"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Política

Historicamente, o automobilismo não é um esporte no qual questões políticas sejam discutidas ou mesmo expostas de forma aberta. Mas em pelo menos duas ocasiões, pudemos presenciar nas Mil Milhas Brasileiras manifestações de natureza política, tanto no âmbito interno, quanto a nível nacional.

A primeira ocasião que verificamos em nossas pesquisas, fora o manifesto da dupla Álvaro Guimarães/Wagner Augustin, que inseriu no vidro lateral traseiro de seu Volkswagen Hot Car nº 57 uma autêntica reclamação por eleições diretas no âmbito da CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo, então dirigida por Joaquim Cardoso de Melo (gestão entre 1984 e 1987), e na FPA - Federação Paulista de Automobilismo, cuja gestão passaria a ser feita naquele ano por Marcos Augusto Corsini, tendo como vice Luiz Evandro "Águia" Campos.

A segunda oportunidade foi no ano de 1997, quando as Mil Milhas Brasileiras saíram de Interlagos pela primeira vez. Aquela edição foi disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília - DF, e o protótipo AS - Vectra 2.0 do trio Vitor Meira/Athos Diniz/Alex Bachega, trazia adesivos de apoio à reeleição para cargos do executivo (prefeitos, governadores e presidente da república, junto com seus respectivos vices). A possibilidade de exercício de dois mandatos consecutivos veio a ser positivada com a aprovação da Emenda Constitucional nº 16, de 04 de junho de 1997. O protótipo largou na 4ª posição, tendo terminado a prova uma posição à frente.








terça-feira, 17 de dezembro de 2024

VW Fusca Hot Car - 1988

Essa foto daria um quadro. Um antigo VW Divisão 3 (que passou a se chamar Hot Car no início dos anos 80) se encaminhando para os boxes, com suas rodas largas deslocadas para fora (o que dava maior estabilidade ao carro), paralamas cortados para caber os pneus sem raspar em nada, e a tampa traseira com abertura para refrigerar melhor o valente propulsor.

Sobre o cenário, o antigo traçado de Interlagos (antes da reforma de 1989) com as grades verdes que separavam os boxes e o antigo estacionamento, os tradicionais eucaliptos do lado direito da reta dos boxes (substituídos por arquibancadas), além dos expectadores na "laje" dos boxes, numa época em que não existia o luxuoso paddock. 

O registro foi feito durante os treinos para 18ª edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em 23 de janeiro de 1988. Na ocasião, o VW, inscrito sob o nº 66, foi pilotado pelo trio Álvaro Mattos/Arnaldo Mattos/Ricardo Flaquer.



segunda-feira, 17 de julho de 2023

Valdir Del Greco - 1986

A 16ª edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada entre os dias 25 e 26 de janeiro de 1986, teve um grid minguado para os seus padrões. Apenas 34 carros largaram (dos 36 inscritos) e 11 deles receberam a bandeira quadriculada. Na época, muito se falou que a maior causa para o insucesso daquela edição fora a alteração no regulamento, que criou uma única categoria de força livre, deixando de estabelecer a premiação para carros de menor cilindrada.

Só que mesmo assim, um desses carros menores fez bonito na prova. Trata-se do Voyage Hot Car nº 59 do trio Amadeu Rodrigues, Paulo Sarmento e Valdir Del Greco, equipado com motor AP 2.0, que após largar do meio do grid, escalou posições gradativamente até ocupar o 3º lugar, embora tenha terminado a prova em um honroso 5º lugar (196 voltas), atrás apenas de Opalas Stock Car e seu bravo motor 6 cilindros 250s. Em 1985, Del Greco Já havia vencido a prova na categoria B, ao chegar no mesmo 5º lugar na geral (191 voltas), dividindo a tocada do VW Gol Hot Car nº 40 com Luis Pinto.

Infelizmente, Valdir Del Greco, que era funcionário da engenharia e piloto oficial da Volkswagen, perdeu a vida no mesmo Interlagos em junho de 1987, durante a 3ª etapa do Paulista de Hot Car. Na ocasião, chovia muito na pista, e logo após a largada ter sido autorizada (fato este que veio a ser muito contestado após o trágico acidente), o Voyage de Greco rodou na curva 2, sendo atingido na lateral pelo Opala de Carlos Col, e logo em seguida, na traseira, pelo Passat de Ricardo Bock. O piloto chegou a ser socorrido com vida, mas morreu a caminho do hospital, em virtude do grave ferimento (o acrílico da porta do carro perfurou o seu pescoço) que o fez perder muito sangue.






segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Opala Hot Car de Amadeu Rodrigues - 1988

Uma singela lembrança do lendário Amadeu Rodrigues - falecido em novembro de 2020 - nos vem através do Chevrolet Opala preparado sob o regulamento da Hot Car, com o qual ele conquistou o vice campeonato da prova de 1988, sendo o vencedor em sua própria categoria. Na ocasião, a pilotagem do valente Chevrolet foi dividida entre Amadeu, Carlos Alves - que seria vencedor da prova em 1990 - e Reginaldo Calabró, sendo que foram completadas 201 voltas - 03 a menos que o vencedor, o Stock Car (carenagem hidroplás) de Zeca Giaffone e Luiz Alberto Pereira.


