"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Série nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte XVIV: Laércio Justino

No mês de junho de 2026, o canal oficial da Stock Car no Youtube proporcionou uma grata surpresa aos amantes da categoria e do automobilismo brasileiro. Foram disponibilizadas corridas na íntegra a partir da temporada de 1999, época de mudanças significativas em relação ao equipamento e também aos pilotos.

Se no ano de 1999 foram utilizados os Chevrolet Omega, com sua estrutura em monobloco e a tradicional motorização seis cilindros em linha, o ano seguinte viu a chegada de um chassi tubular completamente novo, coberto pela carroceria em fibra de vidro feita sob medida para o modelo. E em 2001, mais uma novidade, quando o motor derivado do Chevrolet Opala (utilizado desde a primeira temporada, em 1979), deu lugar ao potente V8 de 450 cv vindo da então Nascar Busch Series (atual O'Reilly).

Sobre os pilotos, foi a época em que surgiram os termos Dinossauro e Babyssauro, para diferenciar pilotos com maior experiência (Ex.: Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Adalberto Jardim) e aqueles que começavam a disputar corridas na categoria, como Davi Muffato, Beto Giorgi, Nonô Figueiredo, Alceu Feldmann, entre outros.

Mas revendo as corridas da temporada de 2001, que marcou o tricampeonato seguido de Chico Serra, pude assistir pela primeira vez a quinta etapa, disputada em Brasília/DF, durante a qual ocorreu o falecimento do piloto piauiense (mas radicado em Goiânia/GO desde criança) Laércio Justino. E me veio o desejo de escrever essas linhas.

Laércio Justino Ferreira nasceu em Teresina, Piauí, em 26 de fevereiro de 1963, e sua relação com o esporte a motor teve início por volta de 1978, quando começou no kart (foi campeão goiano). Em 1982 e 1983 se tornou campeão goiano e regional (Centro-Oeste) de Stock Car, e neste mesmo ano, passou a disputar o certame nacional. Se a estréia na sétima etapa (Goiânia/GO) foi discreta, a próxima corrida, em Brasília/DF, trouxe um resultado muito significativo: O sétimo lugar, com o carro feito pelo preparador Jacaré.

As suas aparições na Stock Car permaneceram regulares até 1986, pois no ano seguinte, disputou apenas três corridas, sem muito destaque. Após uma pausa para se dedicar a outras categorias (foi campeão brasileiro de Fórmula Corsa e conquistou três vezes o Campeonato Goiano de Marcas e Pilotos, além de ter conquistado resultados de destaque no Brasileiro), Laércio retomou a carreira na Stock em 1995, pela equipe Boettcher, conquistando dois nonos lugares (Goiânia e Interlagos) logo de cara. Nas Mil Milhas de 1997, disputada em Brasília, alcançou a quarta posição na geral e a segunda na categoria protótipos (Aldee RTT), em trio com o irmão Ananias Justino e Maurício Veiga.

Em termos de resultado na classificação final, a melhor colocação foi obtida em 1999, quando terminou na 10ª posição (Justino Competições). Nessa temporada, obteve dois dos seus três pódios na Stock, na última rodada dupla em Interlagos (terceiro na primeira prova e segundo na última). O outro pódio foi obtido na temporada seguinte (Scuderia Lobo), novamente na última rodada dupla em Interlagos (segundo lugar na primeira prova). Ao todo, foram 74 corridas disputadas.

Mas voltando ao fatídico 08 de junho de 2001, era quase 16 horas quando a bandeirada final do segundo treino livre estava sendo dada. Laércio já tinha recebido a bandeirada ao abrir a volta (tinha feito o 15º melhor tempo), e de acordo com o que foi dito à época, ele mudou de trajetória bruscamente perto da curva da vitória, não se sabe se por um erro ou na tentativa de entrar nos boxes, para não passar novamente pela linha de chegada e evitar uma possível punição.

O carro veio de frente em direção ao guard-rail (ainda da época da inauguração do autódromo, em 1974) com velocidade aproximada de 150 km/h, fazendo com que arrancasse um pedaço de cerca de 40 metros da proteção da pista. Em seguida, levantou voo e bateu lateralmente (lado do piloto) em um caminhão guincho, que com o forte impacto, teve uma roda quebrada e atingiu uma ambulância do corpo de bombeiros que estava parada próxima à torre de cronometragem.

