"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Série Nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte IX: Felipe Maluhy


A série sobre os pilotos da Stock Car chega à nona parte, trazendo a retrospectiva da carreira de um piloto que já foi postulante ao título em mais de uma ocasião. Trata-se do paulista Luis Felipe Klinkert Maluhy. Ou simplesmente, Felipe Maluhy.

Nascido em 20 de julho de 1977, Felipe estreou no automobilismo no ano de 1997, na extinta Fórmula Chevrolet, após boas participações no Kart. Em 1998, seguiu o caminho da grande maioria dos pilotos brasileiros, indo buscar seu espaço em categorias europeias, como a Fórmula Palmer Audi, onde se destacou sendo o melhor estrangeiro, ao terminar no 8º lugar no campeonato.

Mas sua estreia pela Stock ocorreu em 2001, quando passou a dividir os boxes da então Scuderia América Online (posteriormente Scuderia 111) com Nonô Figueiredo, mas especificamente na 5ª etapa daquela temporada, a fatídica corrida disputada em Brasília na qual o piloto Laércio Justino faleceu após bater contra um guincho na entrada da reta dos boxes. Apesar do clima triste e de ser uma estreia, Felipe conseguiu fazer um bom treino, ao conquistar a 11ª posição no grid. Na corrida, enfrentou problemas, tendo que abandonar faltando 7 voltas para o final. Ainda disputou mais algumas corridas naquele ano, e chegou a marcar 1 ponto, com o 10º lugar obtido na etapa disputada em São Paulo. Posteriormente, foi substituído por Gualter Salles, que voltava a Stock após disputar provas na antiga Fórmula Mundial (ex-Cart).

Ausente em 2002, Felipe voltou a disputar um corrida na Stock em 2003, quando substituiu David Muffato (que se sagraria campeão daquele ano) na 6ª etapa, disputada em Interlagos. Na ocasião Muffato havia recebido uma suspensão de 02 corridas pelo entrevero que tivera com Pedro Gomes na etapa de Londrina, mas posteriormente sua pena foi reduzida para 01 corrida. Felipe chegou a liderar o último treino livre, e na classificatória foi o 7º melhor colocado, à frente até mesmo do companheiro de equipe (Repsol-Boettger) Raul Boesel, que largou em 14º. Entretanto, na corrida, ficou fora dos 15 primeiros colocados.

A sua próxima participação ocorreu na 6ª etapa de 2004, disputada em Interlagos, quando substituiu Valdeno Brito na vaga da equipe Nascar Competições, de Aluísio Andrade Filho, haja vista que Valdeno estava brigando pelo título da Fórmula 3 Sulamericana, e resolveu concentrar seus esforços na categoria. A volta de Felipe começou muito bem, pois logo de cara conquistou a pole position. No entanto, acabou sendo excluído da corrida após ser considerado culpado pelo acidente que alijou Adalberto Jardim da disputa. Mas a temporada 2004 também lhe reservou bons momentos, pois chegou ao pódio 02 vezes, com os terceiros lugares em Curitiba (7ª et) e Interlagos (12ª et). No final, terminou o campeonato na 14ª posição, com 49 pontos, mesmo tendo participado apenas de 07 etapas.

2005 foi o primeiro ano em que Felipe disputou uma temporada completa da Stock, desta vez pela equipe Terra - Avallone, à bordo do estreante Mitsubishi Lancer, sendo companheiro de equipe do também estreante Christian Fittipaldi. O melhor resultado daquela temporada foi o 3º lugar obtido na 3ª etapa, disputada no saudoso Jacarepaguá. No final, marcou 43 pontos, terminando na 18ª posição da classificação final.

Em 2006 repetiu a parceria com a equipe Terra - Avallone e com Fittipaldi, e o início da temporada foi promissor, assim como o restante dela. Na 1ª etapa, disputada em Interlagos, conquistou a pole position, e terminou a corrida na 4ª posição. Ainda conquistaria a pole em mais 02 oportunidades: na 10ª etapa, disputada na Argentina (foi o 2º colocado na corrida) e na 12ª etapa, disputada em Interlagos. Esta temporada marcou também a estreia do Play-off (uma imitação mal sucedida do sistema de disputa da Nascar), e Felipe terminou na 4ª posição, sendo que chegou à última etapa com reais chances de ser campeão.

