"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 31 de março de 2019

O passado e o presente de um carro: Protótipo Berga (Aldee) e as Mil Milhas de 2001

O protótipo Aldee (sigla formada pelas iniciais da empresa do seu criador, Almir Donato Equipamentos Especiais) estreou nas Mil Milhas Brasileiras no ano de 1990, ainda na versão de rua adaptada para as pistas (motor VW 1.6). A partir de 1992, o bólido recebeu várias alterações, tornando-o um modelo destinado para competições, e que fez muito sucesso nos anos 90 e início dos anos 2000. Posteriormente, foi substituído pela sua versão aberta (monoposto), o Spyder, lançada em 1998. Mas essa história foi melhor contada neste outro post, e hoje vamos nos deter em um exemplar específico, a partir das informações e fotos gentilmente cedidas pelo piloto campeão e restaurador de mão cheia, Rodrigo Garcia (Instagram: rogarcia88 e www.ultimateesteticaautomotiva.com.br).

Na 29a edicão, disputada em janeiro de 2001, o trio de pilotos formado por Carlos Teixeira, Valmir Ross e Renato Marlia se inscreveu em um Aldee RTT (posteriormente chamado de prototipo Berga, já com motor 2.2, alimentado por dois carburadores Weber 50), tendo alcançado a 5a posição na classificação final e 2a na categoria 1, com 342 voltas completadas. E tudo isto em meio a Porsche, BMW e protótipos abertos bem mais leves e potentes. Na ocasião, a preparação ficou a cargo do mago dos aspirados, Adilson Teixeira, da AT Autosport.

Após a prova, esse carro foi utilizado pelo piloto Giuliano Losacco em 2002, no Campeonato Paulista de Força Livre, tendo vencido 15 das 19 etapas do certame, e ao final, veio o título. Posteriormente, o bólido passou pelas mãos de 02 colecionadores, que o utilizavam apenas para treinos em pista. Porém, de 2008 a 2016 permaneceu parado, até que o piloto Marco Scalamandré o resgatou e restaurou, trazendo-o de volta às pistas. E com vitórias, haja vista que fora campeão da liga Paulista desportiva em 2017.


Mil Milhas de 2001


Nova pintura
Recém resgatado





Autódromo Fazenda Capuava, setembro de 2016




Interlagos

1ª etapa da Liga Paulista 2017 - Venceu após largar na última posição

quinta-feira, 14 de março de 2019

Miniaturas Pickup's Chevrolet 1:64


Já tem um certo tempo que não falo aqui no blog sobre miniaturas. Mas sempre é tempo de retomar a pauta, até porque a coleção não pára de crescer (sério, isso é um verdadeiro vício, rsrsrsrs). Hoje trago para vocês, queridos leitores, algumas minis na escala 1:64 que adquiri nos últimos tempos, na linha Pickup Chevrolet.

GMC Syclone 1991 da Johnny Lightning - Persegui essa miniatura durante anos, pois havia adquirido uma GMC Typhoon da mesma fabricante. Então sempre quis formar a dupla, numa relação nos moldes D20 e Bonanza.

Essa linha tem vários detalhes de pintura, além de contar com pneus de borracha.

Chevrolet 1952 "envelopada" da Hot Wheels - Bela mini, com estilo moderno (suspensão rebaixada, rodas grandes pintadas e pintura grafiti).

No Brasil, esse modelo é também conhecido como "boca de bagre".

Chevrolet Stepside 1975 da Matchbox - Uma das minhas fabricantes preferidas, que traz miniaturas em combinações bem próximas dos modelos originais.

As rodas com aros azuis, na cor da carroceria, e o engate abaixo do pàra-choque traseiro, dão um charme a mais ao modelo.

Chevrolet C10 1967 da Johnny Lightning - Edição comemorativa dos 100 anos da Chevrolet (Centennial), com bela pintura preta e rodas cromadas, além de suspensão baixa, que se assemelha ao estilo DUB, febre no início dos anos 2000.

