"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A última (?) Mil Milhas de Chico Serra - 2007

Francisco Adolpho Serra, ou melhor, Chico Serra, é indiscutivelmente um dos grandes pilotos da história do automobilismo nacional, considerando os feitos alcançados ao longo da carreira, além da sua participação em episódios marcantes da história do esporte a motor. Um exemplo são as corridas que disputou pela Escuderia Fittipaldi na F1, da qual todos nós sabemos das lutas e dificuldades para colocar um carro no grid de largada naquela época.

Em termos de Mil Milhas, Chico fez sua estréia em 1981, e já com vitória na classificação geral. Naquela ocasião, dividiu um Chevrolet Opala Stock Car com os irmãos Affonso e Zeca Giaffone, que marcou a 5ª posição nos treinos classificatórios. Porém, um vazamento de óleo do motor no fim dos treinos, fez com que o preparador Jayme Silva decidisse pela troca do propulsor, o que colocou o Opala na última posição do grid. Mas, através de uma eficiente estratégia de paradas e plano de corrida bem traçado pelos pilotos e por Jayme Silva, os últimos passaram a ser os primeiros, e o trio do Opala nº 6 venceu a disputa após 12h32min13s.

Já tricampeão da Stock Car (1999 a 2001, a bordo do Chevrolet Omega, Vectra chassi tubular com motor 6 cilindros e também com o motor V8, respectivamente), Chico realizou o sonho de disputar uma Mil Milhas com seu filho Daniel, que naquele ano estreava na categoria principal (Equipe Amir Nasr Racing) após ser vice-campeão da Light em 2006. Sobre Daniel Serra, cabe registrar que além de tricampeão da Stock (2017 a 2019), possui, dentre outras conquistas importantes, duas vitórias na classe GTE Pro nas 24 Horas de Le Mans (2017 com Aston Martin Vantage GTE e 2019 com Ferrari 488 GTE Evo).

Naquela Mil Milhas, pai e filho tiveram a companhia de Chico Longo na Ferrari 430 GT nº 74 da equipe JMB Racing. Inscrita na categoria GT2, a linda Ferrari largou da 13ª posição, com o tempo de 1min33s672. Na corrida, Chico, Daniel e Longo terminariam na mesma posição de largada, com 318 voltas completadas.

E desde então, Chico Serra não disputou mais nenhuma Mil Milhas. Mas quem sabe ele não volta em 2026?



 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

A última Mil Milhas de Xandy Negrão

Durante vários anos, Alexandre Funari Negrão, ou simplesmente Xandy Negrão, foi uma presença marcante nos grids das Mil Milhas Brasileiras. Sempre disputando a vitória na classificação geral, Negrão trouxe para o Brasil carros que nunca havíamos visto antes em nossas pistas, tais como o Audi TT-R, Dodge Viper, Ford GT, Aston Martin Vantage (estes últimos na GT3 Series), entre outras beldades sobre rodas.

Sua estréia nas Mil Milhas ocorreu em 1981, a bordo de um Chevrolet Opala Stock Car, em trio com Dárcio dos Santos e Giu Ferreira, quando obteve o 2º lugar na geral. Vencedor em 2003 (Porsche 911 GT3) e 2005 (Audi TT-R), Xandy disputou sua última edição da prova em 2007, a bordo de uma Ferrari 430 GT (equipe JMB Racing) inscrita na categoria LMGT2. Nesta prova, formou trio com seu filho Xandynho Negrão e o amigo Andreas Mattheis, terminando em 8º na classificação geral e em 2º na categoria. A tempo no grid (formado por 23 carros) foi de 1min33s559, suficiente para partirem do 12º lugar.

Até então, esta também está sendo considerada a última Mil Milhas de Andreas Mattheis, que foi terceiro colocado em 1996, formando trio com Paulo Lomba e Alexandre Costa no Ford Maverick nº 72, apelidado de febre amarela.



75 - Ferrari F430 GTC #2450 (Michelotto) - JMB Racing

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Entrevista com Zeca Giaffone

Ontem, 24 de fevereiro de 2025, o Blog da Mil Milhas teve a oportunidade de participar de uma entrevista histórica com Zeca Giaffone, campeão de 1987 da Stock Car e vencedor de nada mais nada menos do que cinco edições das Mil Milhas Brasileiras (1981, 1984, 1986, 1988 e 1989).

Esse acontecimento só foi possível graças à iniciativa dos nossos parceiros Zé Carlinhos e Rodrigo Carelli, do canal Entusiatas sobre Rodas no YouTube. Gratidão imensa aos dois.

Para quem quiser conferir o papo, segue o link do vídeo.



sábado, 24 de fevereiro de 2024

Wilson Fittipaldi Jr. (1940-2024)

O seleto grupo dos grandes pilotos nacionais que partiram desta dimensão ganhou mais um representante na constelação que formam do lado de lá. Faleceu nesta sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024, o piloto e chefe de equipe Wilson Fittipaldi Jr., em virtude de complicações clínicas decorrentes de uma parada cardíaca.

No dia 25 de dezembro de 2023, Wilsinho estava comemorando o seu aniversário de 80 com jantar em família, quando se engasgou com um pedaço de carne. O período sem oxigenação do organismo foi suficiente para lhe causar uma parada cardíaca, que apenas agravou seu estado de saúde.