No ano seguinte teve uma temporada de resultados um pouco mais discretos, mas sempre mantendo a constância, que o levou a se classificar novamente para o Play-off e terminar o campeonato na 4ª posição. Naquele ano, o resultado mais destacado foi o 2º lugar conquistado na 1ª etapa, disputada em Interlagos.

Já 2008 foi um ano repleto de problemas, que o impediram de conquistar bons resultados, tendo em vista que marcou apenas 24 pontos. Nesta temporada, seu companheiro de equipe foi o então vice-campeão da categoria, Rodrigo Sperafico. O melhor resultado daquele ano não foi obtido na Stock, mas sim na TC 2000 Argentina, com o 4º lugar nos 200 km de Buenos Aires, em dupla com o veterano Guillermo Ortelli em um Renault Megane. Outro episódio de destaque foi o acidente em que se envolveu com Norberto Gresse, na última etapa daquele ano, quando o carro de Gresse sofreu um grave incêndio.

O ano de 2009 marcou o início de várias mudanças na Stock, inclusive nos bólidos utilizados, com a substituição do antigo projeto de 2000 pelo modelo que até hoje disputa a categoria, fabricado pela empresa de Zeca Giaffone. E mudou também o patrocínio da equipe Avallone, que desde 2004 era patrocinada pelo Portal Terra. O ano para Felipe foi mais discreto ainda, pois marcou apenas 14 pontos, tendo como melhor resultado o 6º lugar obtido na etapa de Salvador, que fazia sua estreia na categoria.

A temporada 2010 foi marcada pela 1ª vitória de Felipe na Stock, obtida na 4ª etapa, disputada no então agonizante Jacarepaguá. À bordo do Vectra da equipe Officer Pro GP, de Duda Pamplona, Felipe ultrapassou o pole Allan Khodair na 12ª volta, assumindo a liderança, que seria perdida na 27ª para Átila Abreu. Entretanto, numa manobra ousada, Felipe recuperou a liderança pouco depois para não mais perdê-la, e recebeu a bandeira quadriculada antes de todos pela 1ª vez na categoria. Pela terceira vez se classificou para o Play-off, terminando o campeonato na 6ª colocação, com 230 pontos.

No ano seguinte, repetiu a parceria com a equipe de Pamplona, e teve como melhores resultados 02 quartos lugares, obtidos nas etapas disputada no Velopark/RS. 2011 também marcou o fim do Play-off, e Felipe terminou a temporada na 11ª posição, com 65 pontos marcados.

O ano anterior foi a última temporada completa do piloto na Stock, pois em 2012 não conseguiu fechar com nenhuma equipe para a temporada completa. Mas, às vésperas da 1ª etapa, terminou acertando com a equipe Bassani Racing, de Eduardo Bassani, pelas 02 primeiras corridas. Cumprido o acordo, ele só voltaria a correr na 7ª etapa, pela equipe Full Time, em virtude da suspensão sofrida por Marcos Gomes. A volta durou até a 9ª etapa, quando foi substituído por Rubens Barrichello, que fazia sua estreia na categoria, após disputar a temporada da Fórmula Indy. Assim, em 05 corridas, Felipe ainda chegou a marcar 28 pontos.

Ausente em 2013, o piloto voltaria a ocupar um cockpit da Stock em 2014, na 1ª etapa da temporada, que seria disputada no formato de duplas. Na ocasião, dividiu um dos bólidos da equipe Hot Car com Raphael Matos, terminando num discreto 17º lugar. Infelizmente, Felipe não voltaria mais a disputar uma corrida naquela temporada.

A última participação do piloto ocorreu na 1ª etapa deste ano, disputada em Goiânia, novamente na corrida de duplas. Mas desta vez Felipe não era o convidado, e sim o titular da equipe Pro GP, de Duda Pamplona. Na ocasião, o convidado foi o ex-Stock Xandynho Negrão, que não chegou a pilotar, pois o bólido apresentou problemas de motor ainda nas primeiras voltas.


