"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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quarta-feira, 6 de maio de 2026

A tríplice coroa do endurance brasileiro (?)

Quando falamos do endurance internacional, logo nos remetemos às tradicionais provas das 12 Horas de Sebring, 24 Horas de Daytona e a maior de todas, as 24 Horas de Le Mans. São provas com décadas de tradição, com exceção de Le Mans, que já possui uma história centenária (disputada desde o ano de 1923, com exceção de 1936 e do período de 1940 - 1948, em virtude da greve dos trabalhadores durante a Grande Depressão, e da 2ª Guerra Mundial, respectivamente), cuja importância as coloca como as três maiores competições de longa duração do esporte a motor.

Por isso, os vencedores das três provas (na classificação geral) são considerados detentores da Tríplice Coroa do Endurance, título não oficial que atualmente é atribuído a 11 (onze) pilotos. São eles:

1. Hans Herrmann: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1960 e 1968, 24 Horas de Daytona em 1968 e das 24 Horas de Le Mans em 1970, quando se aposentou das pistas.

2. Jackie Oliver: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1969, 24 Horas de Daytona em 1971 e das 24 Horas de Le Mans em 1969.

3. Jacky Ickx: Belga, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1969 e 1972, 24 Horas de Daytona em 1972 e das 24 Horas de Le Mans em 1969, 1975, 1976, 1977, 1981 e 1982.

4. Hurley Haywood: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1973 e 1981, 24 Horas de Daytona em 1973, 1975, 1977, 1979 e 1991) e das 24 Horas de Le Mans em 1977, 1983 e 1994.

5. A. J. Foyt: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1985, 24 Horas de Daytona em 1983 e 1985) e das 24 Horas de Le Mans em 1967.

6. Alvah "AL" Holbert: Norte-americano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1976 e 1981, 24 Horas de Daytona em 1986 e 1987) e das 24 Horas de Le Mans em 1983, 1986 e 1987.

7. Andy Wallace: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1992 e 1993, 24 Horas de Daytona em 1990, 1997 e 1999 e das 24 Horas de Le Mans em 1988.

8. Mauro Baldi: Italiano, vencedor das 12 Horas de Sebring em 1998, 24 Horas de Daytona em 1998 e das 24 Horas de Le Mans em 1994.

9. Marco Werner: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2003, 2005 e 2007, 24 Horas de Daytona em 1995 e das 24 Horas de Le Mans em 2005, 2006 e 2007.

10. Timo Bernhard: Alemão, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2008, 24 Horas de Daytona em 2003 e das 24 Horas de Le Mans em 2010 e 2017.

11. Nick Tandy: Inglês, vencedor das 12 Horas de Sebring em 2018, 2019 e 2020, 24 Horas de Daytona em 2025 e das 24 Horas de Le Mans em 2015.

Como visto, infelizmente ainda não possuímos pilotos brasileiros nesta lista, embora tenhamos vários nomes com vitórias nas 12 Horas de Sebring e nas 24 Horas de Daytona, com destaque para Pipo Derani e Felipe Nasr, os quais possuem reais chances de obter a tão sonhada vitória na classificação geral das 24 Horas de Le Mans.

Mas e no endurance brasileiro? Temos uma tríplice coroa nas corridas de longa duração? A resposta infelizmente é não, visto que não há nos registros do esporte a motor a instituição, ainda que informal, dessa honraria. Porém, e se pudéssemos fazer um ranking dos vencedores das mais tradicionais provas do endurance nacional, com o objetivo de atribuir esse posto? É sobre este ponto que vamos falar agora.

Confesso a vocês que o aspecto mais difícil nesta missão é estabelecer, de forma equitativa, quais provas formariam a chamada tríplice coroa do endurance nacional. Isto porque, sem entrar no mérito de cada uma das provas disputadas no Brasil ao longo dos anos, muitas delas foram disputadas em um período de tempo limitado, ou sofreram com hiatos mais ou menos longos no decorrer da história.

Diante disso, e em virtude da ausência de disputas em um determinado período, pilotos que teriam chance de vencer algumas dessas provas ficaram impossibilitados de fazê-lo, o que por si só já dificulta estabelecer um critério mais justo e objetivo.

