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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Um passeio sobre a veloz história da categoria Turismo 5000

No início dos anos 80, os grandalhões com motor oito cilindros não tinham a mesma aura que possuem hoje. Ford Galaxie e Maverick, Dodge Charger e Dart, eram considerados carros ultrapassados e beberrões, de acordo com a tendência inaugurada com a crise internacional do petróleo, em meados de 1973. Esses carros eram trocados até mesmo por aparelhos de videocassete, som, e quando não eram simplesmente abandonados na pista.

Assim, não era difícil adquirir um exemplar destes naquele tempo, muito menos prepará-lo e colocá-lo na pista, sobretudo em uma categoria própria. E foi nessa perspectiva, que a ideia apadrinhada pelo então presidente da Federação Paulista de Automobilismo, Orlando Casanova, junto a nomes como Camilo Christófaro e Expedito Marazzi, se concretizou através da Turismo 5000, trazendo grandes disputas para o anel externo do Autódromo de Interlagos.

O início das provas ocorreu em 1981, e a corrida inaugural teve apenas seis carros (praticamente sem preparação), entre nomes conhecidos e estreantes, como Expedito Marazzi, Ney Faustini, João Videira (o primeiro Dodge da categoria, ainda com câmbio na coluna naquele ano) e Plínio Riva Giosa. Mas a coisa evoluiu tão rápido, considerando especialmente a grande aceitação do público, que na etapa seguinte já tinham 12 carros alinhados no grid. E na quinta etapa, havia incríveis 58 inscritos, muito acima do grid limite de 33 carros para cada corrida, o que motivou a realização de duas baterias.

As corridas, como já dissemos, eram realizadas no circuito externo da pista paulistana, que conta (ainda está lá, mas seu uso se tornou praticamente impossível, sobretudo por conta das áreas de escape) com 3.205 metros de extensão, o que tornava a Turismo 5000 a categoria mais veloz do automobilismo brasileiro naquela época, com velocidades máximas registradas perto de 230 km/h e média de 195 km/h (Recorde de Ney Faustini com o Maverick 4 portas da Automotor). No início, os tempos de volta ficavam em torno de 1m15s, enquanto que Denisio Casarini chegou a registrar tempo inferior a 1 minuto em 1986 (com o Maverick da Automotor).

Em termos de dinâmica de corrida, o Ford Maverick foi o maior vencedor da categoria, pois seu baixo peso fazia frente aos Dodge's (que contavam com um agravante, que era a suspensão traseira rígida), enquanto que um fator favorável aos modelos 4 portas, Galaxie e Dodge, era a maior distância entre eixos, que favorecia nas curvas de alta.

A preparação nos primeiros anos era bem restrita, pois os carros praticamente não tinham modificações na carroceria, utilizavam pneus radiais e o carburador duplo era o grande limitante da parte mecânica, pois os quadrijets eram proibidos. De resto, era tudo por conta da criatividade dos preparadores, uma galera de alto nível que contava com Luiz Francisco Batista (Agromotor), Camilo Christófaro, Paulinho Japonês, Edmilson Santilli, Alemão, Rogério (amortecedores) entre outros. Só que a partir de 1983, o regulamento se tornou praticamente livre (motor, carroceria, suspensão e transmissão), inclusive com a utilização de pneus slick (substituindo os radiais), admitindo os carburadores quadrijet.

E foi justamente o aumento dos custos com a preparação dos carros que levou ao fim a categoria, no ano de 1986 (embora tenha sido realizada uma única corrida no ano de 1987). Em uma live no canal Entusiastas sobre Rodas, Jason "Dê" Machado nos contou que ainda existem dois carros da categoria preservados. Um deles é o Maverick de Sérgio Di Genova, e o outro é Maverick 16 do Batistinha, que apesar das fortes modificações, é oriundo da Turismo 5000.

Os campeões da categoria foram:

1981 - Ney Faustini

1982 - Adalberto Tagashira

1983 - Adalberto Tagashira

1984 - Ney Faustini

1985 - Ney Faustini

1986 - Sergio Di Gênova

Mas além dos nomes já citados, não podemos deixar de mencionar nomes como Johannis Lykoropoulos, René Denigris, Ricardo Steinfeld, Fausto Wachemberg, Hugo Guidini, Marcos Fantinati (tido como piloto revelação na época), Pedro Lioi, Jorge Dopler, Sérgio Bernardo, João Lindau e Arnaldo Abdalla. E uma única mulher chegou a disputar corridas na categoria, chamada Marlene Maia, com um Ford Maverick.

Fontes: Fotos retiradas da internet, informações prestadas pelo grande Jason "Dê" Machado, Revista Motor 3, entre outros.


Jorge Dopler, Sergio Di Genova, João Videira, Roberto Izzo e Arnaldo Calígula

Arnaldo "Calígula" Abdalla

A história desse carro é contada em detalhes aqui


Ao contrário do que muita gente imagina, o Galaxie da Agromotor não foi pilotado apenas por Arnaldo Abdalla



Edmilson Santilli

José Francki e Hermann Ferraz

Giusepe Feruglio

João Videira


José Francki

Marcos Fantinatti

Marcos Fantinatti

Marcos Giancoli

Adalberto Tagashira e Edmilson Santilli 

Adalberto Tagashira

Renné Denigris

Miguel Nery

Ney Faustini

Ney Faustini



Sérgio Bernardo

Sérgio Bernardo

Sérgio Di Gênova

Prova exibição realizada em 1986, no Autódromo Internacional de Tarumã



Adalberto Tagashira e Expedito Marazzi







Ney Faustini



Edmilson Santilli

4 comentários:

  1. Belas lembranças Ricardo da Turismo 5000. Tempos áureos, categoria tipicamente paulista. Corri aqui no nordeste de Opala e utilizaram em um período a denominação TURISMO 5000!

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    1. Muito obrigado, meu amigo. Essa é uma categoria que se eu pudesse voltar o tempo, voltaria só para assistir as disputas nas arquibancadas de Interlagos. Bem lembrado! Nos anos 90, em Pernambuco, os Opalas corriam como Stock Car e também como Turismo 5000. Forte abraço

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  2. O Maverick prêto 14 tem pára lamas traseiros muito largos. Deve ter corrido na D3.

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    1. Possivelmente, Paulo! Pensei também na arrancada, mas acredito que nessa época não tinha começado (ou estava começando) o racha em Interlagos.

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