"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Carretera Chevrolet Corvette nº 82 - 1957


Hoje trazemos para vocês um close na usina de força da Carretera Chevrolet 1939 nº 82, utilizada pela dupla José Gimenez Lopes e Chico Landi na Mil Milhas de 1957. Trata-se de um motor V8 derivado do Corvette, com dupla carburação quádrupla, preparado nos EUA, que moveu o bólido vencedor na pista daquela edição. Cabe lembrar que o câmbio também era derivado do Corvette, enquanto os freios vieram de uma Ferrari.

Digo vencedor na pista, pois a carretera fora desclassificada na terça-feira depois da prova, em virtude de na 2ª volta da disputa, José Gimenez Lopes ter recebido sinalização para entrar nos boxes e efetuar o reparo de uma das lanternas traseiras. Porém, não parou e a prova seguiu, tendo o piloto Chico Landi até subido ao pódio como representante dos vencedores. Mas, como dito, o resultado acabou sendo anulado, ficando a vitória com a Carretera Ford nº 9 de Orlando Menegaz/Aristides Bertuol.



terça-feira, 24 de julho de 2012

A inversão e os rumos do Automobilismo Brasileiro

Não sou jornalista esportivo, tão pouco exerço alguma função no meio automobilístico (infelizmente!). Sou apenas um entusiasta desse maravilhoso esporte, que acompanho desde os 7 anos de idade. Por acompanhar há um bom tempo várias categorias, sejam elas de monoposto, turismo, trucks ou arrancada, me proponho a falar sobre algumas impressões que tive durante esse tempo.

Hoje o automobilismo brasileiro vive uma crise em termos de formação de novos pilotos. O país, tido antes como um celeiro de pilotos de competição, hoje corre o risco de não ter nenhum brasileiro disputando a categoria máxima do automobilismo num futuro próximo. Isso ocorre muito em função do kartismo passar por uma fase deficiente, onde os custos altíssimos acabam afastando muito talentos latentes e outros que acabam por abandonar a carreira após alguns anos. Além dos custos, a desorganização e inércia das federações de automobilismo, além da entidade maior (CBA), são fatais para o desenvolvimento do automobilismo de base no país, que foi o responsável por hoje termos 8 títulos na F1, 5 títulos na Indy (4 títulos na categoria de acesso) e 6 vitórias na maior corrida do automobilismo americano (500 milhas de Indianápolis).

Mas parando para pensar, a gente vê que muitas coisas que dão certo por muito tempo, acabam sofrendo mudanças em um determinado momento da vida, ou até mesmo sofrem o fim. Nada funciona da mesma forma o tempo todo. E o automobilismo não foge à essa regra. No ano de 1970, pudemos ter a honra de ver o primeiro piloto brasileiro a vencer uma corrida na Fórmula 1: Emerson Fittipaldi. Até então, o Brasil já tivera quatro representantes (Chico Landi, Gino Bianco, Hermando da Silva Ramos e Fritz d'Orey) na Fórmula 1, porém nenhum deles tinha vencido alguma corrida ou disputado um campeonato regularmente. Com a contratação de Fittipaldi pela lendária equipe Lotus, do mago da engenharia automotiva Colin Chapman, o Brasil viu sua bandeira figurando entre outras tradicionais no maior campeonato do automobilismo mundial. E com a primeira vitória de Fittipaldi, em 1970, no circuito Norte-Americano de Watkins Glen, foi iniciada uma forte tendência pela formação de pilotos de fórmula no país, tendência essa que dura até os dias de hoje, porém com menor força se comparada à outros tempos. Os títulos de 1972 e 1974 de Emerson, só vieram a fortalecer o desejo de tornar o Brasil um país formador de campeões de Fórmula 1. Emerson Fittipaldi abriu os caminhos da Europa para os brasileiros, que posteriormente ainda conquistariam mais 6 títulos e vários recordes, alguns vigentes até hoje, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. 

