Há alguns anos, meu grande amigo Rômulo Amorim me deu a satisfação de acessar uma parte imenso arquivo de fotografias de corrida de autoria de seu cunhado, Antonio Preggo, a quem já tive a satisfação de entrevistar em duas oportunidades, sempre com o apoio de Rodrigo Carelli, outro grande amigo que a vida me presenteou.
Preggo foi diretor do Autódromo de Caruaru, em Pernambuco, por vários anos entre a segunda metade da década de 90, e o início dos anos 2000. Além disso, foi organizador de corridas por outros longos anos, além de fotógrafo esportivo e editor do jornal Curvas e Retas, responsável pela cobertura do automobilismo nordestino na fase áurea após a inauguração da pista pernambucana.
Nesse arquivo, pude encontrar fotos que logo me chamaram a atenção. Dentre elas, estavam as imagens de um Fiat Uno de circuito que além do destacado layout, repleto de patrocínios, carregou os nomes de pilotos de sucesso no automobilismo nordestino. Mas a conclusão de que se tratava do mesmo carro, só pude obter após um bate-papo informal com um dos pilotos que se utilizou deste Fiat Uno para escrever sua história no esporte a motor, no caso, o querido Eduardo Gazal.
O carro pertencia inicialmente ao piloto Edson Medeiros, e teve sua estréia na temporada de 1999. A estrutura de apoio contava também com o saudoso Robson dos Santos, que por dois anos (1999 e 2000), foi chefe de equipe e responsável pelo desenvolvimento. Nesse início de história, a motorização utilizada vinha do Fiat 147 versão Rallye, de 1.3 litros, e câmbio de quatro marchas, que segundo nos contou Eduardo, nem sempre aguentava a força do motor, que chegava a alcançar 7.000 RPM.
No ano de 2000, a pilotagem do Fiat Uno passou a ser de reponsabilidade de Brunno dos Santos, filho do grande Rogério dos Santos, o "jegue voador", que terminou aquela temporada como campeão do regional de Fórmula Uno. Gazal assumiu a pilotagem na temporada de 2001, sendo que na primeira etapa daquele ano, formaria dupla com Robson dos Santos (irmão de Rogério e tio de Brunno, consequentemente) em uma corrida de longa duração. Mas infelizmente o carro quebrou na largada, oportunidade em que o chefe de equipe era o próprio Rogério dos Santos.
Para a temporada 2003, como forma de acompanhar as modificações no regulamento técnico da categoria e facilitar a manutenção (já era difícil encontrar peças de reposição) a equipe resolveu trocar o câmbio e o motor 1.3 (o único da categoria na época) pelo câmbio do Fiat Palio Weekend (5 marchas) e motor 1.6 16v que Rogério havia utilizado na época em que disputou a Fórmula Fiat Palio, deixando o conjunto ainda mais forte. Além do motor mais potente, o acerto de suspensão feito por Rogério tornava o bólido ainda mais competitivo.
A história do carro com Gazal terminou ainda no ano de 2003, já que, após uma quebra de motor ocorrida na segunda volta de aquecimento de uma etapa do regional de turismo disputada no Autódromo de Fortaleza (Eusébio/CE), o piloto acabou deixando o carro de lado, e não voltou mais a disputar corridas com o endiabrado Fiat, que em 2002, havia lhe dado um marcante segundo lugar na prova preliminar da etapa da Fórmula Truck (disputada em Caruaru/PE). Na ocasião, a vitória escapou por pouco, pois Gazal liderava a corrida quando passou a sofrer com um problema de superaquecimento, o que o forçou a reduzir o ritmo e perder a liderança.
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| Norte / Nordeste de Endurance - Junho de 2002 (Autódromo de Caruaru) |








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