"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Mil Milhas 70 anos - Chevrolet Opala Stock Car - 1987

Queridos leitores! Estamos na contagem regressiva da realização de mais uma edição histórica das Mil Milhas Brasileiras. A prova que será disputada a partir da meia-noite do dia 25 de janeiro de 2026, marcará os 70 anos de existência do maior evento autobilístico nacional, que se tornou tão grande, ao ponto de precisar realizar uma prova de 500 Milhas no mesmo dia para comportar todos os concorrentes inscritos.

E nesse sentimento, começaremos hoje os preparativos para a cobertura da prova, trazendo em maior frequência os casos e histórias da prova que tanto amamos.

E o registro de hoje é do Chevrolet Opala Stock Car nº 63 do trio Ricardo Lang, Sidney Alves e José Fiaminghi. Este carro disputou a 17ª edição das Mil Milhas Brasileiras, realizada em um chuvoso 25 de janeiro de 1987. Foram 194 voltas completadas (10 a menos que o Opala vencedor), suficientes para deixá-lo na 6ª posição na classificação geral.





* Postagem realizada com a colaboração do nosso irmão Rodrigo Carelli do //blogdocarelli.blogspot.com e do canal Entusiastas sobre Rodas, no Youtube.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Opalas Stock Car - Mil Milhas de 1987

A 27ª edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em 25 de janeiro de 1987, teve a chuva insistente como característica mais marcante. Naquele ano, todos os treinos foram disputados debaixo de chuva, e somente na sexta-feira anterior à prova (a largada foi dada à meia-noite do domingo), abriu-se uma "janela" no céu de Interlagos, que deu aos pilotos e equipes uma oportunidade para um acerto mais fino.

No grid formado por 51 carros (foram inscritos 53), a pole position foi registrada pela dupla Sávio Murilo/Ingo Hoffman (Equipe Kohlbach), a bordo do Opala Stock Car nº 69, com o tempo de 3min05s90 (parceria que foi repetida no ano seguinte).

Mais uma vez, São Pedro abriu uma brecha no tempo antes de largada, deixando a pista relativamente seca, quando Ingo Hoffman partiu na frente do pelotão e manteve a liderança até a curva do sargento, momento em que foi ultrapassado por José Carlos Dias, o Zeca Salsicha (formando dupla com Leandro de Almeida no Opala Stock Car da Equipe Tapetes Bandeirantes/Bolsa de Valores).

A chuva voltou com intensidade a partir das 2h30min, sendo que neste interim, Sávio Murilo retomou a liderança, que durou até a volta 135. Neste momento, com a chuva em sua maior intensidade, uma verdadeira correnteza se formou na curva do sol, servindo de palco para algumas rodadas e escapadas da pista. Uma das vítimas desse "rio", quando tentava voltar à pista, acabou colidindo com o Opala de Ingo/Murilo, entortando-lhe o eixo traseiro ao ponto de necessitar a sua troca imediata.

A troca do componente implicou na perda de nove voltas, colocando fim nas pretensões de vitória da dupla (seria a primeira vitória de Ingo, que só conseguiu obtê-la 16 anos depois), sendo ultrapassada pelos Opalas Stock Car de Marcos Gracia/Luiz Alberto Pereira e Valdir Benavides/Júlio Coimbra. Mesmo assim, Ingo/Murilo ainda conseguiram descontar três voltas de desvantagem para os dois primeiros.

Os 10 primeiros colocados:

1º Chevrolet Opala Stock Car nº 67 Car Luiz Alberto Pereira e Marcos Gracia SP/GO – 206 voltas

2º Chevrolet Opala Stock Car nº 86 Walmir Benavides e Júlio Coimbra SP – 201 voltas

3º Chevrolet Opala Stock Car nº 69 Ingo Hoffmann e Sávio Murilo de Azevedo SP/SC – 200 voltas

4º Chevrolet Opala Mário Yokota e Neimer Helal SP – 197 voltas

5º Ford Maverick nº 11 Denísio Casarini e Luis “Pitoco” Rosenfeld SP – 195 voltas

