"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 28 de junho de 2020

Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno em 1958


Há alguns anos, uma foto interessante passou a circular nos blogs e sites de automobilismo. Nesta foto, é retratado um carro inscrito sob o nº 98 parado no acostamento de Interlagos, durante a III edição das Mil Milhas Brasileiras, disputada em novembro de 1958.

O carro, inicialmente tratado como um Simca e depois como um Fiat, tinha na porta o patrocínio da Retentores Sabó, enquanto a dupla de pilotos fora inscrita sob os pseudônimos Sabó e Paps. Mas quem eram esses pilotos?

Graças ao trabalho meticuloso de Paulo Roberto Peralta, do site www.bandeiraquadriculada.com.br, essa dúvida pode ser esclarecida. Trata-se, na verdade, de um Fiat Millecento com motor e câmbio derivados de um Simca Huit, enquanto a preparação e tocada foram dividas entre os futuros campeões Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno, cujas carreiras dispensam comentários. Porém, cabe lembrar que aqueles dois garotos na época (início de carreira) chegaram a vencer as edições de 1967 (Luiz Pereira Bueno, sendo Bird o segundo colocado) e 1970 (Bird e seu irmão Nilson) das Mil Milhas Brasileiras.

A prova foi extremamente curta para a dupla, com apenas 02 (duas) voltas completadas, sendo que Bird sequer chegou a pilotar o carro. Naturalmente, ficaram na última posição do grid, formado por 29 carros.



domingo, 14 de junho de 2020

Ford Maverick em 1986


A partir dos anos 80, o Ford Maverick, produzido no Brasil entre 1973 e 1979, infelizmente caiu numa espécie de limbo, pois sequer era considerado um carro clássico, mas tão somente um concorrente ultrapassado do Opala que havia sido saído de linha. Muita gente não sabia o que fazer com os exemplares que tinha, e não raro, muitos sofreram a ação depreciativa do tempo até se acabarem. E quem diria que 40 anos depois, um Maverick restaurado poderia alcançar o valor de venda na casa de R$ 100.000,00? Sábio foi quem guardou e cuidou do seu...

Apesar de possuir uma categoria em que dominava o grid, a Turismo 5000 (que corria somente no anel externo de Interlagos), o modelo Ford com motor V8 ainda era inscrito esporadicamente em algumas provas de longa duração, como a Mil Milhas Brasileiras. Porém, o hiato da prova nos anos 70  prejudicou bastante a história do Maverick nas Mil Milhas, porquanto disputou em condições de igualdade apenas a prova de 1973 (ano do lançamento do carro), considerando que a próxima edição ocorreu apenas em 1981, quando o Ford já tinha saído de linha.

Já nos anos 80, além das participações da equipe Automotor (inicialmente denominada Agromotor), podemos citar o Maverick nº 50 inscrito pelo trio Roberto Catarina/Homero de Bei/Justino de Maio na prova de 1986, que se não alcançou uma posição destacada na classificação final, com certeza destoou no grid dominado por Opalas, Passat's, Escort's e outros carros como motores até 2000 cc.

Cabe lembrar que o piloto Justino de Maio (cujo nome posteriormente fora dado a uma avenida em Guarulhos/SP) havia vencido a prova no ano de 1965, à bordo de uma Carretera Chevrolet V8 em dupla com Victório Azallin, igualmente inscrita com o nº 50.






sábado, 30 de maio de 2020

Série nomes que fizeram/fazem a história da Stock Car - Parte XVI: Wilson Fittipaldi Jr.


Falar sobre Wilson Fittipaldi Jr., o Wilsinho, é relembrar de grandes momentos da história do automobilismo nacional, e também mundial, passando pelas realizações do mesmo como piloto, chefe e proprietário de equipe, e por fim, como pai de piloto.

Como nosso espaço é restrito e já existem publicações de renome a respeito da carreira de Wilsinho Fittipaldi, esta postagem ficará restrita à sua carreira na Stock Car e em participações nas Mil Milhas Brasileiras.

Inicialmente, Wilsinho desempenhou a função de piloto da equipe Copersucar, fundada por ele e seu irmão Emerson no ano de 1975. Contudo, a partir de 1976, passou a chefiar exclusivamente a equipe, que encerrou suas atividades em 1982, já como Fittipaldi Automotive.

