"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

A nova era da Porsche nas Mil Milhas Brasileiras

Falar em Mil Milhas a partir dos anos 90, é sobretudo falar na marca alemã. Dominante na primeira metade das décadas de 90 e 2000, o modelo 911 e suas variações (sobretudo a GT3 RS) ditaram o ritmo das edições disputadas à época. E quando não venceu na classificação geral, foi vice, com exceção das provas de 2005 a 2007.

Mas com a retomada das Mil Milhas, a partir de 2020, é certo os tradicionais Porsche deveriam se aperfeiçoar se quisessem manter o protagonismo de antes. Assim, um exemplar da nova geração 718 fora inscrito no ano de 2022, mais especificamente um Cayman GT4 #55 da tradicional equipe Stuttgart. O lindo GT foi pilotado por Marcel Visconde, Ricardo Maurício e Alan Hellmeister, e terminou 11 voltas atrás dos vencedores, mas vencendo na categoria, depois de escalar todo o grid (o Porsche largou dos boxes e chegou a ocupar a 4ª posição na geral, ainda na 1ª hora de corrida).

Cabe lembrar que o 718 Cayman GT4 Clubsport chegou ao Autódromo de Interlagos somente às 16:00 horas do sábado, dia da prova. Até então, o hodômetro marcava 78 quilômetros, todos percorridos na pista da Porsche em Weissach, Alemanha. Nas quase 12 horas de corrida, o único reparo técnico feito foi a substituição das pastilhas de freio, como medida de segurança.

No ano seguinte, o mesmo carro foi pilotado pelo trio Jacques Quartiero/Danilo Dirani/Dennis Dirani, que levou o 718 Cayman ao segundo lugar na classificação geral (com 05 voltas de desvantagem para o AJR vencedor), entre os 42 carros que largaram (liderou a corrida durante boa parte do período noturno), e venceu na classe GT4.







terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Protótipo AJR 2023

Queridos leitores! Primeiramente quero desejar-lhes um feliz ano novo, estendido às suas respectivas famílias, repleto de muita saúde, felicidades e claro, automobilismo. E nesse clima de virada de ano, começa a nossa expectativa a respeito da próxima edição das Mil Milhas Brasileiras, que será disputada no dia 28 de janeiro de 2024, com a tradicional largada à meia-noite.

Até lá, estaremos relembrando histórias da prova e trazendo notícias a respeito da próxima edição, com postagens regulares e conteúdo inédito.

Então, hoje falaremos de um carro vencedor, não só das Mil Milhas, mas de várias outras provas, sobretudo do campeonato brasileiro de endurance. Trata-se do Protótipo AJR nº 175, do qual sou fã confesso, quem em 2023 foi pilotado por Emilio Padron, Fernando Fortes, Fernando Ohashi e Henrique Assunção.

O bólido em questão fora lançado pela JLM Racing (capitaneada pelo piloto Juliano Moro) em 2017, cujo projeto, que levou 02 (dois) anos de desenvolvimento, fora fruto de parceria com a Metalmoro, tradicional construtora gaúcha de carros de corrida. Possui chassis com estrutura tubular em aço cromo molibdênio, carenagem de composite e fibra de carbono nas asas – a traseira possui o sistema de asa móvel utilizado na Fórmula 1 - entre outros recursos que o tornam um carro muito veloz nas retas e com bastante downforce nas curvas.

Em que pese o primeiro AJR construído ter sido equipado com motor Honda K20 Turbo, a sua construção foi feita objetivando a possibilidade de utilização de diversas opções de motorização, de acordo com as possibilidades financeiras de cada equipe. Como por exemplo, o AJR nº 175 do qual falamos, fora equipado com motor Ford Coyote V8, além de ter sido pintado com uma bela tonalidade de verde.

