"Um espaço reservado para falar das lembranças, histórias e episódios dos mais de 50 anos de Mil Milhas Brasileiras. E de outras coisas mais!"

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Voyage1.8 de Joannis Lykouropoulos e Erasmo De Boer - Mil Milhas de 1992


Em 1992, a organização da Mil Milhas estreava uma nova estratégia com vistas a atrair maior público e atenção da mídia. Pela primeira vez, a prova teria largada durante o dia, mais especificamente ao meio-dia, como forma de aproveitar a iluminação natural durante a maior parte da prova. Tal estratégia foi adotada nos anos seguintes até 1998, quando a largada voltou a ocorrer durante a noite.

Mas a edição de 1992 ficou marcada principalmente pela 1ª vitória de uma equipe estrangeira na prova (além do carro importado, dois dos três pilotos vencedores eram estrangeiros também). Entretanto, esta vitória por pouco não aconteceu, em virtude de motivos que foram desde a quebra do motor do BMW M3 vencedor nos treinos, passando pela concorrência dos potentes Opala Stock Car e Mustang, e no fim, pela constância e autonomia de um valente Voyage 1.8, da dupla Joannis Lykouropoulos e Erasmo De Boer. Após largar do meio do grid, pois as primeiras posições foram tomadas sobretudo pelos potentes Stock, o VW foi avançando na classificação geral e na classe B (para carros como motor até 2.0 litros), beneficiando-se das quebras dos favoritos. No fim, terminaria na 2ª posição na classificação geral, 6 voltas atrás do vencedor, e em 1º na classe B, com nada mais nada menos que 20 voltas de vantagem para o 2º colocado, o Aldee RTT da dupla Sérgio Jimenez (pai) e Aristides Samos. 

Como já foi dito, o BMW sofreu uma quebra de motor durante os treinos, por conta da gasolina brasileira misturada ao álcool, e só teve condições de participar da prova após a Regino, representante da marca no Brasil, ter encontrado um veículo similar na cidade de Ribeirão Preto, que acabou cedendo o motor para o M3 nº 36 disputar a corrida. Então fica a pergunta: Se não fosse esse motor, será que o valente Voyage não teria faturado a Mil Milhas?

Adendo: Recebi em 06 de junho de 2016 o comentário do Thomas, filho do Erasmo De Boer, que "puxou minha orelha" para a grafia do nome de seu pai, rsrsrs. Além disso, Thomas esclareceu que no meio da prova, quebrou um dos amortecedores traseiros do Voyage, o que consequentemente levou à diminuição do ritmo de prova. Olha aí outro fator que limitou a performance do valente VW!


Foto retirada do site http://hiperfanauto.blogspot.com.br

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Lendas da Arrancada Brasileira - Continuação


Há mais de três anos, foi publicada neste blog uma postagem dedicada à lembrança de grandes carros e pilotos que fizeram história na arrancada brasileira. Entretanto, qualquer lista de eleição dos melhores, em qualquer que seja o assunto, já nasce sob o risco de ser injusta, pois sempre algum nome ficará de fora. Então, mais uma vez esse blog irá relembrar grandes nomes da arrancada brasileira, que em alguns casos, ainda estão em plena atividade.

Lembre-se sempre: Arrancada não é racha. Arrancada é Automobilismo!


1. Maverick 1974 de Alex Amoroso - Depois de mais de cinco anos parado, o Maveco voltou à ativa, no retorno do Campeonato Paulista de Arrancada, novamente ostentando a cor laranja, como nos tempos dos duelos com a Caravan da Equipe Motorclassic, de Geraldo Jafet.

2. Gol de Michel Salim Haddad Jr. - Bicampeão Paulista da antiga categoria Tração Dianteira Turbo Top, em 2003 e 2004, este carro encontra-se aposentado das provas de arrancada, mas conta com preparação de mais de 400 cv para andar nas ruas.