2005

2006

2007

2008

2008

Durante o incrível acidente em que se envolveu com Norberto Gresse, na última etapa de 2008.

2009

2009

Comemorando a vitória em Jacarepaguá - 2010

Carros da Bassani, em 2012

Correndo pela Full Time, no fim de 2012

Na corrida de duplas de 2014, com Rapha Matos

Durante os treinos coletivos da pré-temporada, em Curitiba/2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

Néstor Girolami e a Stock Car


Na última semana, o piloto argentino Néstor Girolami confirmou sua participação na 12ª e última etapa deste ano da Stock Car, no lugar do suspenso Rafa Mattos. Mais ainda, Girolami confirmou também que vai ser o titular do mesmo cockpit na próxima temporada, sendo companheiro de equipe de Vitor Genz (ex-Boettger e Gramacho) na Carlos Alves Competições.
 
Girolami, apesar de ser relativamente jovem, possui várias participações nas maiores categorias do automobilismo argentino, tais como Fórmula Renault, Top Race, TC 2000, Súper TC 2000, Turismo Nacional, TC Pista e Turismo Carretera, sendo que sua maior conquista foi o título do ano passado da Súper TC 2000. É sem dúvidas um dos grande nomes da nova geração do automobilismo hermano.

Assim como falei no mês passado acerca da participação do seu compatriota Mauro Giallombardo, vislumbro que o ingresso dos pilotos argentinos na Stock pode representar uma oportunidade de maior interação entre o Brasil e Argentina, o que pode gerar benefícios para ambos os lados, tendo em vista que o esporte a motor em ambos os países é muito forte, mas cada um possui seus pontos deficientes, os quais, mediante este verdadeiro intercâmbio, podem ser melhorados. Uma prova disso é a tecnologia empregada em nossos bólidos de corrida, que em muitas categorias se revela superior aos bólidos argentinos. Outro ponto de disparidade diz respeito aos autódromos. Enquanto nós possuímos poucas praças para a prática do esporte, e a cada dia busca-se acabar com elas (leia-se Jacarepaguá, Brasília e Curitiba), lá são inúmeros os autódromos, espalhados pelo país. É certo que em muitos as condições de segurança deixam a desejar, mas esse é um ponto que pode ser corrigido utilizando-se exemplos nacionais como Interlagos e Curitiba.

Enfim, sem mais delongas, é interessante ver pilotos de outros países participando da categoria mais forte de nosso automobilismo, assim como é igualmente interessante ver nossos pilotos disputando campeonatos no mundo inteiro, o que proporciona uma grande troca de experiências e aprendizado, fazendo que o nível das competições se eleve e fortaleça esse esporte tão fascinante que é o automobilismo.

Foto: Rodrigo Berton/Grande Premio



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Protótipo Minelli-Ferrari


O post de hoje é sobre o Protótipo Minelli - Ferrari, bólido de corrida construído pela Minelli Car, tradicional empresa fabricante de peças e carros de corrida. O protótipo em questão era equipado com a mecânica de uma Ferrari 348 destruída em um acidente de rua, e fez sua primeira participação em uma Mil Milhas no ano de 1996, quando largou entre os 10 primeiros, mas abandonou a prova logo no início.

A segunda participação ocorreu no retorno da prova a Interlagos, em 1998. Na ocasião, o carro foi conduzido pela dupla Waldir Antonio da Silva / Christian Conde, tendo largado na 12ª posição com o tempo de 1min50s516. A participação na prova novamente foi curta, haja vista que a disputa terminou para o bólido com 14 voltas completadas, ficando em penúltimo lugar entre os 39 carros que largaram. Infelizmente, não possuo mais informações sobre esse carro.

