"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 60 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Mil Milhas 2026 - Finalmente in loco (parte 1)

Queridos leitores! Na última postagem aqui no blog, falei que teria uma surpresa para vocês na próxima matéria que escreveria aqui. E não poderia ser diferente, pois essa a matéria de nº 500 postada aqui nesse espaço, cuja história começou em 28 de fevereiro de 2010. Pois bem, ainda que com alguns dias de atraso (tenho me virado em cinco dublês nos últimos dias), trago para vocês a primeira cobertura das 1000 Milhas Brasileiras feita no local.

Digo a vocês que levei 20 anos para realizar esse sonho, pois o contato mais próximo que tinha tido com a prova havia sido em janeiro de 2006. Naquela época, pela primeira vez, estava passando as férias em São Paulo/SP, e no domingo que antecedeu a prova, tive a oportunidade de ir ao Autódromo de Interlagos. Não tive a sorte de ver os carros na pista, e fui apenas até a região do S do Senna e das arquibancadas cobertas.

A prova seria realizada no sábado à tarde, e terminei acompanhando aqui de Maceió/AL pelo live timing do icônico site Speedonline, da autoridade Jorge Kraucher, a quem tenho como uma das primeiras e das mais importantes fontes de informações históricas das 1000 Milhas.

Ficou um forte desejo de um dia poder acompanhar a prova ao vivo, ter contato com os carros e pilotos, e resistir ao máximo ao sono e cansaço na maratona de cerca de 12 horas de prova. E esse desejo ficou por um longo período ainda mais longe de ser realizado, pois a prova sofreu um longo hiato de quase 12 anos sem ser realizada, em virtude de questões burocráticas e jurídicas em torno dos direitos de realização.

E isso me faz lembrar que em novembro de 2018, estávamos eu e meu irmão Rodrigo Carelli na arquibancada descoberta de Interlagos, durante os 500 km da Porsche Endurance Cup (etapa de encerramento da temporada), fazendo conjecturas sobre a possibilidade de um dia termos a prova de vota.

Como um alinhamento dos planetas e combinação precisa dos astros, o retorno das 1000 Milhas ocorreu em fevereiro de 2020, cercado de desconfiança, grid diminuto, mas abrindo caminho para aquela que está sendo uma das melhores fases dos 70 anos da prova, que serão completados em novembro desse ano, mês em que houve a primeira disputa, no ano de 1956.

Com a imprescindível parceria e compreensão da minha esposa Belisa, embarcamos junto com nosso pequeno (Ricardo Filho) para São Paulo/SP na madrugada de sexta-feira, e durante os treinos que aconteciam na tarde daquele dia, tive o primeiro contato com a corrida. Fui me encontrar com os amigos Rodrigo, Paulo Abreu e Zé Carlinhos, que desde cedo estavam no autódromo, além de pegar a minha credencial de imprensa.



Sobre a credencial, nem nos meus melhores sonhos de adolescente poderia conceber essa possibilidade, que gracas ao Canal Entusiastas Sobre Rodas, pude obtê-la junto à organização de imprensa e marketing da prova, através de Ronaldo Arrighi e do amigo Léo Jacomassi. Gratidão a todos vocês, vou guardá-la pelo resto da vida junto com outras que espero ter.

Em razão de compromissos familiares, não acompanhei o restante dos treinos e não vi a pole position na geral conquistada pela Ligier JS P320 nº 22 da Equipe GForce Motorsport. Pilotado pelo quarteto Rafael Brocchi, André Moraes Jr., Flávio Abrunhoza e Daniel Lancaster, o bólido marcou o tempo de 1min28s801.

Cheguei em Interlagos por volta de 18:30 do sábado, e já tive o prazer de encontrar os amigos Rodrigo Carelli, Paulo Abreu, Zé Carlinhos e Matheus Furlan no paddock, não podendo deixar de registrar esse momento, além das belezas sobre rodas que ia encontrando pelo caminho.

Só que entrar na sala de transmissão para falar com o Léo Jacomassi e dar de cara com Luiz Salomão, Luiz Fernando Batista e Flávio Gomes juntos, é para deixar qualquer fã de automobilismo paralisado. E esse time ainda ganhou o reforço de peso de Maurício Marx, Jan Balder e Luiz Evandro Águia.



