Este último ano coincidiu com o início de sua primeira participação na Stock Car, cuja estréia se deu na prova disputada em Brasília/DF, em 04 de abril de 1982. Na ocasião terminou em um ótimo 5º lugar, à bordo de um Chevrolet Opala preparado por Claude Bess. Esta participação ganha ainda mais destaque se levarmos em consideração que ele terminou à frente de pilotos como Ingo Hoffmann, Luiz Alberto Pereira e Marcos Gracia, todos com mais experiência que ele na categoria.

A temporada de 1982 terminou após 11 etapas disputadas, tendo o piloto obtido 03 (três) pódios e 02 (duas) melhores voltas, e a 6ª posição da classificação final, à frente de Marcos Gracia, Ingo Hoffmann, Fábio Sotto Mayor e o então campeão, Affonso Giaffone Júnior.

Porém, a participação na categoria durou pouco, pois em 1983 correu apenas a última etapa, disputada em Interlagos, tendo como resultado um honroso 10º lugar.

Wilsinho só voltaria a disputar uma corrida pela Stock em 1991, com um Protótipo Opala (o carro utilizado na época era um Opala com carenagem modificada) da Equipe Amico. E os resultados foram dos melhores: 01 vitória, obtida na 6ª etapa, disputada no Autódromo Internacional de Curitiba, 05 (cinco) pódios e 01 (uma) melhor volta. Ao fim, foi vice-campeão da categoria, atrás apenas da imbatível dupla Ingo Hoffmann/Ângelo Giombelli).

A terceira e última participação de Wilsinho na Stock ocorreu nas temporadas de 1994 e 1995, época da estréia do Chevrolet Omega na categoria. Em 1994, conquistou 06 (seis) pódios e a 3ª posição na classificação final, correndo pela equipe do preparador Rosinei Campos, que se tornaria multicampeão da categoria.

Já em 1995, seu último ano na Stock Car, conquistou sua primeira e única pole position, na abertura da categoria, em Goiânia. No decorrer da temporada, foram 04 (quatro) pódios, 01 (uma) melhor volta e 01 (uma) vitória, conquistada em Jacarepaguá. Naquele ano, correu pela equipe Action Power, de Paulo de Tarso, com o patrocínio da Marlboro.

Após estas participações, a ligação final de Wilsinho com a categoria se deu em 2004, quando atuou como coordenador técnico da Equipe WB Motorsport, de Washington Bezerra, campeã da categoria com Chico Serra entre 1999 e 2001.

Houve ainda um ensaio de volta em 2019, quando fora anunciada a Fittipaldi Team, equipe que seria chefiada por Wilson Fittipaldi Júnior, com participação de Roberto e Felipe Zullino como administradores, Ricardo Divila como engenheiro de equipe e Christian Fittipaldi como chefe da parte esportiva. Porém, em virtude de questões financeiras, a estréia não ocorreu, sendo adiada para 2020. E nada mais foi falado sobre o assunto.

Já nas Mil Milhas, a primeira participação de Wilsinho ocorreu em 1966, a bordo de um dos Karmann Ghia Porsche 2.0 da Equipe Dacon, chefiada por Paulo Goulart. A tocada fora dividida com Ludovino Perez Júnior, e ainda nos treinos a performance dos pilotos já deu uma bela amostra do que seria a corrida: Pole position, com a marca de 3min38s2. Na corrida, a dupla liderou por algumas voltas, porém, após ter o pára-brisa quebrado, perdeu algumas voltas no box para trocá-lo, o que prejudicou a performance na corrida. Ao final, Wilsinho e Ludovino terminaram na 8ª posição, com 192 voltas completadas (09 atrás do vencedor).