6º Chevrolet Opala Stock Car nº 63 Ricardo Lang, Sidney Alves e José Fiamenghi PR/PR/SP – 194 voltas

7º Chevrolet Opala Fausto Wajchenberg, Vicente Corrêa e Sérgio Di Genova SP – 191 voltas

8º VW Voyage nº 3 José Cherchiai e Marco Galasso SP – 187 voltas

9º Ford Maverick nº 16 Dedé Gomes e Luiz Carlos Sansone SP – 186 voltas

10º Chevrolet Opala Sílvio Gléria, Carlos Col e Marcio Canovas – 184 voltas





segunda-feira, 7 de abril de 2025

Opalas Stock Car - Mil Milhas anos 80

Seria redundante dizer que o Chevrolet Opala, seja sob o regulamento da Divisão1, Stock Car, Hot Car ou Força Livre, foi o grande nome das edições das Mil Milhas disputadas na década de 80. Das oito edições disputadas no período, apenas a corrida realizada em 1983 não foi vencida pelo modelo, embora em todas elas, as dez primeiras colocações tenham sido conquistadas por Opalas, em sua maioria.

E nesse tema, trazemos para vocês, caros leitores, uma sequência de fotos de Opalas que registraram participações nas Mil Milhas entre 1981 e 1989, formando grids que até hoje enchem os olhos dos apaixonados pelo modelo.


1987 - Leandro de Almeida e Zeca "Salsicha" Dias


1988 - Ênio di Bonito, Almir Couto e Renée Vanucci
1989 - José Antônio Bruno, Jorge Precupeano e Marcos Fantinati - 35º lugar na prova, com 144 voltas

1986 - Renato Marlia e Neimer Helau







domingo, 16 de junho de 2024

Obrigado, Sr. Luiz Francisco Batista (1939 - 2024)

Em um dia distinto para o automobilismo em geral (hoje a Ferrari venceu mais uma vez as 24 Horas de Le Mans, repetindo o bicampeonato que não acontecia desde a década de 60), recebemos a notícia do desencarne de um ícone do automobilismo brasileiro. Estamos falando de Luiz Francisco Batista.

Nascido na cidade paulista de Itu, sr. Batista começou sua carreira trabalhando como mecânico e funileiro em concessionárias Ford, onde ganhou experiência para abrir o seu próprio negócio em 1975, ainda com o nome Agromotor. Na época, a oficina era especializada na linha Willys, tendo posteriormente mudado o foco de trabalho para a linha Ford a partir de 1946.

O ano de 1979 marcou o início da atuação na linha que se tornou sua marca registrada, quando passou a comercializar também peças para os modelos grandes da Ford, Landau, Maverick e Mustang. No ano seguinte, vieram as participações em provas de automobilismo, mais especificamente na emblemática Turismo 5000.

Sobre essa categoria, é indispensável abrir um parêntese. A Automotor não só fora vencedora de várias corridas, como também bicampeã com o Ford Maverick de Ney Faustini, nos anos de 1984 e 1985. E além disso, vieram os carros marcantes que o sr. Batista ousou desenvolver e colocar nas disputas no anel externo de Interlagos, como o Maverick 4 portas e o Galaxie.

Somadas às conquistas na Turismo 5000, os anos 90 são igualmente memoráveis pela fila de títulos na Speed 1600 e Força Livre Paulista, já com Luiz Fernando ao volante, o Batistinha, e utilizando também o Ford Mustang. E nem mesmo as provas de arrancada ficaram de fora do "cardápio" da Automotor, pois a partir de 1987, Batistinha passou a disputar provas em Interlagos com um Maverick 1974 derivado da Turismo 5000, sendo campeão paulista nos anos de 1990 e 1991.