Apesar dos esforços da equipe de socorro, que tentou reanimar o piloto ainda dentro do carro, e que chegou a removê-lo de helicóptero para o Hospital de Base, Laércio faleceu logo em seguida, em virtude dos graves ferimentos decorrentes de traumatismo crânio-encefálico, torácico e abdominal. O sepultamento foi realizado em Goiânia, no dia seguinte, com o piloto vestindo seu macacão de corridas. Deixou três filhas e esposa, e pouco tempo depois, seu sobrinho Wellington Justino passou a disputar a categoria.

Pilotos como Xandy e Guto Negrão, Adson Moura, Sandro Tannuri, Carlos Cunha e Ananias Justino não disputaram aquela prova, enquanto os demais correram com um adesivo no parabrisa do carro, contendo os dizeres "Valeu Laércio". Antes da largada, foi feito um minuto de silêncio em sua homenagem, e o piloto Carlos Cunha fez um emocionado discurso.

Em razão do acidente fatal de Laércio, seu irmão Ananias decidiu parar de correr.

Fontes: www.speedonline.com.br

//blogdocarelli.blogspot.com

Revista Racing - matéria de João Alberto Otazú

Fotos dos anos 80 e 1999 cedidas por João Peryel (@stockcaroldtimes)


1984

1986

1999



Brasileiro de Marcas e Pilotos - 1994

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Política

Historicamente, o automobilismo não é um esporte no qual questões políticas sejam discutidas ou mesmo expostas de forma aberta. Mas em pelo menos duas ocasiões, pudemos presenciar nas Mil Milhas Brasileiras manifestações de natureza política, tanto no âmbito interno, quanto a nível nacional.

A primeira ocasião que verificamos em nossas pesquisas, fora o manifesto da dupla Álvaro Guimarães/Wagner Augustin, que inseriu no vidro lateral traseiro de seu Volkswagen Hot Car nº 57 uma autêntica reclamação por eleições diretas no âmbito da CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo, então dirigida por Joaquim Cardoso de Melo (gestão entre 1984 e 1987), e na FPA - Federação Paulista de Automobilismo, cuja gestão passaria a ser feita naquele ano por Marcos Augusto Corsini, tendo como vice Luiz Evandro "Águia" Campos.

A segunda oportunidade foi no ano de 1997, quando as Mil Milhas Brasileiras saíram de Interlagos pela primeira vez. Aquela edição foi disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília - DF, e o protótipo AS - Vectra 2.0 do trio Vitor Meira/Athos Diniz/Alex Bachega, trazia adesivos de apoio à reeleição para cargos do executivo (prefeitos, governadores e presidente da república, junto com seus respectivos vices). A possibilidade de exercício de dois mandatos consecutivos veio a ser positivada com a aprovação da Emenda Constitucional nº 16, de 04 de junho de 1997. O protótipo largou na 4ª posição, tendo terminado a prova uma posição à frente.








sábado, 29 de março de 2025

Março mês da mulher: Suzane Carvalho e Delfina Frers - A dupla feminina em 1997

A última participação de Suzane Carvalho nas Mil Milhas Brasileiras ocorreu em 1997, ano em que a prova foi disputada pela primeira vez fora de Interlagos e pela única vez em Brasília/DF. Além disso, foi a única vez em que uma dupla feminina dividiu a tocada durante toda a prova (já tínhamos o registro de um trio, em 1996, e em 2021 tivemos um quarteto).

E essa história foi resumida por Suzane no Instagram (@suzanecarvalhopiloto) da seguinte forma:

"A história dessa corrida é longa. Correríamos outra vez o mesmo trio feminino: Suzane Carvalho, Delfina Frers e Marisa Panagópulo em uma BMW. Mas já nos primeiros treinos, percebi que o carro não estava bem preparado e sabíamos que, como pilotos, tínhamos excelente oportunidade de podium. Essa corrida foi em Brasília e largou no domingo pela manhã. No sábado à noite, após já termos classificado, tivemos reunião e conseguimos alugar o carro da Buono*, outra vez o excelente Aldee do Almir Donato. A Marisa não aceitou a troca e corremos então em dupla feminina (a única que participou neste formato, na história dessa corrida).

Tivemos que largar em último. Estávamos brigando pelo 1º posto na última tocada, faltando pouquíssimo para terminar a corrida, tomamos 2 time penalties de 2 minutos! Um porque respingou combustível após o abastecimento e outro por briga da equipe com os comissários (pela penalização que deram), e tive que cumprir e perder 4 minutos, o que nos fez terminar em 3º. Deu podium".