Entretanto, mesmo diante destes obstáculos, poderíamos citar como mais significativas as seguintes corridas:

1. 1000 Milhas Brasileiras: Disputada desde 1956, com algumas interrupções neste período (as maiores nos períodos de 1974 a 1980 e de 2009 a 2019), é a prova mais tradicional do automobilismo brasileiro, com 43 edições realizadas;

2. 500 Km de Interlagos/São Paulo: Disputada desde 1957, também com interrupções neste período (a maior entre 1983 e 1996), passou por alguns formatos ao longo dos anos (inicialmente era disputada apenas no anel externo de Interlagos). A partir de 1997, a corrida fora realizada no circuito completo, e entre 2014 e 2017, foi disputada no Autódromo Velo-Cittá, em Mogi Guaçu;

3. 25 Horas de Interlagos: Realizada apenas entre os anos de 1973 e 1975;

4. 24 Horas de Interlagos: Disputada nos anos de 1960, 1961, 1966 e 1970;

5. 12 Horas de Tarumã/Porto Alegre: Disputada desde 1962, com algumas interrupções neste período (a maior entre os anos de 1977 a 1983). As três primeiras edições (1962, 1963 e 1968) foram realizadas em circuito de rua na capital gaúcha, enquanto que nos anos de 1984, 1992 e 2022, o autódromo de Guaporé sediou a corrida;

6. 1000 km de Brasília: Disputada pela primeira vez em 1962, inicialmente nas ruas da recém-inaugurada capital do Brasil, sendo que a partir de 1974, foi realizada no Autódromo Internacional de Brasília/Nelson Piquet. A prova teve várias interrupções, enquanto que a última edição foi realizada no ano de 2005, totalizando 22 (vinte e duas) edições.

Diante desta subjetividade, estabelecemos que o mais próximo de um critério objetivo e equânime (muito longe de ser a útima palavra sobre o assunto), seria considerar nesta lista apenas pilotos que venceram pelo menos três das corridas listadas acima, sobretudo em circuitos diferentes. Apesar de termos deixados grandes nomes de fora da relação (pois não se enquadravam nesse critério), é certo que vencer pelo menos uma edição das maiores provas de longa duração de nosso automobilismo, não é um feito fácil de se obter.

E nossa apuração ficou da seguinte forma:

1. Paulo de Mello Gomes

- 1000 km de Brasília de 1974 (Ford Maverick, com Antônio Castro Prado), 1976 (Ford Maverick, com Bob Sharp), 1980 e 1981 (ambas em um Chevrolet Opala Stock Car, com João Carlos "Capeta" Palhares).

- 12 Horas de Tarumã de 1975 (Ford Maverick Divisão 1 nº 22, com José Carlos Pace)

- 25 Horas de Interlagos de 1975 (Ford Maverick Divisão 1 nº 22, com José Carlos Pace e Bob Sharp).

- 500 km de Interlagos de 2003 (Mercedes Benz CLK DTM nº 25, em trio com Pedro Gomes e Alcides Diniz).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1985 (Chevrolet Opala Stock Car nº 12, em dupla com Fábio Sotto Mayor).


1000 km DF - 1981



1000 km DF - 1980


500 km de Interlagos - 2003


1000 Milhas Brasileiras - 1985



2. Wilson Fittipaldi Júnior

- 1000 km de Brasília de 1967 (Karmann Ghia Porsche 2.0, com José Carlos Pace).

- 12 Horas de Porto Alegre de 1968 (Volkswagen Fusca nº 7, com Emerson Fittipaldi).

- 25 Horas de Interlagos de 1974 (Chevrolet Opala nº 9, com Ingo Hoffmann e Reinaldo Campello).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1994 (Porsche 911 RSR GT Le Mans n° 7 com Christian Fittipaldi) e de 1995 (Porsche 993 nº 1 em trio com Antonio Hermann e Franz Konrad).


1.000 km de Brasília 1967 - os três Karmann Ghia Porsche da Equipe Dacon chegando nas três primeiras posições. Os carros eram pilotados por: Rodolpho Olival Costa e Lian Duarte (n.12); Emerson Fittipaldi e Francisco Lameirão (n.7); e por Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace (n. 77)

12 Horas de Porto Alegre - 1968

25 Horas de Interlagos - 1974 


1000 Milhas Brasileiras - 1995 (Foto: Zé Carlinhos)


1000 Milhas Brasileiras - 1994

3. Bird e Nilson Clemente

- 24 Horas de Interlagos de 1970 (Chevrolet Opala nº 80).