Sua carreira dispensa maiores comentários, pois além de ter sido piloto de duas das maiores equipes nacionais de automobilismo (Willys e Dacon, nos anos 60), foi também piloto de Fórmula 1, disputando 38 GP's entre 1972 e 1975, inclusive pela equipe Copersucar neste último ano.

Mas como é impossível falar de Wilsinho e não falar de Mil Milhas Brasileiras, faremos um breve resumo sobre as suas participações na maior prova do automobilismo nacional, criada inclusive pelo seu pai, o Barão Wilson Fittipaldi.

A estreia na prova ocorreu em 1966, na 8ª edição, quando dividiu a pilotagem do Karmann Ghia Porsche 2.0 nº 77 com Ludovino Perez Jr. (Falecido em 27 de novembro de 2018). Saindo da pole position, com o tempo de 3min38s2, a dupla enfrentou problemas com a quebra do para-brisa, causada pelas pedras que se soltavam do esburacado traçado de Interlagos dos anos 60. Terminou na 8ª posição, com 192 voltas completadas.

Em 1967, mais uma participação na prova, desta feita em dupla com seu irmão Emerson. O bólido escolhido foi o enigmático Fitti-Porsche, um protótipo GT construído pelos irmãos Fittipaldi que tinha como base um Porsche 550 Spyder (anteriormente do piloto Christian Heins). De cara, o lindo protótipo mostrou a que veio, tendo quebrado o recorde de tempo de volta em Interlagos nos treinos por algumas vezes, sendo o menor tempo registrado de 3min31s8.

Depois de largar na pole, o Fitti-Porsche sofreu um vazamento de combustível, que impôs uma parada inesperada nos boxes. Logo após, houve um princípio de incêndio, que fez com que o carro retornasse aos boxes novamente. Por fim, a quebra da junta homocinética foi a gota d'água para o término da participação do carro na prova. Após passar por diversas mãos, até hoje não se sabe o paradeiro deste carro...

No ano de 1981, prestes a estrear na Stock Car, Wilsinho participou das Mil Milhas de 1981, formando dupla em um Opala com Reinaldo Campelo, preparado por Claude Bess. O resultado final foi a 17ª posição, com 176 voltas completadas.

A tão esperada vitória nas Mil Milhas veio no ano de 1994, e de uma forma muito especial. No ano em que a Mil Milhas fora um evento de nível internacional pela primeira vez, Wilsinho disputou a prova com um Porsche 911 GT Le Mans, equipado com motor turbo 3.8 de 420 cavalos de potência, em dupla com seu filho Christian. Após largar na 2ª posição, o Porsche assumiu a liderança na 16ª volta, permanecendo nesta condição até a volta 116.

A retomada ocorreu na 126ª passagem, e da liderança não mais saíram até a bandeirada, colocando o seu nome na história de forma defitiniva. Durante a corrida, o Porsche funcionou como um relógio suíço, não tendo apresentado qualquer problema, mesmo com a elevação da pressão do turbo de 0,8 bar para 1,5 bar. De quebra, os Fittipaldi marcaram a melhor volta da prova, com 1min43s438.

No ano seguinte, que marcou sua sétima participação em Mil Milhas, Wilsinho voltou com um esquema de corrida ainda mais forte. Inscrito com o Porsche 993 da Equipe Konrad Motorsport, disputou a prova formando trio com Antônio Hermann e Franz Konrad, sendo que este sequer chegou a pilotar o carro, pois estava inscrito no outro Porsche da equipe, que terminou na 2ª posição. O show de velocidade foi tão grande que o Porsche de Wilsinho & Cia. registrou a melhor marca da prova, com 1min41s320, liderou de ponta a ponta e terminou com 15 voltas de vantagem para o 2º colocado e 29 para o 3º.

Descanse em paz, Wilsinho. Você foi um grande campeão aqui nessa terra.










quinta-feira, 25 de maio de 2023

Alexandre "Xandy" Funari Negrão (1953 - 2023)

Esse é o tipo de notícia sobre o qual detesto escrever, mas que infelizmente tem sido recorrente em nosso blog. Porém, nossa intenção é tão somente registrar a passagem de nossos volantes de competição para a pátria espiritual, lembrando de tudo o que fizeram no esporte a motor. E hoje, nossa homenagem vai para o grande (não só na estatura, mas também na contribuição para o esporte nacional) Xandy Negrão, um empresário de sucesso que foi um verdadeiro profissional no automobilismo, e que venceu por onde passou.

A história de Alexandre Funari Negrão no automobilismo começou no final dos anos 70, quando disputou provas de monoposto, mais especificamente na Fórmula Ford. Só que sua carreira só veio a engrenar quando passou para os carros de turismo, vencendo várias corridas no estreante campeonato brasileiro de marcas e pilotos, além de corridas de longa duração.

Dentre tais corridas, podemos citar a 31º edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em janeiro de 2003. Na ocasião, formou quarteto com Fernando Nabuco, Ricardo Etchenique e Ingo Hoffmann (a participação se deu por convite deste) em um esquema improvisado que contava com um Porsche 911 GT3, vindo da Inglaterra sem qualquer aparato técnico.

A vitória foi construída a partir da conquista da pole position, com o tempo de 1min40s357. Só que isso por si só não significa muita coisa em uma prova de longa duração, e a disputa não foi tão tranquila assim. Durante a madrugada, o Porsche dos vencedores se manteve na 2ª posição, atrás de outro Porsche (Raul Boesel), até que este teve um problema no macaco hidráulico durante uma parada no início da manhã. Daí então, puderam assumir a liderança até a bandeirada final, e a vitória veio com 05 voltas de vantagem para o 2º colocado. Em 2004, venceu os 500 km de Interlagos, em dupla com Guto Negrão.