*Concessionária Fiat situada em Guaratinguetá - SP.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Chevrolet Corvette Dimep

O carro de hoje é conhecido em nosso blog, visto que já fora retratado em nossa página em duas ocasiões (janeiro de 2013 e janeiro de 2019). Estamos nos referindo ao Chevrolet Corvette ZR1 V8 6.0 de Dimas de Melo Pimenta Filho, tradicional participante das Mil Milhas na década de 90. A foto abaixo trata-se de um registro da prova de 1997, disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília, quando o V8 foi pilotado por Dimas de Melo Pimenta Filho e seus herdeiros Rodrigo Pimenta (Vice-campeão da Copa Montana em 2012) e Dimas de Melo Pimenta III (Campeão da extinta DTM Pick-up divisão B em 2002). 

Na época, Rodrigo tinha 18 anos e era o piloto mais jovem da prova, mas não chegou a pilotar o carro na corrida, pois o Corvette abandonou a disputa com 27 voltas completadas, quando ocupava a 3ª posição na geral, em virtude da quebra de um rolamento de roda.



terça-feira, 5 de outubro de 2021

Protótipo AS - Vectra na Mil Milhas Brasileiras 1997

O registro de hoje é sobre o Protótipo AS-Vectra conduzido pelo trio Vitor Meira/Athos Diniz/Alex Bachega na edição de 1997 da Mil Milhas Brasileiras. Como sabemos, naquela ocasião a prova fora disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. Entre os "mortais" - carros nacionais que destoavam do McLaren F1 BMW de Piquet e Cia e o Porsche 911 da Equipe Stuttgart - o protótipo foi o melhor colocado, ao terminar na 3ª posição no geral com "apenas" 40 voltas atrás do foguete vencedor. Cabe lembrar que AS do nome homenageia o tricampeão de F1 Ayrton Senna, enquanto o motor utilizado era o 2.0 do sedã da GM.





quarta-feira, 24 de março de 2021

Fiat Tempra (TC 2000) na Mil Milhas Brasileiras de 1997?

A TC 2000 é uma das mais tradicionais categorias do automobilismo argentino, sendo disputada desde o ano de 1979. A variedade de veículos utilizados sempre foi um fator característico do certame, algo que torna os grids bastante atrativos aos olhos dos espectadores. Tal aspecto, inclusive, já foi objeto de matéria publicada em nosso blog no mês de setembro de 2017.

Mas ao receber, via whatsapp, fotos do meu irmão Rodrigo Carelli, de uma matéria feita por uma publicação argentina sobre as Mil Milhas de 1997, me chamou atenção o fato de o grid estar sendo liderado por um... Fiat Tempra!

Essa história nos causou grande curiosidade, pois não há registros de que o modelo da Fiat tenha sido utilizado em corridas oficiais no Brasil, em que pese tenha havido planos (e a preparação de um exemplar de testes) para a inclusão do Tempra no Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, na primeira metade dos anos 90.

Só que depois de algumas pesquisas, Carelli conseguiu matar a charada: Em 1997, as Mil Milhas Brasileiras foram disputadas no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília/DF, época em que o tricampeão de F1 era administrador da praça de esporte a motor, e buscava fortalecer o automobilismo nacional em várias frentes, seja através da categoria de protótipos Esprom BMW, ou por meio das corridas de longa duração.

Com este objetivo, Piquet iniciou negociações para trazer 02 (duas) etapas da categoria argentina para o autódromo do DF, e para tanto, fora feita uma demonstração (o carro não disputou nem foi inscrito na corrida) com o Fiat Tempra do piloto Miguel Angel Guerra durante a Mil Milhas, realizada no dia 19 de janeiro daquele ano, prova vencida por Piquet e seu McLaren F1 GTR, com a tocada dividida com Steven Soper e Johnny Cecotto.



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Piloto Vitor Meira


Nascido em Brasília - DF, no dia 27 de março de 1977, Vitor Meira conquistou seu primeiro título no automobilismo no ano de 1995, ao vencer o torneio de inverno da Fórmula Ford Britânica, após 05 corridas disputadas e 03 vitórias.

Pouco tempo depois, em janeiro de 1997, disputou sua primeira Mil Milhas Brasileiras, que naquela ocasião, fora disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. Entre os "mortais" - pilotos que disputaram a prova com carros nacionais, excetuando-se o Mclaren F1 BMW de Piquet e Cia e o Porsche 911 da Equipe Stuttgart - foi o melhor colocado, na 3ª posição no geral, a bordo de um Protótipo AS Vectra 2.0 em trio com Athos Diniz e Alex Bachega, "apenas" 40 voltas atrás do foguete vencedor.