Disputando a prova em 1998

Na parte de cima da foto, no meio dos Aldee's RTT - 1996

 Fonte: Arquivo pessoal de Napoleão Ribeiro (muito obrigado mais uma vez Napoleão!)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Trofeo Maserati: O início das categorias de supercarros no Brasil


Até 2004, as categorias de turismo no Brasil, em sua maioria, só haviam utilizado modelos populares (Brasileiro de Marcas e Pilotos) ou alguns sedãs mais requintados (Omega na Stock Car e os V8 da antiga Turismo 5000). Eram raras as exceções, e entre elas podemos citar a saudosa Pick-up Racing, que utilizava modelos S-10, Ranger, Dakota e posteriormente, Agrale Marruá (2007), em sua primeira fase (2001 - 2007).

Então, em 2003 foi anunciada a criação de uma categoria monomarca de carros esportivos, batizada de Trofeo Maserati, cuja organização ficou sob a responsabilidade do Maserati Club Corsa, cujo Diretor Esportivo na época era o tricampeão da Stock e ex-F1, Chico Serra. O modelo utilizado foi o Maserati Coupé, esportivo italiano lançado em 2001 e produzido até 2007. A ficha técnica resumida do bólido era a seguinte:

Motor:
8 cilindros em v a 90º
Peso do motor 184 kg (405 lbs)
Cilindrada total 4244cc
Taxa de compressão 11,1:1
Potência Máxima 413 cv
Regime de potência 7600 giros/min
Torque Máximo 460 nm (47 kgm)

Desempenho:
Velocidade máxima 285 km/h ( > 7600 giros/min)
Velocidade em marcha:
1ª - 72 km/h
2ª - 110 km/h
3ª - 147 km/h
4ª - 187 km/h
5ª - 230 km/h
6ª - 285 km/h
em mr - 93 km/h

Dimensões:
Comprimento: 4523 mm
Largura: 1822 mm
Altura: 1305 mm
Distância entre eixos: 2660 mm
Distância eixos dianteiro: 1525 mm
Distância eixos traseiros: 1538 mm
Peso a seco: 1370 kg
Capacidade Tanque: 100 litros

A categoria foi apresentada em um evento/demonstração realizado no Autódromo de Interlagos, no fim do mês de maio de 2004, sendo que inicialmente foram importadas 30 unidades do bólido, das quais 5 ficariam na reserva, tendo em vista que o grid era limitado em 25 carros. Na oportunidade, foi divulgado o seguinte calendário de provas:

1ª etapa - 04/07/2004 - Autódromo Internacional de Curitiba - Pinhais - PR
2ª etapa - 24/07/2004 - Autódromo Internacional José Carlos Pace - São Paulo - SP
3ª etapa - 08/08/2004 - Autódromo Internacional Nelson Piquet - Rio de Janeiro - RJ
4ª etapa - 29/08/2004 - Autódromo Internacional de Curitiba - Pinhais - PR
5ª etapa - 26/09/2004 - Autódromo Internacional Nelson Piquet - Rio de Janeiro - RJ
6ª etapa - 24/10/2004 - Autódromo Internacional José Carlos Pace - São Paulo - SP

Na prova de exibição, a vitória ficou com o jovem Orlando "Lico" Kaesemodel, que completou as 14 voltas da prova com a vantagem mínima de menos de 1 segundo para o experiente Paulo de Tarso Marques. Outros nomes importantes também fizeram parte daquele grid, como Wilson Fittipaldi Jr., Luiz Pereira, Nabil Khodair e Constantino Jr. Estavam presentes também Daniel Serra, que na época disputava a extinta Fórmula Renault Brasil, e Rafael Derani. Naquele mesmo ano, a categoria também atraiu a atenção de outros pilotos experientes, como Fábio Sotto Mayor e Antônio Hermann, que disputaram algumas provas. Ao fim do campeonato, o título ficou com Lico Kaesemodel (vencedor de 03 corridas), após disputa ferrenha com Paulo de Tarso, com direito a toques e entreveros entre os pilotos. Em virtude de algumas punições sofridas por Marques, o vice-campeonato ficou com Antônio Hermann. Um momento de grande destaque foi a última etapa, disputada como preliminar do GP Brasil de F1, a qual foi televisionada pela emissora oficial da F1 no Brasil, um grande marco na época, haja vista que as provas não tinham transmissão pela tv, e transmissão ao vivo pela internet era tema de ficção naquele tempo. Após o término da temporada, Kaesemodel passou a disputar a Stock Light, passando para a categoria principal em 2007. Na temporada de estreia, foram 24 pilotos brasileiros a disputar a categoria e 1 convidado, o italiano Carlo Romani, que ainda marcou 1 ponto.