- 25 Horas de Interlagos de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20, em trio com Clóvis de Moraes).

- 500 km de Interlagos de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1973 (Ford Maverick Divisão 3 nº 20).


500 km de Interlagos - 1973

Pódio dos 500 km de Interlagos - 1973


24 Horas de Interlagos - 1970


1000 Milhas Brasileiras - 1973


24 Horas de Interlagos - 1970

4. Xandy Negrão

- 1000 km de Brasília de 1984 (Volkswagen Voyage nº 70, em dupla com Jayme Figueiredo), 2003 (Porsche 911 GT3 nº 21, com Luiz Paternostro e Paulo Bonifácio) e 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão e Xandynho Negrão).

- 500 km de Interlagos de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2003 (Porsche 911 GT3 nº 9, com Ingo Hoffmann, Fernando Nabuco e Ricardo Etchenique) e 2005 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão, Xandynho Negrão e Giuliano Losacco).


1000 km DF - 2004


1000 km DF - 2003


1000 Milhas Brasileiras - 2005


1000 Milhas Brasileiras - 2003


1000 km DF - 1984


5. Luiz Pereira Bueno

- 1000 km de Brasília de 1968 (Interlagos Bino Mark II, em dupla com José Carlos Pace).

- 500 km de Interlagos de 1966 (Alpine A110 1.3), 1970 (Interlagos Bino Mark II nº 47) e 1971 (Porsche 908/2 3.0, com Luiz Lian Duarte).

- 1000 Milhas Brasileiras de 1967 (Interlagos Bino Mark I nº 21, em dupla com Luiz Fernando Terra Smith).


1000 km DF - 1968
(Foto gentilmente cedida por Rodrigo Carelli)


Mil Milhas Brasileiras - 1967


500 km de Interlagos - 1970 (foto: Blog do Saloma)


6. José Carlos Pace

- 1000 km de Brasília de 1967 (Karmann Ghia Porsche 2.0, com Wilson Fittipaldi Júnior), 1968 (Interlagos Bino Mark II, em dupla com Luiz Pereira Bueno) e de 1969 (Alfa Romeo GTA 2000, com Marivaldo Fernandes)

- 12 Horas de Tarumã de 1975 (Ford Maverick Divisão 3 nº 22, com Paulo Gomes. Foi a última vitória de Moco).

- 25 Horas de Interlagos de 1975 (Ford Maverick Divisão 3 nº 22, com Paulo Gomes e Bob Sharp).

7. Guto Negrão

- 1000 km de Brasília de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão e Xandynho Negrão).

- 500 km de Interlagos de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2005 (Audi TT-R nº 9, com Xandy Negrão, Xandynho Negrão e Giuliano Losacco).

8. Xandynho Negrão

- 1000 km de Brasília de 2004 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão e Xandy Negrão).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2005 (Audi TT-R nº 9, com Guto Negrão, Xandy Negrão e Giuliano Losacco).

- 12 Horas de Tarumã de 2003 (Protótipo MCR Volkswagen, com Luiz Paternostro, Giuliano Losacco e Juliano Moro).

9. Ingo Hoffmann

- 25 Horas de Interlagos de 1974 (Chevrolet Opala nº 9, com Wilson Fittipaldi Júnior e Reinaldo Campello).

- 500 km de São Paulo de 2015 (Mitsubishi Lancer, com Guilherme Spinelli e Leandro de Almeida).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2003 (Porsche 911 GT3 nº 9, com Xandy Negrão, Fernando Nabuco e Ricardo Etchenique).


500 km de São Paulo - 2015

10. Henrique Assunção

- 12 Horas de Tarumã de 2016 (Protótipo MCR GrandAm Lamborghini V10, com Fernando Fortes, Fernando Poeta, Pedro Queirolo, Anderson Toso e Marcelo Santana).

- 500 km de São Paulo de 2016 (Protótipo MRX, com Emílio Padron e Fernando Fortes).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2023 (Protótipo AJR Ford nº 175, com Emilio Padron, Fernando Ohashi e Fernando Fortes) e 2025 (Protótipo AJR Ford nº 75, com Cristian Rocha, Pietro Rimbano e Cassiano Trem).


