"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 29 de março de 2020

Elísio Netto e a vitória na abertura da temporada 2020 da Fórmula Vee


Nesse hiato da temporada 2020 das categorias automobilísticas, provocado pelas medidas de prevenção à epidemia do Corona-Vírus, aproveito a oportunidade para trazer aos leitores um breve relato de mais uma vitória obtida pelo jovem piloto alagoano Elisio Netto, na categoria Fórmula Vee.

A etapa inaugural da atual temporada da categoria fora disputada no primeiro final de semana do mês de março, no tradicional palco de Interlagos/SP, sendo que a vitória obtida por Elísio no sábado (29/02) teve um sabor especial pelas circunstâncias que a cercaram.

Em primeiro lugar, fora a vitória na classificação geral da categoria, que é dividida em duas classes (Fórmula Vee Júnior e Master), com pilotos de variadas idades e experiências, em bólidos cuja preparação prima pela igualdade de condições (a diferença está no braço do piloto e no acerto mecânico).

Em segundo lugar, a prova não foi nada fácil para Elísio. Além do traçado estar molhado, o piloto rodou na pista e perdeu várias posições, tendo que fazer uma corrida de recuperação que terminou com a bandeirada na 1ª posição. “Eu estava na briga pela liderança quando perdi o controle do carro devido ao óleo na pista”, conta o jovem piloto. “Mas consegui me recuperar e garantir esse resultado muito importante para mim e para o automobilismo de Alagoas”, diz Elisio.

Não se pode esquecer, ainda, que Elísio marcou a volta mais rápida das duas provas e ainda foi o pole position da primeira. Em sua carreira, o piloto alagoano possui 05 vitórias, o vice-campeonato de 2018 e o terceiro lugar de 2019, que só não se tornaram primeiros lugares devido à ausência em várias etapas, por falta de patrocínio. “Eu tenho lutado muito para competir na Fórmula Vee, com dedicação e esforço da minha família, para bancar todas as despesas. Por isso, essa vitória é muito especial, um prêmio por tudo que fizemos nestes três anos”, conta ele.

Na segunda bateria, Elisio vinha na liderança da prova quando foi obrigado a abandonar após completar apenas quatro voltas, devido a quebra de motor. A vitória ficou com o paulista Wallace Martins, que igualmente só completou uma prova neste fim de semana. Com isso, a liderança do campeonato ficou com o novato Bruno Barbieri, que terminou em segundo nas duas corridas. Ele soma 36 pontos. Elisio e Wallace estão em segundo, com 20.

E nessa pausa das categorias, ficamos na torcida para que a volta traga muitas outras vitórias!






quinta-feira, 19 de março de 2020

Mil Milhas de 1996 na Revista Auto&Técnica de julho de 1996


Caros leitores! Depois de alguns dias afastado das atividades deste blog, trago para vocês uma matéria especial feita pela Revista Auto&Técnica no mês de julho de 1996, sobre a edição das Mil Milhas Brasileiras disputada em abril daquele ano.

Por essa contribuição agradeço ao meu amigo-irmão Rodrigo Carelli, do //blogdocarelli.blogspot.com, que sempre me mantém abastecido com itens de seu acervo valioso, disponibilizando matérias e fotos digitalizadas.

O Porsche 911 1971 puxa o pelotão pelo "S" do Senna







Protótipo Minelli-Ferrari


Protótipo AS-Vectra de Djalma Fogaça

Chevrolet Camaro de Renato Gouveia

Detalhe do Porsche vencedor

Ford Maverick do Rio de Janeiro - 3º Lugar na prova

Aldee RTT seguindo o Porsche 911 turbo

Chevrolet Corvette da Família Pimenta

A trupe dos V8 (sim, o Opala estava equipado com motor V8 vindo da Nascar)

Réplica do Porsche 550 seguida por um Aldee RTT e o AS-Vectra

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

10 anos de Blog da Mil Milhas


Naquele 28 de fevereiro de 2010, eu sequer imaginava que a simples idéia de ter um blog independente sobre o maior evento automobilístico genuinamente brasileiro duraria tanto tempo, quiçá 10 anos. Lembro que a primeira postagem foi uma foto, com uma legenda curta, da bandeirada da edição de 1966, vencida pela dupla Camilo Christófaro/Eduardo Celidôneo, a bordo da Carretera Chevrolet Corvette nº 18, a mais emblemática de todas.

Na época, li que os blogs, em média, duravam 01 ano e os mais longevos, cerca de 04 anos. Mas esse negócio de rotular e generalizar é uma merda mesmo, não acham? Meu objetivo ao criar essa página foi reunir o máximo de informações e fotos sobre as Mil Milhas Brasileiras, prova que conheci em meados de 2005 e que desde o início me atraiu bastante pela riqueza de sua história, iniciada em 1956, e que por conta disso, passou por diversas fases.