Em 1967, mais uma participação na prova, desta feita em dupla com seu irmão Emerson. O bólido escolhido foi o enigmático Fitti-Porsche, um protótipo construído pelos irmãos Fittipaldi que tinha como base um Porsche 550 Spyder. De cara, o lindo protótipo mostrou a que veio, tendo quebrado o recorde de tempo em Interlagos nos treinos por algumas vezes, sendo o menor tempo na casa de 3min31s8. Depois de largar na pole, o Fitti-Porsche sofreu um vazamento de combustível, que impôs uma parada inesperada nos boxes. Logo após, houve um princípio de incêndio, que fez com que o carro retornasse aos boxes novamente. Por fim, a quebra da junta homocinética foi a gota d'água para o término da participação do carro na prova. Após passar por diversas mãos, até hoje não se sabe o paradeiro deste carro...

No ano de 1981, prestes a estrear na Stock Car, Wilsinho participou das Mil Milhas de 1981, formando dupla em um Opala com Reinaldo Campelo. O resultado final foi a 17ª posição, com 176 voltas completadas.

A tão esperada vitória nas Mil Milhas, prova criada por seu pai (junto com Eloy Gogliano) em 1956, veio no ano de 1994, e de uma forma muito especial. No ano em que a Mil Milhas fora um evento de nível internacional pela primeira vez, Wilsinho disputou a prova com um Porsche 911 GT Le Mans, equipado com motor turbo 3.8 de 420 cavalos de potência, em dupla com seu filho Christian. Após largar na 2ª posição, o Porsche assumiu a liderança na 16ª volta, permanecendo nesta condição até a volta 116.

A retomada ocorreu na 126ª passagem, e da liderança não mais saíram até a bandeirada, colocando o seu nome na história de forma defitiniva. Durante a corrida, o Porsche funcionou como um relógio suíço, não tendo apresentado qualquer problema, mesmo com a elevação da pressão do turbo de 0,8 bar para 1,5 bar. De quebra, os Fittipaldi marcaram a melhor volta da prova, com 1min43s438.

No ano seguinte, Wilsinho voltou com um esquema de corrida ainda mais forte. Inscrito com o Porsche 993 da Equipe Konrad Motorsport, disputou a prova formando trio com Antônio Hermann e Franz Konrad, sendo que este sequer chegou a pilotar o carro, pois estava inscrito no outro Porsche da equipe, que terminou na 2ª posição. O show de velocidade foi tão grande que o Porsche de Wilsinho & Cia. registrou a melhor marca da prova, com 1min41s320, liderou de ponta a ponta e terminou com 15 voltas de vantagem para o 2º colocado e 29 para o 3º.

Para a alegria desse blogueiro, tive a oportunidade de conhecê-lo em novembro de 2018, quando estiver em Interlagos para assistir a etapa final da Porsche Endurance Series. Na companhia do meu amigo irmão Rodrigo Carelli (//blogdocarelli.blogspot.com), fiz a visitação dos boxes antes da largada, e quando vi Wilsinho Fittipaldi ao longe, não tive dúvidas de parar e pedir uma foto. Ele já estava indo embora, mas gentilmente esperou para que pudéssemos registrar o momento. E olhe que um "engraçadinho" ainda passou na minha frente, rsrsrsrsrs.

Enfim, Wilson Fittipaldi Júnior é um dos grandes pilotos que fizeram parte tanto da Stock Car, quanto das Mil Milhas Brasileiras, bem como de outras categorias, e assim, não poderia deixar de falar a respeito de sua carreira neste blog.


Karmann Ghia Porsche na Mil Milhas de 1966

Porsche 911 GT Le Mans liderando a prova de 1994

Close no capacete com sua tradicional pintura

Porsche de 1994

Porsche 993 em 1995

Estréia na Stock em 1982


Ao lado do carro utilizado na temporada de 1991

Omega da temporada de 1994

Largada da prova de 1967

o Fitti-Porsche




Interlagos - Novembro de 2018

domingo, 17 de maio de 2020

Opala Stock Car na Mil Milhas de 1995


O registro de hoje é do Opala Stock Car que o trio Alfredo Omati/Evandro Vieira/Luiz Aladino "Lucho" Osório inscreveu na 24ª edição da Mil Milhas Brasileiras, disputada no dia 08 de abril de 1995. Na época, a categoria principal da Stock Car já não utilizava mais o Chevrolet Opala, visto que a partir de 1994 fora substituído pelo Chevrolet Omega. Porém, o Opala permaneceu em uso durante mais alguns anos em categoria regionais, como o Paulista de Stock Car.