Nos treinos, o carro nº 175 largou da pole position com o tempo de 1min31s320, o que representou a vantagem de 0s788 para o segundo colocado, o Protótipo Sigma P1 (vencedor da prova de 2022), conduzido por Bia Figueiredo, Aldo Piedade, Sérgio Jimenez e Pedro Queirolo.

Após a largada, a briga pela ponta ficou entre os dois primeiros colocados, enquanto que durante a madrugada, o Sigma teve problemas no alternador e terminou por abandonar a prova no começo da manhã, em virtude da quebra da suspensão. A partir das 06 horas de corrida (volta 157), o AJR passou a liderar de forma absoluta, pois nesse ínterim, o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport da Stuttgart também chegou a ocupar a primeira posição na geral na parte noturna.

Mesmo com problemas em um pit stop, que fizeram com que o AJR caísse para a décima segunda posição na classificação geral, a vitória fora conquistada com 05 voltas de vantagem para o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport da Equipe Stuttgart.


Foto: Rodrigo Ruiz




domingo, 24 de dezembro de 2023

Ford Courier Mil Milhas de 2022

Se ao longo dos seus mais de 60 anos de história as Mil Milhas Brasileiras foram marcadas por possibilitar a participação de carros diferenciados, isto não seria diferente quando da atual fase, iniciada com a retomada da prova em 2020. E quando falo diferenciados, me refiro a bólidos pouco ou nunca utilizados em corridas.

Embora a Ford Courier tenha alcançado um patamar a mais, considerando a categoria monomarca disputada entre os anos de 2001 e 2007 (DTM Pick-up, cuja história fora contada de forma resumida aqui), há que considerarmos que não se trata de um veículo corriqueiramente utilizado em provas de turismo, se compararmos com VW Gol, GM Corsa, Fiat Uno e Palio, entre outros pares da época.

Assim, além das participações de exemplares da pequena pick-up nos anos de 2003 e 2005 (confira matéria a respeito neste link), pudemos ver uma Courier no grid das Mil Milhas de 2022, quando o quinteto Vinicius Lira/Luiz Bresser/Marcos Paulo/Ricardo Gouveia/Eduardo Teixeira (Equipe Lira Racing) inscreveu um exemplar sob o nº 14. Saindo da 17a posição, com o tempo de 2min00s438, a valente Courier terminou a prova em um ótimo 18º lugar (e 2º na categoria), com 222 voltas completadas, mesmo após enfrentar alguns problemas que lhe fizeram perder várias voltas nos boxes.


Foto: Yo! Cars BR (@yocarsbr) - Retirada do Instagram da Equipe Lira Racing - Todos os direitos reservados

Foto: Gabriel Albuquerque (@albuquerque_photo) - Retirada do Instagram da Equipe Lira Racing - Todos os direitos reservados


Foto: Gabriel Albuquerque (@albuquerque_photo) - Retirada do Instagram da Equipe Lira Racing - Todos os direitos reservados

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Raul Boesel e as Mil Milhas Brasileiras

No último dia 04, o curitibano Raul Guilherme de Mesquita Boesel, ou simplesmente Raul Boesel, completou 66 anos de vida, da qual mais da metade fora dedicada ao esporte a motor. Da carreira no automobilismo, Boesel tem a autoridade de dizer que fora um vencedor, ainda que não tenha colecionado muitos títulos (mas todos os que conseguiu foram marcantes e únicos), pois, conforme nos ensina sabiamente Alex Dias Ribeiro, você pode ser vencedor sem ser campeão. Ainda mais em um esporte que por diversos fatores, muitas vezes acaba "cortando as asas" de grandes talentos.

A história de Boesel na Stock Car já fora contada aqui no blog, em postagem datada de outubro de 2014, que você pode conferir neste link. Mas hoje falaremos especificamente sobre as suas participações nas edições das Mil Milhas Brasileiras, começando pela edição de 1989.

