"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
Mostrando postagens com marcador Fiat 147. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fiat 147. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Um Fiat Uno com muita história

Há alguns anos, meu grande amigo Rômulo Amorim me deu a satisfação de acessar uma parte imenso arquivo de fotografias de corrida de autoria de seu cunhado, Antonio Preggo, a quem já tive a satisfação de entrevistar em duas oportunidades, sempre com o apoio de Rodrigo Carelli, outro grande amigo que a vida me presenteou.

Preggo foi diretor do Autódromo de Caruaru, em Pernambuco, por vários anos entre a segunda metade da década de 90, e o início dos anos 2000. Além disso, foi organizador de corridas por outros longos anos, além de fotógrafo esportivo e editor do jornal Curvas e Retas, responsável pela cobertura do automobilismo nordestino na fase áurea após a inauguração da pista pernambucana.

Nesse arquivo, pude encontrar fotos que logo me chamaram a atenção. Dentre elas, estavam as imagens de um Fiat Uno de circuito que além do destacado layout, repleto de patrocínios, carregou os nomes de pilotos de sucesso no automobilismo nordestino. Mas a conclusão de que se tratava do mesmo carro, só pude obter após um bate-papo informal com um dos pilotos que se utilizou deste Fiat Uno para escrever sua história no esporte a motor, no caso, o querido Eduardo Gazal.

O carro pertencia inicialmente ao piloto Edson Medeiros, e teve sua estréia na temporada de 1999. A estrutura de apoio contava também com o saudoso Robson dos Santos, que por dois anos (1999 e 2000), foi chefe de equipe e responsável pelo desenvolvimento. Nesse início de história, a motorização utilizada vinha do Fiat 147 versão Rallye, de 1.3 litros, e câmbio de quatro marchas, que segundo nos contou Eduardo, nem sempre aguentava a força do motor, que chegava a alcançar 7.000 RPM.

No ano de 2000, a pilotagem do Fiat Uno passou a ser de reponsabilidade de Brunno dos Santos, filho do grande Rogério dos Santos, o "jegue voador", que terminou aquela temporada como campeão do regional de Fórmula Uno. Gazal assumiu a pilotagem na temporada de 2001, sendo que na primeira etapa daquele ano, formaria dupla com Robson dos Santos (irmão de Rogério e tio de Brunno, consequentemente) em uma corrida de longa duração. Mas infelizmente o carro quebrou na largada, oportunidade em que o chefe de equipe era o próprio Rogério dos Santos.

Para a temporada 2003, como forma de acompanhar as modificações no regulamento técnico da categoria e facilitar a manutenção (já era difícil encontrar peças de reposição) a equipe resolveu trocar o câmbio e o motor 1.3 (o único da categoria na época) pelo câmbio do Fiat Palio Weekend (5 marchas) e motor 1.6 16v que Rogério havia utilizado na época em que disputou a Fórmula Fiat Palio, deixando o conjunto ainda mais forte. Além do motor mais potente, o acerto de suspensão feito por Rogério tornava o bólido ainda mais competitivo.

A história do carro com Gazal terminou ainda no ano de 2003, já que, após uma quebra de motor ocorrida na segunda volta de aquecimento de uma etapa do regional de turismo disputada no Autódromo de Fortaleza (Eusébio/CE), o piloto acabou deixando o carro de lado, e não voltou mais a disputar corridas com o endiabrado Fiat, que em 2002, havia lhe dado um marcante segundo lugar na prova preliminar da etapa da Fórmula Truck (disputada em Caruaru/PE). Na ocasião, a vitória escapou por pouco, pois Gazal liderava a corrida quando passou a sofrer com um problema de superaquecimento, o que o forçou a reduzir o ritmo e perder a liderança.











Norte / Nordeste de Endurance - Junho de 2002 (Autódromo de Caruaru)


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Exposição Fiat 50 anos de Brasil - Concessionária Mavel

No dia 25 de julho de 2026, a concessionária Fiat Mavel, localizada na principal avenida de Maceió/AL, a Fernandes Lima, foi palco da exposição comemorativa dos 50 anos das operações da marca italiana no território nacional. A concessionária, que também se aproxima do mesmo tempo de operação (funciona desde o ano de 1976), proporcionou ao público ver de perto raridades da marca com diversas idades.

