"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mil Milhas de 1957: O primeiro acidente


A 2ª edição das Mil Milhas Brasileiras foi durante um bom tempo a mais polêmica e tumultuada de todas. Polêmica por conta da desclassificação do carro vencedor na pista, a Carretera Chevrolet Corvette nº 82 da dupla Chico Landi/José Gimenez Lopes, que já na segunda volta da corrida apresentou problemas nas lanternas traseiras, motivo pelo qual fora advertida pela direção de prova a se dirigir aos boxes para efetuar os reparos necessários. Como a determinação não foi cumprida pela equipe, o carro veio a ser desclassificado dois dias depois do encerramento da prova.

Tumultuada por conta dos acidentes ocorridos durante a disputa, sendo que o mais grave vitimou o piloto Djalma Pessolato, que veio a falecer em decorrência dos ferimentos causados pelo choque com um cavalo entre as curvas 1 e 2 do traçado antigo, e posterior capotamento. Porém, este é um assunto para uma próxima postagem.

Mas antes mesmo do acidente de Pessolato, a Mil Milhas de 1957 já havia registrado um outro entrevero, ainda na 1ª volta, quando a Carretera Chevrolet nº 100 de José Rodrigues/Antônio Versa fora abalroada na lateral esquerda por outro competidor, provavelmente o Citröen nº 15 da dupla Fathallah Bicklang/Alberto Oliveira Pires. Apesar de os danos não terem sido de grande monta, foram suficientes para alijar precocemente o bólido da disputa. Seguem as fotos:





segunda-feira, 31 de julho de 2017

VW Gol Turbo Super de Ricardo Bersani


A antiga categoria TBS - Tração Dianteira Turbo Super - do Campeonato Paulista de Arrancada, costumava reunir grandes nomes da modalidade, com seus bólidos preparados até o limite, tanto na parte mecânica, quanto no alívio de peso da carroceria. Dentre os figurões da TBS, chamada de Força Livre Tração Dianteira em outros campeonatos, estavam os VW Gol de Ricardo Uno (Jaburão), Everson de Camargo - carro que já foi assunto de matéria deste blog -, Marcelo Olímpio de Brito, e as VW Saveiro de Alexandre Lourenço e Fabian Guerreiro. E o VW Gol azul de Ricardo Bersani, o "Pudim", carro que sempre andou entre os mais rápidos, seja em São Paulo ou Curitiba.

O bólido em questão trata-se de um VW Gol ano 1991, que teve todo o seu interior e carroceria trabalhados para garantir baixo peso e melhor desempenho. O motor original deu lugar a um AP 2.0 8 válvulas, com bloco de Golf e cabeçote da versão GTI, auxiliada por um turbina .70, trabalhando com 2,5 kg de pressão e com resfriador de ar (intercooler). A receita inicial, feita pela oficina Motor Trade, era alimentada por um módulo de injeção eletrônica, auxiliado por oito bicos injetores que levavam o metanol ao interior da usina. Na época da estréia nas pistas, no final de 2001, a potência ficava em volta de 408 cv na roda. Posteriormente, com a adoção de um novo módulo de injeção eletrônica e acerto mais refinado, a potência foi elevada para 675 cavalos no motor e 540 na roda.

Dentre as vitórias em provas de arrancada, estão a 8ª etapa de 2003 e a 1ª etapa de 2004 do Paulista, além dos pódios conquistados nos anos de 2003 a 2005, ano em que o bólido deixou de aparecer nas provas, em razão de o proprietário ter montado um dragster.




Disputa em SP com o Gol de Marcelo Olímpio de Brito



sábado, 15 de julho de 2017

Série nomes que fizeram/fazem a Stock Car - Parte XII: Pilotos do Nordeste


Como bom Nordestino, não poderia deixar de fora dessa sequência do blog as histórias das participações de nossos pilotos na maior categoria do automobilismo. Nestes quase 40 anos da Stock, tivemos alguns exemplos de persistência, determinação e coragem dos pilotos vindo do Nordeste, região que apesar de contar com 02 autódromos, carentes de urgentes reformas, ainda depende da luta de abnegados esportistas e entusiastas para manter vivo o espírito do automobilismo.