12 Horas de Tarumã - 2016


500 km de São Paulo - 2016


1000 Milhas Brasileiras - 2023

11. Fernando Fortes

- 12 Horas de Tarumã de 2016 (Protótipo MCR GrandAm Lamborghini V10, com Henrique Assunção, Fernando Poeta, Pedro Queirolo, Anderson Toso e Marcelo Santana).

- 500 km de São Paulo de 2016 (Protótipo MRX, com Henrique Assunção e Emílio Padron).

- 1000 Milhas Brasileiras de 2023 (Protótipo AJR Ford nº 175, com Emilio Padron, Fernando Ohashi e Henrique Assunção).


Diante dos dados indicados acima, podemos concluir que Paulão Gomes, tetracampeão da Stock Car e vencedor em outras categorias nacionais, é o piloto brasileiro mais vitorioso quando falamos nas mais tradicionais corridas de longa duração em nosso país. Para além disso, cabe fazer uma menção honrosa ao segundo lugar na classe e sétimo na classificação geral obtidos por Paulão nas 24 Horas de Le Mans de 1978, quando formou trio com Mário Amaral e Alfredo Guaraná Menezes, em um Porsche 935-77, movido pelo motor 3.0 L F6 turbo.

Porém, é indispensável lembrar que a melhor colocação de um brasileiro nas 24 Horas de Le Mans até o presente momento, foram os segundos lugares na classificação geral conquistados pelo saudoso José Carlos Pace em 1973, quando dividiu a tocada da Ferrari 312 PB-73 nº16 com o italiano Arturo Mezario, da equipe oficial da marca italiana, e por Lucas di Grassi em 2014, ano em que correu no Audi R18 e-tron quattro nº 1 (motor v6 4.0 turbodiesel) da equipe Audi Sport Team Joest. Os demais integrantes do time foram nada mais nada menos que Tom Kristensen e Marc Gené.

Então é isso, meus amigos. Ao grande Paulo Gomes e aos igualmente grandes pilotos dos quais falamos, nossas homenagens por suas inesquecíveis conquistas!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Jan Balder e Emerson Fittipaldi - Mil Milhas de 1966

O registro de hoje trata-se da bandeirada final sendo dada ao DKW Malzoni da jovem dupla Jan Balder e Emerson Fittipaldi, que por muito pouco, não ganhou a oitava edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada entre 19 e 20 de novembro de 1966.

Esse episódio, sobretudo em relação às voltas finais da prova, é um clássico da história do automobilismo brasileiro, e já foi muito bem contado por diversas publicações de renome. Assim, para não falarmos mais do mesmo, vamos nos deter a outros aspectos desse registro.

- O Malzoni da dupla Balder/Fittipaldi tinha motor com potência limitada a 981 cm³, inferior aos 1.089 cm³ dos outros Malzonis da Equipe Brasil (Uma espécie de espólio da Vemag, pois já não tinham mais apoio da fábrica), sendo o inscrito sob o nº 10 pilotado por Mario César de Camargo Filho (Marinho)/Eduardo Scuracchio, e o nº 4 sob o comando de Carlos Erimá/Norman Casari.

- Em razão de problemas com o óleo utilizado no motor (Castrol R40, de base vegetal), todos os carros da equipe tiveram problemas na largada, sendo que apenas o Malzoni nº 7 completou a primeira volta (com Balder ao volante), embora com cerca meia volta de atraso.

- Miguel Crispim, mestre da mecânica DKW, declarou em seu livro biográfico (Nasci Mecânico - Dos Carrinhos de Rolimã aos Carros de Corrida), que jamais trocou as velas do motor do DKW Malzoni da dupla Balder/Fittipaldi sem desligar o motor*, algo que além de contra o regulamento, seria muito arriscado de se fazer. O que houve foi a troca da vela do cilindro 1 sem o motor estar completamente frio (mas desligado).

- O Malzoni nº 7 assumiu a liderança por volta das 11h45min do domingo, após cerca de 180 voltas completadas, sendo que a partir da 195ª volta, passou a apresentar problemas elétricos. A causa, descoberta após a prova, foi a entrada de ar falso no cilindro 1, em razão de uma fissura na base do coletor de borracha dos carburadores.