E porque não reunir todas essas fases em um só lugar? Foi justamente esta a idéia que concretizei ao iniciar esse espaço, pois existiam sites e blogs que falavam da fase inicial da prova (anos 50 a 70) e da fase mais recente (anos 2000), mas dificilmente juntavam tudo isso ou falavam sobre a fase que compreende os anos 80 e 90, repleta de altos (1989 e 1994) e baixos (1996, 1997 e 1999). E como eu já vinha pesquisando sobre a prova desde meados de 2005, já dispunha de um material suficiente para escrever um pouco.

Numa época que o Facebook engatinhava e o Orkut não era do gosto de todo mundo, era mais difícil conseguir fotos e informações com pilotos, preparadores e figuras envolvidas no meio automobilístico. Então a ferramenta mais útil era a busca do Google e enviar e-mails para as pessoas, na esperança que elas os respondessem. E duas das pessoas com quem falei e sempre me responderam atenciosamente foram Paulo Roberto Peralta, da enciclopédia www.bandeiraquadriculada.com.br e Napoleão Ribeiro, de Brasília/DF. Devo a eles algumas informações esclarecedoras e fotos exclusivas, sobretudo ao Napoleão e seu acervo. Mas até com Jan Balder eu já conversei por e-mail sobre corridas.

Um instrumento que me ajudou bastante, mas só a partir de 2013, foi o livro Mil Milhas Brasileiras 50 anos, de autoria do jornalista Lívio Orichio, lançado no ano de 2006. Na época do lançamento, confesso que o preço era bem salgado para o orçamento de um garoto de 15 anos, mas com o passar do tempo, as coisas se tornaram mais acessíveis. O problema é que o livro só fora feito em uma impressão, e logo se esgotou nas livrarias, de forma que a solução foi rezar para que alguém colocasse um exemplar à venda em um alfarrábio, ou sebo, como quiserem.

A oferta veio em um domingo a noite de fevereiro de 2013, através da busca no site de um tradicional sebo (funciona desde 1970) da cidade de São Paulo/SP, o Sebo do Messias, e não pensei duas vezes em comprar aquela exemplar. E desde então, é guardado com o devido cuidado e utilizado para fomentar as postagens sobre a prova.

Olho para o histórico desse blog e vejo uma sucessão de fases. A época inicial, das postagens com textos curtos, com uma formatação e layout meia boca (rsrsrsrs, nunca fui muito curioso com recursos tecnológicos, ia descobrindo com o uso), passando pelas postagens com frequência quase semanal, alternadas com períodos de ausência (nesse meio tempo passei por um vestibular, faculdade, prova da OAB, TCC, estágio, trabalhos menores, depressão e algumas confusões pessoais, rsrsrsrs) e outras com maior conteúdo e detalhes, mas sempre feitas com o objetivo de compartilhar informações e conhecimento. Para ser sincero, fico feliz em ver que a coisa evoluiu em termos de qualidade, embora ainda tenha muito o que corrigir.

Nesse tempo, conheci pessoas incríveis, com grandes histórias e o amor em comum pelo automobilismo, as quais aproveito a ocasião para agradecê-las pela contribuição e apoio, incluindo meu amigo irmão Rodrigo Carelli (//blogdocarelli.blogspot.com), que tem me acompanhado nessa empreitada.

E a todos vocês, leitores, pela audiência (quase 206 mil visualizações no total) e prestígio dado a esse humilde espaço, que nunca fiz muita questão em divulgá-lo, pois deixei ele andar com suas próprias pernas. Muito obrigado a todos!







sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Mil Milhas Brasileiras de 2020: O sonho voltou (?)


15 de fevereiro de 2020 pode ser sim considerada uma data histórica no automobilismo brasileiro. Após o hiato de quase 12 (doze) anos, o maior de sua história, diga-se de passagem, a prova Mil Milhas Brasileiras volta ao calendário nacional. Com muito esforço e desconfiança da parte de muita gente, Elione Queiroz assumiu a responsabilidade e realizou o evento, com uma organização e estrutura profissionais (dessa vez tinham banheiros disponíveis para o público, com água, inclusive...), diferente do que fomos testemunhas em algumas edições disputadas ao longo destes 64 anos.

Confesso que até então não a conhecia, mas, diante da determinação e firmeza demonstradas, Elione Queiroz entra para a vasta lista de mulheres que admiro. E dentre os motivos para tanto, eu destaco dois. O primeiro, por ela não ter dado ouvidos a quem "jogou água na cerveja" logo após o anúncio da prova, sob o argumento de que as Mil Milhas só podem ser organizadas pelas figuras tradicionais de sua história. Não estou aqui a desmerecer o indiscutível mérito de pessoas e clubes que fizeram parte do espetáculo, mas não podemos esquecer que todos os erros e enganos cometidos ao longo do tempo, desencadearam na confusão jurídica e contábil em que se transformou a marca Mil Milhas Brasileiras.