Em 2005, outros pilotos de longa trajetória no automobilismo aderiram à categoria, tais como: Alencar Jr., Paulo Gomes, Eduardo Souza Ramos, Clemente Lunardi e João Adibe Marques. Ao todo, foram 23 pilotos que disputaram ao menos uma prova naquele ano. Na segunda temporada, o título ficou com João Adibe, que sagrou-se campeão na última etapa, com 03 vitórias, terminando com 6 pontos de vantagem para Alencar Jr., que também obteve 03 vitórias e voltava às pistas após 14 anos de aposentadoria. Cabe ressaltar também o feito obtido por Alencar, pois, ao final do campeonato brasileiro, foi disputado em Jacarepaguá o campeonato mundial, reunindo os campeões e vices do Brasil e da Europa, além de outros pilotos convidados, sendo que Alencar Jr. levou o título, após obter 02 segundos lugares nas 02 baterias disputadas.

Antes do início da temporada 2006, um exemplar Maserati Coupé disputou a Mil Milhas Brasileiras, sob o comando do trio Chico Longo/Daniel Serra/João Adibe. Entretanto, o modelo em questão tratava-se de um Coupé Light, que era 215 quilos mais leve e 17 cavalos (430 no total) mais potente que o Maserati Trofeo. Na classificação, a marca obtida foi de 1min41s762, suficiente para alcançar a 15ª posição. A corrida não foi tão longa, pois o Maserati completou apenas 101 voltas, tendo que abandonar a prova após a quebra da roda e suspensão traseira direita, causada pelo estouro do pneu. Ao fim, terminou na 25ª posição, num grid de 29 carros.

Em 2006, a categoria contou com o apoio da transmissão ao vivo da Rede TV, que transmitiu a 1ª e a última etapa ao vivo, sendo que as demais foram exibidas em VT nos fins de semana subsequentes às disputas, dentro do antigo programa ´Grid Motor´ do canal fechado SporTV. O calendário daquele ano foi o seguinte:

26 de Março -Interlagos (SP)
23 de Abril - Curitiba (PR)
07 de maio – Brasília/ DF
11 de Junho – Santa Cruz do Sul (RS)
30 de Julho - Londrina (PR)
27 de Agosto – Jacarepaguá (RJ)
17 de Setembro – Tarumã (RS)
22 de Outubro – Interlagos (como parte da programação do GP Brasil de F1)
26 de Novembro – Curitiba (anel externo)
17 de Dezembro – Interlagos (SP)

Algumas equipes tradicionais também participaram da categoria, tais como:

Action Power (Paulo de Tarso Marques)
Carrera Racing (Luís Carreira)
CRT Competições Esportivas
Hot Car Competições (Amadeu Rodrigues)
JF Racing (Jorge de Freitas)
Katalogo Racing (Fernando Parra)
Paioli Racing (Marcos Paioli)
Scuderia 111 (Carlos Chiarelli)

Neste ano, quem participou de algumas etapas foi o então Stock Car Guto Negrão, que das 08 corridas que participou, venceu 05. Mas o título terminou nas mãos do goiano Alencar Jr., que terminou o campeonato com a larga vantagem de mais de 100 pontos em relação a Rafael Derani.

Nos anos seguintes, foram campeões:

Renato Cattalini em 2007
Rafael Derani em 2008
Cléber Faria em 2009

É de grande importância destacar a participação das Maseratis na última edição da Mil Milhas, disputada em novembro de 2008. A Maserati nº 105, pilotada por Cleber Faria/Vanuê Faria/Leonardo Vital, terminou no 3º lugar, com 342 voltas, ou seja, 26 atrás do Porsche vencedor, já que foram completadas apenas 368 voltas por conta da limitação do tempo de corrida em 11 horas. Já as outras duas Maseratis enfrentaram vários problemas, que comprometeram o desempenho na prova:

nº 114 - pilotada pelo trio Pedro Queirolo/Marcelo Sant'Anna/Christian Del Rey, terminou na 22ª e penúltima posição, depois de ter completado somente 26 voltas.

nº 14 - pilotada por Valter Rosette/Rafael Derani/Clemente Lunardi/Fábio Greco, terminou na 9ª posição, com 283 voltas completadas, tendo abandonado após um acidente ocorrido no S do Senna.