A primeira participação de um piloto nordestino ocorreu logo na 1ª temporada, mais especificamente na 7ª etapa, disputada no Autódromo Virgílio Távora, em Eusébio (CE), quando o piloto local Luiz Alberto Pontes alugou o carro de Mauro Mota e marcou o 9º melhor tempo na classificação, fazendo frente a outros pilotos que iniciaram o campeonato inaugural, embora vários nomes fortes não viajaram para disputar aquela prova. Entretanto, Pontes não chegou a terminar a corrida.

Passados 08 anos, outro nome do Nordeste passou a figurar nos grids da Stock. Trata-se de Rogério dos Santos, o "Jegue Voador", que fez muito sucesso no Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos e na Fórmula Fiat. Naquele ano de 1987, Rogério participou de todas as etapas da temporada, exceto a prova disputada em Tarumã, sendo que o melhor resultado fora o 11º lugar obtido na 3ª etapa (Interlagos). Somente em 2000, o Jegue Voador voltou à Stock, quando disputou 02 provas, tendo obtido resultados discretos, enquanto que na temporada de 2006, disputou novamente 02 provas (as duas primeiras etapas), com a bolha do estreante VW Bora. Ao todo, foram 11 corridas na categoria.

Em 2001, o piloto pernambucano Adson Moura, irmão de Danuza Moura, disputou 05 corridas pela Equipe Hot Car, ano em que aconteceu a estréia do motor V8 na categoria. Cabe ressaltar que o piloto também participou das Mil Milhas de 2001* e 2002**, tendo alcançado a 8ª e 42ª posição na geral, respectivamente.

O nordestino de maior sucesso e que até hoje permanece na Stock estreou no ano de 2004, depois de passar por categorias como a Fórmula Chevrolet, chama-se Valdeno Brito. Paraibano, nascido em Campina Grande e radicado em João Pessoa, estreou pela equipe Nascar Motorsports, de Aloysio Andrade Filho, na última temporada em que o proprietário se dividiu entre as funções de chefe de equipe e piloto, quando seu posto fora assumido por Wagner Ebrahim. Desde então, Valdeno tem sido figura constante nos pódios da Stock, enquanto obteve a primeira de suas 08 vitórias - mesmo número de poles - na temporada de 2008, mais especificamente na 1ª Corrida do Milhão, com o Astra da equipe de Andreas Mattheis. Seu melhor resultado na classificação final do campeonato foi o 5º lugar em 2008, enquanto que fora eleito o novato do ano em 2004.

O ano de 2006 trouxe a estréia de 02 Cearenses na categoria, Hybernon Cisne e Geraldo "Mano" Rola, sendo que ambos disputaram a temporada completa. Cisne não chegou a marcar pontos, enquanto Rola obteve 03 pontos na 3ª etapa, disputada em Campo Grande-MS, a bordo do Astra da equipe Hot Car, época em que somente os 15 primeiros pontuavam.

Novo piloto do Nordeste só apareceu em 2011, quando o Baiano Diego Freitas disputou a 8ª etapa, em sua terra natal, com o Peugeot da equipe Scuderia 111, tendo obtido o 19º lugar. E repetiu a dose em 2012, ao disputar a corrida de Jacarepaguá, a última da categoria no autódromo, diga-se de passagem, quando terminou na 18ª posição, com o Peugeot da Bassani Racing.

Ainda em 2012, tivemos a estréia de outro Baiano, Patrick Gonçalves, que disputou 09 provas pela equipe de Carlos Alves, ao passo que seu melhor resultado fora o 18º lugar obtido em Cascavel. Na temporada seguinte, Gonçalves ainda disputou outras 03 corridas, novamente pela equipe de Eduardo Bassani, sem bons resultados.