Em se tratando de idades, tivemos os extremos com o Fiat 500 1967 (carro mais antigo da exposição) e o Fiat Uno Mille Fire 2001 (carro mais jovem exposto), um espaço de 34 anos em que muita história, evolução tecnológica e lançamento de modelos marcantes ocorreu. Ao todo, foram expostos dez carros.

Entre os destaques, podemos citar o Fiat 147 L 1978 de Carlindo Luiz, modelo que carrega um tom de azul que nos remete à época em que os carros tinham identidade, e se destacavam no meio de um engarrafamento de fim de tarde, por exemplo. Um dos charmes desse carro fica na própria chave, que carrega um chaveiro antigo de metal da própria concessionária.

Outro destaque é a Fiat Tempra SW SLX 1996/1997 de Euclydes Uchôa, exemplar imaculado de uma station wagon que estava muito à frente do seu tempo, não tendo recebido na época o reconhecimento merecido por parte do mercado nacional. Para se ter uma ideia, além do conforto e desempenho acima dos concorrentes, a Tempra SW trazia um inovador (à época) painel digital, que nos adiantava o que seria o futuro da indústria automobilística.

Mas vou deixar de papo e trazer para vocês algumas imagens feitas no dia da exposição.























E ainda teve espaço para dois "estrangeiros", um Volkswagen Gol 1.6 Copa 1994, e um Ford Versailles Ghia 2.0 1991, ambos em perfeito estado de conservação.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Robson dos Santos (1956 - 2026)

Sendo a morte uma passagem para outra dimensão da vida, considero ser mais importante celebrar o que foi feito durante a existência nesse plano, do que tornar a ausência física um peso ainda maior do que ela realmente é. Nessa perspectiva, vamos relembrar um pouco da vida e carreira do piloto Robson dos Santos, que neste 31 de julho, completaria 70 anos.

Robson Ambrósio dos Santos nasceu em Maceió/AL em 31 de julho de 1956, sendo irmão do pernambucano Rogério dos Santos, o Jegue Voador. Sua carreira no automobilismo começou no final da década de 70 (mais especificamente em 1978), correndo na Copa Norte-Nordeste Fiat de Velocidade. Já no ano seguinte, disputou também o Torneio Norte-Nordeste Volkswagen Passat.

Nessa época, as corridas no Nordeste eram realizadas principalmente no Autódromo Virgílio Távora, em Eusébio/CE (Região Metropolitana de Fortaleza), e em nível estadual (Pernambuco), no Circuito de Rua da Ilha Joana Bezerra, em Recife/PE (a partir do início dos anos 80).

Sobre este circuito urbano, o site Nobres do Grid fez uma entrevista com o Jegue Voador no ano de 2013, na qual foi falado bastante sobre a estrutura da pista e as corridas realizadas na época. Vale muito a pena conferir neste link.

Sempre inscrito nas provas com o número 48, Robson foi bicampeão da Fiat Norte-Nordeste, correndo pelas equipes Mustang/Usibrita, em parceria com o irmão, além de ter sido vice-campeão em mais de uma oportunidade. Nos anos 90, disputou algumas provas de Chevrolet Corsa (Copa Cearense e Brasileiro, em 1995) e Volkswagen Voyage, além de ter vencido as 3 horas de Fortaleza no ano de 1993, em dupla com Beto Pontes. E foi no Autódromo do Eusébio, em 1995, que venceu sua última corrida na carreira, antes da reforma da pista em 1997. 

Além disso, disputou a Fórmula Uno em 1995, na etapa de Caruaru (PE), época em que o Estado de Pernambuco já contava com o Autódromo Ayrton Senna. A última prova de Robson foi no ano de 2004, justamente na pista pernambucana, quando dividiu o carro com seu filho Alceu Luiz.

Robson dos Santos faleceu em 14 de janeiro de 2026, sendo sepultado na manhã do dia seguinte, na capital alagoana. Deixou esposa e três filhos, Alceu, Patrícia e João.

Confiram abaixo algumas manchetes e fotografias da carreira de Robson Santos, cedidas gentilmente por Rogério, através do amigo de todas as horas, Rômulo Amorim.

































Rogério e Robson - 1980


1993

Fortaleza - 1997


Robson e os filhos Alceu Luiz (esq), Patrícia e João Rodrigues (dir)

Robson, Maria Helena Fittipaldi e Alceu Luiz