva de alto nível do nosso irmão Rodrigo Carelli. 




sábado, 29 de março de 2025

Março mês da mulher: Suzane Carvalho e Delfina Frers - A dupla feminina em 1997

A última participação de Suzane Carvalho nas Mil Milhas Brasileiras ocorreu em 1997, ano em que a prova foi disputada pela primeira vez fora de Interlagos e pela única vez em Brasília/DF. Além disso, foi a única vez em que uma dupla feminina dividiu a tocada durante toda a prova (já tínhamos o registro de um trio, em 1996, e em 2021 tivemos um quarteto).

E essa história foi resumida por Suzane no Instagram (@suzanecarvalhopiloto) da seguinte forma:

"A história dessa corrida é longa. Correríamos outra vez o mesmo trio feminino: Suzane Carvalho, Delfina Frers e Marisa Panagópulo em uma BMW. Mas já nos primeiros treinos, percebi que o carro não estava bem preparado e sabíamos que, como pilotos, tínhamos excelente oportunidade de podium. Essa corrida foi em Brasília e largou no domingo pela manhã. No sábado à noite, após já termos classificado, tivemos reunião e conseguimos alugar o carro da Buono*, outra vez o excelente Aldee do Almir Donato. A Marisa não aceitou a troca e corremos então em dupla feminina (a única que participou neste formato, na história dessa corrida).

Tivemos que largar em último. Estávamos brigando pelo 1º posto na última tocada, faltando pouquíssimo para terminar a corrida, tomamos 2 time penalties de 2 minutos! Um porque respingou combustível após o abastecimento e outro por briga da equipe com os comissários (pela penalização que deram), e tive que cumprir e perder 4 minutos, o que nos fez terminar em 3º. Deu podium".


*Concessionária Fiat situada em Guaratinguetá - SP.


quarta-feira, 26 de março de 2025

Março mês da mulher: Suzane Carvalho & Cia.: O trio feminino em 1996

Em um ano em que as Mil Milhas Brasileiras ficaram "estranguladas" no calendário (no mês de abril), Suzane Carvalho fez aquela edição ter um fato histórico, ao formar a primeira equipe exclusivamente feminina a disputar uma Mil Milhas. E essa história, já abordada em nosso blog há alguns anos (confiram no menu ao lado), foi resumida da seguinte forma pela piloto (em seu perfil no Instagram):

"Organizei o primeiro trio feminino a participar da corrida, com a Delfina Frers e a Marisa Panagopulo. O Almir Donato, criador do carro Aldee, com o qual corremos, abraçou o projeto. Largamos em 11º (dá para ver que tinha bastante carro atrás). Estávamos em 3º na categoria, mas no meio da madrugada*, na volta em que uma das argentinas** entraria nos boxes para troca das pastilhas de freio e de piloto, ela ficou sem freio e acabou batendo***".

*Meio da noite, mais precisamente na volta 224, pois a prova teve a largada durante o dia (13:00).

** Delfina Frers estava ao volante neste momento.

*** A colisão ocorreu com o Aldee do piloto José Mário, que muito irritado com o ocorrido, chegou a ameaçar agredir Delfina nos boxes.











sábado, 22 de março de 2025

Março mês da mulher: Suzane Carvalho e o Japamóvel - 1994

Dando continuidade à série sobre as participações de Suzane Carvalho nas Mil Milhas Brasileiras, reproduzo a postagem feita pela piloto em seu perfil no Instagram, sobre a edição de 1994:

"Eu, Júlio (Machado) e o criador do Japamóvel (João Noboru Mita), chegamos em 3ª na categoria. Estávamos em 1º até bem próximo do final, quando o Japa bateu o carro. O inesquecível desta corrida foi minha primeira 'tocada': Peguei o carro 66º (última posição) e entreguei para meu companheiro Júlio em 11º, sendo 1º na categoria, o que mantivemos até um pouco antes de acabar a corrida. Fui a 1ª mulher a subir no podium dessa tradicional corrida".






terça-feira, 18 de março de 2025

Março mês da mulher: Suzane Carvalho nas Mil Milhas de 1993

Com a autorização da própria piloto, reproduzo na íntegra a postagem feita por Suzane Carvalho, em seu perfil no Instagram (@suzanecarvalhopiloto), quanto à sua participação nas Mil Milhas Brasileiras de 1993:

"Dividi Opala de Paulo de Tarso* com ele mesmo e Carlos Ehlke**. Mesmo tendo quebrado o diferencial e perdido voltas presos na brita (com Carlos Ehlke), chegamos em terceiro na geral. Não temos a foto desse podium porque a cronometragem errou e só consertou o erro após o podium".

* Esse mesmo Opala havia sido o pole position da edição anterior, em que a dupla Paulo de Tarso e Carlos Alves finalizou na 4ª posição na geral.

** Piloto curitibano que disputou 16 provas na Stock Car entre 1992 e 1993. O melhor resultado foi o 4º lugar, obtido na 8ª e última etapa de 1992, disputada em Interlagos/SP.





sexta-feira, 14 de março de 2025

Março mês da mulher: Maria Helena Fittipaldi

Maria Helena Dowding, ou simplesmente Maria Helena Fittipaldi, não é lembrada no meio automobilístico simplesmente por ter sido a primeira esposa de Emerson, e por sua beleza e elegância presentes nas pistas na década de 70. Filha de ingleses, mas nascida no Brasil, ditou moda entre as mulheres com seus marcantes óculos escuros e chapéus, quando cronometrava os tempos de pista de seu marido. 

Ela também foi responsável pela iniciativa, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, de criar divisões femininas nas categorias monomarca Corsa e Fiesta, com corridas e premiações separadas da categoria masculina. Nessa época, Maria Helena era presidente da AMPACOM - Associação das Mulheres Pilotos de Automobilismo Competitivo.

Na foto do amigo Antonio Preggo, vemos o Chevrolet Corsa de Maria Helena quando da visita da categoria ao Autódromo de Caruaru, no ano de 1999.