* Protótipo Espron, em trio com Fred Lengyvel e Ricardo Arantes - 336 voltas completadas.
** Protótipo MCR, em quadra com Fred Lengyvel, Ricardo Arantes e Marcelo Reis - 188 voltas.


Rogério dos Santos - RS Competições - 2006

Rogério dos Santos

Geraldo "Mano" Rola - Hot Car Competições - 2006

Hybernon Cisne - Equipe Powertch - 2006

Valdeno Brito - Nascar Motorsport - 2005

Valdeno - JF Racing - 2007

Equipe A. Mattheis - 2008

RCM Competições - 2009

2012

TMG Racing - 2016

Diego Freitas - Scuderia 111 - 2011

Carlos Alves Competições - 2012

sábado, 1 de julho de 2017

Porsche 911 GT2 de José Venezian


Dentre o verdadeiro esquadrão de Porsches que disputou várias edições das Mil Milhas, desde o ano de 1993, destacamos o 911 GT2 Turbo 3.6 de José Venezian, que apesar de não ter alcançado a vitória, sempre esteve entre os mais rápidos nos treinos e nas corridas.

A primeira participação ocorreu na volta da prova a Interlagos, em dezembro de 1998, ano em que Venezian formou trio com Hélio Saraiva e Sérgio Magalhães, tendo largado na 8ª posição, com o tempo de 1min48s844, ao passo que o pole registrou o tempo de 1min40s152. Na corrida, o Porsche terminou na 4ª posição, com 367 voltas completadas, quando ostentava pintura prateada e o nº 71.

Na corrida seguinte, disputada em Curitiba, a pilotagem ficou por conta de Venezian, Roberto Samed e Flávio Trindade, que venceu em 2001 e 2002, igualmente de Porsche, sendo que a posição de largada (4º lugar) fora bem melhor em comparação ao ano anterior, bem como a própria posição de chegada, visto que foram vice campeões, com 13 voltas de desvantagem para o Aldee Spyder VW vencedor da prova.

Com o hiato do ano 2000, o Porsche, agora com pintura azul e o nº 11, voltou às Mil Milhas em janeiro de 2001, quando apenas Venezian e Samed dividiram a pilotagem do bólido. No grid, a dupla conquistou a 7ª posição, com o tempo de 1min44s982, enquanto a corrida durou 227 voltas, suficientes para a 29ª posição, dentre os 60 carros que largaram.

A última participação do Porsche ocorreu em 2002, e novamente sob o comando apenas de José Venezian e Roberto Samed. No grid, a 8ª posição com o tempo de 1min45s683, ao passo que na corrida, as 317 voltas completadas foram suficientes para levar a dupla ao 10º lugar na geral.

Fora das Mil Milhas, é importante destacar a marca obtida por Venezian na prova de quilômetro lançado disputada na base aérea de São José dos Campos em 1996, quando registrou a média de 267.16 km/h, sendo a 4ª melhor daquela prova.






segunda-feira, 19 de junho de 2017

De Tomaso Pantera GTS 1974 de Júlio Penteado


Saindo um pouco da pauta sobre Mil Milhas e Arrancada, o assunto de hoje é sobre um clássico italiano cuja performance faz jus ao seu nome: Trata-se do De Tomaso Pantera GTS 7.0 1974 pertencente ao antigomobilista Júlio Penteado.

O esportivo italiano projetado pelo americano Tom Tjaarda, fora produzido entre os anos de 1971 e 1992, no total de 7.260 unidades, sendo oferecido em versões cujo propulsor Ford V8 variava entre 5.8 (351 polegadas) e 4.9 litros (302 polegadas). Algumas unidades vieram para no Brasil, sendo bastante conhecidas em provas de velocidade final e exibição de antigos, como a subida da montanha do Pico do Jaraguá.