Quanto ao Opala nº 27, após enfrentar problemas mecânicos no início da prova, o valente Chevrolet conseguiu completar 240 voltas, suficientes para deixá-lo na 24ª posição da classificação geral, sendo o último veículo que cruzou a linha de chegada.



sexta-feira, 1 de maio de 2020

Fiat Uno na Mil Milhas de 1990


Nesse 1º de maio que nos traz tantas lembranças de nosso eterno ídolo, trago para vocês o registro da participação do Fiat Uno inscrito sob o nº 50 na prova de 1990, cuja pilotagem ficou sob a responsabilidade do trio Carlos "Sueco" Gonçalves, Eder Avarinho e Carlos Auricchio. Na classificação final, o valente compacto alcançou a 11ª posição, com 311 voltas completadas.

Cabe lembrar que nessa época sequer existia a categoria Fórmula Uno, de modo que a preparação dos Unos de corrida era feita seguindo receita própria.


domingo, 19 de abril de 2020

Matéria sobre o "Chepalett" na revista Oficina Mecânica


Queridos leitores! Nestes tempos de pandemia, vamos colocar a leitura automobilística em dia, aproveitando para relembrar a receita do Chepalett, um Chevrolet Chevette com componentes mecânicos do Opala e Kadett, que fora inscrito nas Mil Milhas de 1993.

Esse registro fotográfico e jornalístico é mais uma contribuição do meu amigo Rodrigo Carelli, do blogdocarelli.blogspot.com







domingo, 29 de março de 2020

Elísio Netto e a vitória na abertura da temporada 2020 da Fórmula Vee


Nesse hiato da temporada 2020 das categorias automobilísticas, provocado pelas medidas de prevenção à epidemia do Corona-Vírus, aproveito a oportunidade para trazer aos leitores um breve relato de mais uma vitória obtida pelo jovem piloto alagoano Elisio Netto, na categoria Fórmula Vee.

A etapa inaugural da atual temporada da categoria fora disputada no primeiro final de semana do mês de março, no tradicional palco de Interlagos/SP, sendo que a vitória obtida por Elísio no sábado (29/02) teve um sabor especial pelas circunstâncias que a cercaram.

Em primeiro lugar, fora a vitória na classificação geral da categoria, que é dividida em duas classes (Fórmula Vee Júnior e Master), com pilotos de variadas idades e experiências, em bólidos cuja preparação prima pela igualdade de condições (a diferença está no braço do piloto e no acerto mecânico).

Em segundo lugar, a prova não foi nada fácil para Elísio. Além do traçado estar molhado, o piloto rodou na pista e perdeu várias posições, tendo que fazer uma corrida de recuperação que terminou com a bandeirada na 1ª posição. “Eu estava na briga pela liderança quando perdi o controle do carro devido ao óleo na pista”, conta o jovem piloto. “Mas consegui me recuperar e garantir esse resultado muito importante para mim e para o automobilismo de Alagoas”, diz Elisio.

Não se pode esquecer, ainda, que Elísio marcou a volta mais rápida das duas provas e ainda foi o pole position da primeira. Em sua carreira, o piloto alagoano possui 05 vitórias, o vice-campeonato de 2018 e o terceiro lugar de 2019, que só não se tornaram primeiros lugares devido à ausência em várias etapas, por falta de patrocínio. “Eu tenho lutado muito para competir na Fórmula Vee, com dedicação e esforço da minha família, para bancar todas as despesas. Por isso, essa vitória é muito especial, um prêmio por tudo que fizemos nestes três anos”, conta ele.

Na segunda bateria, Elisio vinha na liderança da prova quando foi obrigado a abandonar após completar apenas quatro voltas, devido a quebra de motor. A vitória ficou com o paulista Wallace Martins, que igualmente só completou uma prova neste fim de semana. Com isso, a liderança do campeonato ficou com o novato Bruno Barbieri, que terminou em segundo nas duas corridas. Ele soma 36 pontos. Elisio e Wallace estão em segundo, com 20.

E nessa pausa das categorias, ficamos na torcida para que a volta traga muitas outras vitórias!