O segundo motivo é pela "tacada" certeira ao proporcionar a transmissão ao vivo da largada e das 02 (duas) horas finais da prova pelo Fox Sports, com a narração do expert Téo José e os comentários do mestre Edgard Melo Filho. Téo é narrador nato do automobilismo (igualmente talentoso nos outros esportes, obviamente), a voz marcante de anos e anos de Fórmula Indy e Fórmula Truck, e que nunca poderá se distanciar das transmissões do esporte a motor, para o bem do público. Acredito que sua saída do grupo Bandeirantes, que já não tem interesse pelo automobilismo como antigamente, e entrada no Fox Sports, foi um dos acontecimentos que representam a máxima de "encerrar um ciclo e começar outro ainda melhor". E nosso doutrinador Edgard, com sua experiência de pista e boxes, inclusive em edições da prova, foi a parceria perfeita para nos prender na frente da televisão quando apenas 04 (quatro) carros permaneciam rodando. E cá entre nós, mesmo diante dessas circunstâncias, os dois foram extremamente profissionais.

Eu não poderia elaborar esse texto sem mencionar e agradecer ao meu amigo irmão que a pista me deu, Rodrigo Carelli (manda-chuva do blogdocarelli.blogspot.com), por toda a contribuição e apoio para que pudesse contar um pouco dessa história. Esse aficcionado por corridas e carros, que conheci falando justamente sobre automobilismo, acompanhou os preparativos da prova desde muito antes, logo após a divulgação, e esteve em Interlagos durante os treinos e acompanhando a prova integralmente do paddock (com direito ao pódio). Ou seja, teve o prazer de viver uma madrugada de Mil Milhas, com aquele charme que só Interlagos possui. Graças ao Rodrigão, posso compartilhar com vocês essas fotos de alta qualidade e ainda, um relato da disputa que ele me enviou pelo whatsapp, o qual vou tentar reproduzir ao máximo agora:

A pole position foi registrada pelo Protótipo MCR Tubarão nº 32 do trio Mauro Kern/Paulo Sousa/Tiel de Andrade, com o tempo de 1min36s460, seguido dos igualmente favoritos Mercedes Benz AMG GT nº 20 de Flávio Abrunhoza/Leandro Ferrari/Renato Braga/Marcelo Brisac, com 1min38s905, e da Ginetta G55 nº 16 do trio Stuart Turvey/Renan Guerra/Elzio Vichiesi, que registrou a marca de 1min40s687.

Após 02 (duas) voltas de apresentação atrás do carro madrinha, uma belissíma Mclaren 570s GTS,  a liderança da prova, nas primeiras horas, permaneceu com o MCR Tubarão - então pilotado por Tiel de Andrade - que algumas voltas depois teve que abandonar por problemas de motor, deixando a briga (acirrada, com disputas em curvas e freadas) pela liderança entre a Mercedes AMG GT e Ginetta G55, que permanceu na frente a maior parte da prova. Mas cabe lembrar também que o Chevrolet Colbalt V8 da equipe Absoluta também ocupou o topo do grid por breve momento.

Por volta das 07 horas da manhã, cerca de 06 (seis) carros permaneciam na pista, liderados pela Ginetta G55, seguida pela Mercedes AMG GT, que perdeu algumas voltas parada no box, por problemas de freio. Mas naquele momento a surpresa ficava por conta do Omega Stock Car 4.1 da Equipe Big Power, que chegou a ocupar a 3ª posição por alguns momentos, antes de sofrer com problemas no diferencial e voltar à disputa algum tempo depois. Após o pequeno susto em uma das paradas nos boxes pela manhã (um pequeno incêndio), a Ginetta G55 fora conduzida para a vitória da 37ª edição das Mil Milhas Brasileiras, colocando o trio Stuart Turvey/Renan Guerra/Elzio Vichiesi definitivamente na história da prova. A melhor volta fora marcada pela Mercedes AMG GT, com 1min40s418, na 222ª passagem.

Cabe ressaltar, que por questões de regulamento, o tempo total de prova é limitado em 11 horas, de modo que das 373 voltas necessárias para atingir a distância correspondente a 1000 milhas (373 x 4,309 km para cada volta em Interlagos corresponde a pouco menos de 1.609 km ou 1000 milhas), foram completadas 360.

Enfim, amigos, as Mil Milhas Brasileiras saíram do papel e seus organizadores mostraram que com perseverança e determinação, o cenário desfavorável pode muito bem ser revertido. Fico na expectativa que a próxima edição, anunciada para o dia 25 de janeiro de 2021 (data tradicional da prova), seja disputada e traga um grid ainda maior para Interlagos, aumentando o brilho desse espetáculo do nosso automobilismo. Grande abraço a todos!

Resultado completo da prova neste link