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Série Nomes que Fizeram/Fazem a História da Stock Car - Parte XVII - Carlos Alves

Paulistano nascido em 18 de setembro de 1964, Carlos Alves é uma figura que não pode ser esquecida quando falamos da história da Stock Car. Sua estreia na categoria ocorreu na temporada de 1989, mais especificamente na 1ª etapa do campeonato daquele ano, disputada no Autódromo de Tarumã/RS. Aquela corrida, diga-se de passagem, ficou marcada como a 100ª corrida da história da Stock Car.

Após 1989 e 1990 de resultados discretos, o primeiro pódio de Carlão - como é conhecido entre os amigos - veio na 4ª etapa da temporada de 1991, tendo como palco o Autódromo de Cascavel. Na ocasião, obteve o 3º lugar na classificação da etapa, época em que correu sob os auspícios do preparador Giba (campeão com Ingo Hoffmann e Ângelo Giombelli), e chegou a dividir o carro com José Carlos Dias e Leonardo de Almeida.

1992 - quando teve seu carro preparado por Maurício Mattos - foi um ano marcado pela regularidade, pois os 03 (três) pódios obtidos foram suficientes para lhe deixar na 3º colocação na classificação final, a sua melhor marca em toda a carreira na Stock Car. Tal desempenho, contudo, não veio a ser repetido nos anos de 1993 e 1994, porquanto o destaque nesses 02 (dois) anos fora apenas a sua 1ª pole position, conquistada nos treinos da 3ª etapa de 1993, disputada em Londrina/PR.

Porém, a temporada de 1995 começou com um momento ímpar para Carlão, pois obteve sua primeira e única vitória na categoria na 1ª etapa daquele certame, com incríveis 0s043 de vantagem para o 2º colocado, Xandy Negrão. A liderança fora assumida ainda na 4ª volta das 26 totais, quando ultrapassou o pole Wilsinho Fittipaldi e construiu confortável vantagem (cerca de 04 segundos). Porém, essa diferença foi diminuindo com 07 voltas para o final, quando o seu Chevrolet Omega quebrou o diferencial blocante. Mas ainda assim, registrou a melhor volta da prova.

O 4º lugar na temporada de 1995 não impulsionou resultados semelhantes na temporada de 1996, mas a estrela de Carlão voltou a brilhar em 1997 e 1998, quando terminou novamente na 4ª posição da classificação geral. O ponto alto dessas 03 temporadas fora o 2º lugar acompanhado de pole position e melhor volta da prova obtidos em Goiânia/GO, na 7ª etapa do ano de 1997, sendo vencido unicamente por Paulo Gomes pela pequena diferença de 6 décimos de segundo na linha de chegada.

Embora já corresse há certo tempo com seu próprio esquema, a Carlos Alves Competições foi batizada oficialmente a partir de 2000, ano em que fora introduzido o chassi tubular com a carenagem de fibra do Chevrolet Vectra. E a "estreia" rendeu bons frutos, pois Carlão obteve 03 vezes o 3º lugar, nas etapas de Londrina (3ª) e Curitiba (8ª e 12ª), sendo que em 2001 passou a dividir os boxes com Rogério Motta, e em 2004 com Luiz Carreira Júnior (campeão da Light em 2003).

Após anos difíceis em 2005 (correu apenas as 02 primeiras etapas), 2006 (não pontuou, sendo um dos pilotos que utilizou a bolha do estreante Volkswagen Bora) e 2008 (correu com o Mitsubishi Lancer da equipe Nascar Motorsport, de Aloísio Andrade Filho), quando deixou definitivamente de correr na Stock, sua equipe renasceu para o campeonato em 2012, com os pilotos Júlio Campos e Patrick Gonçalves (substituído por Fábio Fogaça em algumas etapas). Naquela temporada, o melhor resultado fora o 2º lugar conquistado por Campos na 8ª etapa, disputada na reinauguração do Autódromo de Cascavel, que havia 20 anos que não recebia a categoria.