Como era de se esperar da fabricante, os detalhes de pintura são muitos, além de contar com cromados, emblemas e pneus de borracha.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Fusca Itamar TT de Arrancada de Mariana Ferro


O automobilismo nunca foi feito somente para homens. Isso é fato incontroverso. Desde a pioneira Maria Theresa de Filippis na Fórmula 1 (anos 50), passando por Lela Lombardi, Jutta Kleinschmidt (vencedora do Rally Paris Dakar em 2001), Lyn St. James (vencedora das 24 horas de Daytona por duas ocasiões) e Danica Patrick (Fórmula Indy e Nascar), entre tantos outros nomes notórios, a mulher provou que qualquer misoginia no esporte a motor não passa de lamentável ignorância.

E grandes mulheres não figuraram apenas no automobilismo internacional, pois no Brasil, desde meados dos anos 60, tivemos várias pilotas em diversas categorias nacionais. Dentre as desbravadoras, podemos citar D. Juze Fittipaldi (falecida em 2006, esposa de Wilson Fittipaldi, consequentemente mãe de Wilsinho e Emerson, que chegou a disputar uma prova com uma Mercedes em Interlagos), Lula Gancia (esposa do piloto e presidente da CBA, Piero Gancia, já falecido), Graziela Fernandes (paraguaia de nascimento, mas brasileira de coração), enquanto a partir dos anos 80, tivemos nomes como Regina Calderoni (Stock Car e Brasileiro de Marcas e Pilotos), Suzane Carvalho (campeã da Fórmula 3 Sulamericana Light), Débora Rodrigues (Fórmula/Copa Truck) e Bia Figueiredo (Fórmula Renault, Indy e Stock Car).

Ou seja, o que não faltam são nomes femininos que deixaram suas marcas na história do esporte, seja em monopostos, carros de turismo, rally e provas de longa duração. Tanto é, que no ano de 2001, chegamos a ter uma categoria monomarca (Ford Fiesta) apenas para mulheres, cuja organização tinha a chancela de Maria Helena Fittipaldi (ex-esposa de Emerson), e que reuniu nomes como Valéria Zopello, Danuza Moura e Maria Cristina Rosito, que ao final do campeonato, sagrou-se campeã.

E a arrancada não foge à regra, pois basta lembrarmos das herdeiras de John Force, Ashley, Courtney e Brittany, cuja primeira delas começou a disputar provas de Dragster e Funny Cars ainda em 2004, tendo, inclusive, vencido seu próprio pai nas pistas. Mas não precisamos ir tão longe para termos a oportunidade de conhecer uma história feminina no mundo da arrancada, pois hoje falaremos da pilota alagoana Mariana Ferro.

Mariana conta que no ano de 2015 foi assistir uma prova de arrancada disputada no Autódromo de Caruaru, e se apaixonou pela categoria. Mas naquele ano, o contato com a arrancada ficou restrito às arquibancadas e ao apoio aos amigos que competiam, pois somente em 2016, ela começou a disputar provas. O bólido escolhido fora um VW Fusca Itamar 1994, com motor 1600 refrigerado a ar, original. Nessa época, a participação fora na categoria 12 segundos, que por sua vez foi posteriormente extinta. E logo na estréia, veio um 3º lugar, sucedido por outros dois pódios. O melhor tempo fora de 12,03 segundos.

As participações em provas foram interrompidas no ano passado, para fins de preparação do Fusca, que foi convertido para álcool, ganhou cabeçotes rebaixados (pintados de rosa), comando de válvulas com maior tempo de abertura, escapamento dimensionado com saída única e dois carburadores preparados. Todo o trabalho ficou por conta do preparador Alcindor, de Gravatá-PE. O câmbio ainda é original, pois as provas em Caruaru são disputadas no 1/8 de milha (201 metros), mas está nos planos da pilota participar de provas no Autódromo da Paraíba, inaugurado em 2016.

