"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 15 de janeiro de 2017

Protótipo AM02


Voltando a falar sobre os diversos protótipos que disputaram edições das Mil Milhas Brasileiras ao longo desses 61 anos de história, a postagem de hoje será sobre um protótipo que surgiu nas 500 Milhas de Londrina de 1995. Trata-se do AM02, bólido construído na cidade de Londrina-PR.

O carro em questão é um projeto de José Lino, que consumiu dois anos até ser colocado nas pistas, movido pela motor 6 cilindros do Chevrolet Omega da Stock Car, com preparação feita pela Arias Motorsport, rendendo cerca de 320 cavalos. Na prova paranaense, o trio Arley Marroni, Gastão Weigert e Mário Yokota largou na 18 ª posição, tendo terminado a disputa na 4ª colocação na geral e com a vitória na categoria força livre.

Já na Mil Milhas de 1996, o mesmo trio largou no 6ª lugar, tendo terminado a prova na mesma posição, com 342 voltas completadas (30 de desvantagem para o Porsche 911 vencedor). Melhor performance se desenhava na edição de 1996 das 500 Milhas, quando largaram na pole position. Porém, enquanto ocupava a liderança da prova, o protótipo AM02 sofreu uma quebra na suspensão dianteira direita, causando o abandono da prova. Na ocasião, os pilotos foram Arley Marroni e Gastão Weigert.


Protótipo AM02 seguindo o Corvette da Família Pimenta e o Aldee prata.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Fusca 1600 de Jair Bana


O ano era 1993, e o grid da Mil Milhas Brasileiras trazia algumas novidades que prometiam brigar pela posição mais alta do pódio. Além das duas BMW 325 trazidas de Portugal e conduzidas por pilotos como Ingo Hoffmann, Jurgen Weiss e Andreas Matheis, havia os Porsche 911 de Antônio Hermann, Franz Konrad e Klaus Heitkotter, além dos tradicionais Opalas Stock Car/Hot Car.

Porém, no meio desses grandalhões, estava o Fusca 1600 nº 31 de Jair Bana, Edson Bueno e Nelson Barreto, com sua destacada pintura azul e verde limão. Bana, cabe lembrar, já venceu em mais de uma ocasião a prova 500 Milhas de Londrina, e no ano de 1999, a própria Mil Milhas, que fora disputada no Autódromo Internacional de Curitiba.

Na prova de 1993, o valente VW completou 308 voltas, terminando na 18ª colocação na geral e 10ª na categoria até 2000 cm³, o que sem dúvidas foi uma grande performance, considerando os adversários de pista e as próprias condições da disputa, que teve chuva em boa parte do tempo. Chuva esta que provocou várias rodadas e acidentes no final da reta, vitimando bólidos como o Porsche 911 Carrera de Klaus Heitkotter, que até então liderava a prova.



sábado, 17 de dezembro de 2016

Puma AM4 nas Mil Milhas de 1994


O bólido do qual falaremos hoje fez grande sucesso nas pistas em sua curta carreira, iniciada em Londrina, no ano de 1992 e interrompida por um triste episódio ocorrido nas Mil Milhas de 1994. Trata-se do Puma AM4 "Nechi", que fora o último Puma a competir com o apoio oficial de fábrica, neste caso, a Alfa Metais, que era a proprietária da Puma Veículos à época. O desenvolvimento do bólido também contou com o apoio da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

A notável performance do Puma era decorrente de vários fatores, tais como o baixo peso, de cerca de 760 kg, o motor VW AP 1800 à álcool, com preparação Berta, semelhante à utilizada nos monopostos da Fórmula 3 Sul Americana na época. Dentre os componentes derivados dos Fórmula 3 estavam o câmbio inglês Hewland, a embreagem hidráulica, o diferencial auto blocante, a suspensão tipo in board,  rodas com sistema de cubo rápido e os pneus slick Pirelli Corsa P7. 

Deste modo, a potência era estimada em cerca de 198 cv, suficiente para alcançar a velocidade máxima de 243 km/h e para levá-lo do repouso aos 100 km/h em aproximadamente 6 segundos, mesmo sem qualquer tipo de sobrealimentação no motor (turbo, blower ou nitro). Este Puma ainda existe, porém há vários anos encontra-se guardado na cidade de Curitiba, sob os cuidados de um dos seus preparadores.
 
Na Mil Milhas de 1994, a equipe Linho Leslie ocupava o boxe nº 15, tendo como pilotos o trio Artur Nunes/Jair Bana/Bley Júnior. Por volta de 1h30min de prova, quando ocupava o 14º lugar, o Puma nº 35 entrou nos boxes para uma das muitas paradas comuns à uma prova de longa duração. Após o reabastecimento e troca de pilotos, um mecânico jogou água sobre o capô, para tirar sobras de combustível. Antes de o piloto partir, outro mecânico abre o capô traseiro, onde está instalado o motor, momento em que o piloto acelerou e terminou por gerar uma faísca sai do motor, causando um grande incêndio que provocou queimaduras em sete membros da equipe, inclusive nos dois pilotos.

O fim do incêndio ocorreu após 30 segundos, quando mecânicos dos boxes vizinhos apagaram o fogo com extintores das próprias equipes. Porém o desfecho trágico desse incidente ocorreu onze dias depois, com a morte do mecânico José Marcelino Koga, que teve mais de 50% do corpo queimado.






sábado, 3 de dezembro de 2016

BMW M5 em 1994


A edição de 1994 da Mil Milhas Brasileiras ficou marcada tanto pelos grandes nomes do automobilismo mundial que disputaram a prova, quanto pelo carros inéditos que fora trazidos para Interlagos. Esta edição já fora assunto de uma matéria específica nos primórdios desse blog, em abril de 2012.