Após o fim do projeto Copersucar, a equipe brasileira de F1 chefiada pelos irmãos Fittipaldi, Emerson continuou fazendo história, ao abrir o caminho do automobilismo norte-americano, tão desconhecido no Brasil até então, onde foi bicampeão das 500 milhas de Indianápolis e campeão da Fórmula Indy, e abriu caminho para as conquistas de Gil de Ferran, Helio Castroneves, Cristiano da Matta e Tony Kanaan.

Mas voltando aos dias atuais, o que presenciamos é a substituição do automobilismo de monoposto pelas corridas de turismo e campeonatos de stock cars. Por conta da crise das categorias de monoposto, muitos pilotos que fizeram carreira nas diversas F3, na Fórmula Indy, Fórmula 1, na antiga Fórmula 3000 (hoje GP2), entre outras, estão procurando cada vez mais campeonatos como a Stock Car V8, GT Brasil, Brasileiro de Marcas, entre outros, até mesmo a tão distante Nascar, onde em junho deste ano, Nelson Angelo Piquet, conquistou a pole position e a vitória na etapa extra-campeonato da Nationwide (categoria de acesso da Sprint Cup), disputada no tradicional circuito de Elkhart Lake, EUA. Essas foram a primeira vitória e pole position de um piloto Brasileiro em uma categoria principal Nascar, sem contar com o título da temporada 2011 conquistado por Pietro Fittipaldi, de apenas 15 anos, (neto de Emerson) na categoria Limited Late Model, uma espécie de divisão da Nascar que corre apenas no estado da Carolina do Norte.

Dessa forma, vejo que na realidade ocorre somente uma benéfica mudança de rumo no automobilismo Brasileiro. O país, que aprendeu a gostar do automobilismo com as corridas de monospostos, hoje tem o o cenário mais favorável para a conquista de novos espaços em campeonatos de turismo. Atualmente, temos dois Brasileiros com chances reais de vitória na Truck Series e em médio prazo na Nationwide (Nelsinho Piquet e Miguel Paludo), outro brasileiro disputando o grande Campeonato Alemão de Turismo numa equipe de ponta (Augusto Farfus) e tantos outros espalhados por outras categorias e até mesmo em provas de longa duração. Porque não pensar em termos pilotos brasileiros conquistando campeonatos na Nascar, no DTM, na V8 Supercars da Austrália e na tradicional 24 horas de Le Mans, onde o Brasil nunca foi vencedor e nunca deu a merecida atenção à mais famosa prova de longa duração do mundo? É hora de pensar que o automobilismo não se resume à F1, e que há categorias tão importantes quanto (do ponto de vista esportivo, midiático e até mesmo financeiro) a serem exploradas. Hoje, o momento é de direcionar o esforços e investimentos para campeonatos que ainda não somos familiarizados, para que num futuro próximo, possamos ter campeões mundiais também em categorias de turismo e stock car, repetindo o sucesso nacional nas corridas de monoposto dos anos 70, 80 e 90.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Chico Landi









Francisco Sacco Landi, ou melhor, "seu" Chico Landi, é um nome que dispensa comentários. Um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro - ou talvez o maior - , foi o primeiro brasileiro a pilotar um F1. Ao todo, disputou 6 Gp's, e mostrou o caminho para os pilotos brasileiros que tinham interesse em correr no velho continente.

Diante da grande importância de seus feitos e de sua longa carreira, esse post ficará limitado às participações de Chico Landi em edições das Mil Milhas Brasileiras. O primeiro piloto a liderar uma Mil Milhas foi Chico Landi. Após a largada da 1ª edição - em 1956, quando dividiu a pilotagem com Jair de Mello Viana - a bordo de sua carreteira preta nº 70 -, ele tomou a liderança e disparou na frente, imprimindo um ritmo tão forte que foi suficiente para marcar a melhor volta da corrida, com o tempo de 4min16s. Porém, o motor não aguentou o esforço e fundiu após 15 voltas.