Outra vitória na prova veio em 2005, quando a família Negrão (Xandy, Xandinho e Guto) convidou o então campeão da Stock Car, Giuliano Losacco, para disputar a prova em quarteto. Na disputa, o Audi tomou a liderança logo no início, após a largada com chuva e Xandinho Negrão ao volante. O duelo com o Protótipo ZF durou várias voltas, mas ao final, a vitória veio com 08 voltas de vantagem para o 2º colocado. Naquele ano, ainda venceu os 500 km do Rio de Janeiro, quando uma capotagem nos treinos quase alijou o Audi da disputa. Porém, mesmo largando da última posição, Xandy Negrão e Losacco venceram a prova, após um duelo com o Protótipo ZF, que teve de abandonar em virtude do superaquecimento do motor. Mesmo com a capotada no dia anterior, o Audi rodou como um relógio suíço!

Mas, há que se mencionar também que Xandy alcançou o 2º lugar na prova de 1981, a bordo de um Chevrolet Opala Stock Car, em trio com Dárcio dos Santos e Giu Ferreira, além do 8º lugar em 1985, formando dupla com Sebastião Bendasoli em um Volkswagen Voyage. Em 2007, quando a Mil Milhas foi transformada em uma etapa da Le Mans Series, disputou a prova na categoria LMGT2, com uma Ferrari 430 GT. O trio Xandy Negrão/Xandynho Negrão/Andreas Mattheis terminou em 8º na classificação geral e em 2º na categoria.

E por falar em Stock Car, em que pese termos falado sobre sua trajetória na categoria em 2014, aproveito a ocasião para fazer uma errata sobre a sua estréia no certame, pois na verdade não ocorreu a partir de 1995, como dito antes, mas sim nos anos 80, mais precisamente na 6ª etapa de 1983, disputada em Goiânia/GO. Naquela corrida, pilotou o Opala nº 81, preparado pelo mestre Jayme Silva, terminando na 8ª colocação. E já etapa seguinte, disputada em Brasília/DF, alcançou seu primeiro pódio (terceiro lugar). Naquele ano disputou mais 02 provas em Interlagos/SP, sempre terminando entre os 10 primeiros. Nos anos de 1984 e 1988, Xandy disputou 01 corrida em cada uma deles (Jacarepaguá/RJ e Interlagos/SP, respectivamente), ao passo que sua volta definitiva à categoria ocorreu em 1995.

Neste interregno, foi campeão do Brasileiro de Marcas em 1984, a bordo de um VW Voyage e em dupla com Jayme Figueiredo, e bi-campeão em 1986, dividindo a tocada de um VW Passat com Armando Balbi. Foi também campeão da Copa Fiat Palio em 1996, e após deixar a Stock Car, em 2003, para se dedicar aos negócios e à carreira do filho, foi bi-campeão do GT3 Brasil em 2007 (correndo com Dodge Viper e Lamborghini Gallardo) e em 2008 (com Dodge Viper e Ford GT). O último troféu nas pistas veio em 2019, na categoria Império Endurance Brasil, formando dupla com o filho Xandynho em uma Mercedes-Benz AMG GT (categoria GT3).

Que Deus o receba em sua casa e dê todo o conforto necessário à família.

Ps: essa foi a postagem de número 400 do nosso blog. Agradecemos aos fiéis leitores, que valorizam essa trabalho de preservação da memória automobilística nacional e mundial.


2005

Tarumã, 1995, o palco da 1ª vitória na Stock




Audi TT-R - Mil Milhas de 2004

Mil Milhas de 1981

2007

quinta-feira, 2 de junho de 2022

A história de amor e ódio entre Ingo Hoffmann e as Mil Milhas Brasileiras

Falar que o nosso multicampeão Ingo Ott Hoffmann foi vitorioso nas categorias em que teve condições de sê-lo - com exceção das Fórmulas 1 e 2 - é algo óbvio e desnecessário. Por onde passou, Ingo conquistou vitórias, desde aquelas obtidas com larga vantagem - sobretudo na Stock entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90 - até outras que foram conquistadas após disputas por décimos de segundo com adversários renhidos.

Mas o calcanhar de aquiles de Ingo tinha nome, tradição e não costumava facilitar para ninguém: Trata-se da mais tradicional prova de nosso automobilismo, as Mil Milhas Brasileiras, disputadas desde 1956 e que só perto do fim da carreira do piloto, veio a permitir que este inscrevesse seu nome no rol de vencedores.

A primeira participação de Ingo Hoffmann na prova ocorreu na XI edição, disputada em 08 de dezembro de 1973 só com veículos com preparação sob os regulamentos da Divisão 1 e 3. Naquele início de carreira - ele começou a correr em 1972, com um Fusca na categoria estreantes, quase standard - o veículo escolhido fora um VW Divisão 3, inscrito - logicamente - com o número 17, enquanto a pilotagem fora dividida com o também estreante Alex Dias Ribeiro. Após registrarem o tempo de 3min29s96, obtiveram na corrida um bom 13º lugar, em um grid formado por 64 carros. A posição final só não fora melhor porque o bólido ficou 50 minutos parado nos boxes, por conta de problemas de freio.