Entre as máquinas nunca antes vistas, estava a BMW M5 nº 77 trazida direto da Copa Supercar Norteamericana, equipada com motor 3.8 litros de cerca de 450 hp. A pilotagem ficou por conta do trio formado pelo brasileiro Edgard Pereira - campeão brasileiro de Kart e piloto das Fórmulas Ford e F3 Sulamericana entre 1989 e 1990, época de Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi -, o italiano Luca Maggorelli - nunca encontrei nada a respeito desse piloto - e o norte-americano David Donohue - filho de Mark Donohue, falecido em 1975 após acidente sofrido no GP da Áustria daquele ano.

Nos treinos classificatórios, a BMW nº 77 alcançou o 7º posto, com o tempo de 1min49s398, enquanto que a pole position fora conquistada por Wilsinho e Christian Fittipaldi, à bordo de um Porsche 911 RSR , com o tempo de 1min43s438. Entretanto, o bólido alemão não chegou a completar a prova.



Piloto Edgard Pereira disputando a F-Ford em 1989. Foto: Acervo Equipe JIG Motores Especiais

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Gerson Borini e o Opala 4 portas na Mil Milhas de 1993


Falar que determinado piloto, disputou uma determinada edição da Mil Milhas Brasileiras, em um Opala é chover no molhado, certo? Mas se esse Opala for uma versão 4 portas? Tradicional participante da prova entre os anos de 1970 e 2005, o modelo da GM sempre foi utilizado em sua versão coupé ou duas portas, na sua maioria derivados da Divisão 3 e Stock Car. Mas no ano de 1993, a dupla formada por Gerson Borini e Luiz Henrique Alves inovou neste sentido.

É certo que na 10ª edição da prova, disputada em 1970, o piloto Carlos Alberto Sgarbi pilotou um Opala 4 portas. Entretanto, há de se considerar que o modelo havia sido lançado há pouco mais de 1 ano antes, e que aquela participação fora mais um teste em si, um verdadeiro experimento.

Já no ano de 1993, os pilotos Gerson Borini e Luiz Henrique Alves resolveram trocar o antigo Opala ano 1980 de 2 portas com o qual disputaram as provas de 1990 e 1992 por um monobloco novo, da versão 4 portas, o qual, por ser mais novo e possuir maior rigidez estrutural, fora capaz de baixar o tempo do antigo Opala em cerca de 2 segundos. Com essa receita, o bólido em questão fez 3 participações na prova - 93/95 - e fora posteriormente vendido para um piloto de Santa Catarina, que passou a utiliza-lo em provas de circuito de terra.

Abaixo fotos da prova de 1994, cedidas gentilmente pelo próprio piloto Gerson Borini:





sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Roberto Moreno e a estreia em uma categoria brasileira


Um dos grande nomes de nosso automobilismo, o carioca de nascimento e brasiliense de coração Roberto Pupo Moreno correu a primeira vez em solo brasileiro, por uma categoria oficial, apenas no ano de 1989, quando disputou o GP de Fórmula 1 pela equipe Coloni. Isto porque logo após deixar o kart, iniciou em 1979 sua carreira na Inglaterra, mas especificamente na Fórmula Ford, quando fora eleito a revelação do ano. Moreno viria a ser campeão da categoria já no ano seguinte.

Porém, a estreia em uma categoria nacional ocorreu somente na 11ª etapa da temporada 2005 da Stock Car, disputada no saudoso autódromo de Jacarepaguá - que ainda não havia sido "estuprado" pelas obras do jogos Pan - Americanos de 2007 - a bordo do Mitsubishi Lancer da equipe Katalogo Racing, a convite do proprietário, Fernando Parra. Na época, Moreno mostrou-se interessado em participar da categoria na temporada de 2006, porém não houve acordo com os patrocinadores.

Nos treinos classificatórios, registrou o 37º tempo, à frente de Luiz Garcia Jr. e Ariel Barranco. Entretanto, se envolveu num acidente com Sérgio Paese ainda na 2ª volta de corrida - a qual fora vencida por Giuliano Losacco, que inclusive havia largado na pole - e teve de abandonar. Na época, Moreno contava com 46 anos de idade. 

Já em 2007 e 2008, o piloto disputou provas no extinto campeonato GT3 Brasil, à bordo de uma Ferrari F430, em parceria com Carlos Crespo. Em 2007, disputou 06 corridas, tendo registrado 02 voltas mais rápidas e 01 pole position, pela equipe CRT. No ano de 2008, participou somente de 02 corridas, sem resultados expressivos, pela equipe Tigueis Super Stock.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ford Corcel I nas Mil Milhas de 1973

 
Flagras do Ford Corcel I nº 48 na 11ª edição da prova Mil Milhas Brasileiras, disputada em 09 de dezembro de 1973 no autódromo de Interlagos. Com o grid formado basicamente por VW's, Opalas e Maverick's, preparados sob o regulamento da Divisão 3, o modelo Ford pilotado por Jerônimo e Francisco Pereira destacou-se mais pelo exclusivismo do que pelo desempenho.

Após largar na 56ª posição, com o tempo de 04min19s, o Corcel completou apenas 34 das 201 voltas totais da prova, suficientes para deixá-lo na 48ª posição na classificação geral, num grid de 64 carros.