Por conta do patrocínio de uma marca de cerveja, em 2013 os Peugeot's 408 da equipe ganharam o apelido de "Laranja Mecânica" e além da visibilidade, tiveram grandes perfomances com o experiente David Muffato (campeão em 2003 com a Boettger) e Marcos Gomes, sendo que este último venceu a 6ª e 8ª etapas da categoria, ambas disputadas em Cascavel, sendo a primeira vencida após um hat trick (pole, vitória e volta mais rápida).

Entre 2014 e 2019, vários pilotos de destaque guiaram para a equipe de Carlos Alves, tais como Valdeno Brito, Vitor Genz e Raphael Reis, além dos argentinos Mauro Giallombardo (em dupla com Marcos Gomes, na 1ª etapa de 2014) e Néstor Girolami (última etapa de 2015 e a temporada completa de 2016). Nesse ínterim, cabe destacar a vitória obtida por Vitor Genz (a primeira do piloto na Stock) na 2ª corrida da etapa de Cascavel, que foi também a 1ª vitória de um piloto gaúcho na categoria.


Resumo da carreira de Carlos Alves na Stock Car:

214 corridas

25 pódios (sendo 01 vitória)

16 pole positions

13 melhores voltas.


Já nas Mil Milhas Brasileiras, Carlão sempre teve performances destacadas, começando pela própria estreia, ocorrida na prova de 1988. Na ocasião, foi o 2º colocado na geral com um Opala Hot Car dividido com o saudoso Amadeu Rodrigues e Reginaldo Calabró. Em 1989, veio a pole a bordo do Opala nº 42, com o tempo de 3min05s54, naquela que foi a última Mil Milhas disputada no traçado antigo de Interlagos.

A vitória veio em 1990, quando formou dupla com José Carlos Dias, o "Zeca Salsicha", no Opala Hot Car nº 42, ao fim de 12hrs50min23s8 de corrida, com 03 voltas de vantagem para o Opala nº 62, da dupla Chico Serra e Luiz Alberto Pereira, tidos como favoritos à vitória.

A última participação de Carlos Alves nas Mil Milhas de que obtive registro, ocorreu em 1992, quando foi pole position a bordo do Chevrolet Opala Stock Car nº 1, dividido com Paulo de Tarso Marques. Na corrida, o Chevrolet enfrentou alguns problemas mecânicos que sacrificaram a sua performance, deixando-o na 4ª posição na geral, com 11 voltas a menos que a BMW M3 vencedora.











domingo, 17 de janeiro de 2021

Opala Hot Car de Eduardo Pimenta - 1990

Caros leitores! O post de hoje traz o Chevrolet Opala Hot Car do trio Eduardo Pimenta/Oscar Chanoski/Roberto Gouveia, que na edição de 1990 - a primeira disputada no atual traçado de Interlagos - das Mil Milhas Brasileiras, alcançou a 3ª posição na classificação geral, com 348 voltas completadas.

À frente do Opalão, apenas o Opala Hot Car da dupla José Carlos Dias/Carlos Alves, que venceu a prova, e o Stock Car (carenagem hidroplás) dos campeões Chico Serra/Luiz Alberto Pereira.

Cabe destacar que aquela edição (20ª na história) trouxe um grande impacto para carros e pilotos, pois o novo traçado, além de mais lento, é bem mais sinuoso que o antigo Interlagos, que tinha retas enormes, fato este que causou grande desgaste para pilotos e máquinas. Tanto o foi, que dos 49 carros que largaram, apenas 16 chegaram ao final.



domingo, 6 de setembro de 2020

Opala Hot Car na Mil Milhas de 1990


No início dos anos 80, a extinta categoria Divisão 3 fora reeditada sob a denominação Hot Car. As provas eram disputadas regularmente em Interlagos, porém, houve rodadas no saudoso Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro/RJ. Eram Opalas, Gol's e Passat's com forte preparação mecânica e modificações na carroceria (lataria substituída por fibra de vidro, pneus mais largos, etc), visando a diminuição de peso e ganho aerodinâmico.

Em 1990, o Chevrolet Opala nº 81 do trio formado por Roberto Breitenweser, Osvaldo Batiston Filho e Archimedes Esperidião, fora preparado para disputar a divisão Hot Car da Mil Milhas Brasileiras, que na ocasião, utilizava pela primeira vez o atual traçado de Interlagos, após as reformas que visaram trazer a Fórmula 1 de volta à São Paulo/SP. Na prova, o bólido amarelo alcançou a 12ª posição, com 309 voltas completadas, em um grid formado por 49 carros, dos quais, apenas 16 cruzaram a linha de chegada.







sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Passat nas Mil Milhas

Um dos maiores clássicos nacionais, o VW Passat também teve desempenho notável na maior prova de longa duração do Brasil. A estreia do modelo só se deu na edição de 1981, pois na época do lançamento do Passat, a Mil Milhas Brasileiras estava ausente do calendário, em virtude da crise do petróleo.

