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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Série nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte XVIV: Laércio Justino

No mês de junho de 2026, o canal oficial da Stock Car no Youtube proporcionou uma grata surpresa aos amantes da categoria e do automobilismo brasileiro. Foram disponibilizadas corridas na íntegra a partir da temporada de 1999, época de mudanças significativas em relação ao equipamento e também aos pilotos.

Se no ano de 1999 foram utilizados os Chevrolet Omega, com sua estrutura em monobloco e a tradicional motorização seis cilindros em linha, o ano seguinte viu a chegada de um chassi tubular completamente novo, coberto pela carroceria em fibra de vidro feita sob medida para o modelo. E em 2001, mais uma novidade, quando o motor derivado do Chevrolet Opala (utilizado desde a primeira temporada, em 1979), deu lugar ao potente V8 de 450 cv vindo da então Nascar Busch Series (atual O'Reilly).

Sobre os pilotos, foi a época em que surgiram os termos Dinossauro e Babyssauro, para diferenciar pilotos com maior experiência (Ex.: Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Adalberto Jardim) e aqueles que começavam a disputar corridas na categoria, como Davi Muffato, Beto Giorgi, Nonô Figueiredo, Alceu Feldmann, entre outros.

Mas revendo as corridas da temporada de 2001, que marcou o tricampeonato seguido de Chico Serra, pude assistir pela primeira vez a quinta etapa, disputada em Brasília/DF, durante a qual ocorreu o falecimento do piloto piauiense (mas radicado em Goiânia/GO desde criança) Laércio Justino. E me veio o desejo de escrever essas linhas.

Laércio Justino Ferreira nasceu em Teresina, Piauí, em 26 de fevereiro de 1963, e sua relação com o esporte a motor teve início por volta de 1978, quando começou no kart (foi campeão goiano). Em 1982 e 1983 se tornou campeão goiano e regional (Centro-Oeste) de Stock Car, e neste mesmo ano, passou a disputar o certame nacional. Se a estréia na sétima etapa (Goiânia/GO) foi discreta, a próxima corrida, em Brasília/DF, trouxe um resultado muito significativo: O sétimo lugar, com o carro feito pelo preparador Jacaré.

As suas aparições na Stock Car permaneceram regulares até 1986, pois no ano seguinte, disputou apenas três corridas, sem muito destaque. Após uma pausa para se dedicar a outras categorias (foi campeão brasileiro de Fórmula Corsa e conquistou três vezes o Campeonato Goiano de Marcas e Pilotos, além de ter conquistado resultados de destaque no Brasileiro), Laércio retomou a carreira na Stock em 1995, pela equipe Boettcher, conquistando dois nonos lugares (Goiânia e Interlagos) logo de cara. Nas Mil Milhas de 1997, disputada em Brasília, alcançou a quarta posição na geral e a segunda na categoria protótipos (Aldee RTT), em trio com o irmão Ananias Justino e Maurício Veiga.

Em termos de resultado na classificação final, a melhor colocação foi obtida em 1999, quando terminou na 10ª posição (Justino Competições). Nessa temporada, obteve dois dos seus três pódios na Stock, na última rodada dupla em Interlagos (terceiro na primeira prova e segundo na última). O outro pódio foi obtido na temporada seguinte (Scuderia Lobo), novamente na última rodada dupla em Interlagos (segundo lugar na primeira prova). Ao todo, foram 74 corridas disputadas.

Mas voltando ao fatídico 08 de junho de 2001, era quase 16 horas quando a bandeirada final do segundo treino livre estava sendo dada. Laércio já tinha recebido a bandeirada ao abrir a volta (tinha feito o 15º melhor tempo), e de acordo com o que foi dito à época, ele mudou de trajetória bruscamente perto da curva da vitória, não se sabe se por um erro ou na tentativa de entrar nos boxes, para não passar novamente pela linha de chegada e evitar uma possível punição.

O carro veio de frente em direção ao guard-rail (ainda da época da inauguração do autódromo, em 1974) com velocidade aproximada de 150 km/h, fazendo com que arrancasse um pedaço de cerca de 40 metros da proteção da pista. Em seguida, levantou voo e bateu lateralmente (lado do piloto) em um caminhão guincho, que com o forte impacto, teve uma roda quebrada e atingiu uma ambulância do corpo de bombeiros que estava parada próxima à torre de cronometragem.

Apesar dos esforços da equipe de socorro, que tentou reanimar o piloto ainda dentro do carro, e que chegou a removê-lo de helicóptero para o Hospital de Base, Laércio faleceu logo em seguida, em virtude dos graves ferimentos decorrentes de traumatismo crânio-encefálico, torácico e abdominal. O sepultamento foi realizado em Goiânia, no dia seguinte, com o piloto vestindo seu macacão de corridas. Deixou três filhas e esposa, e pouco tempo depois, seu sobrinho Wellington Justino passou a disputar a categoria.

Pilotos como Xandy e Guto Negrão, Adson Moura, Sandro Tannuri, Carlos Cunha e Ananias Justino não disputaram aquela prova, enquanto os demais correram com um adesivo no parabrisa do carro, contendo os dizeres "Valeu Laércio". Antes da largada, foi feito um minuto de silêncio em sua homenagem, e o piloto Carlos Cunha fez um emocionado discurso.

Em razão do acidente fatal de Laércio, seu irmão Ananias decidiu parar de correr.

Fontes: www.speedonline.com.br

//blogdocarelli.blogspot.com

Revista Racing - matéria de João Alberto Otazú

Fotos dos anos 80 e 1999 cedidas por João Peryel (@stockcaroldtimes)


1984

1986

1999



Brasileiro de Marcas e Pilotos - 1994

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