E mesmo utilizando a aspiração natural, o VW 4 cilindros 1600 cc grita bem, com a marcha lenta embaralhada que é característica dos carros de competição. A bem da verdade, o besouro tem muito potencial, e certamente veremos ele e sua pilota figurarem no alto do pódio das arrancadas do Nordeste. Boa sorte Mariana!











domingo, 3 de fevereiro de 2019

Caravan "Canela" Luxo 1978 Rat Look


No mundo das quatro rodas, toda relação entre o homem e a máquina envolve sentimentos. Seja de amor, ódio, nostalgia ou desafio, quem realmente gosta de carro certamente tem uma história de vida ligada a uma determinada marca ou modelo, ou mesmo a mais de um modelo. E para o paulistano Paulo Fiori, de 26 anos, essa máxima continua prevalecendo, e de forma oficial, pois é presidente do Clube do Opala de Alagoas.

Fiori conta que desde criança seu sonho é ter uma Caravan, por influência direta de seu pai, que teve um modelo semelhante no passado. Aliás, a paixão pela linha Opala começou cedo, visto que já saiu da maternidade a bordo de exemplar ano 1972 na cor laranja!

O sonho de ter uma Caravan fora realizado há pouco mais de 01 (um) ano, quando adquiriu a "Canela", um modelo Luxo, ano 1978, motor 4 cilindros, com câmbio Clark 260 F, de 04 marchas, o famoso "caixa clec clec". O interior é monocromático, e a pintura externa, que deu origem ao apelidado, é oficialmente denominada marrom tâmara. O proprietário conta que o carro estava na Bahia, e veio para Maceió através de um amigo, que ao mostrá-la, fora surpreendido com a promessa: Essa vai ser minha.

E foi, logo após Fiori vender o seu Opala Diplomata 1986 vinho. Mas a história desse Diplomata em sua vida não se encerrou por ali, haja vista que fora posteriormente recomprado por Fiori, em meados de setembro de 2018, para ser dado de presente à sua esposa, estando em curso a merecida reforma.

Voltando à Canela, a mecânica ainda é original, porém o exterior já sofreu algumas alterações. Começando pelo jogo de rodas derivado do Opala SS 1974 (com o volante acompanhando), passando pelos faróis de milha amarelos, de época, e a pintura no melhor estilo Rat Look, que mistura pontos da pintura original, primer e aço da carroceria. O visual é de um carro que passa longe de ser aquele antigo comportado, de garagem, mas um autêntico Chevrolet com cara de quem já enfrentou e enfrenta muita coisa.

Para o futuro, os planos são de terminar a reforma da canela, refazendo a pintura na cor original, com a adição de mais alguns detalhes, como faixas no capô, pois a placa preta não faz o gosto do proprietário. A mecânica não sofrerá maiores alterações, no máximo um carburador de corpo duplo. Além disso, Paulo conta que vai cair na estrada com a Caravan, numa viagem com destino à São Paulo/SP, passando pelo interior do Estado e Brasília/DF, em visita aos irmãos feitos pela internet a partir do amor pelos carros. Boa sorte Fiori, estamos acompanhando a evolução da Canela!













domingo, 27 de janeiro de 2019

VW Fuscar Itamar 1994 "Surfista Prateado"


Como já disse em mais de uma oportunidade, sou nascido, criado e residente em Maceió, Alagoas, chamada por muitos de "Miami Brasileira", modéstia parte (rsrsrsrs), tamanha a beleza natural. Mas hoje o assunto não é o turismo em Maceió, e sim, a paixão por carros antigos presente em nossa Capital.

Infelizmente não temos o prazer de receber competições automobilísticas há muito tempo, visto que as provas de arrancada disputadas no aeroclube em 2003 e 2004 (assunto que já foi objeto de matéria neste blog, no ano de 2014) foram os últimos eventos do esporte a motor sediados em Maceió. Porém, isso não é suficiente para que deixemos de nutrir o amor por carros e mecânica. Uma prova disso são os frequentes encontros e exposições de carros antigos e modificados sediados não só na Capital, mas também em cidades do interior, como Arapiraca e Penedo. Dentre estes eventos esporádicos, podemos citar o ENEVA - Encontro Nordeste de Veículos Antigos, ocorrido no mês de novembro de 2018 no estacionamento de um grande shopping da Capital.

Mas o que realmente une a galera é o encontro semanal (toda quinta-feira) que ocorre no estacionamento do bairro de Jaraguá, na parte baixa da cidade, com início após às 19:30. Entre carros antigos e modernos (rebaixados, com rodas grandes, som forte e modificações mecâncias e externas, para fugir do termo tuning), a conversa animada reúne membros de vários clubes de carros (Antigos AL, Cheiro de Môfo, Opala Clube de Alagoas e Chevette Clube de Alagoas, para citar os mais conhecidos), sempre sobre a melhor pauta: Carros!

E no meio de antigos de todas as idades e marcas, se destaca a figura de um super-herói das histórias em quadrinho: O Surfista Prateado! Mas calma, estamos falando de um personagem de carne e osso, ou melhor, aço, borracha e plástico. Trata-se do Volkswagen Fusca 1994 de Matheus Bortholacci, de 24 anos.

Matheus conta que ao completar 18 anos e ser aprovado no vestibular, seu prometido presente seria um carro, que ficaria à sua escolha. Com influências de suas avós, tios e pai, a escolha, naturalmente, recaiu sobre um VW Fusca, cujo modelo, inicialmente, seria dos anos 60 (mais especificamente um 1968, ano do modelo que pertence ao seu pai). Porém, ao descobrir que nos anos 90 fora retomada a produção do Fusca, e mais que isso, que no ano em que nasceu (1994) o "besouro" foi produzido, não houve dúvida: Tinha que ser um modelo 1994. E na cor prata!

Então mãos à obra, começa a pesquisa na internet por exemplares e o primeiro modelo avistado (literalmente) foi o que veio a ser escolhido. O 1994, prata, estava na cidade de Recife-PE, e veio para Maceió de guincho, em meados de 2012. Da época em que foi adquirido, pouca coisa mudou, senão a reforma completa do interior, que estava bem estragado, além da pintura (na cor preta) dos retrovisores, aros de farol e corujinhas. Externamente, completa o discreto visual, mas de bom gosto, um belo jogo de rodas aro 15 montado em pneus 195/60. A mecânica ainda é original (1600 cc), alimentada por um carburador, mas os planos próximos são de incluir uma preparação leve, de modo a não dificultar o uso do bólido no dia-dia.

Mas esse Fusca, além de ter nome famoso, é uma verdadeira personalidade, pois conta com canal no Youtube (Surfista Prateado Fusca), com mais de 3 mil inscritos, além de perfil no Instagram (surfistaprateadofusca) e adesivos para os amigos. É ou não é um artista?







Um parente fã (rsrsrsrs)

Gran Turismo BPR no Brasil em 1996 - Quando Brasília e Curitiba se transformaram em pista de pouso de aviões


Queridos leitores, é um prazer estar aqui novamente para falar sobre  o nosso assunto predileto. Claro, estamos nos referindo aos carros e automobilismo, e a matéria de hoje é super especial, pois trata de um episódio histórico para o esporte a motor do Brasil: As etapas de Brasília e Curitiba do BPR - Global Endurance Series, disputadas no ano de 1996.

Esse trabalho de grande qualidade foi desenvolvido pelo meu amigo Rodrigo Carelli, um grande apaixonado pelo mundo da velocidade, que inclusive conseguiu uma entrevista exclusiva com o piloto Maurizio Sala, que por sua vez disputou ambas as etapas.

O combinado entre nós era que a matéria seria publicada em ambos os blogs. Porém, esse excelente trabalho fora desenvolvido unicamente pelo Carelli, e de tão importante, não me sinto no direito de publicá-lo neste blog. Então, compartilho com vocês o link da matéria (https://blogdocarelli.blogspot.com/2019/01/circuito-gran-turismo-bpr-brasil-1996.html) para que possam ter uma ótima leitura. E para ilustrar esse post, deixo com vocês essa foto da largada da Etapa de Brasília.