No ano seguinte, a maior polêmica da prova. Chico Landi dividiu a pilotagem da carreteira Chevrolet nº 82 com José Gimenez Lopes e conquistou a vitória na pista. Porém, dois dias depois da corrida, foram desclassificados. O motivo: Já na segunda volta da corrida, a carretera passou pela frente dos boxes com as luzes traseiras apagadas, o que era proibido. Após tomarem conhecimento do problema, os responsáveis pela fiscalização da prova determinaram que Gimenez tinha que realizar uma parada nos boxes para efetuar os reparos necessários nas lanternas traseiras. Isso em no máximo 5 voltas. Porém, Gimenez só se dirigiu aos boxes após completar 9 voltas, causando a maior polêmica entre os outros competidores, que pediram pela desclassificação da dupla na prova. No fim das contas, a Landi e Gimenez puderam prosseguir na corrida, depois de realizados os reparos nas lanternas. Ganharam na pista, mas não levaram a vitória.

Em 1958, formou dupla novamente com José Gimenez Lopes. Pilotando a carreteira Chevrolet nº 82, alcançaram a 2ª posição na classificação final, com uma desvantagem de 8 voltas para os vencedores. No ano seguinte esteve ausente da disputa, e seu sobrinho, o grande Camilo Christófaro, dividiu a condução da carreteira Chevrolet com Gimenez em seu lugar. Alcançaram a 2ª posição na classificação geral.

A vitória finalmente viria em 1960. Neste ano, Landi dividiu a pilotagem de um FNM JK 2000 (de 150 cavalos de potência) com o saudoso Christian "Bino" Heins, que viria a falecer 3 anos depois durante as 24 Horas de Le Mans. O interessante dessa parceria é que Heins inicialmente correria em dupla com Eugênio Martins em um DKW da recém criada Equipe Serva Ribeiro, comandada pelo saudoso Jorge Lettry. Porém, durante os treinos, Heins se desentendeu com Lettry e abandonou o carro sem dar uma volta sequer. Então, passou a fazer dupla com Landi no FNM JK nº 28 e acabaram por vencer a prova. Na hora da bandeirada, Heins quis passar o volante para Chico Landi, que prontamente recusou, afirmando que sua participação na prova foi maior nos boxes do que na pista.

No ano seguinte, refez a parceria com Christian Heins, novamente em um FNM JK. A vitória parecia estar se desenhando novamente, pois quando ocupavam a 4ª posição, a carretera de Camilo Christófaro/Celso Lara Barberis que liderava e o FNM JK de Ciro Caires que estava em segundo, abandonaram faltando poucas voltas para o fim. A liderança ficou então com os gaúchos Orlando Menegaz e Ítalo Bertão, que nas última voltas enfrentaram a resistência dos pilotos paulistas. Ao saberem que a dupla gaúcha havia assumido a liderança, os paulistas retardatários na prova passaram a fechar as investidas de ultrapassagem dos gaúchos, enquanto ao avistar Christian Heins, "encostavam" para lhe dar passagem. No fim da contas, esse expediente não foi suficiente para mudar a liderança, pois a dupla Menegaz/Bertão chegou com uma vantagem de 12 segundos sobre Landi/Heins. E esta acabou sendo a última participação de Chico Landi nas Mil Milhas.

Chico faleceu em 7 de junho de 1989 na cidade de São Paulo, aos 81 anos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

1ª vitória de um carro nacional





A 5ª edição da Mil Milhas de Interlagos (1960) ficou marcada como a primeira edição da prova em que o carro vencedor era fabricado no Brasil. Tratava-se de um FNM JK, inscrito com o número 28 e pilotado por uma dupla de peso: Christian "Bino" Heins e "Seu" Chico Landi. O valente carro tinha como trunfo o ritmo constante dos pilotos e o resistente motor 2.0 de 150 hp.

O início da prova foi marcado pelo domínio da dupla Camilo Christófaro/Celso Lara Barberis, que abriu algumas voltas de vantagem para o segundo colocado, já nas primeiras horas. Porém, às 3 horas da manhã, a carretera Chevrolet Corvette começou perder terreno para o FNM de Heins/Landi, que no início da manhã, assumia a liderança.

Heins recebeu a bandeira quadriculada às 11h47min, depois de Landi recusar recebê-la. Alegara que o parceiro pilotou 3/4 da prova e merecia ele ter essa honra. Era a vitória de um pequeno diante das temidas carreteras.