Este bólido passou cerca de 09 anos parado, e só retornou em 2002, quando passou a disputar a antiga categoria TTS (Tração Traseira Super), e esporádicas participações na TTN (Tração Traseira Nitro). Nessa época, foram vários recordes quebrados, além dos títulos paulistas de 2003 e 2004, paranaense de 2006 e 2007 (onde chegou a marcar 10s048 na categoria SSTT, nos 402 metros) e do Festival Força Livre de Arrancada, disputado também em Curitiba, quando venceu em 2004 e 2006.

E por fim, não poderíamos deixar de falar nas Mil Milhas Brasileiras, prova em que a Automotor foi tradicional participante com seus carros brancos com listras duplas azuis. Em alguns anos, foram mais de um Maverick inscrito, enquanto que em 1994, o Mustang também deu as caras. Os resultados mais destacados foram os seguintes:

1986 - 10º Ford Maverick Plínio Riva Giosa e João Batista Caldeira – 183 voltas

1987 - 5º Ford Maverick Denísio Casarini e Luis “Pitoco” Rosenfeld SP – 195 voltas e 9º Ford Maverick Dedé Gomes e Luiz Carlos Sansone SP – 186 voltas


Descanse em paz, sr. Batista. E leve consigo nossa admiração e respeito.

















quinta-feira, 2 de junho de 2022

A história de amor e ódio entre Ingo Hoffmann e as Mil Milhas Brasileiras

Falar que o nosso multicampeão Ingo Ott Hoffmann foi vitorioso nas categorias em que teve condições de sê-lo - com exceção das Fórmulas 1 e 2 - é algo óbvio e desnecessário. Por onde passou, Ingo conquistou vitórias, desde aquelas obtidas com larga vantagem - sobretudo na Stock entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90 - até outras que foram conquistadas após disputas por décimos de segundo com adversários renhidos.

Mas o calcanhar de aquiles de Ingo tinha nome, tradição e não costumava facilitar para ninguém: Trata-se da mais tradicional prova de nosso automobilismo, as Mil Milhas Brasileiras, disputadas desde 1956 e que só perto do fim da carreira do piloto, veio a permitir que este inscrevesse seu nome no rol de vencedores.

A primeira participação de Ingo Hoffmann na prova ocorreu na XI edição, disputada em 08 de dezembro de 1973 só com veículos com preparação sob os regulamentos da Divisão 1 e 3. Naquele início de carreira - ele começou a correr em 1972, com um Fusca na categoria estreantes, quase standard - o veículo escolhido fora um VW Divisão 3, inscrito - logicamente - com o número 17, enquanto a pilotagem fora dividida com o também estreante Alex Dias Ribeiro. Após registrarem o tempo de 3min29s96, obtiveram na corrida um bom 13º lugar, em um grid formado por 64 carros. A posição final só não fora melhor porque o bólido ficou 50 minutos parado nos boxes, por conta de problemas de freio.

A título de argumento, Ingo foi campeão da Divisão 3 em 1973 e 1974, só que neste último ano correu com a famosa VW Brasília com patrocínio da Creditum.

Com o hiato da prova entre 1974 e 1980, em razão da crise do petróleo que impediu a realização de provas de longa duração, como forma de economizar combustível, Ingo só veio a disputar as Mil Milhas novamente em 1981, quando modelos movidos a álcool foram utilizados. Na ocasião, correu a bordo de um Opala Stock Car com Aloysio Andrade Filho, mas a corrida terminou durante a madrugada após a quebra do câmbio, quando ocupavam a 4ª posição com 39 voltas comletadas. Melhor sorte teve a outra dupla da equipe, Roberto Sávio e Luís Roberto Coutinho Nogueira, que levou seu Chevrolet Opala ao 5º lugar na geral.

Não obtive maiores informações a respeito das provas de 1983, 1984 - quanto a esta apurei apenas que ele correu em um Opala Stock Car com Affonso Giaffone Jr. e Pedro Queiroz Lima - 1985, 1986 - correu em dupla com Sávio Murilo de Azevedo, mas abandonaram a prova após uma batida que entortou o diferencial do Opala Stock Car - e 1989. Mas em 1987, é sabido que registrou a pole position a bordo do Opala Stock nº 69 da Equipe Kohlbach, em parceria com Sávio Murilo Azevedo, com a marca de 3min05s90. Depois de brigar pela primeira posição até o fim, a dupla terminou na 3ª posição na geral.