1997 marcou seu último ano na Fórmula Ford, já que disputou a temporada de 1998 da Fórmula Renault Britânica, pela equipe Martin Donelly Racing, tendo conquistado 01 vitória e o 4ª lugar na classificação geral. Vale lembrar que o campeão daquele ano fora o também brasileiro Aluizio Coelho.

De volta ao Brasil, em 1999, fez sua estréia na Fórmula 3 Sulamericana, que vivia grande fase, com grandes revelações do automobilismo da época em seu grid. A bordo do Dallara 394 Mugen-Honda da equipe de Amir Nasr, venceu 02 (duas) corridas, foi ao pódio outras 05 (cinco), registrou 01 pole position e 01 volta mais rápida. Na classificação final, terminou na 6ª posição, inclusive atrás de seus dois companheiros da equipe principal, os gêmeos Ricardo e Rodrigo Sperafico, e obviamente, do campeão Hoover Orsi.

Naquele ano, disputou sua 2ª Mil Milhas, sob o comando do Proton BP7, que por sua vez estreava nas Mil Milhas. O BP no nome eram as iniciais de Beach Park, um dos patrocinadores da equipe cearense responsável pela construção e preparação do bólido, que era empurrado por um motor BMW. Além de Vitor Meira, a condução do protótipo ficou a cargo dos cearenses Hibernon Cysne e Arialdo Pinho. A corrida para o trio terminou pouco depois da metade, com 240 voltas completadas (das 433 completadas pelo vencedor), o suficiente para deixá-lo na 19ª posição, num grid de 35 carros.

Porém, a grande mostra do talento de Meira fora dada na temporada 2000, quando venceu o campeonato Sulamericano de Fórmula 3, após 08 vitórias, 5 pódios, 4 pole positions e 3 voltas mais rápidas, além da confortável vantagem de 31 pontos para o vice campeão, João Paulo de Oliveira.

O ano de 2001 fora deveras movimentado para o piloto brasiliense, sobretudo pela variedade de categorias e campeonatos que participou, senão vejamos:

1. Fórmula 3 Italiana - Disputou apenas 01 corrida, porém largou na pole position, fez a volta mais rápida e terminou no pódio.

2. 29ª Edição da Mil Milhas Brasileiras - Novamente a bordo do Proton BP7, Vitor Meira vinha forte para tentar surpreender os favoritos à vitória. Neste ano, a preparação ficou por conta da equipe Dragão Motorsport, que na época disputava a Fórmula 3 Sul-Americana. Para se ter uma ideia da performance do Proton BP7 BMW, a máxima no fim da reta dos boxes era de 215 km/h, e chegou a marcar nos treinos o tempo de 1min43s726, sob o comando do próprio Meira. Nos treinos classificatórios, a marca de 1min44s888, suficiente para posicionar o trio Cysne/Pinho/Meira na 6ª posição no grid. Na corrida, a posição final foi a 21ª, com 263 voltas completadas.

3. Fórmula 3000 Européia - Em que pese tratar-se da nova denominação do antigo campeonato de Fórmula 3000 Italiano, o Europeu de 2001 tinha como representantes brasileiros, além de Vitor Meira, o futuro F1 Felipe Massa (e que inclusive fora campeão da categoria naquele ano) e o talentoso Leonardo Nienkotter. Pela equipe ADM Motorsport, disputou 07 das 08 corridas, tendo alcançado 03 pódios (dentre eles o 2º lugar em Zolder/Bélgica) e a 5ª posição na classificação geral.

4. Fórmula 3 Sulamericana - Disputou somente a etapa de Londrina, por ocasião de estar no Brasil naquele fim de semana, quando terminou na 4ª posição.

5. BRASCAR - Este fora um antigo campeonato de corridas longas, disputado, sobretudo, no eixo Rio Grande do Sul/Paraná, onde corriam vários protótipos, dentre eles o MCR, Aldee Spyder e o Esprom. Naquela temporada, Meira correu em parceria com Juliano Moro em 02 provas, tendo vencido uma delas, as 3 horas de Tarumã.

Antes de estrear no automobilismo norte-americano, em 2002, o piloto disputou sua 3ª Mil Milhas, desta feita a bordo de um MCR VW Turbo, formando trio com Nelsinho Piquet e Juliano Moro. Na corrida, chegou a liderar mais de 100 voltas logo após a largada. Porém, após 175 voltas, o eixo-piloto quebrou, deixando a pé o trio de campeões da F3 Sulamericana (Meira fora campeão em 2000, Moro em 2001 e Nelsinho seria em 2002).

De forma paralela, ainda alinhou nas 03 (três) primeiras etapas da Fórmula 3000 Européia, novamente pela ADM Motorsport, sem maiores destaques.

Passando à IRL, a temporada de 2002 para Vitor Meira fora curta, com apenas 04 corridas (Kentucky, Saint Louis, Chicago e Texas), todas pela equipe Team Menard. Entretanto, a última corrida do ano reservou um lugar de destaque, que começou com a pole position nos treinos e terminou com o 3º lugar na prova.

Em 2003, mais uma Mil Milhas Brasileiras, oportunidade em que a vitória esteve bem perto de suas mãos, através do Protótipo ANR Chevrolet. Construído em meados de 2002 pela equipe brasiliense Amir Nasr Racing, tradicional e vitoriosa na Fórmula 3 Sulamericana e que até 2014 disputou o Brasileiro de Marcas e Pilotos, após passagem na Stock Car, o projeto partiu de um chassi de Fórmula 3, do qual foram aproveitados o núcleo central (chassi) e a suspensão. Já o propulsor utilizado foi um Opel 2.0 litros, cuja preparação rendia cerca de 240 cavalos.

Na prova, a condução ficou sob a responsabilidade do quarteto Vitor Meira/Rogério Villas Boas/Antônio Villas Boas/Alexandre Rodrigues, sendo que Meira pilotou a maior parte do tempo. No grid, o ANR partiu da 6ª posição, com o tempo de 1min43s653. A performance na corrida pôde ser comemorada como uma vitória, tendo em vista que para chegar na 2ª posição, o pequeno protótipo superou concorrentes muito mais fortes, como os dois Porsches 911 GT3 que ficaram na 3ª e 4ª posições. De quebra, o ANR ainda registrou a volta mais rápida da prova, com o tempo de 1min42s433, média horária de 151,439 km/h.

Voltando à IRL, 2003 fora um ano de resultados discretos, pois das 10 provas disputadas, teve como melhor resultado um 4º lugar no Texas, palco do pódio de 2003. E também marcou a sua despedida da Menard, passando a correr pela Rahal Lethermann Racing, onde alcançou seus melhores resultados:

2004:

2º Lugar em Richmond e Kansas (apenas 0s005 atrás de Buddy Rice)
Pole em Milwaukee
Volta mais rápida na Indy 500, Texas, Nashville, Kentucky, Chicago e e Fontana

2005:

2º Lugar na Indy 500 e Kentucky
3º Lugar em Kansas e Fontana


Em 2006, Meira assinou com a equipe Panther, e os bons resultados persistiram:

2006:

2º Lugar em Watkins Glen, Richmond e Michigan.
3º Lugar em Kansas, Nashville e Sonoma.

2008:

2º Lugar na Indy 500

Contudo, no fim da temporada de 2008, a parceria com a Panther terminou, razão pela qual Meira passou a correr pela A.J. Foyt Enterprises, inclusive na última etapa daquele ano, disputada em Surfers Paradise, circuito de rua da Austrália. A carreira na Foyt, e consequentemente na Indy, durou até o fim de 2011, sendo que o melhor resultado obtido na equipe fora o 3º Lugar na São Paulo Indy 300 de 2010.

Ainda em 2006, disputou sua última Mil Milhas, a bordo do Protótipo ZF-Chevrolet V8, em trio com Paulo Bonifácio e Felipe Giaffone. Depois de largar na pole, com o tempo de 1min30s247, Meira liderou as 20 primeiras voltas, tendo retomado a liderança da prova na volta 40, após a parada dos boxes. Entretanto, 17 voltas depois, o motorzão Chevrolet estourou no S do Senna, pondo fim à empreitada do trio.

No discreto ano de 2007, disputou também a 10ª etapa da extinta categoria A1 GP, realizada no circuito de Shanghai, na China. No grid, conquistou o 15º lugar entre os 22 carros que largaram, à frente de Sérgio Pérez e Allam Khodair, ao passo que na corrida, foi apenas o 14º colocado.

Na temporada 2012, Vitor Meira volta ao Brasil, desta feita para fazer sua estréia na Stock Car, pela equipe Officer Pro GP, de Duda Pamplona. Isto 08 anos após quase participar da categoria, pois chegou a ser anunciado como companheiro de Adalberto Jardim na equipe Nasr-Castroneves. Nas 12 corridas da temporada, teve um 8º lugar como melhor resultado (Curitiba), terminando a temporada com 45 pontos marcados.