A título de argumento, Ingo foi campeão da Divisão 3 em 1973 e 1974, só que neste último ano correu com a famosa VW Brasília com patrocínio da Creditum.

Com o hiato da prova entre 1974 e 1980, em razão da crise do petróleo que impediu a realização de provas de longa duração, como forma de economizar combustível, Ingo só veio a disputar as Mil Milhas novamente em 1981, quando modelos movidos a álcool foram utilizados. Na ocasião, correu a bordo de um Opala Stock Car com Aloysio Andrade Filho, mas a corrida terminou durante a madrugada após a quebra do câmbio, quando ocupavam a 4ª posição com 39 voltas comletadas. Melhor sorte teve a outra dupla da equipe, Roberto Sávio e Luís Roberto Coutinho Nogueira, que levou seu Chevrolet Opala ao 5º lugar na geral.

Não obtive maiores informações a respeito das provas de 1983, 1984 - quanto a esta apurei apenas que ele correu em um Opala Stock Car com Affonso Giaffone Jr. e Pedro Queiroz Lima - 1985, 1986 - correu em dupla com Sávio Murilo de Azevedo, mas abandonaram a prova após uma batida que entortou o diferencial do Opala Stock Car - e 1989. Mas em 1987, é sabido que registrou a pole position a bordo do Opala Stock nº 69 da Equipe Kohlbach, em parceria com Sávio Murilo Azevedo, com a marca de 3min05s90. Depois de brigar pela primeira posição até o fim, a dupla terminou na 3ª posição na geral.

No ano seguinte, a parceria com Sávio Murilo foi repetida, e a dupla veio forte na busca pela vitória, chegando até a liderar a prova no início. Porém, o motor 6 cilindros do Opala abriu o bico após 121 voltas completadas.

Em 1990, na primeira edição disputada no novo - atual - traçado de Interlagos, Ingo correu em trio com Angelo Giombelli e Ariel Barranco no Opala Hot Car nº. Largando da 3º posição, Ingo assumiu a liderança após cerca de 30 minutos de prova. Porém, essa situação durou por apenas 23 minutos, quando o Opala passou a sofrer com problemas no sistema de alimentação, que impôs uma parada de 05 minutos nos boxes para reparos. A volta à pista durou pouco tempo: Com 10 minutos, Ingo parou novamente nos boxes, pois uma peça que caiu de um outro carro acabou sendo "atropelada" pelo Opala e lhe causando problemas na suspensão. O carro ainda resistiu por mais alguns minutos, quando Ariel Barranco parou nos boxes às 02:00 horas para trocar a suspensão, trabalho este que levou cerca de 70 voltas para ser concluído, deixando o trio fora dos 15 primeiros na geral.

Dando início à sua relação com a BMW, Ingo participou de um esquema que a princípio parecia vitorioso para as Mil Milhas de 1992. Naquela oportunidade, a equipe Bychl Euroracing trouxe 02 BMW M3 2.3 para participar da prova: No nº 17 foram inscritos Ingo Hoffmann e os alemães Bernd Effinger e Franz Josef Prangemeier, enquanto que no modelo nº 36, correram o brasileiro Claus Heitkotter e os alemães Jurgen Weiss e Marc Gindorff.

No final das contas, as BMW eram carros quase standard, com pouquíssima preparação, e não andaram quase nada. Após vários problemas nos treinos, sobretudo pela quebra do motor que terminou sendo substituído pelo de um exemplar de rua, e com a gasolina brasileira - misturada com álcool - , Ingo, conhecedor de Interlagos, alcançou apenas a 17ª posição no grid, enquanto a outra BMW ficou mais atrás. Na corrida, Ingo vinha muito bem na 2ª posição, porém o bólido alemão teve que abandonar a disputa na 248ª volta, por conta de superaquecimento. Ironicamente, a BMW nº 36 acabou vencendo.

Novamente com a BMW, desta feita uma 325i da equipe portuguesa Trajecto, Ingo vinha como um dos favoritos à vitória. Formando trio com os titãs do disputado Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, Paulo Júdice e Andreas Mattheis, chegou a liderar a prova por 60 voltas, porém o câmbio resolveu dar o ar da graça na volta 211, acabando com as suas pretensões de vitória.

Em 1994, a busca incansável pela vitória continuou. Inscrito inicialmente em uma BMW 325i com o saudoso André Ribeiro e Walmir Hisgué Benavides, Ingo fora escalado após o início dos treinos para disputar a prova no modelo M3 GTR de fábrica utilizado por Nelson Piquet e Johnny Cecotto. Embora a concorrência com os Porsches fosse grande, a BMW andou sempre entre os ponteiros, chegando a liderar por 10 voltas - entre a 117ª e a 127ª - após o Porsche 911 de Wilsinho e Christian Fittipaldi ir aos boxes.

No entanto, um problema no diferencial fez a M3 ficar parada nos boxes por cerca de 20 minutos, pondo fim à qualquer chance de vitória. Ao final, Ingo e seus companheiros terminaram na 4ª posição, com 361 voltas, logo à frente da BMW nº 17 de Ribeiro e Benavides, com 340.