Para 2010, a categoria das Maseratis uniu-se ao então forte campeonato de GT Brasil, onde os bólidos passaram a formar a categoria GT4, como forma de mantê-los em atividade. Com o tempo, a presença das Maseratis Coupé nas pistas foi diminuindo, pois há que se levar em conta que eram bólidos que disputavam provas desde 2004, além do fato de que era um modelo que já tinha saído de linha na Europa há um bom tempo, dando lugar para o Maserati GT, em meados de 2007. Até 2011 alguns Coupés ainda largavam no GT Brasil, sendo que até hoje ainda é possível ver alguns exemplares disputando provas de Endurance no Sul do Brasil.

Enfim, podemos considerar o Trofeo Maserati como a 1ª categoria de esportivos modernos, inaugurando a tendência de trazer carros GT para o Brasil, algo que teve seu ápice por volta de 2009 a 2012, e que infelizmente terminou após a polêmica final do campeonato GT Brasil daquele ano, disputada em Interlagos. Mas a verdade é que tanto o GT Brasil (final de 2007) como o Porsche GT3 Cup (2005), vieram no vácuo criado pelo Trofeo Maserati.













domingo, 8 de novembro de 2015

Mauro Giallombardo e sua participação na Stock Car


Terminada a penúltima etapa da Stock Car, disputada em Tarumã, fica mais um registro na história da categoria, quanto à participação de pilotos estrangeiros. Dessa vez, o responsável pela marca não se trata de um estreante, mas de um piloto já conhecido no grid e que tem tudo para conquistar uma vaga para o ano que vem. Trata-se do Argentino Mauro Giallombardo, que terminou a primeira prova na 19ª posição e a segunda na 11ª posição, marcando seus primeiros pontos na segunda das duas etapas em que participou (Curitiba e Tarumã), guiando o carro da Hot Car que pertencia a Fábio Fogaça. Infelizmente não será possível tê-lo no grid da última etapa, em virtude de compromissos com a categoria Turismo Carretera, em seu país natal. A primeira participação do Argentino ocorreu na corrida de duplas do ano passado, ocasião em que dividiu a condução do Peugeot 408 da equipe Carlos Alves com o titular Marcos Gomes, alcançando a 3ª posição no final.

Mauro é um jovem piloto de grande talento, que alcançou um feito digno de grandes nomes na Turismo Carretera. Em duas temporadas na TC Mouras (2007 e 2008), foi campeão na segunda após alcançar 09 vitórias e outros 02 pódios. No degrau seguinte, a TC Pista, correu nos anos de 2009 e 2010, sagrando-se campeão neste último ano. Em 2011, veio a estreia em "La Máxima", como é chamada a categoria Turismo Carretera. E novamente Mauro manteve a escrita de ser campeão em seu segundo ano de categoria, ao vencer o campeonato em 2012, ingressando no rol que inclui nomes como Juan Manuel Fangio, Oscar e Juan Gálvez e Guillermo Ortelli.

Fora a trajetória nas classes da TC, Mauro possui participações em categoria como Fórmula Renault, Turismo Nacional Classe 3, Top Race V6, Super TC 2000 e TC 2000, na qual se sagrou vencedor em 2010 e 2014 da tradicional corrida 200 Km de Buenos Aires, disputada em duplas.
Sem dúvida alguma será um grande ganho para ambas as partes se Giallombardo acertar com alguma equipe para o ano que vem, proporcionando maior contato entre Brasil e Argentina - sem aquela rivalidade boba do futebol - no automobilismo, que se iniciou com as inúmeras participações de Cacá Bueno em corridas portenhas. Parabéns Mauro, seja bem vindo!