Em que pese a experiência regular na Stock ter durado apenas 01 ano, isto não significou que o carros de turismo foram deixados de lado. Já no ano seguinte, Meira estreou no Brasileiro de Marcas, mais especificamente na 4º rodada, disputada no Autódromo Internacional de Curitiba, em agosto de 2013. Reeditando a parceria com Amir Nasr, assumiu o volante de um dos Ford Focus da equipe, e já na 1ª corrida, chegou na 2ª posição, após largar na pole position. E o melhor estava por vir, pois, mesmo com a regra da inversão do grid, tendo que largar na 7ª posição, venceu a 2ª prova, que marcou também a 1ª vitória da Ford na categoria.

Passados 15 anos do seu último título no automobilismo, Meira voltou a faturar um campeonato, desta vez no Brasileiro de Marcas. Em 2015, após 16 corridas, terminou 27 pontos à frente de Gustavo Martins para levar mais um título para a Honda, pela equipe de seu antigo parceiro de corridas, Juliano Moro (JLM Racing). E este foi um campeonato marcado pela regularidade, pois a sua vantagem fora construída com 04 segundos lugares, 03 terceiros e 03 quintos, a la Keke Rosberg em 1982 na Fórmula 1, ou seja, sem nenhuma vitória.

Nas corridas de duplas da Stock Car, igualmente esteve presente nas edições de 2014 a 2016. No primeiro ano, formou dupla com Vitor Genz no Peugeot 408 da equipe Boettger Competições, tendo abandonado a 05 voltas do final. Em 2015 e 2016, formou dupla com Max Wilson no Chevrolet Sonic da RC Competições, tendo finalizado as provas em 6º e 18º, respectivamente.

E recentemente, fora anunciado como titular do carro nº 43 da equipe Mico's Racing, dos irmãos uruguaios Pablo e Juan Carlos "Mico" López, que correrá pelo menos a etapa de abertura com dois carros. Para a corrida, Vitor Meira acertou a parceria com Vicente Orige, atual campeão do Brasileiro de Marcas.


* Os direitos de imagem referentes às fotos abaixo estão reservados aos seus autores. Caso seja do interesse dos respectivos a retirada das fotografias desta postagem, favor entrar em contato.


1000 km de Brasília - 2002 - Protótipo ANR

Fórmula 3 Sulamericana - Amir Nasr Racing - 1999

Fórmula 3 Sulamericana - Amir Nasr Racing - 2000


Brasileiro de Marcas - 2013

Stock Car 2012

MCR VW Turbo - Mil Milhas de 2002

Proton BP7 BMW - Mil Milhas de 2001

Protótipo ZF Chevrolet V8 - Mil Milhas de 2006

Brasileiro de Marcas 2015

Indy Racing League 2003

IRL 2004

IRL 2006

IRL 2007

IRL 2011

Stock Car 2016

Brasileiro de Marcas 2014
Stock Car 2014

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A fase diurna das Mil Milhas


As Mil Milhas Brasileiras, tradicionalmente, tiveram a largada em horário noturno, em que pese o tradicional horário da meia noite ter sido adotado apenas a partir da 10ª edição, disputada em 1970, enquanto que nas edições anteriores o horário variou entre 19h00min e 22h30min.

Porém, o horário diurno fora adotado a partir no ano de 1992, numa tentativa de atrair maior atenção da mídia, sobretudo televisiva, bem como do público. A estrategia era ter a cobertura ao vivo da largada, com arquibancadas cheias durante a maior parte da prova, haja vista que a transmissão da pela televisão sempre foi uma questão delicada. Se de um lado o charme das Mil Milhas era a largada à noite, com as disputas atravessando a madrugada e testando a resistência de bólidos e pilotos, por outro lado era uma fórmula um tanto quanto complicada para o marketing televisivo, pois a escuridão noturna dificultava a exposição dos carros a patrocinadores, e depois do amanhecer, as carenagens já demonstravam as marcas de uma noite de chuva (tradicional em Interlagos), batidas, toques e remendos.

No entanto, a estratégia de transferir a largada para o meio dia não trouxe o resultado almejado, sobretudo pela fraca divulgação da prova na mídia, que influenciou sobretudo no baixo público registrado nos anos de 1992 e 1993. A exceção fora no ano de 1994, quando o evento teve amplo destaque na mídia, atraindo pilotos de renome e máquinas nunca vistas antes em Interlagos, como afirmou o piloto Jürgen Weiss em entrevista à Autoesporte em fevereiro daquele ano.