Por ter andado muito bem com a M3 de fábrica em 1994, Ingo foi escalado para disputar a prova de 1995 na equipe oficial da BMW, que vinha com 02 BMW M3 GTR:

Nº 4 Steve Soper, Nelson Piquet e Paulo Carcasci (largou em 3º, com o tempo de 1min47s129)

Nº 17 Ingo Hoffmann, Nelson Piquet e Marc Duez (largou em 2º, com tempo de 1min46s305)

Na prova, a BMW nº 17 abandonou na 54ª volta, enquanto que a nº 4 abandonou na 91ª devido a um problema nas velas, causando muita fumaça após o estouro do motor do carro.

Entre 1996 e 2002, não participou da prova, tanto por razões de sua própria carreira, quanto pelas instabilidades vividas com a organização das Mil Milhas Brasileiras. Mas o retorno valeu a pena...

Depois de conquistar seu 12º e último título na Stock Car, um dos mais concorridos da carreira, Ingo aceitou o convite de Fernando Nabuco para correr novamente as Mil Milhas. E de um esquema improvisado - o Porsche 911 GT3 veio da Inglaterra sem qualquer aparato técnico -, que contou com a participação de Xandy Negrão a partir do convite de Ingo, formou-se o quarteto vencedor - o piloto de Stock Car Ricardo Etchenique também dividiu a pilotagem - daquela edição da nossa maior prova.

A tão sonhada vitória de Ingo Hoffmann nas Mil Milhas, com quase 50 anos de idade, foi construída a partir da conquista da pole position, com o tempo de 1min40s357. Só que isso por si só não significa muita coisa em uma prova de longa duração, e a disputa não foi tão tranquila assim. Durante a madrugada, o Porsche dos vencedores se manteve na 2ª posição, atrás de outro Porsche (Raul Boesel), até que este teve um problema no macaco hidráulico durante uma parada no início da manhã. Daí então, puderam assumir a liderança até a bandeirada final, e a vitória veio com 05 voltas de vantagem para o 2º colocado.

Em 2004, utilizou novamente um Porsche 911 GT3, desta feita o nº 8 laranja e cinza da equipe Old Boys, de Eduardo Souza Ramos, que tinham a companhia de Ronaldo Ferreira e do vencedor dos 500 km de Interlagos de 1967, Antônio Carlos "Totó" Porto Filho. Como tinha sido escalado para ministrar um curso de direção defensiva da BMW no mesmo final de semana, teve que conciliar as duas atividades. Por isso, foi responsável pela largada - aquela edição foi especial por ter feito parte das comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo - e por conduzir o carro na maior parte da madrugada, em que chegou a liderar na pista molhada após forte disputa com o Audi TT-R da família Negrão. Mas as chances do bicampeonato terminaram pouco após a metade da prova (186 voltas), pois o Porsche teve um princípio de incêndio.

A última participação de Ingo Hoffmann em uma Mil Milhas ocorreu em 2005, quando novamente foi escalado para dividir a tocada do Porsche 911 GT3 da Old Boys, que substituiu Ferreira por Duda Pamplona para aquele ano. Mas em razão de problemas mecânicos, o Porsche nº 04 completou apenas 201 das 372 voltas, ficando na 36ª posição.

E assim, após várias participações, o grande Alemão encerrou sua carreira na prova, com uma vitória maiúscula quando nem mesmo ele esperava mais vencer.











terça-feira, 10 de outubro de 2017

Série Nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte XIV: Camilo Christófaro Júnior


Prosseguindo na série sobre os pilotos que escreveram seu nome na história da Stock Car, falaremos hoje de um piloto com sobrenome histórico no esporte a motor do Brasil. Trata-se de Camilo Christófaro Júnior, o Camilinho, filho do lendário Lobo do Canindé.

Sua história nas pistas começou em meados de 1973, nas provas de estreantes disputadas em Interlagos. Na Stock, fez sua estréia em 1979, mais precisamente na 8ª etapa, disputada em Interlagos, no dia 30 de setembro. Ao final da temporada, marcou 7 pontos.

Ausente entre as temporadas de 1980 e 1982, voltou à categoria em 1983, na 3ª etapa daquele ano, disputada em Interlagos. O saldo daquele ano foram 11 pontos marcados. Entre idas e vindas na categoria, disputou 33 provas, tendo como melhores resultados o 2º lugar conquistado em Interlagos e o 3º lugar em Guaporé, na temporada de 1993, quando correu em dupla com Paulo Gomes e terminou o campeonato na 6ª posição. A sua última prova na categoria fora a 1ª etapa de 1994, disputada em Goiânia, novamente em dupla com Paulão Gomes.

Em se tratando de Mil Milhas, o desempenho de Camilinho se mostra bem mais destacado. Foram várias participações, sendo a primeira em 1981, quando obteve o 6º lugar na geral, formando trio com José Carlos Dias e Cláudio Dudus na condução do Opala nº 17. Dentre as demais participações, sempre de Chevrolet Opala, podemos destacar:

1983 - 3º lugar, com José Munhoz e Américo Bertini;
1984 - 3º lugar, com José Bel Camilo e Américo Bertini;
1985 - 3º lugar, com Neimer Helal e Américo Bertini;
1989 - 3º lugar, com seu pai, Camilo Christófaro e Américo Bertini.

A última participação de Camilo em uma Mil Milhas ocorreu em 1994, quando disputou a prova em dois carros, um Opala, repetindo o trio de 10 anos antes (com José Bel Camilo e Américo Bertini) e no estreante Omega, com Dudu Pimenta e José Barreiro. O Opala terminou na 7ª colocação, com 323 voltas completadas, enquanto o Omega terminou em 10º, com 321 voltas.