O De Tomaso vermelho de Júlio Penteado chama atenção não só pelo visual forte e agressivo, mas também pela performance transferida para o asfalto. O propulsor é um Ford V8 427 polegadas (7.0 litros), com cerca de 460 cv e 65 kgfm de potência, dotado de bloco de alumínio e cabeçotes especiais da divisão de corridas da marca norte-americana, alimentado por um carburador de corpo quádruplo, de 1.000 cfm. Tamanha potência é controlada pelo câmbio manual de 05 marchas e tração traseira, despejada em rodas e pneus aro 17.

A fera italiana foi assídua participante das provas de velocidade final disputadas na base aérea de São José dos Campos, na década de 90 e início dos anos 2000. Sua melhor marca fora registrada no ano de 1996, quando obteve 257,14 km/h no quilômetro lançado, batendo veículos mais novos e dotados de tecnologia mais avançada. Hoje, está devidamente guardada, saindo somente para passeios em dias de sol.




Miniatura semelhante ao De Tomaso de Júlio Penteado

terça-feira, 6 de junho de 2017

Camaro SS de Adriano Kayayan


Hoje o nosso assunto é sobre arrancada, e para tanto, nada melhor que lembrarmos de uma lenda que apavorou no Campeonato Paranaense e Festival Força Livre entre os anos de 2004 e 2006. Estamos falando do Camaro SS 1968 de Adriano Kayayan, bólido que conquistou vários recordes e vitórias na categoria Hot Rod, estabelecendo verdadeiro domínio em relação aos seus concorrentes.

Após mais de 04 anos afastado das pistas, Kayayan voltou à arrancada com o seu Camaro prata na 3ª etapa do Campeonato Paranaense de 2004, já batendo o recorde da categoria com 9.819 segundos de pista e 0.383 de reação no farol. Nesta época, o bólido contava com kit nitro de cerca de 200 cv, sobrealimentando o V8 big block de 454 polegadas (7.5 litros). Com o passar do tempo, a preparação foi evoluindo, passando por uma injeção maior de nitro (350 cv), até culminar no substituição do nitro pelo blower, quando a potência chegou a cerca de 1.500 cv.

Em sua carreira nas pistas, o Camaro fora campeão do Festival Força Livre em 2004 e 2005, além do Paranaense de 2005 e 2006, sendo que no primeiro ano, das 06 provas disputadas - e vencidas -, quebrou o recorde da categoria em 05 ocasiões, ao passo que o tempo mais baixo fora de 8.390 segundos de pista e 0.202 de reação.

Porém, seus recordes não ficaram restritos aos 402 metros da reta do Autódromo de Curitiba, pois na 2ª etapa de 2006, o bólido deu as caras em Interlagos, tendo vencido na categoria Importados, com o tempo recorde de 8.490 segundos nos 201 metros. No final de 2006, o motor big block do Camaro fora transferido para a SS10 Pro-Mod adquirida do piloto Ricardo Bersani, a qual igualmente conquistou várias vitórias na pista de Curitiba, fazendo jus ao "coração" que carregava. Sem dúvida alguma, o Camaro SS prata fez história na arrancada, e está hoje entre os carros mais vitoriosos da categoria no Brasil.






segunda-feira, 22 de maio de 2017

Thomas, Kimi Raikkonen e o GP da Espanha de 2017



Após mais de uma semana do GP da Espanha de Fórmula 1, ainda me vem à lembrança a imagem do garotinho Thomas e seu sorriso "banguelo", rsrsrsrsrs. O ponto mais marcante desse episódio, a meu ver, não foi o seu choro na arquibancada, motivado pelo precoce abandono de Kimi Raikkönen, mas sim, o momento de emoção e felicidade de ter sido levado para junto do seu ídolo. Há muito tempo não víamos coisa parecida no paddock, o que somente deixa o esporte tão cinza quanto os carros da Mercedes.

É amigos, a Fórmula 1 parece ter adquirido uma nova cara, mais humana, próxima dos seus fãs, que, afinal, é quem mantém o circo em pé. E isso é muito bom para o esporte, tornando-o mais atraente e próximo do programa para todas as idades que deve ser. Vida longa ao esporte a motor!