"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Carlos "Sueco" Gonçalves e o Opala "quente" na Mil Milhas de 1997


A história de hoje data de 20 anos atrás, ocorrida justamente na primeira ocasião em que a Mil Milhas Brasileiras saiu de Interlagos, numa tentativa de salvar a prova do fiasco que ocorreu em 1996, sendo que ambas as histórias já foram contadas em nosso blog. Para relembrá-las, é só selecionar os respectivos anos na lista de marcadores do lado direito da tela.

Voltando a 1997, entre os inscritos da prova disputada em Brasília estava o Opala nº 93 do trio formado por Carlos "Sueco" Gonçalves/José Teixeira (falecido)/Fausto Camacho, tradicional participante do Campeonato Paulista de Stock Car e de várias edições da Mil Milhas, assim como seus experientes pilotos.

No magro grid de 25 carros, o Opala largou entre os últimos colocados, sendo que fora galgando posições ao longo da disputa. Entretanto, após cerca de 04 horas de corrida, a quebra da bandeja inferior da suspensão dianteira forçou uma indesejada parada nos boxes de mais de 40 minutos, em razão da troca do quadro dianteiro da suspensão. Após o retorno à pista, os pilotos baixaram a bota, de modo que o Opalão passou a virar bem abaixo da marca contumaz de 2min08s, andando no limite do equipamento. 

Porém, as provas de longa duração cobram muito caro da resistência dos bólidos, e com o valente GM não foi diferente: Os freios traseiros abriram o bico, acabando por completo em uma das voltas e fazendo com que o  piloto tivesse que andar de lado nas curvas, no melhor estilo "drift". Além disso, durante uma das trocas de piloto, iniciou-se um pequeno incêndio nos freios traseiros, que proporcionou um belo susto aos presentes. Mas nem esses problemas impediram o valente Opala e seus pilotos guerreiros de receberem a bandeirada final, tendo alcançado a 3ª posição na categoria.












Agradecimento: Somente foi possível concluir esta postagem fazendo uso das valiosas imagens e informações fornecidas pelo piloto Carlos "Sueco" Gonçalves. Sueco, muito obrigado pela gentileza!!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Vitória Brasileira nas Mil Milhas de 2007


A 35ª edição das Mil Milhas, disputada em novembro de 2007, fora aguardada como o início de uma nova fase da prova, talvez o voo mais alto de sua história, quando se tornaria uma etapa do campeonato European Le Mans Series. Porém, a história tomou outro rumos, e aquela terminou sendo a única ocasião em que as Mil Milhas fizeram parte do campeonato. E só não foi a última ocasião da disputa porque ainda restaram forças para sobreviver até 2008...

Em que pese o domínio absoluto das equipes e pilotos estrangeiros naquele ano, que culminou com a vitória da dupla Marc Gené e Nicolas Minassian, a bordo do Peugeot 908 HDi FAP nº 7, acompanhado do Peugeot 908 da dupla Pedro Lammy e Stéphane Sarrazin, ambos da equipe oficial da marca francesa, há de se destacar a vitória de um brasileiro na categoria LMGT1. Trata-se do piloto paulistano Fernando Rees, que na quadra formada com Gregor Fisken/Roland Bervillé/Steve Zacchia, a bordo do Aston Martin DBR9 6.0 V12, venceu na sua categoria e terminou na sexta posição na geral, com 329 voltas completadas. Essa foi a primeira vitória de Rees no endurance, sendo que no decorrer dos anos, sempre alcançou resultados expressivos, como as vitórias obtidas em circuitos como Silverstone, Spa-Francorchamps, Hungaroring e Algarve.




domingo, 15 de janeiro de 2017

Protótipo AM02


Voltando a falar sobre os diversos protótipos que disputaram edições das Mil Milhas Brasileiras ao longo desses 61 anos de história, a postagem de hoje será sobre um protótipo que surgiu nas 500 Milhas de Londrina de 1995. Trata-se do AM02, bólido construído na cidade de Londrina-PR.