A partir de então, passa a se dedicar totalmente à sua equipe, a Escuderia Lobo, que durante muito tempo disputou provas na Stock Light e no Paulista de Super Stock, enquanto que em meados de 2012, passou a chefiar a equipe oficial da Iveco na Fórmula Truck. Com os brutos, fora campeão brasileiro e sul-americano em 2013 com Beto Monteiro, e em razão da cisão da categoria, passou neste ano para a Copa Truck, quando venceu a Copa Centro-Oeste (torneio intermediário, formado pelas etapas de Goiânia e Campo Grande), novamente no apoio a Beto Monteiro.












quarta-feira, 5 de abril de 2017

Alfredo Guaraná Menezes (1952 - 2017)


Foi com pesar que no último dia 26 o automobilismo brasileiro recebeu a notícia do falecimento piloto Alfredo Guaraná Menezes Júnior, uma das figuras mais simpáticas e de grande caráter que já existiu em nosso esporte a motor. Depois de uma internação que já durava mais de 03 (três) meses, para tratar problemas decorrentes de cirrose hepática, que o colocaram na fila de espera por um transplante de fígado, Guaraná não resistiu a um infecção generalizada e ruptura de hérnia, que culminaram na falência múltipla de órgãos, levando-o a óbito por volta das 11h30min do domingo.


Sem sombra de dúvidas foi um dos maiores nome do nosso automobilismo, e sua carreira só não alçou voos ainda mais altos por simples falta de esquemas de corrida mais estruturados, que lhe dessem condições de mostrar o seu talento, o que, diga-se de passagem, ele tinha de sobra. No Brasil, fora bicampeão da Fórmula Super Vê (1978 e 1979), sendo o grande rival de Nelson Piquet antes do futuro tricampeão de Fórmula 1 partir para a Europa. Porém, sua marca mais expressiva, em caráter internacional, foi o 2º lugar na categoria e 7º na classificação geral obtidos nas 24 horas de Le Mans de 1978, a bordo de um Porsche 935/77 3.0L Turbo, formando trio com Paulo Gomes e Marinho Amaral, depois de largarem na 23ª posição.

Ainda teve fôlego para em 1981 ser campeão brasileiro da Fórmula 2, antes de disputar provas na Stock Car pela equipe montada pelo pai do piloto Hélio Castroneves, bem como da Fórmula Chevrolet, em seus primórdios, nos anos de 1994 e 1995.

Sua história nas Mil Milhas Brasileiras começou em 1973, quando obteve o 5º lugar em um VW Divisão 3, atrás somente dos grandalhões Maverick e Opala, dividindo a pilotagem com Luigi Giobbi. Porém, sua performance final merece algumas explicações. Guaraná chegou a ocupar a 2ª colocação, porém teve um para-brisa quebrado e depois a embreagem. Quando restavam 07 voltas para o final, rodou na curva da ferradura, o que fez com que perdesse a 4ª posição, terminando com 06 voltas de desvantagem para os vencedores, Bird e Nilson Clemente.

Na prova seguinte, disputada em 1981, teve seu melhor resultado, ao alcançar a 3ª posição na geral, com um Opala Stock em trio com Paulo Valiengo e Aldo Pugliese, apenas 03 voltas atrás dos vencedores, os irmãos Giaffone e Chico Serra, que igualmente correram de Opala.

As últimas participações de Guaraná nas Mil Milhas ocorreram nos anos de 2001 e 2002, sendo que no primeiro ano correu de BMW, terminando na 9ª posição geral e 1ª na classe 2, enquanto que em 2002 fora inscrito no Lister Storm de Alcides Diniz, que completou apenas 11 voltas, abandonando por conta de problemas com os pneus, bem como na BMW M3 da mesma equipe, que chegou a completar somente 48 voltas.

Suas últimas corridas foram 02 etapas (4ª e 9ª) da temporada 2006 da Stock Light, quando correu em Interlagos para conhecer melhor o carro de sua própria equipe, que na época era pilotado por Cadu Pasetti.

Que descanse em paz e siga sua nova jornada, Guaraná!









segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Fusca nas Mil Milhas de Interlagos - Dia Nacional do Fusca

No início deste blog, fiz uma postagem que continha fotos de alguns dos Fuscas que participaram de edições das Mil Milhas de Interlagos. Mas claro que apenas algumas fotos não seriam suficientes para contar uma história de mais de 50 anos. Então, estive hoje pensando nas façanhas que o "besouro" realizou na mais prestigiada prova de longa duração de nosso calendário, e resolvi escrever essas linhas. E além do mais, hoje é o dia dele! 20 de janeiro: Dia Nacional do Fusca.

A primeira participação de um Volkswagen ocorreu na primeira edição da prova, em 1956. Tratava-se de um modelo equipado com motor 1.5 litros, preparado por Jorge Lettry, cuja receita utilizava 02 carburadores Solex e até comando de válvulas derivado de um Porsche 550. Para se ter uma ideia do esmero da preparação da criança, basta levar em conta que esse motor tinha 74 cavalos de potência, quando o motor 1.1 original do VW tinha cerca de 25 cavalos. Em termos de tempo de volta, a média no traçado de Interlagos ficou em torno de 4min18s, chegando a 4min15s com o pé no porão. Na corrida, a pilotagem ficou por conta dos saudosos Eugênio Martins e Christian "Bino" Heins, que assumiram a liderança por volta da metade da prova, mas que na volta 138, tiveram que ir para os boxes, por conta da quebra do cabo do acelerador. Infelizmente o conserto demorou um longo tempo, o que fez com que o carrinho perdesse algumas posições na classificação, mas ao final, ainda alcançou o 2º lugar, com 04 voltas de desvantagem para a Carretera Ford de Breno Fornari/Catharino Andreatta.