Naquele ano, houve a abertura do regulamento para carros fabricados fora do Brasil, oportunidade em que fora inscrita uma Mercedes Benz 190E 2.3 sob o nº 48, que naturalmente causou grande expectativa para aquela edição, que veio a ser a última disputada no antigo traçado.

Porém, o bólido alemão ficou só na expectativa mesmo, pois o trio Raul Boesel/ João "Capeta" Palhares/Raymond Lourel, sendo este último piloto francês e proprietário do carro, ficou pelo caminho ainda durante a madrugada, em virtude de um problema no circuito eletrônico da injeção/ignição, enquanto liderava a prova com Raul Boesel ao volante. Lourel não chegou a pilotar o carro.

A sua próxima participação em Mil Milhas ocorreu tão somente 05 anos depois, naquela que é considerada uma das maiores edições da prova, tamanha a repercussão pela participação de pilotos nacionais de renomados e outros estrangeiros, além da inscrição de máquinas nunca antes vistas na pista paulistana.

Neste ano, Boesel utilizou um Ford Escort RS Cosworth, uma fera que contabilizou várias vitórias em ralis na Europa, equipada como motor turbo 2.0i de 440 hp e tração integral. A pilotagem foi dividida com Rubens Barrichello e Rudiger Schmidt (GER), e o 5º lugar no grid foi bastante animador. Mas a corrida não durou muito tempo, pois o carro nº 9 teve problemas de câmbio, e após 37 minutos parados no boxes, a equipe não conseguiu solucionar o problema, impossibilitando a volta à pista.

Após o longo hiato de participações entre 1995 e 2001, a sua volta à prova ocorreu de forma triunfal em 2002. Pilotou o carro vencedor do ano anterior, um Porsche 911 GT3 RS, com motor 6 cilindros aspirado de 3.6 litros e 24 válvulas, preparado pela equipe Stuttgart. Também vencedores do ano anterior foram os companheiros de Boesel na empreitada, neste caso, Flávio Trindade e Régis Schuch. Saindo da 3ª posição no grid e após 11h50min55s de prova, Boesel e companheiros alcançaram a vitória, com a maior diferença registrada entre o 1º e o 2º lugar na história da prova: 27 voltas.

Para o livro Mil Milhas Brasileiras 50 Anos, do jornalista Livio Oricchio, lançado em 2006, Boesel deu a seguinte declaração sobre a corrida:

"[...] Acho que foi um dos mais desgastantes testes físicos que já passei. Pilotei cerca de 70% do tempo. Faziam parte da equipe também o Flávio Trindade e o Régis Schuch. Eu classifiquei o carro e larguei. Nossa autonomia era de mais ou menos uma hora e vinte minutos. O Régis havia deixado bem claro que não conduziria à noite. Eu e o Flávio teríamos de nos revezar enquanto não tivesse luz natural. Larguei, fiz o primeiro pit stop e continuei na prova. Já estava pilotando há duas horas e quarenta quando parei pela segunda vez.

Disse a mim mesmo que aquele pit stop viera em boa hora, pois me sentia um pouco cansado. O Flávio assumiu o Porsche. Eu estava deitado e cerca de 40 minutos depois de parar, entraram correndo no motorhome para avisar que me preparasse. O Flávio havia comido algo ou tomado uma medicação e não se sentia bem. E o Régis no escuro não conduziria. Fui para a pista de novo para mais duas tocadas. O Flávio fez a seguinte, eu mais uma e o Régis terminou a corrida nos últimos 45 minutos, quando já havíamos estabelecido boa vantagem para o segundo lugar. Senti-me feliz pela conquista e comigo mesmo, por conta de como conseguimos ganhar a corrida".

Em 2003 correu defendendo o título, novamente com o Porsche GT3 RS da Equipe Stuttgart, mas tendo como companheiros o jovem Ricardo Maurício (que corria de Fórmula 3 Espanhola na época, sagrando-se campeão da categoria no final daquele ano) e Paulo Bonifácio. Mas infelizmente um problema no macaco hidráulico do carro fez com que o trio perdesse 03 voltas com o Porsche parado nos boxes, eliminando as chances de vitória e deixando-os na 3ª posição na geral (com 368 voltas completadas).