- A segunda posição só fora perdida na última curva, quando o Malzoni nº 10 realizou a ultrapassagem.

E o resto é história...

* Pág. 114-115.




sexta-feira, 14 de março de 2025

Março mês da mulher: Maria Helena Fittipaldi

Maria Helena Dowding, ou simplesmente Maria Helena Fittipaldi, não é lembrada no meio automobilístico simplesmente por ter sido a primeira esposa de Emerson, e por sua beleza e elegância presentes nas pistas na década de 70. Filha de ingleses, mas nascida no Brasil, ditou moda entre as mulheres com seus marcantes óculos escuros e chapéus, quando cronometrava os tempos de pista de seu marido. 

Ela também foi responsável pela iniciativa, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, de criar divisões femininas nas categorias monomarca Corsa e Fiesta, com corridas e premiações separadas da categoria masculina. Nessa época, Maria Helena era presidente da AMPACOM - Associação das Mulheres Pilotos de Automobilismo Competitivo.

Na foto do amigo Antonio Preggo, vemos o Chevrolet Corsa de Maria Helena quando da visita da categoria ao Autódromo de Caruaru, no ano de 1999.


sábado, 24 de fevereiro de 2024

Wilson Fittipaldi Jr. (1940-2024)

O seleto grupo dos grandes pilotos nacionais que partiram desta dimensão ganhou mais um representante na constelação que formam do lado de lá. Faleceu nesta sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024, o piloto e chefe de equipe Wilson Fittipaldi Jr., em virtude de complicações clínicas decorrentes de uma parada cardíaca.

No dia 25 de dezembro de 2023, Wilsinho estava comemorando o seu aniversário de 80 com jantar em família, quando se engasgou com um pedaço de carne. O período sem oxigenação do organismo foi suficiente para lhe causar uma parada cardíaca, que apenas agravou seu estado de saúde.

Sua carreira dispensa maiores comentários, pois além de ter sido piloto de duas das maiores equipes nacionais de automobilismo (Willys e Dacon, nos anos 60), foi também piloto de Fórmula 1, disputando 38 GP's entre 1972 e 1975, inclusive pela equipe Copersucar neste último ano.

Mas como é impossível falar de Wilsinho e não falar de Mil Milhas Brasileiras, faremos um breve resumo sobre as suas participações na maior prova do automobilismo nacional, criada inclusive pelo seu pai, o Barão Wilson Fittipaldi.

A estreia na prova ocorreu em 1966, na 8ª edição, quando dividiu a pilotagem do Karmann Ghia Porsche 2.0 nº 77 com Ludovino Perez Jr. (Falecido em 27 de novembro de 2018). Saindo da pole position, com o tempo de 3min38s2, a dupla enfrentou problemas com a quebra do para-brisa, causada pelas pedras que se soltavam do esburacado traçado de Interlagos dos anos 60. Terminou na 8ª posição, com 192 voltas completadas.

Em 1967, mais uma participação na prova, desta feita em dupla com seu irmão Emerson. O bólido escolhido foi o enigmático Fitti-Porsche, um protótipo GT construído pelos irmãos Fittipaldi que tinha como base um Porsche 550 Spyder (anteriormente do piloto Christian Heins). De cara, o lindo protótipo mostrou a que veio, tendo quebrado o recorde de tempo de volta em Interlagos nos treinos por algumas vezes, sendo o menor tempo registrado de 3min31s8.

Depois de largar na pole, o Fitti-Porsche sofreu um vazamento de combustível, que impôs uma parada inesperada nos boxes. Logo após, houve um princípio de incêndio, que fez com que o carro retornasse aos boxes novamente. Por fim, a quebra da junta homocinética foi a gota d'água para o término da participação do carro na prova. Após passar por diversas mãos, até hoje não se sabe o paradeiro deste carro...

No ano de 1981, prestes a estrear na Stock Car, Wilsinho participou das Mil Milhas de 1981, formando dupla em um Opala com Reinaldo Campelo, preparado por Claude Bess. O resultado final foi a 17ª posição, com 176 voltas completadas.