No ano seguinte, o número de exemplares inscrito na prova aumentou, porém o desempenho foi mais discreto. Vejamos:

29º VW nº 12 Gabriel Cucchiarelli e Flávio Del Mese RS – 134 voltas
34º VW nº 56 Freddy e Manoel SP – 24 voltas
35º VW/Porsche nº 10 Haroldo Dreux e Aldo Costa RS – 24 voltas
 

Entretanto, em 1958 apenas um VW disputou a Mil Milhas, cujo grid foi de somente 29 carros. O carro em questão era o VW/Porsche 1.6 da dupla Fritz D'Orey e Lauro Bezerra, irmão de Washington Bezerra, um dos fundadores da Stock Car. A dupla alcançou o 9º lugar na corrida, mas teve a performance prejudicada pela quebra do para-brisa.

Mas no ano seguinte, este mesmo bólido teria uma performance bem mais destacada, ao chegar na 3ª posição, atrás somente de 02 Carreteras. Neste ano, Bezerra formou dupla com Caio Marcondes Ferreira.




Entre os 20 melhores colocados, ainda estavam mais dois VW:

15º VW/Porsche nº 10 Haroldo Dreux e Aldo Costa RS – 165 voltas
19º VW nº 66 José Maria Salles e Antonio Pereira SP – 158 voltas

Em 1961, somente o VW de Haroldo Dreux e Aldo Costa participou da corrida. Não há registro da posição de chegada.

Na edição de 1965, há o registro que o VW da dupla Silvano Pozzi/Marcelo Audrá chegou na 17ª posição, à frente de Emerson Fittipaldi, que fazia sua estreia na prova.

A próxima participação destacada do besouro ocorreu na prova de 1967, quando o VW de Fritz Jordan/Nataniel Towsend chegou no 6º lugar, após completar 168 voltas.




Em 1970, com o maior desenvolvimento da preparação da mecânica VW a ar, aliada à aposentadoria de concorrentes de pequeno porte, como o DKW e o Gordini, o VW tornou-se a fórmula menos onerosa para participar da corrida. A prova disso são os 21 exemplares inscritos na disputa, entre os quais estava o conversível com carroceria de feita em fibra - apelidado de Spyder - da dupla Anésio Hernandez/Nataniel Towsend.





Os melhores colocados na prova foram:

14º VW 2000 Nº 5 Sílvio Montenegro e José Lofti SP – 177 voltas
16º VW 1900 Nº 83 Adolfo Trocoli e Kasteca RJ – 174 voltas
21º VW 1900 Nº 34 Ricardo Di Loreto e Osmar de Almeida Jr. – 161 voltas
22º VW 1900 Nº 20 Martinho Silberschimid e Amadeo Machado Campos – 161 voltas
24º VW 1900 Nº 70 Jorge Henrique Paulo e Antônio Luiz Meirelles – 157 voltas
27º VW 1900 Nº 15 Jean A. Samuel e Carlos Vianna – 144 voltas


Josil Garcia e Luis Filinto Jr.

Márcio Costa e Pedro Rezende


A prova de 1973 marcaria a invasão dos VW, todos equipados com motor 1.6 e preparação sob o regulamento das antigas Divisão 1 e 3, os apelidados "penicos atômicos". Foram vários exemplares memoráveis inscritos naquela prova, sendo que o mais destacado foi o nº 29, da dupla Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi, que chegou a ocupar o 2º lugar no decorrer da disputa, mas que em virtude de problemas, acabou terminando no 5º posto. Muito bom para um Fusca no meio dos "brutamontes" Opalas e Mavericks, rsrsrsrs. Nesta prova, até mesmo Ingo Hoffmann  - em dupla com Alex Dias Ribeiro - e o saudoso Sid Mosca  - em dupla com Rubens Chiodi - utilizaram o VW. Por ordem de chegada, essa foi a lista dos participantes:


5º VW nº 29 Alfredo Guaraná Menezes e Luigi Giobbi SP – 195 voltas
6º VW nº 47 Bruno D’Almeida e Voltaire Mogg RS – 191 voltas
7º VW nº 19 Toni Rocha e Peter Schultswenk SP/RJ – 190 voltas
9º VW nº 15 Plínio Riva Giosa e Jacinto Tognato SP – 188 voltas
10º VW nº 54 Amandio Ferreira e Sérgio Alhadeff SP – 188 voltas
12º VW nº 62 Keniti Yoshimoto e Hiroshi Yoshimoto SP – 185 voltas
13º VW nº 17 Alex Dias Ribeiro e Ingo Hoffmann DF/SP – 184 voltas
14º VW nº 16 Nélson Giraldes e Maximo Pedrazzi SP – 177 voltas
16º VW nº 63 Carlos de Carvalho e Vicente Galicchio SP – 172 voltas
17º VW nº 36 Pietro Jaconelli e Vincenzo Jaconelli SP – 171 voltas
18º VW nº 44 Jerônimo Pereira e Francisco Pereira SP – 166 voltas
19º VW nº 11 Júlio Renner e Fernando Esbróglio RS – 154 voltas
20º VW nº 50 Mane Simão e Alberto Serrodio SP – 154 voltas
21º VW nº 30 Maurício Chulam e Sérgio Benoni RS/PR – 153 voltas
23º VW nº 26 José Balieiro e Edimir Fernandes – 141 voltas
25º VW nº 24 Erico Pereira e Luís Osório – 138 voltas
26º VW nº 51 Bruno Rubinatto e Koji (Ponkan Myamoto) – 138 voltas
27º VW nº 41 Julio Caio Marques e Luís Evandro – 135 voltas
32º VW nº 60 Amadeo Campos e Oswaldo Melone – 111 voltas
33º VW nº 69 Luís Dassoler e Roberto Ypych Jr. – 103 voltas
34º VW nº 59 Edson Yoshikuma e Miguel Yoshikuma – 97 voltas
35º VW nº 34 Arturo Fernandes e Oswaldo Carajelescow – 83 voltas
36º VW nº 3 Sidney Mosca e Rubens Chiodi – 81 voltas
38º VW nº 6 Ney Faustini e Aloysio Andrade Filho - 68 voltas
39º VW nº 33 Paulo S. Caetano e Ricardo Coelho – 66 voltas
41º VW nº 68 Pedro Mufatto e Antonio Muffato – 48 voltas
44º VW nº 28 José Melkan e César Fiamenchi – 42 voltas
45º VW nº 52 José Luís Nogueira e Antonio Furneel – 42 voltas
46º VW nº 49 Alfredo de Mattos e Luiz Antônio “Teleco” Veiga – 41 voltas
47º VW nº 65 Ricardo Mansur e Pepa – 38 voltas
49º VW nº 25 Cláudio Cavallini e Orlando Lovecchio – 25 voltas
50º VW nº 35 João R. Schimot e Ricardo Di Loreto – 20 voltas
51º VW nº 1 Jozil Garcia e Francisco Gondim – 20 voltas
57º VW nº 32 Tony Pirillo e Dante Chiaroni – 11 voltas
58º VW nº 70 Othon Echel e Raul Machado – 9 voltas
59º VW nº 27 Ronald Berg e Wilson Sapag Jr. – 6 voltas
61º VW nº 9 Luís Brazolin e Ricardo Mogames – 6 voltas
63º VW nº 56 Dimas Mello Pimenta e Fausto Wajchemberg – 4 voltas
64º VW nº 40 Eduardo Lopes e Paulo Della Volpe – 1 volta




















Na volta da prova, em 1981, o domínio foi dos Opalas Stock Car, mas em 24º lugar estava o VW Hot Car de João Lindau e José Lenci Neto, com 168 voltas. Ainda marcaram presença na prova os VW de Arturo Fernandez (nº 20), Júlio Miglioli (nº 44) e Jr. Lara Campos (nº 11).










Em 1984, mesmo com toda a concorrência dos VW Passat's e do estreante Ford Escort, o VW Hot Car nº 91 de Júlio Miglioli e José Ferraz terminou a prova na 13ª colocação, com 189 voltas completadas. Ainda, outros Fuscas também marcaram presença na prova, mas não tiveram o mesmo sucesso:

Nº 37 - Aristides Dalécio e Laércio Santos
Nº 61 - Carlos Manzetti e Irineu Borella











Em 1988, o VW Hot Car da dupla José Fercolin/Carlos "Sueco" Gonçalves também foi inscrito na prova:




No ano seguinte, o único VW Hot Car inscrito na Mil Milhas, em meio a outros Fuscas Speed 1600, foi o nº 94, guiado pelo trio Renato Marlia/Maurício Seraphim/Antônio Piva:





Entre 1990 e 1997, não possuo registros de que algum Fusca tenha participado da prova, mas acredito que em alguns desses anos houveram participações do modelo. A certeza é que, em 1998, dois exemplares do besouro, ambos com preparação Speed 1600, participaram da prova. Foram eles:

Speed 1600 Nº 96 Zarrir Adebe Jr. e Edson Vicencoto – 285 voltas (15º lugar)
Speed 1600 Nº 46 Jorge Fulco e Sérgio Luiz Machrdiner – 224 voltas (21º lugar)

E os besouros fizeram bonito na categoria IV (motores até 1.6 litros), com o 1º lugar de Zarrir Adebe Jr/Edson Vicencoto e o 3º de Jorge Fulco e Sérgio Luiz Machrdiner:




E foi o Speed - fabricado em 1985 - de Jorge Fulco que em 2001, marcou a última participação de um Fusca na disputa. Os tempos eram outros, e já não havia mais espaço para o velho guerreiro em meio a tantos esportivos de alta performance e protótipos igualmente velozes. Mas ainda assim, o Speed foi inscrito na prova, e conquistou a última posição entre os carros que participaram dos treinos classificatórios, com o tempo de 2min40s662. A corrida para a dupla Jorge Fulco/José Augusto Alves Jr. terminou com 98 voltas completadas.

E esse foi um pequeno relato da história das participações do VW Fusca em nossa maior prova de longa duração. Infelizmente não foi possível catalogar todos os dados e imagens, de todos os anos, mas o material aqui reunido nos permite ter uma ideia da dimensão da história do pequeno nas Mil Milhas, uma história que se confunde com a história da própria corrida.