No ano seguinte, a parceria com Sávio Murilo foi repetida, e a dupla veio forte na busca pela vitória, chegando até a liderar a prova no início. Porém, o motor 6 cilindros do Opala abriu o bico após 121 voltas completadas.

Em 1990, na primeira edição disputada no novo - atual - traçado de Interlagos, Ingo correu em trio com Angelo Giombelli e Ariel Barranco no Opala Hot Car nº. Largando da 3º posição, Ingo assumiu a liderança após cerca de 30 minutos de prova. Porém, essa situação durou por apenas 23 minutos, quando o Opala passou a sofrer com problemas no sistema de alimentação, que impôs uma parada de 05 minutos nos boxes para reparos. A volta à pista durou pouco tempo: Com 10 minutos, Ingo parou novamente nos boxes, pois uma peça que caiu de um outro carro acabou sendo "atropelada" pelo Opala e lhe causando problemas na suspensão. O carro ainda resistiu por mais alguns minutos, quando Ariel Barranco parou nos boxes às 02:00 horas para trocar a suspensão, trabalho este que levou cerca de 70 voltas para ser concluído, deixando o trio fora dos 15 primeiros na geral.

Dando início à sua relação com a BMW, Ingo participou de um esquema que a princípio parecia vitorioso para as Mil Milhas de 1992. Naquela oportunidade, a equipe Bychl Euroracing trouxe 02 BMW M3 2.3 para participar da prova: No nº 17 foram inscritos Ingo Hoffmann e os alemães Bernd Effinger e Franz Josef Prangemeier, enquanto que no modelo nº 36, correram o brasileiro Claus Heitkotter e os alemães Jurgen Weiss e Marc Gindorff.

No final das contas, as BMW eram carros quase standard, com pouquíssima preparação, e não andaram quase nada. Após vários problemas nos treinos, sobretudo pela quebra do motor que terminou sendo substituído pelo de um exemplar de rua, e com a gasolina brasileira - misturada com álcool - , Ingo, conhecedor de Interlagos, alcançou apenas a 17ª posição no grid, enquanto a outra BMW ficou mais atrás. Na corrida, Ingo vinha muito bem na 2ª posição, porém o bólido alemão teve que abandonar a disputa na 248ª volta, por conta de superaquecimento. Ironicamente, a BMW nº 36 acabou vencendo.

Novamente com a BMW, desta feita uma 325i da equipe portuguesa Trajecto, Ingo vinha como um dos favoritos à vitória. Formando trio com os titãs do disputado Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, Paulo Júdice e Andreas Mattheis, chegou a liderar a prova por 60 voltas, porém o câmbio resolveu dar o ar da graça na volta 211, acabando com as suas pretensões de vitória.

Em 1994, a busca incansável pela vitória continuou. Inscrito inicialmente em uma BMW 325i com o saudoso André Ribeiro e Walmir Hisgué Benavides, Ingo fora escalado após o início dos treinos para disputar a prova no modelo M3 GTR de fábrica utilizado por Nelson Piquet e Johnny Cecotto. Embora a concorrência com os Porsches fosse grande, a BMW andou sempre entre os ponteiros, chegando a liderar por 10 voltas - entre a 117ª e a 127ª - após o Porsche 911 de Wilsinho e Christian Fittipaldi ir aos boxes.

No entanto, um problema no diferencial fez a M3 ficar parada nos boxes por cerca de 20 minutos, pondo fim à qualquer chance de vitória. Ao final, Ingo e seus companheiros terminaram na 4ª posição, com 361 voltas, logo à frente da BMW nº 17 de Ribeiro e Benavides, com 340.