A tão esperada vitória nas Mil Milhas veio no ano de 1994, e de uma forma muito especial. No ano em que a Mil Milhas fora um evento de nível internacional pela primeira vez, Wilsinho disputou a prova com um Porsche 911 GT Le Mans, equipado com motor turbo 3.8 de 420 cavalos de potência, em dupla com seu filho Christian. Após largar na 2ª posição, o Porsche assumiu a liderança na 16ª volta, permanecendo nesta condição até a volta 116.

A retomada ocorreu na 126ª passagem, e da liderança não mais saíram até a bandeirada, colocando o seu nome na história de forma defitiniva. Durante a corrida, o Porsche funcionou como um relógio suíço, não tendo apresentado qualquer problema, mesmo com a elevação da pressão do turbo de 0,8 bar para 1,5 bar. De quebra, os Fittipaldi marcaram a melhor volta da prova, com 1min43s438.

No ano seguinte, que marcou sua sétima participação em Mil Milhas, Wilsinho voltou com um esquema de corrida ainda mais forte. Inscrito com o Porsche 993 da Equipe Konrad Motorsport, disputou a prova formando trio com Antônio Hermann e Franz Konrad, sendo que este sequer chegou a pilotar o carro, pois estava inscrito no outro Porsche da equipe, que terminou na 2ª posição. O show de velocidade foi tão grande que o Porsche de Wilsinho & Cia. registrou a melhor marca da prova, com 1min41s320, liderou de ponta a ponta e terminou com 15 voltas de vantagem para o 2º colocado e 29 para o 3º.

Descanse em paz, Wilsinho. Você foi um grande campeão aqui nessa terra.










sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

O piloto Elísio Netto e a Fórmula Vee 2019


Em setembro deste ano, falamos sobre a história do piloto alagoano Elísio Netto, que lutando contra as dificuldades do esporte a motor, tem alcançado resultados expressivos na categoria Fórmula Vee Júnior. Antes de tudo, cabe lembrar que esta categoria é um verdadeiro celeiro de talentos do esporte a nível mundial, pois está presente em cerca de 14 países, desde 1962, quando foi criada nos EUA. Representa, ainda, a porta de entrada para os esportistas recém-saídos do Kart, numa proposta de baixo custo e que garante essencial aprendizado.

No Brasil, a categoria teve início nos anos 60, mais especificamente em 1967, quando os irmãos Fittipaldi (Wilson e Emerson) passaram a construir bólidos e organizar corridas. Dentre os grandes nomes da época, estavam, alem dos irmãos, José Carlos Pace, Francisco Lameirão e Marivaldo Fernandes. Depois da evolução para a Fórmula Super Vê, já nos anos 70 (quando Nelson Piquet foi revelado), a categoria sofreu uma grande pausa, ressurgindo em meados de 2011, como uma nova proposta de categoria-escola.

E foi nesse cenário que Elísio Netto se apresentou para o automobilismo nacional. Mesmo diante de grandes obstáculos (sobretudo a falta de patrocínio), o piloto nascido na cidade de Arapiraca/AL conquistou o terceiro lugar no Campeonato Paulista da Fórmula Vee Júnior, encerrado no último fim de semana, no Autódromo de Interlagos. Somando as participações durante o ano, a ausência em 03 (três) etapas (por falta de verba) e os problemas mecânicos em outras 04 (quatro), ele obteve o terceiro lugar na classificação final sua categoria (278 pontos), chegando na segunda posição entre todos os pilotos, na primeira prova disputada no domingo.

Cabe lembrar que o segundo lugar conquistado na prova teve ainda mais destaque por conta da melhor volta, registrada em 2min01s697. Na Júnior, Elísio teve 02 (duas) vitórias na temporada, enquanto que na classificação geral do Paulista, terminou na sétima posição.

Pois bem, ficamos na torcida para que em 2020 o apoio financeiro seja mais forte a este jovem talento alagoano das pistas, possibilitando-o alçar voos ainda mais altos, e levar o nome do nosso Estado ao alto dos pódios. Acelera Garoto!





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Camilo Christófaro e Emerson Fittipaldi no pódio em 1966




Legenda da foto (Camilo para Emerson): "Não chora rapaz, você tem um grande futuro pela frente, ainda vai ganhar muitas corridas" . E a previsão do Camilão não poderia ter sido mais acertada!

