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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mil Milhas 2026 - Finalmente in loco (parte 3)

Queridos leitores. Chegamos na parte final da primeira cobertura in loco feita pelo Blog da Mil Milhas em sua história de quase 16 anos. Nessa postagem, falaremos sobre alguns dos principais acontecimentos da prova disputada no dia 25 janeiro, desde a largada até a bandeira quadriculada.

Como dito na primeira parte, esse que vos fala chegou ao autódromo por volta das 18h30min do sábado, dia 24, quando o céu de Interlagos já dava alguns sinais de que um dos tradicionais ingredientes das 1000 Milhas não ficaria ausente neste ano.

A confirmação veio logo durante o warm-up, iniciado pouco após as 19h, quando uma chuva moderada (uma garoa, como é falado por lá) deu o ar da graça, não tão forte a ponto de encharcar a pista, mas o suficiente para deixá-la com aquela sujeira traiçoeira, que faz muita gente afoita rodar nas primeiras voltas.

E por falar em warm-up, o Chevrolet Camaro nº 36 da dupla Rodrigo Mourão/Ricardo Gouveia (cat. T1A) apresentou fumaça logo que regressou da pista, o que causou uma breve movimentação por parte dos integrantes da equipe MRT (Mourão Racing Team). Só que ainda na primeira volta de apresentação, um princípio de incêndio e a quebra do câmbio fez com que o Camaro precisasse de socorro após parar na segunda perna do S do Senna. Porém, a equipe fez o V8 voltar a rugir algum tempo depois (mediante a remontagem do câmbio), tendo o carro sobrevivido para receber a bandeirada final na 34ª posição, com 215 voltas completadas

Outro carro que teve problemas antes mesmo da prova começar foi o Protótipo AJR nº 75 (cat. P1) da Equipe FTR, do quarteto Henrique Assunção, Christian Rocha, Pedro Queirolo e Pietro Rimbano Após sofrer com problemas de motor durante os treinos (foram duas trocas), e só conseguiu largar após várias voltas completadas (problemas com o alternador), o carro vencedor de 2023 e 2025 terminou na 28ª posição, com 258 voltas.

E ainda durante as voltas de apresentação, o Volkswagen Gol nº 521 (cat. T1A) da TGA Racing, vencedor da extinta categoria T1 1.6 em 2025, teve que ser rebocado até os boxes para que fossem feitos os reparos necessários para voltar à disputa.

Nessas condições, a maioria do grid resolveu largar com pneus de chuva, enquanto a direção de prova estabeleceu que a largada em movimento seria dada após sete voltas (duas de apresentação) com o safety-car (pilotado por André Moraes Jr.) à frente. Ainda na primeira volta com bandeira verde, o Porsche 911 GT3 R (992.2) nº 55, então pilotado pelo experiente Ricardo Maurício, tomou a liderança da Ligier nº 22, contando com a habilidade do piloto e a conhecida vantagem dos GT em pista molhada.

Sobre a combinação Ricardo Maurício - Porsche GT3, fui testemunha (passamos um bom tempo no início da prova acompanhando da mureta que fica acima da saída dos boxes) de como o nº 55 entrava e saia como queria da segunda perna do S do Senna, passando retardatários e adversários tanto pelo lado de dentro, como pelo lado de fora da curva.  

Na 25ª volta de corrida, o safety-car seria chamado à pista pela primeira (em razão da batida do VW Gol nº 30 de Toninho Espolador na barreira de pneus do S) das 27 (vinte e sete) vezes em que tomou a frente do pelotão, um recorde histórico para a prova. Tal intervenção fez com que algumas equipes antecipassem sua primeira parada para reabastecimento e troca de pneus, o que deu uma certa embaralhada na disputa. E falando em safety-car, pelo tempo em que passou na pista, o Camaro azul poderia ter beliscado uma razoável colocação na classificação geral!

Conforme a pista foi secando, o Ligier P1 nº 22 foi recuperando a sua vantagem sobre o Porsche nº 55 da Sttutgart, e na 30ª volta, a ultrapassagem no final da reta dos boxes foi inevitável. No total, a Ligier nº 22 da Gforce Racing liderou 273 das 353 voltas da corrida, enquanto o Porsche GT3 permaneceu na frente por 31 voltas.

Mas 1000 Milhas tem sua própria lógica, e essa lógica muitas vezes contraria a razão. Na volta 89, o inquebrável Porsche GT3 encostou lentamente na saída da curva do sol, quando Marçal Muller estava pronto para assumir o cockpit. Ao que parece o carro sofreu pane seca, pois voltou a funcionar normalmente após ser rebocado para os boxes e reabastecido. No total, perdeu três voltas em razão do incidente.

O outro carro a liderar a prova, mais precisamente por 50 voltas, foi a Lamborghini Huracán GT3 nº 420 da Grid Racing. Pilotado por Turco Melik, Renan Guerra e Nicolas Costa, o bólido verde surpreendeu a quem pensava que o carro recém-chegado não conseguiria acompanhar o ritmo dos ponteiros, terminando na 3ª posição na classificação geral. Porém, não sem antes dar um grande susto à equipe e proporcionar uma cena memorável aos expectadores. Após uma dividida com o protótipo EF1 nº 9 (cat. P4) na primeira perna do S do Senna, na volta 162, a Lambo sofreu avarias na porta do lado esquerdo, que resolveu pular fora do carro na reta oposta, quatro voltas depois.

Não se sabe exatamente como, mas essa porta fora resgatada e levada para o box da equipe, sendo recolocada (na base da silvertape) no carro após quatro voltas de ar fresco diretamente para o piloto, que seguiu com a porta avariada até o final da prova.

Um outro susto ocorreu ainda na madrugada, um pouco antes da segunda hora de corrida, quando o Aldee Spyder SP1 (cat. P4) nº 74 de Sérgio Martinez/José Tinoco/Ricardo Furquim sofreu um princípio de incêndio causado por combustível na parte traseira, rapidamente controlado pelos mecânicos.

Ainda na noite de Interlagos, o Chevrolet Omega V8 nº 18 da Equipe Big Power escapou na freada do fim da reta dos boxes (momento flagrado pelas lentes de Rodrigo Carelli) na volta 95, tendo batido na barreira de pneus tanto de frente, como na lateral traseira esquerda. A batida não chegou a tirar o carro da disputa, em que pese tê-lo deixado bem avariado e imposto uma parada mais longa no box. Ao final, o trio Amaury Biehn, Sandro Sanches e Marcos Júnior completou 291 voltas, mesmo tendo andado apenas com a 4ª marcha por cerca de uma hora de corrida, mas terminou sendo desclassificado.

O amanhecer veio com cerca de 150 voltas completadas e a liderança da Ligier, que em apenas uma volta, chegou a ultrapassar 15 carros no tráfego de Interlagos, comparado na transmissão da Race TV ao trânsito da Avenida 23 de Maio às 18h. Outro acontecimento do início da manhã foi a volta do VW Passat 1982 nº 19 (cat. T1A) da LF Competições, com Flávio Gomes ao volante, após passar um longo tempo na garagem em razão da quebra da homocinética.

E foi justamente após esse stint que vi o Flávio descansando na parte de trás do box, quando tomei coragem e fui pedir uma foto a ele, que gentilmente aceitou.

No estilo Michael Schumacher e sua Ferrari no GP da Bélgica de F1 de 1998, quando andou uma boa parte do traçado em três rodas, o Fiat Linea nº 117 da GKV Racing perdeu a roda traseira direita durante a volta 165, enquanto Stuart Turvey contornava a curva do sol, tendo se arrastado até o box. Mas ainda houve tempo para completar mais algumas voltas, terminando com 203 voltas na 38ª posição.

Na volta 178, o Protótipo MRX nº 210 (cat. P4) do trio Paulo de Carli, Marcio Pavanelli e Lucas Marotta se envolveu em uma colisão com o Fiat Linea nº 65 (cat. GT4 Light), na curva do pinheirinho. Ao mesmo tempo em que o Linea voltava à disputa sem o parachoque dianteiro, um incêndio na parte traseira do MRX fez com que o piloto Paulo de Carli (a quem tivemos a oportunidade de entrevistar no Entusiastas Sobre Rodas - link aqui) saísse rapidamente do cockpit, tendo abandonado a disputa. Mesmo assim, o Protótipo terminou na 2ª posição na categoria P4 (48º na geral), após 161 voltas, enquanto o Linea da Overboost Motorsport terminou na 17ª posição na geral (286 voltas).

Com 206 voltas de prova, o motor do Honda Civic nº 61 da 61 Motorsport deu o ar da graça no início da reta oposta, o que fez com que um rastro de óleo lhe acompanhasse até se dirigir aos boxes pela grama. Mas não sem antes arrastar a Mercedes Benz AMG GT4 nº 40 da equipe Manna (Marco di Sordi, Marco di Sordi Filho, Rogério Barbatto e Esdras Soares) nesse terreno escorregadio, pois o carro alemão passou direto na freada da curva Chico Landi, ficando atolado na brita sem o parachoque traseiro. Fim de prova para os dois.

Por conta da entrada do safety-car, os carros passaram a contornar a pista em um ritmo mais lento, embora isso não tenha sido um sinônimo de tranquilidade. Na reta oposta, o Protótipo AJR nº 80 da Just Motors (pilotado por Paulo de Carli, Paulo de Carli Filho e Alexandre Finardi) deu uma forte pancada no guard-rail, que destruiu a dianteira e a lateral esquerda do bólido. A preocupação só não foi maior porque o piloto Paulo de Carli Filho logo abriu a porta do carro, mostrando que estava consciente.

Uma pancada mais forte aconteceu na volta 300 entre o Audi A3 nº 100 de Luciana Klai e a Mercedes Benz AMG A45s de Edmard Neto, quando os carros se aproximavam da curva do pinheirinho. Na tentativa de driblar o tráfego, a Mercedes acabou se tocando com o Audi, que vinha pelo lado de fora da curva, sendo arremessada contra a barreira de pneus, que também amorteceu o impacto dianteiro sofrido pelo Audi. Ambos os carros ficaram bastante danificados e abandonaram a prova, mas os pilotos nada sofreram.

Cabe abrir um parêntese para o carro eleito (por mim, rsrsrsrs) como o dono do ronco mais bonito de todo o grid. Mesmo com Ligier, AJR e Sigma gritando alto, acreditem senhores, o berro do V8 mais bonito de se ouvir era do Protótipo Saga GT nº 10 (Equipe G Force Autosport), um Stock Car (2009 - 2019) modificado, pilotado por Reginaldo Nappi, Rogério Grotta, Gustavo Kiryla, Yuri Alves e Danilo Dirani. Quando ele descia pela reta dos boxes, já era possível de distinguí-lo entre os demais só pelo som, lá da mureta do S do Senna.

E para ilustrar o espírito 1000 Milhas, destaco o VW Gol GT nº 222 da Equipe Thiri Racing (cat. T1B), que teve o câmbio trocado na última hora de corrida tão somente para receber a bandeirada final, com Levy Rezende ao volante. Mais 1000 Milhas que isso, impossível! 

Mesmo tendo sofrido com problemas na embregem no início da prova, além de ter perdido a liderança em algumas oportunidades, a vitória este ano não escapou das mãos da equipe G Force Autosport e sua Ligier JS P320 nº 22, empurrada pelo forte motor Nissan V8 5.6 (mais de 500 cv de potência), após 353 voltas e 12h02m56s. A vantagem para o segundo colocado, o Porsche 911 GT3 R (992.2) nº 55 da Sttutgart, após 12 horas decorrida foi de apenas 45s337. 

E ainda houve tempo para registrar a volta mais rápida da prova (na 249ª passagem), com o tempo de 1min31s923. Foi a consagração para o quarteto Rafael Brocchi, André Moraes Jr., Flávio Abrunhoza e Daniel Lancaster, nomes que ficarão registrados no panteão dos campeões das 1000 Mil Milhas Brasileiras.

Não podemos esquecer, ainda, do Chevrolet Corsa nº 216 da OTO Racing, que terminou a prova na nona colocação na geral, com 308 voltas completadas na raça, pois na subida do café antes da bandeirada, se envolveu em um toque provocado pela Ford Courier nº 111 da Lira Racing. O Corsa chegou a andar em duas rodas, ao ponto de quase virar, sendo que a Courier fora considerada culpada pelo incidente e punida com a desclassificação.

Pois bem, meus amigos, encerro este relato com o espírito de satisfação de ter acompanhado esse espetáculo de perto, com toda a energia e aura que envolvem a prova. E mais ainda, feliz pela perspectiva de futuro das 1000 Milhas, que ano que vem além de manter a prova 500 Milhas para a turismo 1.4, traz a promessa de maior internacionalização da disputa, com carros, pilotos e equipes de certames à nível mundial.






































































































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