Porém a briga pela vitória com Ingo Hoffmann (que seria o vencedor da prova, com outro Porsche) ficou guardada na memória do alemão, como ele resumiu para o livro Mil Milhas Brasileiras 50 Anos:

"[...] Aliás, a luta com o Boesel depois da largada, a nossa primeira tocada, foi uma das coisas mais memoráveis da minha carreira. Tiramos o literal racha. Durante uma hora e quarenta, mais ou menos, com o asfalto ora mais molhado, ora mais seco, nós lembramos nossos tempos de moleques nas ruas. Costurávamos no meio do tráfego em Interlagos. Um momento eu conseguia abrir um pouquinho dele, mas de repente ele passava e abria o mesmo de mim. Tive nesse dia um dos grandes prazeres nesse negócio de pilotar".

Ausente na 32ª edição, disputada no aniversário de 450 anos da cidade coração do Brasil, Boesel voltou em 2005, sempre a bordo do Porsche 911 GT3 da Stuttgart, oportunidade em que dividiu a tocada com os vencedores de 2001, Max Wilson e André Lara Resende (vencedor também em 1996, com um Porsche 911 Turbo 1971), além de Marcel Visconde. O trio terminou a prova numa discreta 7ª posição.

Para a edição que celebrou os 50 anos da prova, realizada em janeiro de 2006, Boesel estava inicialmente inscrito em um dos Aston Martin DB9-R da equipe Capuava Racing, do saudoso Alcides Diniz. Porém, o bólido inglês teve problemas de motor ainda nos treinos, impossibilitando a participação na prova. Como consequência, Boesel e o Português ex-F1 Pedro Lammy foram remanejados para o Mercedes Benz CLK DTM, cuja pilotagem fora dividida com Tony Kanaan, substituindo na Mercedes o então bicampeão da Stock, Giuliano Losacco, que não pôde correr por conta de problemas de saúde, e o ex-Stock Car Beto Giorgi.

No grid, alcançaram a 9ª posição, com o tempo de 1min36s437. O lindo bólido, derivado do DTM, chegou a ocupar a ponta da classificação geral, quando liderou 02 voltas na 1ª hora da disputa. Contudo, terminou a prova na 2ª colocação, com 05 voltas de desvantagem para o vencedor, o Aston Martin DB9-R de Nelson Piquet/Nelsinho Piquet/Helio Castroneves/Christopher Bouchut (FRA).

2007 foi um ano atípico para a prova, pois além de ter sido chamada de Mil Milhas Brasil, fez parte do campeonato Le Mans Series, sendo a 6ª e última etapa do certame. Repleto de pilotos e carros de alto nível, o grid foi formado por 23 bólidos, divididos em 04 categorias. Boesel disputou a prova com o Porsche 997 GT3 - RSR 3.8 da Stuttgart Sportscar/Dener Motorsport, em trio com Marcel Visconde e Flávio "Nonô" Figueiredo, sendo que a corrida teminou com 318 voltas completadas, deixando-os na 12ª posição.

A última participação de Raul Boesel em uma Mil Milhas Brasileiras ocorreu em 2008, ano que marcou o fim de uma era para a história da prova. E foi também a sua segunda conquista, ao receber a bandeirada depois de 368 voltas completadas, dividindo a tocada do Porsche 911 GT3 RSR 3.6 da Stuttgart Sportscar/Dener Motorsport com Marcel Visconde e Max Wilson, que também celebrou a sua segunda vitória em Mil Milhas. O grid foi novamente formado por 23 carros, e os adversários mais ferrenhos eram o Protótipo Mitsubishi Eclipse de Eduardo Souza Ramos/Geraldo Piquet/Leandro de Almeida, o Protótipo Dimep Chevrolet V8 da Família Pimenta (Dimas Filho, Dimas III e Rodrigo) e do saudoso Alfredo Guaraná Menezes Jr., além de Ferrari GT2 360 e de algumas Maseratis GT oriundas do antigo Trofeo Maserati, absorvido pelo GT Brasil. Com os problemas dos adversários diretos, Boesel & Cia venceram a prova, cuja largada foi dada às 11 horas de um domingo, com 23 voltas de vantagem para o Protótipo Mitsubishi Eclipse.