Fotos: Vanderley Soares


domingo, 1 de novembro de 2015

Opala Biturbo Nitro de César Degreas: Uma verdadeira lenda da arrancada brasileira


O post de hoje é dedicado a falar um pouco sobre um dos carros que podem ser considerados lendas da arrancada no Brasil. Estamos falamos do Opala Biturbo Nitro de César Degreas, carro que assombrou a concorrência entre a metade da década de 90 e 2006.

O Opala em questão trata-se de um exemplar ano 1981, carroceria coupê, que teve vários pontos da carroceria aliviados, como por exemplo, a substituição do capô, para-lamas dianteiros e para-choque por uma peça única, em fibra de vidro, como forma de diminuir o peso e aumentar o desempenho. Mas a característica mais marcante do bólido era mesmo o motor seis cilindros equipado com duas turbinas .70 (expostas no capô), além de injeção de nitro, o que lhe garantia 1.050 cv com 2,8 kg de pressão. Toda essa potência era "domada" por um câmbio automático powerglide, com 02 (duas) marchas, aliado ao cardã original (!!!) encurtado. No motor, o virabrequim era original, somente balanceado e aliviado no peso, com pistões e bielas forjadas. Numa ficha técnica resumida, podemos descrever alguns itens do Opala da seguinte forma:

Motor: GM seis cilindros em linha 4.1
Alimentação: carburador Holley Quadrijet 950 cfm
Comando de válvulas, balanceiros e tuchos roletados
Transmissão: câmbio automático de 02 marchas
Freios: discos sólidos na dianteira, sem o sistema na traseira, somente auxiliado por um pára-quedas
Pneus Hoosier com rodas Weld aro 15

Depois de disputar provas em Interlagos desde 1996, o Opala ficou guardado por alguns anos, até retornar na 3ª etapa do campeonato paulista de 2003. Nesse meio tempo, mais precisamente em outubro de 1998, durante o 2º Festival Brasil x EUA de Arrancada, o Opala sofreu sérias avarias após bater no muro, depois de um burnout, o que impossibilitou sua participação no festival brasileiro em dezembro daquele ano. A volta não poderia ter sido melhor: vitória na categoria TTN (Tração Traseira Nitro). Naquele ano, César e seu Opala foram campeões nas categorias Força Livre e TTN do Paulista de Arrancada, e ainda, levou o título do Festival Força Livre de Arrancada, na categoria Estruturada. No ano seguinte, também foi campeão do Festival, só que dessa vez na categoria Pro Mod.

A despedida do Opalão se deu em maio de 2006, durante a 2ª etapa do Paulista. Depois de tantos anos competindo, a estrutura do carro já apresentava sinais de fadiga e desgaste, ao contrário do motorzão GM 6 cil, que esbanjava potência. Então, Degreas anunciou que aquela era a última prova do bólido, cuja mecânica foi transferida para o Dragster Light que acabara de construir. Mas a despedida foi em grande estilo, pois faturou a categoria Força Livre com a marca de 6,208 s no percurso de 201 m, tempo que seria o seu recorde definitivo. Na última puxada da prova, o Opala acabou tendo problemas, forçando Degreas a abortá-la. No entanto, o que se viu nas arquibancadas não foram os habituais xingamentos ou provocações do público naquela época, mas sim o respeito e admiração do público pelo carro e piloto - uma das figuras mais simpáticas da arrancada -, que aplaudiu de pé a ambos.

Como foi dito, a mecânica do Opala foi transferida para um Dragster, enquanto a carroceria estava à venda até pouco tempo no site www.autodynamics.com.br. E assim, o Opala de César Degreas gravou seu nome na história da arrancada, por tantos anos de disputas na pista, vários títulos, recordes quebrados e pela incrível potência do Chevy 6 cilindros, auxiliado por duas enormes turbinas que rasgavam o capô, dando um visual ainda mais forte ao bólido.









domingo, 18 de outubro de 2015

Vencedores das Mil Milhas - 1988


Em 1988 Zeca Giaffone completava sua 7ª Mil Milhas, marca essa coroada com a vitória (4ª no total) na prova realizada em janeiro daquele ano. Como seu parceiro Walter Travaglini havia quebrado o braço em um acidente sofrido durante uma corrida do Brasileiro de Marcas, Zeca convidou o rápido e experiente Luís Alberto Pereira para formar dupla com ele, já que ele conhecia muito de Stock Car e assim, seria o parceiro ideal para tocar o Opala "Hidroplás" (carenado).