Foto de 2011, quando o carro foi matéria da revista Super Speed
Fusca Força Livre de Willian Jorge da Silva - 2004
E depois, correndo em Piracicaba



4. Gol Turbo de Leandro Romera - Atualmente disputando o Campeonato Brasileiro de Turismo, o piloto Leandro Romera já foi uma das figurinhas carimbadas da arrancada de Interlagos, entre 2002 e 2004. Disputando a categoria Turbo Dianteira Top, Leandro foi figura constante nos primeiros lugares da categoria. Em 2005, passou a disputar provas de circuito, pela categoria Spyder Race Paulista.
Leandro Romera disputando prova em Interlagos, no ano de 2002

5. Gol TDO de Samuel dos Santos - Antes de utilizar o Gol bola que lhe tornaria conhecido no cenário nacional da arrancada, Samuel dos Santos estreou em Interlagos, no ano de 2002, com um Gol bege, carroceria quadrada. Esse carro venceria sua primeira prova em 2004.
Samuel dos Santos correndo com a carroceria bola, no fim de 2004, com a qual foi tetracampeão (2007/2010) na pista de Piracicaba
E o Gol em 2013, sendo preparado para voltar às pistas, sob o comando de André Rimundini


Mas nem por isso Samuel dos Santos deixou de competir na arrancada. Em pouco tempo estava de volta, desta vez com o Celta recordista de potência

6. Clovis Weatcher - Multi campeão é pouco para definir o sucesso do piloto Clovis Weatcher na arrancada brasileira. São 10 títulos no campeonato gaúcho, 2 brasileiros e 12 do Festival Força Livre de arrancada. O começo na categoria ocorreu em 1992, a bordo de um Gol GT 1986 aspirado. Em 2006, foi adotado o Gol Furgão ano 1992, que faz sucesso até hoje.

Maverick Blower de João Eugênio Pletsch, o Nico, em plena atividade no Festival Paranaense de Arrancada 201 metros, em Cascavel. Esse carro tem uns 12 anos de história na arrancada! 



Gol Copa 1994 TDO de Marcelo Ceschini - campeão paulista da categoria, em 2003, este carro até pouco tempo atrás pertencia ao piloto Cristiano Frank...

que foi campeão da categoria Dianteira Original em Piracicaba, no ano de 2011...









e pouco depois vendeu o carro para Anderson Paes, que mudou totalmente o visual do Gol..



...e foi campeão da categoria em 2012 e 2013


8. Karmann Ghia de Eduardo Dutra: Já falei desse carro na postagem anterior, mas nunca é demais lembrar de um dos carros mais belos da arrancada brasileira. Afinal, Karmann Ghia é Karmann Ghia! Esse é um exemplar de 1970, equipado com motor Pauter 3.5 refrigerado a ar - no início das competições, o Karmann utilizava motor AP - com cerca de 400 HP. Após 4 anos parado, o bólido voltou a marcar presença nas arrancadas em 2009.

 
10. Maverick amarelo de Alexandre Costa/RJ: Este Maverick é um belo exemplar do Ford V8, muito bem montado, com todos os detalhes, além de possuir mecânica muito forte. Em 2005, quando fazia grandes participações na antiga categoria Estruturada, do Campeonato Paranaense, o Maveco acabou sofrendo um incêndio, durante a 4ª etapa daquele ano. Depois de 03 anos parado, o bólido deu as caras novamente, para fazer a alegria dos amantes da arrancada.






























11. Camaro 1970 de Flávio Ancona: O lindo Camaro azul que hoje pertence a Flávio Ancona, estreou na arrancada em 1997, durante o 5º Festival Brasileiro, pelas mãos de André Takeda. Na época, o bólido era impulsionado por um Big Block Chevrolet 540 cid, fabricado pela Sonny Leonard, sobrealimentado por um blower da marca Weiland. A potência ficava acima de descomunais 1.600 cavalos, tanto que era difícil fazer o carro tracionar corretamente. Em 1998, André retirou a mecânica do Camaro, e passou para o seu Dragster. Quanto ao GM, foi vendido para Ancona, que passou a utilizar um V8 aspirado com nitro, após uma bela reforma. Depois de vários anos parado, sendo utilizado apenas em exposições, este Camaro foi posto à venda.