E essa foi nossa singela homenagem aos 66 anos do grande Raul Boesel, que infelizmente teve sua maior homenagem - o Autódromo Internacional de Curitiba - substituída por projetos da especulação imobiliária, deixando somente lembranças de uma pista que além de técnica, tinha um lindo cenário em sua volta.















segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Protótipos MRX - 2020

Dando continuidade à retrospectiva sobre as edições das Mil Milhas Brasileiras disputadas após a retomada da prova, no ano de 2020, falaremos sobre o Protótipo MRX, que se fez presente com 02 (dois) exemplares na edição realizada no dia 16 de fevereiro de 2020.

Mas antes de tudo, é preciso relembramos que o MRX é o sucessor do tradicional MCR, por sua vez lançado no ano de 1999, e que alcançou grande sucesso nas pistas, obtendo vitórias e títulos em provas importantes, como nas 12 Horas de Tarumã e nos campeonatos brasileiro e gaúcho de endurance. Mas essa é uma outra história, que merece um capítulo especial aqui no nosso blog.

Voltando ao MRX, o bólido de corrida foi lançado no ano de 2009 pela Metalmoro, construtora fundada em 1968 na cidade de Veranópolis (RS), e que se destaca pelo sucesso obtido tanto no kart quanto nas pistas ao longo dos anos. A carenagem de fibra de vidro possui semelhanças com o antigo MCR Turbo, sendo um carro apto a receber diversas motorizações (seja turbo ou aspirado), com posicionamento central. Ainda em 2013, foi lançado o MR18, que utilizava a base do MRX, mas com carroceria fechada.

Na prova de 2020, foram inscritos os MRX nº 56 dos quartetos Gustavo Simon, Rafael Simon, Rafael Cardoso e Sérgio Cardoso, equipado com motor Honda K20 2.0 16v (oriundo do Civic Si), e nº 72, de Carlos Antunes, Yuri Antunes, Mauro Auricchio e Lucas Marotta, por sua vez equipado com motor Opel C20XE 2.0 16v (derivado do Vectra GSI e Calibra).

Ao final das 360 voltas da corrida (limitada a 11 horas), o nº 56 terminou na 3ª posição, com 301 voltas completadas (melhor tempo de volta: 1min41s881, enquanto o nº 72 completou apenas 28 (melhor tempo de volta: 1min49s255).






terça-feira, 14 de novembro de 2023

BMW 320is nas Mil Milhas de 1993

Rever o histórico de publicações desse nosso espaço é ter a gratificante sensação do quanto evoluímos nesses mais de 13 anos de existência. Isso podemos notar na forma de escrever, no conteúdo das postagens e mesmo na profundidade das informações obtidas.

Um exemplo disso se reflete em uma postagem que fiz há mais de 10 (dez) anos, sobre as várias ocasiões em que um veículo da marca BMW disputou as Mil Milhas Brasileiras. Na época, as informações ainda eram um pouco escassas ou mesmo imprecisas, o que causou algumas omissões em determinados casos.

É o que aconteceu com a participação de uma BMW 320is E30 no ano de 1993, que só vi tomar conhecimento após assistir uma gravação da corrida publicada no Youtube, muitos anos depois. Na ocasião, fiquei intrigado com aquela alemã com pintura verde de quem nunca tinha ouvido falar, e sequer sabia quem tinha pilotado.