O carro em questão é um projeto de José Lino, que consumiu dois anos até ser colocado nas pistas, movido pela motor 6 cilindros do Chevrolet Omega da Stock Car, com preparação feita pela Arias Motorsport, rendendo cerca de 320 cavalos. Na prova paranaense, o trio Arley Marroni, Gastão Weigert e Mário Yokota largou na 18 ª posição, tendo terminado a disputa na 4ª colocação na geral e com a vitória na categoria força livre.

Já na Mil Milhas de 1996, o mesmo trio largou no 6ª lugar, tendo terminado a prova na mesma posição, com 342 voltas completadas (30 de desvantagem para o Porsche 911 vencedor). Melhor performance se desenhava na edição de 1996 das 500 Milhas, quando largaram na pole position. Porém, enquanto ocupava a liderança da prova, o protótipo AM02 sofreu uma quebra na suspensão dianteira direita, causando o abandono da prova. Na ocasião, os pilotos foram Arley Marroni e Gastão Weigert.


Protótipo AM02 seguindo o Corvette da Família Pimenta e o Aldee prata.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Fusca 1600 de Jair Bana


O ano era 1993, e o grid da Mil Milhas Brasileiras trazia algumas novidades que prometiam brigar pela posição mais alta do pódio. Além das duas BMW 325 trazidas de Portugal e conduzidas por pilotos como Ingo Hoffmann, Jurgen Weiss e Andreas Matheis, havia os Porsche 911 de Antônio Hermann, Franz Konrad e Klaus Heitkotter, além dos tradicionais Opalas Stock Car/Hot Car.

Porém, no meio desses grandalhões, estava o Fusca 1600 nº 31 de Jair Bana, Edson Bueno e Nelson Barreto, com sua destacada pintura azul e verde limão. Bana, cabe lembrar, já venceu em mais de uma ocasião a prova 500 Milhas de Londrina, e no ano de 1999, a própria Mil Milhas, que fora disputada no Autódromo Internacional de Curitiba.

Na prova de 1993, o valente VW completou 308 voltas, terminando na 18ª colocação na geral e 10ª na categoria até 2000 cm³, o que sem dúvidas foi uma grande performance, considerando os adversários de pista e as próprias condições da disputa, que teve chuva em boa parte do tempo. Chuva esta que provocou várias rodadas e acidentes no final da reta, vitimando bólidos como o Porsche 911 Carrera de Klaus Heitkotter, que até então liderava a prova.



sábado, 17 de dezembro de 2016

Puma AM4 nas Mil Milhas de 1994


O bólido do qual falaremos hoje fez grande sucesso nas pistas em sua curta carreira, iniciada em Londrina, no ano de 1992 e interrompida por um triste episódio ocorrido nas Mil Milhas de 1994. Trata-se do Puma AM4 "Nechi", que fora o último Puma a competir com o apoio oficial de fábrica, neste caso, a Alfa Metais, que era a proprietária da Puma Veículos à época. O desenvolvimento do bólido também contou com o apoio da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

A notável performance do Puma era decorrente de vários fatores, tais como o baixo peso, de cerca de 760 kg, o motor VW AP 1800 à álcool, com preparação Berta, semelhante à utilizada nos monopostos da Fórmula 3 Sul Americana na época. Dentre os componentes derivados dos Fórmula 3 estavam o câmbio inglês Hewland, a embreagem hidráulica, o diferencial auto blocante, a suspensão tipo in board,  rodas com sistema de cubo rápido e os pneus slick Pirelli Corsa P7. 

Deste modo, a potência era estimada em cerca de 198 cv, suficiente para alcançar a velocidade máxima de 243 km/h e para levá-lo do repouso aos 100 km/h em aproximadamente 6 segundos, mesmo sem qualquer tipo de sobrealimentação no motor (turbo, blower ou nitro). Este Puma ainda existe, porém há vários anos encontra-se guardado na cidade de Curitiba, sob os cuidados de um dos seus preparadores.
 