A performnace foi das melhores, com um 7º lugar na classificação geral obtido pelo trio Clemente Faria, Edson Yoshikuma e José Junqueira, ainda com outros três modelos entre os 10 primeiros, com vitória também nas respectivas categorias:

Categoria Hot Car:

Passat Hot Car Nº 10 Edson Yoshikuma, José Junqueira e Clemente Faria – 198 voltas (7º na geral)
Passat Hot Car Nº 04 Egídio Micci, Toninho da Matta e Aroldo Bauermann – 196 voltas (pole position e 8º na geral)
Passat Hot Car Vicente Corrêa e Waldir Silva – 188 voltas (9º na geral)

Turismo até 1600 cc:

Passat Divisão 1 Luís Marcos Pinto, Gunther Klaasen e Joel Silva – 186 voltas (10º na geral)
Passat Divisão 1 Marcelo Toldi e Ricardo Gonçalves Jr. – 183 voltas (11º na geral)

Em 1983, a surpreendente vitória do Passat Hot Car do trio Vicente Corrêa, Valdir Silva e Fausto Wajchemberg, que não chegou a pilotar o carro. O início da prova foi dominado pelos fortes Opalas Stock Car, porém, a durabilidade e resistência, fundamentais numa prova de endurance, foram os pontos fracos desses carros, abrindo caminho para a liderança do Passat. Ao fim da prova, o VW estava sem freio e teve que dar uma volta a mais na pista, devido à desatenção do então secretário municipal de esportes de São Paulo, que no mesmo "estilo" Pelé no Gp Brasil de F1 de 2002, deu a bandeirada após o vencedor passar pela linha de chegada. Mas a vantagem de 4 voltas era confortável para o 2º colocado, um Opala quase standard, e a vitória estava a salvo. Um modelo Passat também ficou com a 4ª posição na corrida, com o trio Roberto Mourão, Vinícius Pimentel e Rodrigo Castro.

De 1984 a 1986, o Passat teve resultados modestos na prova, muito devido ao fato da maioria dos pilotos terem adotado outro modelo da Volkswagen, o Voyage, que fazia sua estréia nas pistas. Em 1987, um ótimo 8º lugar obtido pela dupla Marcos Galasso e José Cherchiai (187 voltas), perdendo apenas para os mais potentes Opala e Maverick.

Em 1988, um Passat derivado do então poderoso Brasileiro de Marcas e Pilotos terminou a prova na 10ª colocação, sendo pilotado pelo trio Alvino Pereira, Marcos Paioli e Jairo Rechulski, numa prova onde a potência dos Opalas foi ameaçada pela durabilidade dos carros do Marcas e Pilotos.

No ano seguinte, mais dois modelos Passat entre os 10 primeiros colocados, os dois primeiros na categoria. Foram eles:

8o Passat Marcas Alvino Pereira, Marcos Paioli e Jindra Nicolau Kraucher – 188 voltas
9o Passat Marcas Nº 47 Fernando La Rocque, Fernando Montá e Gustavo Vieira – 187 voltas

Na primeira Mil Milhas disputada no novo traçado, em 1990, dois Passat's marcaram presença entre os 15 primeiros colocados:
  
10º VW Passat nº 22 Mauricio Seraphim, Carlos Teixeira e Nelson Vicentini – 312 voltas
13º VW Passat nº 86 Milton Vieira, César Hervello e César Fior – 304 voltas

Em 1992, houve o 10º lugar na geral para a dupla Sérgio dos Santos e Urubatan Helou, com 337 voltas completadas.

Performance melhor foi obtida em 1993, com o 7º lugar do trio Amadeu Rodrigues, Paulo Quinan e Sérgio Vicentini, no Passat nº 38, após 343 voltas na corrida.

Em 1994, o ótimo 8º lugar na prova, derrotando veículos muito mais novos e mais potentes, como BMW 325i, Omega, Opala, Mustang e Aldee RTT. A marca foi alcançada pelo trio Robby Perez, Mário Dalicane e Tadeu Kowalzuck, no Passat nº 61, que também foi o 2º lugar na categoria B (carros motor até 2000 cc).

A partir de 1995, não foram encontrados registros de Passat's que tenham disputado as Mil Milhas. Caso alguém possua, deixe um comentário e adicionarei a informação!