Através de uma matéria de revista especializada, pudemos verificar que o veículo inscrito sob o nº 77, pertencente à equipe portuguesa Trajecto (TAP), era oriundo do Troféu BMW, certame organizado pela Baviera, representante oficial da marca em Portugal, entre os anos de 1990 e 1992. A competição mesclava corridas em circuitos fechados (como o Estoril), de rua e provas em estradas, e contou com nomes locais como Manuel Fernandes, Álvaro Parente, Jorge e Alcides Petiz e Antônio Barros.

Cabe destacar que a 320is era praticamente uma 325i enquadrada no grupo N, com o motor da M3 reduzido (de 2300 cm³ para 1990 cm³) e suspensão Bilstein ou Mtec com diferencial autoblocante. Porém o câmbio era o mesmo, e a preparação ficava por conta da tradicional casa AC Schnitzer.

Falou-se na época que o exemplar que veio ao Brasil tinha preparação que fazia o motor aspirado chegar a 220 cavalos de potência, enquanto que a pilotagem ficou por conta do trio Luiz Carlos Sansone/Antônio Santos/José Figueiredo. Desses pilotos, o mais conhecido era Luiz Carlos Sansone, que correu de Fórmula Vê em 1970, e naquela edição registrava a sua 16ª participação na prova. Infelizmente não conseguimos obter a colocação final da BMW, mas Sansone contou que dirigiu por cerca de 07 horas na disputa, pois os demais pilotos não conseguiam enxergar nada na chuva que caiu durante boa parte daquela edição. 


* Esta matéria contou com a imprescindível colaboração do irmão Rodrigo Carelli, o cara por trás do excelente //blogdocarelli.blogspot.com, que gentilmente buscou o contato de Luiz Carlos Sansone e confirmou os nomes dos pilotos que dividiram a tocada com ele.





sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Chevrolet Omega da Equipe Big Power - 2020

Na última live que fiz com meu irmão Rodrigo Carelli, do //blogdocarelli.blogspot.com, relembramos a evolução que as Mil Milhas Brasileiras teve desde a retomada da prova, no ano de 2020. E se os prognósticos se confirmarem, em 2024 teremos uma das maiores etapas dos quase 70 anos de história da competição.

Na ocasião (feriado do dia 02 de novembro), falamos sobre o aumento na quantidade de inscritos, no nível dos competidores e na repercussão em si da prova, que caminha de volta para o posto de destaque de onde não deveria ter saído nunca. Confiram neste link do canal Entusiastas Sobre Rodas, no Youtube.

E nesse clima, vamos continuar relembrando os carros, equipes e pilotos que fizeram essa história acontecer, começando pelo Chevrolet Omega Stock Car da tradicional Equipe Big Power, que disputou a prova em 2020, apesar de serem assíduos participantes das Mil Milhas, com nomes como Sandro Sanches, Ciro Paciello, Maurício Olio, Amaury Biem, entre outros.

Feras do campeonato paulista de automobilismo (historicamente na categoria stock paulista e mais recentemente na old stock) desde meados de 1989, a equipe do bairro do Canindé inscreveu o Omega azul nº 9 naquela edição, com o trio Ciro Paciello, Álvaro Vilhena e Evandro Camargo na pilotagem.

Seguindo uma tocada regular (era também o único competidor inscrito na categoria TN3), o valente bólido com a tradicional mecânica GM 4.1 6 cilindros chegou a ocupar a 3ª posição na geral, mas em virtude de problemas no diferencial (que precisou ser trocado), o carro passou várias voltas parado no box para reparo na parte da noite. Contudo, para a alegria dos fãs, a equipe resolveu colocá-lo de volta no final da prova, completando 125 voltas (o vencedor fechou em 360 no total, por conta da limitação de tempo), suficientes para deixá-lo na 5ª posição na geral.