Por ter andado muito bem com a M3 de fábrica em 1994, Ingo foi escalado para disputar a prova de 1995 na equipe oficial da BMW, que vinha com 02 BMW M3 GTR:

Nº 4 Steve Soper, Nelson Piquet e Paulo Carcasci (largou em 3º, com o tempo de 1min47s129)

Nº 17 Ingo Hoffmann, Nelson Piquet e Marc Duez (largou em 2º, com tempo de 1min46s305)

Na prova, a BMW nº 17 abandonou na 54ª volta, enquanto que a nº 4 abandonou na 91ª devido a um problema nas velas, causando muita fumaça após o estouro do motor do carro.

Entre 1996 e 2002, não participou da prova, tanto por razões de sua própria carreira, quanto pelas instabilidades vividas com a organização das Mil Milhas Brasileiras. Mas o retorno valeu a pena...

Depois de conquistar seu 12º e último título na Stock Car, um dos mais concorridos da carreira, Ingo aceitou o convite de Fernando Nabuco para correr novamente as Mil Milhas. E de um esquema improvisado - o Porsche 911 GT3 veio da Inglaterra sem qualquer aparato técnico -, que contou com a participação de Xandy Negrão a partir do convite de Ingo, formou-se o quarteto vencedor - o piloto de Stock Car Ricardo Etchenique também dividiu a pilotagem - daquela edição da nossa maior prova.

A tão sonhada vitória de Ingo Hoffmann nas Mil Milhas, com quase 50 anos de idade, foi construída a partir da conquista da pole position, com o tempo de 1min40s357. Só que isso por si só não significa muita coisa em uma prova de longa duração, e a disputa não foi tão tranquila assim. Durante a madrugada, o Porsche dos vencedores se manteve na 2ª posição, atrás de outro Porsche (Raul Boesel), até que este teve um problema no macaco hidráulico durante uma parada no início da manhã. Daí então, puderam assumir a liderança até a bandeirada final, e a vitória veio com 05 voltas de vantagem para o 2º colocado.

Em 2004, utilizou novamente um Porsche 911 GT3, desta feita o nº 8 laranja e cinza da equipe Old Boys, de Eduardo Souza Ramos, que tinham a companhia de Ronaldo Ferreira e do vencedor dos 500 km de Interlagos de 1967, Antônio Carlos "Totó" Porto Filho. Como tinha sido escalado para ministrar um curso de direção defensiva da BMW no mesmo final de semana, teve que conciliar as duas atividades. Por isso, foi responsável pela largada - aquela edição foi especial por ter feito parte das comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo - e por conduzir o carro na maior parte da madrugada, em que chegou a liderar na pista molhada após forte disputa com o Audi TT-R da família Negrão. Mas as chances do bicampeonato terminaram pouco após a metade da prova (186 voltas), pois o Porsche teve um princípio de incêndio.

A última participação de Ingo Hoffmann em uma Mil Milhas ocorreu em 2005, quando novamente foi escalado para dividir a tocada do Porsche 911 GT3 da Old Boys, que substituiu Ferreira por Duda Pamplona para aquele ano. Mas em razão de problemas mecânicos, o Porsche nº 04 completou apenas 201 das 372 voltas, ficando na 36ª posição.

E assim, após várias participações, o grande Alemão encerrou sua carreira na prova, com uma vitória maiúscula quando nem mesmo ele esperava mais vencer.











domingo, 14 de junho de 2020

Ford Maverick em 1986


A partir dos anos 80, o Ford Maverick, produzido no Brasil entre 1973 e 1979, infelizmente caiu numa espécie de limbo, pois sequer era considerado um carro clássico, mas tão somente um concorrente ultrapassado do Opala que havia sido saído de linha. Muita gente não sabia o que fazer com os exemplares que tinha, e não raro, muitos sofreram a ação depreciativa do tempo até se acabarem. E quem diria que 40 anos depois, um Maverick restaurado poderia alcançar o valor de venda na casa de R$ 100.000,00? Sábio foi quem guardou e cuidou do seu...