Moral da história: Uma derrota pode abrir caminhos para muitas vitórias. O que parece trágico, é só uma preparação para o bem que há de vir.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Adeus, Barão

Faleceu na madrugada de hoje no hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, o ex-radialista, fundador da CBA e criador da Mil Milhas Brasileiras - juntamente com Eloy Gogliano -, Wilson Fittipaldi. O "Barão", como era conhecido, tinha 92 anos e faleceu em virtude de problemas respiratórios, após estar internado no hospital carioca desde 25 de fevereiro.

Sem dúvidas, é uma grande perda, tanto para o automobilismo brasileiro, por sua grande contribuição, tanto para aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele, por sua grande personalidade. Enfim que o descanso do mundo espiritual esteja à sua espera, nessa nova etapa da vida. Muito obrigado por tudo, Barão!

Ps: Por falta de tempo (Nada, tô ferrado na faculdade mesmo e tenho que estudar pra burro!) de fazer uma pesquisa maior e assim produzir uma postagem digna de relatar um pouco da grandiosa história de Wilson Fittipaldi, deixo o link da postagem feita pelo jornalista Flávio Gomes em seu blog.

http://tazio.uol.com.br/wp-content/uploads/2013/03/Bar%C3%A3o-Fittipaldi-640x448.jpg

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ex - Fórmula Indy na Stock Car


Tendo em vista as estréias de Tony Kanaan e Raphael Matos na etapa de Brasília da Stock Car, resolvi fazer um levantamento dos pilotos que já correram na categoria máxima dos monopostos nos Estados Unidos. Essa lista inclui pilotos que correram na Fórmula Indy antes e depois da cisão de 1996 (IRL e Champ Car) e outros que correram na categoria de acesso, a Indy Lights.

Os pilotos:

Antônio Pizzonia
Raul Boesel
Roberto Pupo Moreno
Rubens Barrichello
Enrique Bernoldi
Bruno Junqueira
Max Wilson
Jacques Villeneuve
Christian Fittipaldi
Tarso Marques
Chico Serra

Participaram também de corridas na Fórmula 1, assunto do qual falei anteriormente. Informações sobre eles em:

http://blogdamilmilhas.blogspot.com.br/2012/11/ex-f1-na-stock-car-brasil.html

Os demais que correram na Indy e na Stock Car são:

Airton Daré - Disputou a temporada de 2004 pela equipe de Afonso Giaffone. Marcou 14 pontos e conquistou 01 pole position. Ainda chegou a marcar a melhor volta da 7ª etapa, disputada em Curitiba.
Raphael Matos - Disputou a etapa de Brasília (Largou em 27º e chegou em 23º) e a Corrida do Milhão (Largou em 23º e chegou no ótimo 9º lugar) em 2012
Tony Kanaan - Disputou a etapa de Brasília (largou em 30º e chegou em 19º) e a Corrida do Milhão (Largou em 26º e chegou em 31º, após abandonar em razão de uma batida com Diego Nunes) em 2012
Vitor Meira - Estreou na atual temporada, pela equipe de Duda Pamplona, marcando 45 pontos e tendo como melhor resultado o 8º lugar conquistado na 2ª etapa, realizada em Curitiba.
Gualter Salles - Estreou na Stock em 2002, correndo até 2007. Teve como melhor resultado um pódio em 2003, esse que foi seu melhor ano na Stock, conquistando 58 pontos. Em 2006 foi destaque na mídia pelo incrível acidente sofrido na etapa da Argentina e por ter marcado a melhor volta da corrida posterior ao acidente, realizada em Jacarepaguá.
Thiago Medeiros - Disputou provas em 2007 e 2008. Não marcou pontos
Mário Romancini - Disputou as 03 últimas corridas de 2008 (DSQ, 20º e 22º)
Ricardo Sperafico - Estreou em 2007, e tem como melhores resultados 02 segundos lugares (Rio de Janeiro em 2007 e Curitiba em 2009). Já conquistou 03 poles.
Luiz Garcia Jr. - Disputou provas em 2005, tendo como melhor resultado um 17º lugar em Brasília. Não marcou pontos.
Hélio Castroneves - Disputou a Corrida do Milhão, largando na 22ª posição e chegando em 14º lugar.