"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Dudu Barrichello e o marco em família escrito na Stock Car

Ao ver o jovem piloto Eduardo Barrichello, o Dudu, vencer sua primeira corrida de Stock Car, me recordo do quanto o tempo passou. Isto porque é inevitável não lembrar que o seu nascimento ocorreu na época em que seu pai estava em sua segunda temporada na Ferrari, no já distante ano de 2001.

Ontem, na quarta etapa da temporada 2023 da Stock Car, disputada no Autódromo Zilmar Beux (Cascavel/PR) Dudu alcançou a vitória ao chegar na frente na corrida 2, depois de largar na 13ª posição (mesma posição de chegada na corrida 1).

Além de ter sido uma vitória obtida na base da estratégia, concentração e velocidade (trata-se simplesmente do circuito com maior média horária do calendário da categoria), o feito coroou um período de superação para o filho mais velho de Rubinho, pois na etapa anterior, disputada no Autódromo de Tarumã (Viamão/RS), ele sequer alinhou no grid, pois um forte acidente nos treinos terminou por inutilizar o seu bólido. Se não fosse o bastante, nesse meio tempo ainda foi submetido a um procedimento cirúrgico para a retirada de um cálculo renal.

Mais uma vez, a família Barrichello escreve seu nome na história da Stock Car, entrando para o seleto grupo em que pai e filho foram vencedores da categoria, escrita esta que foi iniciada na 7ª etapa da temporada 2004 da Stock, disputada no saudoso Autódromo Internacional de Curitiba (Pinhais/PR), em 01 de agosto daquele ano. Esta corrida, cabe lembrar, foi vencida por Pedro Gomes, no Chevrolet Astra V8 da Equipe Giaffone Motorsport.

Depois dele, vieram seu irmão Marcos Gomes (12ª e última etapa de 2007, disputada em Interlagos, no Astra da Medley A.Mattheis) e Daniel Serra (7ª etapa de 2009, disputada no finado Autódromo de Jacarepaguá/RJ, com o Peugeot 307 da WA Mattheis).


* Os direitos das imagens a seguir estão reservados ao seus autores.







segunda-feira, 5 de junho de 2023

Carretera Volvo 1957 - 1959

As valentes carreteras são a marca do automobilismo nacional dos anos 40 e 50, representando as corridas de longa duração realizadas sobretudo em estradas do Sul e Sudeste do Brasil. A receita básica para transformar um comportado sedan ou coupê em bólido de competição era a utilização de um motor V8 forte (geralmente Ford ou Chevrolet importados), um câmbio que aguentasse a potência e fosse resistente o suficiente para uma prova de longa duração, máximo alívio de peso (retirada dos bancos, painel e forrações internas, além de paralamas) e em alguns casos, rebaixamento do teto e mesmo da carroceria. O calcanhar de aquiles era a suspensão, mas os preparadores sempre bolavam saídas para driblar essa dificuldade.

Em regra, os pilotos partiam de modelos Ford ou Chevrolet para construírem seus carros de corrida, embora seja possível encontrar na história das Mil Milhas Brasileiras registros de participações de carreteras baseadas em modelos da marca Cadillac, por exemplo.

Mas como Mil Milhas sempre foi sinônimo de invenção, houve quem preparasse carreteras de menor porte e potência, baseadas em modelos das marcas DKW, Simca, Fiat e mesmo da sueca Volvo. Foi o caso do piloto Waldemyr Costa, que entre os anos de 1957 e 1959, disputou a prova a bordo de uma carretera Volvo PV 444, sempre em dupla com Sidney Cesarini. A melhor colocação foi o 14º lugar em 1958, com 148 voltas completadas (foi 22º em 1957, com 160 voltas).


No grid da prova de 1958

Disputando uma curva com o DKW de Christian "Bino" Heins, na edição de 1959