Rodrigo Carelli

Momento fã com o escritor, comentarista e jornalista Rodrigo Mattar

Rodrigo e eu nos comprometemos em acompanhar a corrida inteira, o que incluía o warmup, o grid walk e a premiação dos melhores colocados em cada categoria. E assim fizemos, começando pelo warmup e depois pelo grid walk, onde tive a grata surpresa de encontrar a Regina Calderoni (primeira mulher a disputar a Stock Car Brasil, em 1984) e o Eduardo Bernasconi (que também disputou a prova), o manda-chuva da saudosa revista Fullpower, que foi a minha formação de base no automobilismo, a partir de 2003 (tenho a minha coleção guardada até hoje).

Para maiores detalhes sobre o passeio pelo grid, vejam também os vídeos que fizemos no Canal Entusiastas Sobre Rodas no Youtube (parte 1 e parte 2).































Na próxima postagem, falarei sobre a disputa da prova, desde a largada até o pódio.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - César Bocão Pegoraro - 1985

Um dos grandes pilotos de monopostos que o Brasil teve nos anos 80, César Pegoraro, o Bocão, também marcou presença nas Mil Milhas Brasileiras. Embora só tenha participado de uma edição, mais especificamente a 15ª, disputada em 25 de janeiro de 1985, esse episódio da sua rica carreira não poderia passar despercebido.

Conforme matéria do enciclopédico Blog do Sanco, do grande Leandro Sanco, Bocão formou trio nessa corrida com Giuseppe Marinelli e Leonel Friedrich, e ao que sua memória indica, largou da 36ª posição no grid formado por 52 carros. Após cerca de 40 minutos de corrida, sob forte chuva, Bocão alcançou a ponta na categoria Marcas e Pilotos e a manteve até após as 02:00 da manhã, quando houve a quebra do câmbio. Após os reparos, o valente Oggi ainda retornou à pista para terminar na 18ª posição na geral e em 4º na categoria.

Bem, meus amigos, essa foi a nossa última postagem antes das Mil Milhas 2026. Na próxima, que será a postagem de número 500 desse blog, trarei uma novidade para vocês.





sábado, 17 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Porsche 914 Equipe MC Tubarão - 2022

No ano de 2022, a tradicional equipe gaúcha MC Tubarão (que em 2025 completou 50 anos de história, com o bicampeonato das 12 Horas de Tarumã) trouxe para Interlagos um carro muito especial. Estamos falando do Porsche 914 (um silhouette car, constituído por bolha de fibra de vidro e chassi tubular), que nos remeteu aos modelos que disputaram a prova nos anos 90 e início dos anos 2000.

O carro foi inscrito na categoria P3, e seria pilotado na prova pelo trio Paulo Sousa/Mauro Kern/Galid Osman Jr. Porém, sérios problemas de motor (Honda K20, derivado do Accord, preparado pela Dacar Motorsport) nos treinos fizeram com que a participação fosse abortada, sendo o Porsche substituído pelo protótipo campeão do Império Endurance Brasil em 2021 (categoria P3).





terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Política

Historicamente, o automobilismo não é um esporte no qual questões políticas sejam discutidas ou mesmo expostas de forma aberta. Mas em pelo menos duas ocasiões, pudemos presenciar nas Mil Milhas Brasileiras manifestações de natureza política, tanto no âmbito interno, quanto a nível nacional.

A primeira ocasião que verificamos em nossas pesquisas, fora o manifesto da dupla Álvaro Guimarães/Wagner Augustin, que inseriu no vidro lateral traseiro de seu Volkswagen Hot Car nº 57 uma autêntica reclamação por eleições diretas no âmbito da CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo, então dirigida por Joaquim Cardoso de Melo (gestão entre 1984 e 1987), e na FPA - Federação Paulista de Automobilismo, cuja gestão passaria a ser feita naquele ano por Marcos Augusto Corsini, tendo como vice Luiz Evandro "Águia" Campos.

A segunda oportunidade foi no ano de 1997, quando as Mil Milhas Brasileiras saíram de Interlagos pela primeira vez. Aquela edição foi disputada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília - DF, e o protótipo AS - Vectra 2.0 do trio Vitor Meira/Athos Diniz/Alex Bachega, trazia adesivos de apoio à reeleição para cargos do executivo (prefeitos, governadores e presidente da república, junto com seus respectivos vices). A possibilidade de exercício de dois mandatos consecutivos veio a ser positivada com a aprovação da Emenda Constitucional nº 16, de 04 de junho de 1997. O protótipo largou na 4ª posição, tendo terminado a prova uma posição à frente.








sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Vencendo em quinteto

Vitória em Mil Milhas é feita em conjunto. Desde a preparação do carro, esquema de boxes e até a pilotagem, é impossível vencer uma prova de longa duração sozinho. Se no início da história os pilotos corriam em duplas, com o passar do tempo, o número de inscritos no mesmo carro foi aumentando.