Apesar de possuir uma categoria em que dominava o grid, a Turismo 5000 (que corria somente no anel externo de Interlagos), o modelo Ford com motor V8 ainda era inscrito esporadicamente em algumas provas de longa duração, como a Mil Milhas Brasileiras. Porém, o hiato da prova nos anos 70  prejudicou bastante a história do Maverick nas Mil Milhas, porquanto disputou em condições de igualdade apenas a prova de 1973 (ano do lançamento do carro), considerando que a próxima edição ocorreu apenas em 1981, quando o Ford já tinha saído de linha.

Já nos anos 80, além das participações da equipe Automotor (inicialmente denominada Agromotor), podemos citar o Maverick nº 50 inscrito pelo trio Roberto Catarina/Homero de Bei/Justino de Maio na prova de 1986, que se não alcançou uma posição destacada na classificação final, com certeza destoou no grid dominado por Opalas, Passat's, Escort's e outros carros como motores até 2000 cc.

Cabe lembrar que o piloto Justino de Maio (cujo nome posteriormente fora dado a uma avenida em Guarulhos/SP) havia vencido a prova no ano de 1965, à bordo de uma Carretera Chevrolet V8 em dupla com Victório Azallin, igualmente inscrita com o nº 50.

Em 1987, o Maverick foi novamente inscrito na prova, tendo como comandantes os pilotos Roberto Catarina/Homero de Bei/"Gato" (Juan Gimenez).





1987

domingo, 26 de janeiro de 2020

Volkswagen Voyage em 1987


O registro de hoje nos remete à grande participação dos pilotos José Cherchiai e Marcos Galasso na edição (XVII) das Mil Milhas disputada em 25 de janeiro de 1987. Na ocasião, a dupla dividiu a pilotagem do VW Voyage nº 3, tendo alcançado a 8ª posição na classificação geral (atrás apenas de Opalas e um Maverick) e a vitória na categoria até 2000cc, com 187 voltas completadas (9 atrás do vencedor).



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Maverick modificado da Automotor - 1987


O registro de hoje nos remete à XVII edição da Mil Milhas Brasileiras, disputada em 25 de janeiro de 1987, prova que fora marcada pela forte e insistente chuva que permaneceu durante quase toda a prova.

Naquele ano, fora inscrito sob o nº 11, um exemplar do Ford Maverick preparado pela equipe Automotor, chefiada pelo Sr. Luiz Francisco Batista, que disputava provas do Campeonato Paulista de Automobilismo, sobretudo a veloz Turismo 5000, que corria apenas no anel externo de Interlagos.

A preparação do "Maveco" incluía o tradicional e esmerado acerto de carburação da equipe, forte trabalho de alívio na carroceria e até mesmo o rebaixamento do teto, como forma de proporcionar ganhos aerodinâmicos e assim fazer frente aos Opalas Stock Car, sempre bem preparados e com grandes times de pilotos no comando.

A pilotagem ficou por conta da dupla Denísio Casarini/Luis "Pitoco" Rosenfeld", época em que Casarini havia dado uma pausa em sua vitoriosa carreira nas motos e vinha disputando provas na Stock Car e no Brasileiro de Marcas e Pilotos, enquanto Rosenfeld igualmente disputava o Brasileiro de Marcas, em dupla com Valdir Florenzo em um Escort. Cabe lembrar que o piloto é tio do campeão Gil de Ferran.

E o resultado foi animador, inclusive o melhor da equipe em classificações gerais nas suas participações em Mil Milhas: 5º lugar, atrás somente dos Opalas Stock que dominaram a prova nos anos 80.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Passat nas Mil Milhas

Um dos maiores clássicos nacionais, o VW Passat também teve desempenho notável na maior prova de longa duração do Brasil. A estreia do modelo só se deu na edição de 1981, pois na época do lançamento do Passat, a Mil Milhas Brasileiras estava ausente do calendário, em virtude da crise do petróleo.