Na Mil Milhas de 1994, a equipe Linho Leslie ocupava o boxe nº 15, tendo como pilotos o trio Artur Nunes/Jair Bana/Bley Júnior. Por volta de 1h30min de prova, quando ocupava o 14º lugar, o Puma nº 35 entrou nos boxes para uma das muitas paradas comuns à uma prova de longa duração. Após o reabastecimento e troca de pilotos, um mecânico jogou água sobre o capô, para tirar sobras de combustível. Antes de o piloto partir, outro mecânico abre o capô traseiro, onde está instalado o motor, momento em que o piloto acelerou e terminou por gerar uma faísca sai do motor, causando um grande incêndio que provocou queimaduras em sete membros da equipe, inclusive nos dois pilotos.

O fim do incêndio ocorreu após 30 segundos, quando mecânicos dos boxes vizinhos apagaram o fogo com extintores das próprias equipes. Porém o desfecho trágico desse incidente ocorreu onze dias depois, com a morte do mecânico José Marcelino Koga, que teve mais de 50% do corpo queimado.






sábado, 3 de dezembro de 2016

BMW M5 em 1994


A edição de 1994 da Mil Milhas Brasileiras ficou marcada tanto pelos grandes nomes do automobilismo mundial que disputaram a prova, quanto pelo carros inéditos que fora trazidos para Interlagos. Esta edição já fora assunto de uma matéria específica nos primórdios desse blog, em abril de 2012.

Entre as máquinas nunca antes vistas, estava a BMW M5 nº 77 trazida direto da Copa Supercar Norteamericana, equipada com motor 3.8 litros de cerca de 450 hp. A pilotagem ficou por conta do trio formado pelo brasileiro Edgard Pereira - campeão brasileiro de Kart e piloto das Fórmulas Ford e F3 Sulamericana entre 1989 e 1990, época de Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi -, o italiano Luca Maggorelli - nunca encontrei nada a respeito desse piloto - e o norte-americano David Donohue - filho de Mark Donohue, falecido em 1975 após acidente sofrido no GP da Áustria daquele ano.

Nos treinos classificatórios, a BMW nº 77 alcançou o 7º posto, com o tempo de 1min49s398, enquanto que a pole position fora conquistada por Wilsinho e Christian Fittipaldi, à bordo de um Porsche 911 RSR , com o tempo de 1min43s438. Entretanto, o bólido alemão não chegou a completar a prova.



Piloto Edgard Pereira disputando a F-Ford em 1989. Foto: Acervo Equipe JIG Motores Especiais

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Gerson Borini e o Opala 4 portas na Mil Milhas de 1993


Falar que determinado piloto, disputou uma determinada edição da Mil Milhas Brasileiras, em um Opala é chover no molhado, certo? Mas se esse Opala for uma versão 4 portas? Tradicional participante da prova entre os anos de 1970 e 2005, o modelo da GM sempre foi utilizado em sua versão coupé ou duas portas, na sua maioria derivados da Divisão 3 e Stock Car. Mas no ano de 1993, a dupla formada por Gerson Borini e Luiz Henrique Alves inovou neste sentido.

É certo que na 10ª edição da prova, disputada em 1970, o piloto Carlos Alberto Sgarbi pilotou um Opala 4 portas. Entretanto, há de se considerar que o modelo havia sido lançado há pouco mais de 1 ano antes, e que aquela participação fora mais um teste em si, um verdadeiro experimento.

Já no ano de 1993, os pilotos Gerson Borini e Luiz Henrique Alves resolveram trocar o antigo Opala ano 1980 de 2 portas com o qual disputaram as provas de 1990 e 1992 por um monobloco novo, da versão 4 portas, o qual, por ser mais novo e possuir maior rigidez estrutural, fora capaz de baixar o tempo do antigo Opala em cerca de 2 segundos. Com essa receita, o bólido em questão fez 3 participações na prova - 93/95 - e fora posteriormente vendido para um piloto de Santa Catarina, que passou a utiliza-lo em provas de circuito de terra.

Abaixo fotos da prova de 1994, cedidas gentilmente pelo próprio piloto Gerson Borini: