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domingo, 17 de junho de 2012

Protótipo Aldee: 20 e poucos anos de Mil Milhas


Em 1990, estreava na história da Mil Milhas Brasileiras o novo traçado de Interlagos. A pista nova, na verdade um "estupro" do antigo traçado, foi feita em função da F1, que desde 1981 tinha o GP Brasil realizado no autódromo de Jacarepaguá. Essa foi a saída encontrada para que o Brasil não perdesse a etapa nacional da categoria máxima do automobilismo.

Mas, a 20ª edição da prova guarda uma lembrança maior, que foi a estréia do protótipo Aldee RTT. Trata-se de um protótipo de corridas concebido pelo piloto (campeão de motovelocidade) Almir Donato, cujo nome da empresa dá nome ao carro (Aldee - Almir Donato Equipamentos Especiais). RTT vem da sigla em inglês Racing Transversal Transmition (transmissão transversal de corrida). O carro utilizado na prova de 1990 foi uma adaptação de um modelo de rua (ainda como motor VW 1.6), mais precisamente o 16º carro produzido. A estréia foi das melhores, pois os pilotos Almir Donato e Luís Barros Pinto chegaram na 5ª posição na classificação geral e em primeiro na classe B.

Para a próxima edição da prova (1992), o monobloco original foi transformado num chassi tubular, compondo um projeto direcionado para as competições. O resultado veio na forma do 2º lugar na classe B e 6º na classificação geral obtidos pela dupla Sérgio Jimenez e Aristides Samos, no Aldee RTT nº 22. No ano seguinte, o resultado foi ainda melhor: 1º lugar na classe B e 2º na classificação geral. Desta vez, as marcas foram obtidas pelos pilotos Renato Marlia e André Giaffone, no Aldee nº 3

Em 1994, o mesmo André Giaffone, formando trio com Cláudio Girotto Filho e Lourenço Barbatto, conquistou a pole position na categoria B. Porém, a corrida terminou para o trio quando estavam em terceiro em sua classe na prova, devido a uma quebra de motor. No final, dos 14 Aldee's que participaram da prova, o melhor colocado foi o nº 0, pilotado por Almir Donato, Manoel Rezende e José Cherchiai, que ganhou em sua classe e foi o melhor carro nacional na classificação geral, alcançando o 6º lugar.

Na Mil Milhas de 1995, mais uma vitória na categoria (dessa vez Protótipo A), como o trio Luiz Amorim Jr./Christian Casa Del Rey/Alexandre Zaninoto, que alcançou a 4ª posição na classificação geral, sendo esta a melhor colocação de um carro nacional na prova (perdendo apenas para o trio de Porsches). A força do Aldee na aquele ano foi tão grande, que o protótipo conquistou do 4º ao 10º lugar na classificação geral da prova.

Na edição seguinte (1996), outro vice campeonato na classificação geral e o primeiro lugar na classe, obtidos pela dupla Antônio C. Garcia e Tony Garcia, a 5 voltas do Porsche vencedor. Ainda em 1996, pela primeira vez foi formada uma equipe feminina para disputar a Mil Milhas, sendo que o veículo usado pelo trio Suzane Carvalho/Delfina Friers/Marisa Paganopulo também foi um Aldee (nº 7, que com 8 horas de corrida, apresentou problemas nos freios, forçando o abandono quando estavam na 4ª colocação). Nessa prova, 21 Aldee's fizeram parte do grid.

Na prova seguinte, disputada no autódromo de Brasília, mais uma boa corrida dos modelos Aldee, cuja melhor colocação foi um 4º lugar na classificação geral (obtido pelo trio Laércio Justino/Ananias Justino/Maurício Veiga), sendo que dos 10 primeiro colocados, 5 eram Aldee's. Em 1998, uma prova mais discreta do protótipo Aldee, tendo como melhor colocação o 5º lugar do Aldee nº 78 pilotado pelo trio José Ney Fonseca/Antônio Chambel/Thomas Fonseca. Dessa vez, entre os 10 primeiros, 4 Aldee's (largaram 9 ao todo).

O ano de 1999 marcou a estréia da nova geração de protótipos construídos por Almir Donato. Chegavam às pistas os protótipos Aldee Spyder (carroceria aberta, menor peso e melhor aerodinâmica), que estimularam a criação vários outros protótipos concorrentes, o que proporcionou um fortalecimento do automobilismo nacional e das corridas de endurance. Naquele ano de 1999, a Mil Milhas foi realizada no Autódromo Internacional Raul Boesel e a vitória ficou com o trio paranaense Jair Bana/Beto Borghesi/Luciano Borghesi, que venceram a prova a bordo do Aldee Spyder 2.0 nº 29, derrotando o bicho-papão dos anos anteriores, o Porsche 911 GT2. As voltas finais foram dramáticas para o trio, pois o Spyder passou a ter vazamento de óleo, o que provocou duas paradas extras nos boxes para adição de óleo. Porém, isso não impediu a tranquila vitória sobre o Porsche, com 13 voltas de vantagem. 

Cabe o destaque para o Aldee nº 20, do trio Pedro Mufatto/David Mufatto/Gastão Weigert, que estava equipado com motor Mazda 1.3 L Wankel rotativo. Mas a corrida terminou muito cedo para o bólido, com apenas 2 voltas completadas.

Nos anos seguintes, as melhores colocações de protótipos Aldee foram:

2001: 2º lugar na geral e 1º lugar na categoria 3 (Jair Bana/Tino Vianna - Aldee RTT)
2002: 3º lugar na geral (Sérgio Clemente/Maurício Seraphim/Fernando Parra/Thiago Beilstrein - Aldee RTT)
          4º lugar na geral: Vanderlei Reck/Júnior Reck/Aldo Reck - Aldee Spyder
2003: 8º lugar na geral e 4º na categoria 3 (Irineu Camargo/Marcel Wolfart/Gustavo Martins)
2004: 5º lugar na geral e 1º na categoria 3 (Amaury Pires/Márcio Sciola/Maurício Monte - perdeu apenas para carros importados)
2005: 8º lugar na geral e 1º na categoria MM P2 (Amaury Pires/Márcio Sciola/Ricardo Rodrigues)
2006: 14º na geral e 1º na categoria P2 (Sérgio Ribas/Peter Januário)
2007: não correram carros nacionais
2008: 6º lugar na geral e 1º na categoria 3 (Sérgio Pistili/Hyppolito Martinez/Henrique José)

A motorização tradicional dos protótipos Aldee é a Volkswage 2.0. Porém, já teve quem adotasse propulsor Lotus 2.2 Turbo (Marcel Wolfart/Irineu Correia em 2004) e Chevrolet (Jair Bana/Carlos Eduardo Bana/Marcos Silva em 2005).

Dados básicos (Aldee RTT 1994):

Motor: VW AP 2000 (Logus)
Alimentação: 2 carburadores duplos 50 mm
Potência: 189 cv a 6.800 rpm
Torque: 31 kgfm a 4.900 rpm
Câmbio: 5 marchas (Escort)
Freios: a disco, ventilados (dianteira e traseira)
Rodas e pneus: Aro 13
Peso: 640 kg
Tanque: 102 litros 



















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