A primeira vitória de um trio de pilotos veio com a primeira retomada da prova, em 1981. Naquele ano, os irmãos Giaffone (Affonso e Zeca) venceram a prova com Chico Serra em um Chevrolet Opala Stock Car. Apesar de ter registrado a 5ª posição nos treinos classificatórios, um vazamento de óleo do motor no fim dos treinos fez com que o preparador Jayme Silva decidisse pela troca do propulsor, o que colocou o Opala na última posição do grid. Mas, através de uma eficiente estratégia de paradas e plano de corrida, a vitória veio após 12h32min13s de corrida.

Já a primeira vitória em quarteto ocorreu em 2001, quando o Porsche 911 GT3 da equipe Stuttgart Sportscar foi pilotado por Max Wilson/Flávio Trindade/André Lara Resende/Régis Schuch. Após enfrentar os transtornos causados pelo temporal que caiu por duas horas e meia sobre a região de Interlagos, atrasando a largada em mais de três horas, o pole Porsche cruzou a linha de chegada após completar 375 voltas, com 12 de vantagem para o então campeão Jair Bana, que correu em um Protótipo Aldee em dupla com Tino Vianna.

E em 2021, foi registrada a primeira vitória de um quinteto nas Mil Milhas. José Vilela, Leandro Totti, Eduardo Souza Pimenta, Guilherme Ghizo e Leonardo Yoshi se uniram na pilotagem do Protótipo MRX 2.1 Ford Duratec, preparado pela Equipe LT Racing Team. Saindo da quinta posição, o protótipo tomou a liderança com cerca de 5 horas de 20 minutos de prova, sustentando-a até completar as 291 voltas da corrida (naquela edição, a prova foi limitada em 10 horas de duração, em virtude das restrições de convívio impostas pela Pandemia de Covid-19) com 4 voltas de vantagem para o segundo colocado (Protótipo R1 #31, de Leandro Guerra, Alexandre Zaninoto e Marcelo Camacho).

Cabe lembrar que esse mesmo carro havia vencido os 500 km de São Paulo em 2020, sob o comando de José Vilela, Leandro Totti, Gustavo Ghizo e Leonardo Yoshi.

Não percam hoje a live de aquecimento das Mil Milhas 2026, no Canal Entusiastas Sobre Rodas, em parceria com o Portal e TV High Speed. Começa às 20:00 no YouTube, neste link.






segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Mil Milhas 70 anos - Fuspyder (2022)

Uma das características que conferem uma aura especial às Mil Milhas Brasileiras, é a participação de bólidos que são fruto da criatividade, ousadia e inovação das equipes envolvidas. Nesse conceito, podemos incluir, sem sombra de dúvidas, o Fuspyder da equipe Bonora Racing.

Trata-se de um silhouette car (carroceria de fibra de vidro inspirada em um modelo de produção, montada sob chassi tubular) que nos remete à categoria europeia VW Fun Cup, caracterizada por grids lotados que reúnem dezenas de exemplares do VW Fusca (ou Beetle, fora do Brasil). Já o chassi, é derivado do tradicional protótipo Aldee Spyder (sendo utilizado também o motor VW AP 2.0), lançado em meados de 1998. Para a pintura, foi escolhido o laranja que caracterizou o VW Fusca bi-motor montado pelos irmãos Fittipaldi nos anos 60 (mais conhecido como Fitti-Fusca).

A estreia do bólido se deu em fevereiro de 2021, no evento denominado Guaporé Summer Race 2021 (prova extracampeonato da categoria Super Turismo), sendo que em razão de problemas na embreagem, Rodrigo Bonora (preparador e criador do carro) teve que abandonar a disputa logo no início.

Nas Mil Milhas de 2022, o Fuspyder foi inscrito sob o nº 7 (remetendo ao Fitti-Fusca), tendo como comandantes os pilotos Rodrigo Bonora/Jorge Selmer/Igor Taques/Fernando Dauer/Franco Dauer/Mário Marcondes. Após largar da 14ª posição, com o tempo de 1min54s477, o VW enfrentou problemas de câmbio na volta 26, que forçou uma parada mais longa nos boxes. Mas mesmo assim, o valente bólido retornou à pista, finalizando na 15ª posição, com 257 voltas completadas.


Fontes:

http://www.blogdopassatao.com/2021/02/fusca-spyder-conheca-o-fuspyder-do.html

https://nivelandoaengenharia.com.br/pt/blog/2021/12/14/1-000-milhas-do-brasil-2022/

http://blogdocarelli.blogspot.com