A performnace foi das melhores, com um 7º lugar na classificação geral obtido pelo trio Clemente Faria, Edson Yoshikuma e José Junqueira, ainda com outros três modelos entre os 10 primeiros, com vitória também nas respectivas categorias:

Categoria Hot Car:

Passat Hot Car Nº 10 Edson Yoshikuma, José Junqueira e Clemente Faria – 198 voltas (7º na geral)
Passat Hot Car Nº 04 Egídio Micci, Toninho da Matta e Aroldo Bauermann – 196 voltas (pole position e 8º na geral)
Passat Hot Car Vicente Corrêa e Waldir Silva – 188 voltas (9º na geral)

Turismo até 1600 cc:

Passat Divisão 1 Luís Marcos Pinto, Gunther Klaasen e Joel Silva – 186 voltas (10º na geral)
Passat Divisão 1 Marcelo Toldi e Ricardo Gonçalves Jr. – 183 voltas (11º na geral)

Em 1983, a surpreendente vitória do Passat Hot Car do trio Vicente Corrêa, Valdir Silva e Fausto Wajchemberg, que não chegou a pilotar o carro. O início da prova foi dominado pelos fortes Opalas Stock Car, porém, a durabilidade e resistência, fundamentais numa prova de endurance, foram os pontos fracos desses carros, abrindo caminho para a liderança do Passat. Ao fim da prova, o VW estava sem freio e teve que dar uma volta a mais na pista, devido à desatenção do então secretário municipal de esportes de São Paulo, que no mesmo "estilo" Pelé no Gp Brasil de F1 de 2002, deu a bandeirada após o vencedor passar pela linha de chegada. Mas a vantagem de 4 voltas era confortável para o 2º colocado, um Opala quase standard, e a vitória estava a salvo. Um modelo Passat também ficou com a 4ª posição na corrida, com o trio Roberto Mourão, Vinícius Pimentel e Rodrigo Castro.

De 1984 a 1986, o Passat teve resultados modestos na prova, muito devido ao fato da maioria dos pilotos terem adotado outro modelo da Volkswagen, o Voyage, que fazia sua estréia nas pistas. Em 1987, um ótimo 8º lugar obtido pela dupla Marcos Galasso e José Cherchiai (187 voltas), perdendo apenas para os mais potentes Opala e Maverick.

Em 1988, um Passat derivado do então poderoso Brasileiro de Marcas e Pilotos terminou a prova na 10ª colocação, sendo pilotado pelo trio Alvino Pereira, Marcos Paioli e Jairo Rechulski, numa prova onde a potência dos Opalas foi ameaçada pela durabilidade dos carros do Marcas e Pilotos.

No ano seguinte, mais dois modelos Passat entre os 10 primeiros colocados, os dois primeiros na categoria. Foram eles:

8o Passat Marcas Alvino Pereira, Marcos Paioli e Jindra Nicolau Kraucher – 188 voltas
9o Passat Marcas Nº 47 Fernando La Rocque, Fernando Montá e Gustavo Vieira – 187 voltas

Na primeira Mil Milhas disputada no novo traçado, em 1990, dois Passat's marcaram presença entre os 15 primeiros colocados:
  
10º VW Passat nº 22 Mauricio Seraphim, Carlos Teixeira e Nelson Vicentini – 312 voltas
13º VW Passat nº 86 Milton Vieira, César Hervello e César Fior – 304 voltas

Em 1992, houve o 10º lugar na geral para a dupla Sérgio dos Santos e Urubatan Helou, com 337 voltas completadas.

Performance melhor foi obtida em 1993, com o 7º lugar do trio Amadeu Rodrigues, Paulo Quinan e Sérgio Vicentini, no Passat nº 38, após 343 voltas na corrida.

Em 1994, o ótimo 8º lugar na prova, derrotando veículos muito mais novos e mais potentes, como BMW 325i, Omega, Opala, Mustang e Aldee RTT. A marca foi alcançada pelo trio Robby Perez, Mário Dalicane e Tadeu Kowalzuck, no Passat nº 61, que também foi o 2º lugar na categoria B (carros motor até 2000 cc).

A partir de 1995, não foram encontrados registros de Passat's que tenham disputado as Mil Milhas. Caso alguém possua, deixe um comentário e adicionarei a informação!