A dupla manteve uma tocada segura e econômica durante a prova, como forma de preservar o equipamento. Mas isso não garantiu que a equipe, chefiada por Travaglini, não tivesse problemas. Nas voltas finais da prova, o carro simplesmente não tinha freios dianteiros, pois a chapa das pastilhas chegaram a se fundir com os discos! Depois da corrida, Zeca atribuiu o problema ao alto desgaste causado pelo uso do servofreio, novidade naquele ano. Porém, mesmo com os problemas com os freios, a equipe decidiu pela permanência do carro na pista, sendo que para isso foi necessário reduzir o ritmo de corrida. Em que pese o ritmo mais lento, a dupla Zeca e Luís Pereira ganhou a prova com uma confortável vantagem de 3 voltas para o segundo colocado, o Opala Hot Car de Amadeu Rodrigues/Carlos Alves/Reginaldo Calabró.



sábado, 3 de outubro de 2015

Campeonato Paulista de Automobilismo e suas diferentes categorias


Desde a inauguração de Interlagos, em 1940, que as corridas regionais de São Paulo movimentam o autódromo em vários fins de semana ao longo do ano. Durante todos esses anos, foram inúmeras as categorias que estrearam e se despediram no palco máximo do automobilismo brasileiro, constando nessa lista categorias de Fórmula, como Fórmula Ford Paulista, Fórmula Vê, Fórmula São Paulo, entre outras, e as inúmeras categorias de Turismo, como a CTC Pick-up (antiga DTM), Corsa Metrocar, Turismo 5000, Marcas e Pilotos, Força Livre, Stock Paulista e Speed 1600. Tal diversidade deveria ser considerada como um sinal de riqueza das competições, tendo em vistas que dão aos pilotos um grande leque de oportunidades e possibilidades de disputar uma categoria, num autódromo de nível internacional.

Entretanto, essa não é a realidade, pois há longos anos que o paulista de automobilismo sofre com a falta de apoio e divulgação, o que se reflete na "regra" das arquibancadas vazias durante essas provas. Outro ponto de descaso com os profissionais envolvidos, são os constantes fechamentos do autódromo para reformas, sempre em decorrência das exigências da F1. Neste ponto, abro uma parêntese para esclarecer que em momento algum estou a criticar ou minimizar a influência da F1 no circuito, pois como sabemos, a categoria é de suma importância para a manutenção e sobrevivência de Interlagos, levando em consideração os recursos que são movimentados em função do GP Brasil. No entanto, não se pode relegar a segundo plano a situação de tantos pilotos e equipes que sobrevivem das corridas locais. Nestes 75 anos de história, em muitos momentos foi o automobilismo local que manteve vivo o espírito do esporte a motor, nos momentos em que o cenário internacional não era dos melhores. Basta lembrar da época em que a F1 foi para o Rio de Janeiro, foi graças às categorias nacionais e ao automobilismo de São Paulo que Interlagos não foi loteado e vendido para interessados da construção civil. E hoje, após vários meses, a pista permanece fechada, paralisando as atividades de várias categorias locais. Logicamente que numa reforma em que há o recapeamento do traçado, seria burrice falar em liberação da pista. Mas sabemos que as obras deste ano estão concentradas na parte de apoio, sobretudo nos boxes e paddock. Será que não seria possível manter as corridas, até onde fosse possível? E não seria possível disputar as provas fazendo uso de estruturas de apoio provisórias, a serem montadas na parte do circuito antigo? Pois bem, acredito que esses questionamentos têm sido uma constante na vida das equipes e pilotos durante esse ano.

Como nem tudo é tristeza, aproveito esse momento para fazer uma retrospectiva fotográfica da história das categorias do paulista de automobilismo, como uma forma de mostrar a riqueza e diversidade que infelizmente não são devidamente valorizadas.