Mas infelizmente isso não se repetiu em 1995, ano em que a prova fora forçada a mudar de data, ocorrendo no mês de abril, após a realização do GP Brasil de Fórmula 1 (que até 2003 era disputado no mês de março). Tal mudança se deu em razão do fechamento do autódromo para as tradicionais reformas para receber a categoria máxima do automobilismo. Porém, há quem diga que o sucesso da prova de 1994 trouxe certo receio para a organização do evento da Fórmula 1, pois como sabido, o "circo" sempre quis a exclusividade de Interlagos, com suas exigências que sempre acabam por estrangular o automobilismo local...

Deste modo, a prova de 1995 foi um verdadeiro fracasso, servindo como termômetro disto a previsão inicial de venda de 40.000 ingressos, quando no fim das contas foram vendidos apenas 36 deles antecipadamente e outros 1.800 no dia da prova. Somando-se a isto, as conhecidas falhas na organização - no dia da prova faltou água em todo o autódromo - e a falta de divulgação por parte da imprensa foram a cereja do bolo, de um evento que teve faturamento de meros R$ 72.000,00 (setenta e dois mil reais) em valores da época.

E em 1996, as consequências foram ainda piores, com uma prova com grid pífio, se comparado a outros tempos não tão distantes, e totalmente distante do público, que provavelmente sequer teve conhecimento de sua realização. Novamente, a realização das Mil Milhas no mês de abril somente serviu para afastar muitos competidores de alto nível, pois àquela altura já estavam comprometidos com seus campeonatos regulares.

Fechando a primeira fase diurna da Mil Milhas, tivemos a edição de 1997, realizada no autódromo internacional Nelson Piquet, em Brasília/DF, numa tentativa de reavivar a disputa. Entretanto, é sabido que a maioria dos tradicionais competidores e equipes estão localizados no Estado de São Paulo, o que constituiu um fator de esvaziamento do grid da prova brasiliense.

A segunda tentativa de realizar a maior parte da prova durante o dia ocorreu na edição de 2006, que marcou os 50 anos da disputa e uma nova fase que prometia inserir as Mil Milhas no calendário internacional de provas de longa duração, época em que ainda não existia o WEC. Inegavelmente, aquela edição teve notável sucesso, visto que foram inscritos grandes máquinas e importantes nomes do automobilismo mundial, o que trouxe grande destaque perante a mídia, especializada ou não.

Contudo, mesmo em 2007, figurando como última etapa do Le Mans Series e com largada ao meio dia, a prova não conseguiu atrair o público maciço às arquibancadas de Interlagos, sobretudo pelos preços elevados dos ingressos, algo distante da realidade do automobilismo brasileiro à época.

E por fim, em 2008, último ano em que tivemos a disputa das Mil Milhas, a situação fora ainda pior, visto que novamente a divulgação pela mídia foi das mais fracas, em que pese a internet já estar em franca expansão, proporcionando novamente arquibancadas vazias e grid modesto.

A bem da verdade, a realização das Mil Milhas durante o dia nunca foi uma fórmula de sucesso, ante a tradição das disputas noturnas, que no fim das contas é uma das marcas registradas do evento.












quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Carlos "Sueco" Gonçalves e o Opala "quente" na Mil Milhas de 1997


A história de hoje data de 20 anos atrás, ocorrida justamente na primeira ocasião em que a Mil Milhas Brasileiras saiu de Interlagos, numa tentativa de salvar a prova do fiasco que ocorreu em 1996, sendo que ambas as histórias já foram contadas em nosso blog. Para relembrá-las, é só selecionar os respectivos anos na lista de marcadores do lado direito da tela.

Voltando a 1997, entre os inscritos da prova disputada em Brasília estava o Opala nº 93 do trio formado por Carlos "Sueco" Gonçalves/José Teixeira (falecido)/Fausto Camacho, tradicional participante do Campeonato Paulista de Stock Car e de várias edições da Mil Milhas, assim como seus experientes pilotos.

No magro grid de 25 carros, o Opala largou entre os últimos colocados, sendo que fora galgando posições ao longo da disputa. Entretanto, após cerca de 04 horas de corrida, a quebra da bandeja inferior da suspensão dianteira forçou uma indesejada parada nos boxes de mais de 40 minutos, em razão da troca do quadro dianteiro da suspensão. Após o retorno à pista, os pilotos baixaram a bota, de modo que o Opalão passou a virar bem abaixo da marca contumaz de 2min08s, andando no limite do equipamento. 

Porém, as provas de longa duração cobram muito caro da resistência dos bólidos, e com o valente GM não foi diferente: Os freios traseiros abriram o bico, acabando por completo em uma das voltas e fazendo com que o  piloto tivesse que andar de lado nas curvas, no melhor estilo "drift". Além disso, durante uma das trocas de piloto, iniciou-se um pequeno incêndio nos freios traseiros, que proporcionou um belo susto aos presentes. Mas nem esses problemas impediram o valente Opala e seus pilotos guerreiros de receberem a bandeirada final, tendo alcançado a 3ª posição na categoria.












Agradecimento: Somente foi possível concluir esta postagem fazendo uso das valiosas imagens e informações fornecidas pelo piloto Carlos "Sueco" Gonçalves. Sueco, muito obrigado pela gentileza!!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As Mil Milhas Brasileiras de 1997



Com o fiasco da prova de 1996, que foi realizada no mês de abril, logo após o GP de F1, a organização da Mil Milhas buscou dar um novo gás à prova. Tendo em vista que a data tradicional da prova (mês de janeiro) não estava mais sendo liberada – em virtude das obras necessárias para a etapa da F1 – a alternativa foi levar a prova para outra praça, neste caso, o Autódromo Internacional Nelson Piquet, na Capital Federal.

A prova foi realizada no dia 19 de janeiro, e teve um grid fraco para os padrões históricos – apenas 25 carros participaram. Em suma, o grid foi formado por competidores tradicionais, como Opalas, Omegas, Corsas e protótipos variados (Aldee RTT, AS-Vectra e Espron). Mas, evidentemente, os bólidos mais fortes eram o Porsche 911 GT2 da equipe Stuttgart e o McLaren F1 BMW de Nelson Piquet (Team Bigazzi).

A pilotagem do modelo alemão – impulsionado por motor 3.6 Boxer seis cilindros biturbo de 480 cavalos – ficou por conta do trio André Lara Resende (vencedor em 1996 e 2001), Maurizio Sala (vencedor em 1984) e Régis Schuch (vencedor em 2001 e 2002). Quanto ao McLaren, que foi pilotado pelo trio Piquet, Jhonny Cecotto (VEN) e Steve Soper (ING), basta lembrar que era o carro mais rápido (até 2005) e mais caro do mundo na época, com motor BMW V12 de 670 cavalos, câmbio de 6 marchas e aerodinâmica e estabilidade suficientes para torná-lo um foguete tanto nas retas quanto nas curvas.

Não foi surpresa quando o trio Nelson/Cecotto/Soper conquistou a posição de honra no grid de largada (pelas mãos de Nelson Piquet). A prova foi um verdadeiro passeio para Piquet & Cia, que não tiveram problemas nas mais de 10 horas de corrida (a largada foi dada às 09:30 da manhã), vencendo-a com a impressionante vantagem de 21 voltas para o Porsche, registrando também a melhor média de velocidade da prova até então (159,587 km/h).


Os 10 melhores colocados:

1º McLaren GTR BMW N° 1 Nelson Piquet, Jhonny Cecotto e Steve Soper DF/VEN/ING – 294 voltas
2º Porsche 911 André Lara Resende, Régis Schuch e Maurizio Sala – 273 voltas
3º AS Vectra Athos Diniz, Vitor Meira e Alex Bachega – 260 voltas
4o Aldee RTT Laércio Justino, Ananias Justino e Maurício Veiga GO – 254 voltas
5o Aldee RTT Ricardo Heráclio e Amadeu Barbosa DF – 252 voltas
6o VW Voyage/Japamóvel João Noboru Mitta, Beto Borghesi e José Ricardo PR – 250 voltas
7o Aldee RTT Frederico Fungaro Júnior e Gilberto Gaspar DF – 247 voltas
8o Aldee RTT Nº 9 Suzane Carvalho e Delfina Frers (BRA-RJ e ARG) – 247 voltas
9o Protótipo Berga/VW José Parra e Márcio Sciola SP – 238 voltas
10o Aldee RTT Juscelino Sarkis, Lairton Miranda e Rossini Silva PR – 237 voltas

Outros carros:


15º BMW 320i nº 5 Luiz Caland e Luiz Felipe Calmon
19º - Espron BMW nº 19 Ruyter Pacheco, Leo Faleiro e Sandro Ferrari
21º - BMW 320i nº4 Renato Constantino e Gustavo Mendes
Corvette ZR1 6.0 – Dimas de Melo Pimenta Filho, Rodrigo Pimenta e Dimas de Melo Pimenta III – 27 voltas (quebra da transmissão).



O pelotão formado por Aldee RTT, Opala, Omega e Corsa


Porsche da Equipe Stuttgart - Foto do arquivo de Ivo Snelwar

Detalhe do McLaren F1 BMW de Piquet & Cia.

Aldee da dupla feminina Suzane Carvalho e Delfina Frers